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Project Cars Project Cars #215

Project Cars #215: salvando e preparando um Subaru Impreza GL 1994


Bom, assim como a maioria de vocês, não lembro exatamente quando comecei a gostar de carros. Meus pais e irmãos dizem que isso existe desde que eu nasci, então confio na versão deles da história. Ah, já ia esquecendo, me chamo Lucas Menotti, tenho 26 anos e moro em Recife/PE desde agosto de 2014.

Se eu disser que sempre gostei de carros japoneses, estaria mentindo, minha paixão eram os carros italianos. Tivemos Fiat na família, de 1996 a 2010 e aos 15 anos já participava de listas da marca no Yahoo Grupos, onde ganhei bastante conhecimento técnico e que anos depois me foram muito úteis quando virei jornalista do caderno automotivo do principal jornal do Pará (onde morei de 2003 a 2013).

Mas o que me fez parar num carro japonês? Sabem o ditado “A ocasião faz o ladrão” (no meu caso, faz o mendigo)? Então, comigo foi mais ou menos isso. Em 2011, por motivos de força maior, meus pais tiveram que se desfazer do 206 SW que tínhamos em casa e consequentemente, fiquei a pé. A essa altura, eu já tinha acompanhado alguns projetos de amigos e a semente do “Do it yourself” já estava plantada.

 

Que comece a procura

Era início de 2012 e eu achava que já era hora de ter o meu próprio projeto, mas como a verba era baixa e eu não queria nada como Gol, Corsa ou Mille, decidi ir atrás de Brasília ou 147. A procura não estava fácil, ou os carros estavam destruídos, ou muito caros, alguns estavam destruídos e muito caros. Até que um conhecido me disse que tinha uma Legacy por R$ 6.000 no jornal. Peguei para ver e, além da Legacy, tinha um modesto anúncio dizendo: ”Vendo Subaru 1994”. Liguei só por curiosidade e o senhor do outro lado da linha disse que era um Impreza 1.8 e queria R$ 2.000, mas que tinha R$ 500 de documento atrasado. O único problema era que o carro estava em Mosqueiro, uma cidade que ficava a 90km de Belém/PA.  Fiquei maluco. Liguei na hora para o Alisson, um amigo que também estava ajudando na procura e que me ensinou muito sobre mecânica e, como vão ver mais pra frente, ajudou muito neste projeto. Ele sugeriu de irmos ver o carro no mesmo dia.

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Na parte da tarde pegamos estrada para olhar o carro. Chegando em Mosqueiro, encontramos um pobre Impreza prata jogado no fundo de uma casa. A pintura estava queimada, a lataria tinha alguns amassados e o interior estava um verdadeiro chiqueiro, mas quando me abaixei e vi o diferencial traseiro, eu tinha certeza que aquele era o carro. Pusemos uma bateria e o velho 1.8 com 175.000 km pegou fácil e sem fumar e nem bater tucho.

Uma semana depois, com apoio do meu pai e dos meus amigos, voltamos para pegar o carro. Como não sabíamos como estava a mecânica, optamos por voltar puxando o Subaru até Belém. Mas ainda em Mosqueiro, as surpresas começaram a aparecer.

O então proprietário do carro me disse que o mecânico dele estava mexendo no carro, porque ele colocou gasolina e ainda assim não queria ligar. Depois de uns 40 minutos tentando sem sucesso, decidimos tirar o carro da casa rebocando e isso nos levou aos problemas dois e três. O lugar onde estava estacionado, não permitia muita manobra, ainda mais sendo rebocado. Depois de uns cinco minutos de apreensão e eu já sem esperança de manter a lateral direita inteira, o carro estava fora da vaga e até hoje não sei como ele saiu de lá sem raspar na parede.

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O outro problema é que na noite anterior choveu muito, então alagou ainda mais parte da garagem da casa e quando tiramos o carro da vaga, a água dava na metade da porta. Nisso a Doblò começou a querer atolar na mistura de lodo com areia. Depois de mais alguns minutos de tensão, estávamos fora da casa.

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Tudo pronto e acertado, pegamos a estrada de volta para casa. Foram aproximadamente 100 km debaixo de uma chuva que faria Noé ficar preocupado, sendo rebocados a mais de 100km/h em alguns momentos, pela Doblò Adventure que o Alisson tinha na época. Nisso descobri que tinha um rolamento mais que estragado e que a caixa de direção tinha uma folga monstro, como vocês podem ver no vídeo. Os barulhos que vocês escutam é o rolamento traseiro direito e a folga da caixa de direção, além da risada desesperada do meu amigo Mario, conhecido por muitos pelo apelido de Bombril.

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É, comprei um Impreza 94… o que foi que eu fiz?

Enfim em Belém, comecei a olhar o carro com mais calma… e o desespero começou a bater. Começando pelo interior. Parecia que o antigo proprietário tinha mergulhado o carro num mangue e deixado lá por semanas. Não tinha um centímetro que não estivesse sujo com algo que pareça lama, a moldura central estava aos pedaços os bancos pareciam ter servido de cama para mendigos. O interior tinha um monte de tralhas que foram direto para o lixo. Passando a mão em um ponto de ferrugem na porta direita traseira, sem querer furei ela… Pelas condições que ele estava, não demorou muito para ser apelidado de Mendigo.

