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Project Cars Project Cars #279

Project Cars #279: a reconstrução do motor do meu Honda Fit


Olá amigos, estou de volta com mais novidades sobre meu Fit. Neste post explicarei o que aconteceu com meu motor, e como resolvi o problema de vez. Peço desculpas pelo longo texto, mas garanto muitos detalhes.

Depois do último Hot Lap Distrito Racing que participei, em dezembro de 2015, meu carro já estava fumando muito e continuei rodando por uns três meses. Eu havia retificado o cabeçote antes do evento, trocando os retentores de válvulas que estavam estourados, e quatro válvulas.

flame_smoke

Mesmo o motor fumando muito, devido a anéis gastos, ele estava muito forte e foi a época que senti meu carro mais competitivo e tudo funcionava perfeitamente. Só teve um problema com ele, quando eu ia fechar as voltas de melhor tempo, quando eu percebia que tinha explorado o limite do motor e curvas sem ser penalizado, o carro também percebia o massacre e cortava o acelerador.

Me deu muita raiva, não sei o que pode ser. Dizem que é o acelerador eletrônico que faz fechar a borboleta quando a central entra em emergência. Mas não sou especialista neste assunto. Quando aconteceu a primeira vez, faltando 20 metros para a linha de chegada, eu feliz para fechar uma perfect lap, levei um susto, pois estava a quase 7.000 rpm e o carro apagou, fazendo eu quase perder o controle dele na saída da última curva. Uns três segundos depois o carro acelerou novamente, não vi óleo na pista, então fiquei tranquilo.

Para continuar indo pro trabalho no carro, mudei o óleo de 10w40 para o 15w40. Todo dia tinha que colocar um litro para rodar 100km. Um mês depois mudei para o óleo 20w50, e melhorou pouca coisa. Rodava uns 150km com um litro. Já nem lavava mais o carro. Nem me animava mais em nada com ele. Toda semana eu deixava acumular os frascos, não aspirava o carpete nunca. Dá para ver pela sujeira nas fotos.

Confesso que eu gostava do carro fumando. Claro que foi temporário e poluía muito, mas o maior prejudicado era eu, e estou vivo ainda. A maior utilidade dele foi no dia que a presidente do país nomeou um ministro indevido, e espontaneamente teve um buzinaço em frente ao congresso nacional. Imediatamente peguei meu carro e parti pra lá. Chegando lá me aproximei dos carros que estavam acelerando e comecei a acelerar e buzinar também. Fiz uma nuvem de fumaça imensa. Fechou um lado da esplanada dos ministérios de fumaça. Formou-se uma galera em volta do carro com umas bandeiras e gritando palavras de ordem. Já tinha queimado mais de um litro de óleo, então parei de acelerar e larguei o carro lá na grama e fui dar apoio ao pessoal a pé mesmo.

Dias depois, o carro começou a encharcar as velas em descidas longas. Eu tirava o pé do acelerador, e acho que o carro cortava o combustível, então com o movimento dos cilindros e sem queima, acumulava muito óleo nas velas. Tirei as oito e limpei. Três delas estavam sem os eletrodos externos. Só cinco estavam funcionando e também já deterioradas. E eram NGK Iridium com menos de um ano de uso. Um prejuízo de quase R$ 500 só nisso.

Aqui no FlatOut algumas pessoas falaram nos comentários que eu deveria me envolver no cenário automotivo de Brasília. Então pesquisei e descobri que existia uma quinta show, onde reuniam mais de cem carros num estacionamento, pessoas trocavam ideias, mostravam seus carros, e era onde se concentravam os carros mais insanos de Brasília, muitos projetos de respeito. Alguns aceleravam lá quando iam embora ou estavam chegando, mas é algo que não recomendo a ninguém fazer nesses tipos de encontro, porque além do risco de ser multado e perder a habilitação, se acontecer qualquer acidente, alguns vão fornecer ajuda, já outros vão torcer para que o pior aconteça com você. Um exemplo disso, foi quando um cara passou reto num balão e estourou os pneus na guia, uma galera ficou gritando e zoando muito do ocorrido.

fit_encontro

Uma semana depois do dia que fui lá, na semana que desmontei o motor do carro, pessoas que estavam lá mandaram vídeos e prints de conversas no WhatsApp dos encontros para o jornalismo de um canal de TV, e passaram uma reportagem, onde disseram algumas coisas que não acontecia lá. Até porque esse encontro era num estacionamento do próprio Detran e ninguém seria louco de beber e fazer qualquer tipo de manobra lá. O apresentador do jornal fez um questionamento, perguntando porque a gente não iria para o autódromo realizar esses encontros. Aí fica o outro questionamento: Cadê o nosso autódromo? Ele não sabe que nosso autódromo está fechado há anos, e com investigações de superfaturamento da reforma, etc.

