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Project Cars Project Cars #208

Project Cars #208: a hora de entregar o BMW 750iL de presente para meu pai

Na data combinada fiz a transferência ao vendedor, e combinamos em fazer a retirada à tarde. Com tudo confirmado meu amigo foi até a casa do vendedor pegar os documentos e o carro. Ele foi me avisando do trajetória me dando feedbacks do carro. Ao fim, chegando no local onde ela ficaria guardada até decidir como trazer para Curitiba/PR, ele me mandou umas fotos. A idéia era usá-las para fazer a surpresa a meu pai.

Naquela noite mesmo armei a surpresa. Aproveitaríamos a pausa televisiva na casa dos meus pais para isso, e consistia em mostrar as fotos de um carro flagrado por um amigo de SP e esperar a reação.

Cheguei com o tablet na mão, com as fotos na tela, estava meu pai e minha mãe sentados um ao lado do outro. Ambos olharam para o tablet enquanto eu falava: olha o carro que meu amigo viu hoje. Meu pai ficou impressionado e ficou pedindo detalhes dela, olhando para as fotos. Nessa hora minha mãe pergunta: de quem é o carro? Eu respondo, apontando para meu pai: é dele.

Minha mãe solta um: “eu não acredito!” e meu pai sem entender nada, entretido olhando as fotos. Ele levantou a cabeça como se dissesse “o que eu perdi?”. Então repeti: “É sua, pai!”

Foi muito emocionante, depois de uns cinco segundos de pausa totalmente em silêncio ele levanta, abraça a mim e a minha esposa e agradece chorando. Sentamos novamente e expliquei sobre ela, sobre o dia que havíamos ido a SP, sobre todo o contexto. A única pergunta que ele fez foi: e quando ela vem?

Passada a notícia, começamos com os planos. Havia deixado três regras para meu pai: ele não poderia trocar o chaveiro do carro, só eu e ele iríamos dirigir o carro, e o BMW ficaria em meu nome pois era um presente, e eu não queria que ele tivesse que arcar com IPVA e outras despesas do carro. Ele concordou e começamos a pensar em como fazer para trazer. A idéia inicial seria irmos a São Paulo e trazê-la rodando. Já havia combinado de trocar o óleo e analisar a sujeira assustadora do lado esquerdo para podermos viajar tranqiilos.

Contudo, o tratamento do meu pai estava correndo, e ele estava se sentindo indisposto em alguns dias, sendo que poderia se tornar exaustiva uma viagem desse porte. Então, realizamos os serviços combinados em São Paulo (troca de óleo e reaperto de umas mangueiras da direção hidráulica, que causava a sujeira do lado esquerdo) e despachamos ela por cegonha mesmo, assim ela já poderia chegar e ser usada sem medo.

Ela chegaria num sábado. Combinei com minha esposa de irmos busca-lá e levar até meu pai. Saimos de casa cedo e ficamos quase três horas tentando achar o lugar onde ela estaria. Rodamos que nem tontos com o GPS que insistia em nos levar para o lado errado toda hora, mas finalmente achamos o lugar.

Ela estava um pouco suja, mas era a primeira vez que a via pessoalmente no sol. A pintura estava muito bonita, e aquele tamanho todo de carro era imponente. Pegamos a rodovia de volta para casa e já pude testar o poder dela. Realmente ali torque sobra. Mesmo com o peso extra da blindagem e pelo fato dela ser longa, o carro é absurdamente rápido. Um toque no acelerador e ela pula para a frente, devorando asfalto. Dei uma bela puxada deixando minha esposa para trás no outro carro, depois fui controlando para não levar uma multa logo de cara nos radares da rodovia.

Chegamos em casa, e lá entreguei em definitivo as chaves para meu pai, com o chaveiro que ele não poderia trocar. Mais uma vez ele se emocionou bastante, tanto que o chaveiro se tornou o símbolo da luta do meu pai contra a doença. Saí de casa para levar uns parentes no aeroporto e deixei ele lá dentro dela, admirando o presente.

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Ao retornarmos a casa ele estava extremamente alegre, já havia ligado o carro, estava tentando entender o que aquele monte de botões fazia, e me pedia dicas sobre ela. Conversamos um bom tempo e já começamos a fazer uma lista das coisas a serem feitas.

Quando analisamos ela ainda na pré compra, o scanner apontou falha em um dos MAF, airbag e ABS. Na checagem mais profunda imaginamos que seriam apenas sensores pois ela tinha todos estes equipamentos intactos. Além disso, quando foi trocar o óleo soubemos que esse carro havia ficado um bom tempo parado, aparentemente, então seria natural estes desgastes de sensores e fios.