E mecanicamente? Bom, descobrimos que a bomba de combustível tinha se aposentado, por isso o carro não ligava. Aproveitei e tirei os bicos e mandei limpar. Nisso descobri que ele estava com dois bicos originais e dois de Ford Zetec 1.8 (não é difícil achar Impreza 1.8 com bicos Ford). No Clube Subaru também me disseram que o arrefecimento não era original (mais tarde descobri que era radiador de Astra). Ah! O combustível que tinha no tanque, acho que era 60% álcool. Também aproveitamos para secar o tanque.

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Já que estava parado, aproveitei para trocar logo óleo e filtro. Depois de trocar a bomba, montar os bicos e colocar gasolina. Era hora de ver se o motor pegava. E pegou. Motor mostrou saúde, o que de certa forma me aliviou muito. Mas com o carro funcionando, descobri que tinha algo muito sério no sistema de direção hidráulica. Ela estava anormalmente pesada. Eu, Alisson e mais o conhecido que havia falado da Legacy, sangramos o sistema de direção hidráulica e descobrimos que tinha fluido de freio no sistema. Depois de tirar tudo e colocar o óleo certo, a direção ficou leve como devia ser.

 

Começando a reintegração do mendigo à sociedade

Carro funcionando, era hora de levá-lo para casa pela primeira vez. Chegando no prédio, assim que estacionei, apareceu o porteiro curioso pra saber o que era aquilo que eu tinha trazido para casa. Barulhento e envolvido na nuvem de fumaça criada pelo óleo que pingou no escapamento depois da limpeza do motor.

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No dia seguinte, logo pela manhã, levei o carro para a oficina, dar uma conferida melhor na mecânica e verificar algumas coisas que teria de trocar com mais urgência. Além da correia dentada e tensores, tive que encomendar também, pivôs, ponteiras de direção, cabos de velas e outras coisas menores.

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No dia que tirei o carro da oficina, fui encontrar os amigos para comemorar a volta do Mendigo e então acontece uma típica cena de filme de comédia. Passando em frente a um barzinho ao lado de uma faculdade, o abafador do mendigo quebra e fica pendurado raspando no chão. O pessoal no bar começa a gritar e rir, quando olho pelo escapamento, vejo ele desprendo e rolando pelo asfalto. Lógico que não voltei para pegar e fui rindo até encontrar os amigos.

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Com  primeira etapa da mecânica “resolvida”, comecei a ir com o carro para os encontros no posto e rodar com certa frequência e era legal chamar atenção, querendo ou não, o mendigo tinha carisma. E depois que um amigo tirou o insulfilm roxo, a aparência externa parou de ser algo que me incomodava muito e ainda por cima, agora não precisava mais andar com as janelas abertas o tempo todo.

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Nesse intervalo de tempo, aproveitei para encomendar a nova moldura do console central e o rolamento traseiro. Optei por comprar na concessionária e fiquei surpreso. Primeiro que eles tinham as peças em estoque, mesmo meu carro sendo 94. Segundo, o atendimento foi exemplar, terceiro, comprei as peças por telefone numa concessionária em São Paulo e em 48h estavam em minha casa em Belém. E por fim, os preços. Paguei pouco mais de R$110 na moldura e pouco mais de R$250 no rolamento e mais dois retentores. Com isso resolvi mais duas coisas que tornavam os passeios menos prazerosos e alcancei a paz interior. Ou quase isso. O painel ganhava uma nova cara, graças a nova moldura e o barulho insuportável do rolamento roncando, enfim foi resolvido.

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Para deixar meus dias ainda melhores, A Marina Renault, (dona de uma BMW 328 E36 preta que foi matéria no Jalopnik Brasil há alguns anos e também namorada do Alisson) me presenteou com algo que é praticamente marca registrada de todo Impreza antigo, Um abafador esportivo. Sim, ela me deu um abafador esportivo e que eu já vinha criando coragem para comprar há meses. Mais um ponto para o visual do Mendigo.

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Mas apesar do bom atendimento e da disponibilidade de peças, nós, donos de Subaru mais antigos, não podemos depender apenas das concessionárias. E é por isso que agradeço todos os dias pela existência do www.clubesubaru.com.br. Lá aprendi muita coisa a respeito do carro que tinha comprado e vi que muitas das preocupações que eu tinha, eram besteira. E lógico que não posso deixar de falar na questão das peças. Quem é do Clube sabe, aquilo é quase uma loja de doces. O que você precisar, você encontra e acreditem, eu precisei várias vezes recorrer aos “classificados do fórum”. Mas isso é assunto para um outro dia.

No próximo post começo a falar de novas peças, mutirão para limpeza do interior, nova suspensão, mudança de cidade e mais altos e baixos na nada fácil vida do Mendigo.

Até lá!

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