Daniel Ferreira/Metrópoles

Foto: Daniel Ferreira/Metrópoles

Não temos mais nada de automobilismo em Brasília. Pagamos um mico enorme aqui quando cancelaram a Fórmula Indy, por esses problemas. Os Trackdays mais próximos são em Goiânia, mas fica extremamente caro correr lá. Tem que pagar hotel, combustível, entre outros gastos. Fica inviável ir pra Goiânia até para assistir. Só quem tem muito dinheiro consegue. A única maneira hoje de acelerar em Brasília, é num Dinamômetro. Tem um pessoal organizando um Dynoday. Vou participar, mesmo meu carro sendo fraco para estes tipos de evento, o que me importa é participar.

De 2007 à 2014, quando eu não tinha carro, sempre caminhava em torno de 20km quase todos os fins de semana para chegar no autódromo e assistir algum evento. Quando não tinha dinheiro para entrar, eu ficava do lado de fora em cima de alguma coisa para conseguir ver os carros. Então levo muito à sério essa questão do autódromo. Enquanto não terminarem essa reforma, o que nos resta é marcar encontros de carros na rua. Me esforço ao máximo que minhas condições permitem, para andar com meu carro dentro da lei. Claro que nem sempre dá pra ser perfeito. Maioria dos brasileiros, se fossem monitorados durante uma hora no trânsito, já teriam multas suficientes para perder a CNH.

 

Retífica completa do motor

Depois de tentar muitas medidas paliativas no motor, e acabando com os estoques de óleo 20w50 em alguns postos, fiquei na dúvida se comprava outro Fit, e encostava esse por um tempo, ou se eu gastaria muito dinheiro para trazer meu Fit de volta à vida. O lado das alegrias e a adrenalina que esse carro me proporcionou pesou mais. Decidi gastar tudo que pude para fazer o motor dele. Pensei em swap para R18 do New Civic, mas ia demorar muito, e no DF não tem como regularizar. O swap era fácil de encontrar e o custo seria próximo do que gastei no motor 1.3.

Minha prioridade era fazer o motor do Fit em no máximo cinco dias. Combinei com um amigo mecânico experiente com muitos anos trabalhando na Honda, que acabara de abrir uma nova oficina especializada Honda, a H-Vtec, para dar máxima atenção ao meu carro. Para não ter problemas com peças ou atrasos, paguei tudo à vista, compramos algumas das peças adiantado, e seguimos com o plano de fazer o motor o mais rápido possível, pois já estavam quase acabando minhas férias. Aí rapidinho o motor foi desmontado para mandar o bloco para a retífica. Só que uma surpresa muito desagradável apareceu.

 

O problema na retífica de motores Honda

Muitas pessoas me falaram que em motor Honda, retífica para medidas acima de 0.25mm o motor fica um lixo. Eu achei que não fosse verdade, mas conversei com vários mecânicos, e falaram que o motor faz barulho, consome muito óleo e aumenta o consumo de combustível consideravelmente. Meu mecânico falou que faria no meu carro com medidas até 0.50mm nos pistões e virabrequim, com minha autorização e sem garantir muito que ficaria perfeito. Aceitei a proposta, mas assim que fomos tirar as medidas, o bloco estava com desgaste de 1.00mm praticamente. E por incrível que pareça, o virabrequim e as bronzinas estavam sem desgaste. Suspeito muito do aditivo de óleo que coloquei.

Depois do uso de dois frascos do tal produto, especificamente no segundo que coloquei, em aproximadamente uma semana meu carro começou a fumar horrores e começou a baixar um litro em menos de 400km. Antes era em torno de 2.000 ou 3.000 km para completar um litro. E depois da troca do óleo e aplicação deste redutor de atrito, batia muita válvula e o motor estava muito áspero. Tanto é que até contei nos posts anteriores, que tive que trocar o óleo no outro dia. O que saiu do motor nem era mais óleo, pois ouve algum tipo de reação, que o óleo do meu carro virou água. Depois dessas trocas ainda dava para perceber o óleo meio aguado.

cabecote

Nos balancins, ao encostar o dedo, dá para sentir uma camada muito grudenta, que dizendo o mecânico, é o aditivo impregnado, cumprindo a função dele, mas num local sem relevância. 

Eu sei que acelero muito, mas sempre com motor quente, óleo de melhor qualidade (antes de consumir um litro por dia) etc. Jamais iam acabar os anéis de segmento e desgastar 1mm no bloco, sem que houvesse alguma anomalia no motor. Quando coloquei o primeiro frasco desse produto, meu motor era muito novo, com uns 100 mil km rodados, não fumava nada. Não reduziu atrito nenhum e me deu vários prejuízos imediatos, tirando a viscosidade do óleo e ressecando os retentores de válvula do meu carro.

As provas concretas que tenho, só são as do documento oficial do produto, comprovando que existe cloro na composição. Então é apenas meu relato e opinião que estou expondo. Vi outras pessoas falando no YouTube que usaram o mesmo redutor de atrito, e também o óleo perdeu a viscosidade. Outra enganação que está surgindo aos poucos, são esses produtos de flush, para tirar borras no motor.

Vi um mecânico no YouTube esses dias castigando um motor com esse negócio de flush, para tirar as borras, e não tirou absolutamente nada. Foi um mico o serviço. O que foi removido, até cuspindo e passando o dedo faria igual. Então fiquem espertos com essas frescuras. Só deixou o cabeçote bem claro, mas a sujeira de verdade impregnada, ficou exatamente como estava, não removeu um grama de borra!