Logo no início da semana seguinte ela foi para a oficina onde trocaríamos as mangueiras da direção e também faríamos uma revisão completa (só havíamos feito o básico em SP). O orçamento ficou pronto alguns dias depois e pegamos uma lista de sensores e outros detalhes que precisávamos trocar. No mesmo dia já encomendei nos EUA, sabendo que haveria uma demora na entrega. As peças consistiam em sensores de ABS das rodas, sensor do airbag do passageiro e esteira que vai no assento do banco do passageiro (que identifica se ele está ocupado ou não).

 

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Além dos sensores, aproveitei para comprar uns mimos. Primeiro os piscas brancos para tirar os laranjas que acho feios. Segundo, o telefone (sim, tenho fixação por ele, não me contentei em ter só na Grandona, tive que enfiar na banheira também). Ela não veio com a disqueteira, e, como eu prefiro manter o radio original, acabei comprando uma também, junto com um equalizador que fica no painel (mas infelizmente não serve na minha, que tem o sistema de áudio ser mais antigo). Aproveitei para comprar o botão do DSC que estava feio, nova manopla de câmbio, borrachas do pedal de freio de mão e outras bobeiras que me incomodavam.

Após isso ela iria para a funilaria arrumar os detalhes de riscos e ralados. Uns dias antes de levarmos na funilaria meu pai acabou não vendo uma pilastra de nossa garagem e deu nela. A cena foi até engraçada. No dia do ocorrido havia vindo para casa no almoço, entre compromissos do meu trabalho. Chegando em casa me deparo com meu pai entrando pela porta dos fundos com uma cara de assustado. Ele meio que ficou surpreso de me ver aquela hora na casa e começou a contar antes de eu perguntar qualquer coisa: “Filho, o retrovisor não está funcionando, fui dar ré e acabei acertando o pilar da garagem”. Fiquei com aquela cara de bobo olhando e pensando como é que um retrovisor pára de funcionar? Mantive a compostura e fui lá ver o estrago. Olhei e vi que a tampa do porta mala deu uma riscada e o final do para choque havia quebrado. Como já ia resolver a porta ralada, entrou na conta o pequeno incidente.

No meio tempo já fui atras de trocar as rodas dela. Achava que as rodas da E46 pouco ornavam com a banheira. Queria mesmo a Style 32′, que, junto com a M Parallel, sao “as” rodas para E38.

Encontrei um jogo de Style 32 em Curitiba mesmo, e fui buscá-las. Só que o off-set era da Série 3, então o carro ficou parecendo um Hot Wheels, com as rodinhas para dentro.

foto 8

Mesmo assim eram mais bonitas que as da E46, e permaneceram por algum tempo no carro. Nesse meio tempo ela estreou junto de duas das suas irmãs no trackday realizado em Curitiba, evento do fórum BMW que frequento. Apesar de não corrermos, foi bacana a primeira participação no evento com loucos como eu.

Cópia de foto 3

Outro evento importante que ela participou foi o casamento de minha irmã. Nada com um carro longo para levar noiva, então lá foi ela transportar o casal e também participar das fotos. Como tinha a regra acima (e o pai a noiva obviamente estava ocupado) fui eu como motorista official do casório. Acordei cedo, lavei e encerei o carro todo (que digamos, é como lavar dois carros), hidratei os couros, caprichei em tudo. E o que acontece às 18:00? Um toró do tamanho do mundo (com direito a granizo, bem na hora que eu estava na rua indo buscar minha irmão no salão – pensem em um cara aterrorizado). Apesar do susto, deu tudo certo. Logo que parou a chuva, encostei o carro pra checar se não tinha acontecido nada na lataria.

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Um dia encontrei as rodas Throwing Stars para a Série 8, e, com isso, poderia doar as Style 32 18′ para a Banheira, deixando ela com essa cara de carro de mafioso russo. Hoje ela está assim, e o mais importante, o meu pai esté bem, e pronto para aproveitar cada dia mais o presente que pudemos dar a ele.

Por Marco Centa, Project Cars #208

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Uma mensagem da equipe do FlatOut!

Marco, seu Project Car é uma daquelas histórias que ilustram com perfeição o significado dos carros para os gearheads. Além de ser um belo presente, temos certeza de que a alegria e o significado do carro — um presente de um filho para um pai — ajudou seu pai a se manter forte para superar seu problema. Parabéns!

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