Voltando à solução para o motor, só me restou mandar encamisar. Aí o preço quase dobrou. No final, ficou em torno de R$ 6.000,00 todo o custo. Pesquisei na internet, como ficaria um motor Honda encamisado, e levei um susto com a qualidade deste serviço. Fiquei noites sem dormir imaginando se o meu ficaria assim:

servico-ruim

O lado bom é que eu iria usar pistões standard. Comprei pistões novos, bronzinas, todas as juntas e retentores do motor, e muitos outros itens. Coloquei um kit de embreagem novo, pois o que estava era o original e já no ferro.

Quando recebi essas fotos do encamisamento com extrema perfeição e exatamente como eu desejava que ficasse, fiquei muito aliviado e confiante.

O motor do carro ficou perfeito. Com um óleo 100% sintético 5w40, o motor está muito macio e silencioso, o giro sobe muito suave. Já amaciei e troquei o óleo com mil km. Estou chegando nos 3.000 km e até agora tudo ok com o motor.

motor_novo

Meu carro também estava com um buraco no lugar do som, que me deixava com desgosto dele, somando outros detalhes. Adaptei um rádio com USB do Fit 2014. Ficou perfeito.

novo_som

Quando comecei mexer no carro, a primeira coisa que coloquei foram umas rodas aro 17 de competição, aparentemente de alumínio forjado, pela dificuldade que o especialista em rodas teve para desempenar elas, por causa da extrema dureza e pesando apenas 6.8kg cada. Só que acabaram os pneus e empenei duas numa viagem de 4.000 km que fiz para a Bahia. Ando com rodas 14 de ferro originais do Fit, atualmente. Então animei em deixar meu carro com visual bacana novamente. Andei Brasília toda para fazer uma tinta da cor branca do Honda NSX-R, Grand Prix White, ou o Honda Championship White do Integra Type-R raríssimo.

kit-corrida

Consegui fazer uma cor bem próxima do Grand Prix White. Agora só faltam os pneus, que irei comprar em breve, e as calotinhas com H vermelho, que já estão quase prontas.

 

Por que nunca desisto deste carro?

Depois que o Flatout fez uma postagem sobre os carros mais legais com preço entre 20 e 25 mil, vi que muitos criticaram, falando que o Fit é um carro sem sal, e sem merecimento algum de estar na lista de melhores neste preço, e que é uma minivan para senhoras e pessoas que não curtem carros. Como fiquei aborrecido com isso, vou mostrar os segredos do Fit.

Quem criticou o carro e sugeriu alguns nacionais, podem não ter o conhecimento necessário sobre o Fit. Não estou dizendo que o Fit seja melhor que todos os outros. Só quero mostrar as qualidades dele. Se eu tivesse outro carro, provavelmente iria defende-lo também. Como sou proprietário de um Fit, vou defender o Fit. Pode ser fraco mesmo, o motor, mas acham que foi só sorte eu andar mais rápido que dezenas de carros com até quatro vezes a potência do meu, suspensão preparada e até carros menores? Pode ser um carro desrespeitado na rua, pelo motor fraco, mas pelo menos nos Hot Laps, ele tem muito respeito. Pouquíssimos carros originais e do preço dele, andam junto com ele. Os que andam mais rápido, geralmente são menores e bem mais leves, e com melhor relação peso potência.

Lembrando que meu projeto é exclusivo para hot lap e dia a dia, e minha batalha é baixar meu tempo a cada evento. Conforme vou baixando tempo, vou superando o tempo de alguns carros e sinto que estou progredindo. Agora vamos conhecer o outro lado do Fit que poucos conhecem.

 

O dia em que o Drift King Keiichi Tsuchiya se surpreendeu com o Fit

No Japão existia um programa de TV chamado Best Motoring International (1987 à 2011), um programa com avaliações técnicas de carros. Os pilotos que testavam os carros, eram dos melhores do Japão, incluindo o próprio DK. Eles eram bem críticos com os carros. Analisavam cada detalhe. No volume ou episódio 13 do programa, eles levam o proprietário da Spoon Sports, Ischishima San, para apresentar ao mundo, o Spoon Fit No. 95 e a impressionante estrutura do monobloco original do Fit. Parte do texto abaixo eu li no blog Qual Carro, pois o editor transcreveu algumas partes da matéria para o Português.

keiichi_1

DK: Se alguém procura viver seu sonho, eu acho que o Fit pode ser transformado em um carro esportivo.

No caso do teste, era um Spoon Fit. O carro tinha em torno de 15cv a mais que o original, redução de peso, suspensão preparada, entre outros detalhes.

Ischishima San mostrou um monobloco de Fit para provar que ele pode ser um carro esportivo.

Ele afirma que não é esportivo pela aparência ou estilo, e sim pela estrutura do monobloco. Segundo ele, qualquer carro pode ser chamado de esportivo, colocando aerofólios, saias, etc., mas o chassi nunca poderá ser alterado.

O primeiro item que ele destaca, é a localização do tanque de combustível, que fica no centro do carro, abaixo do banco do motorista e passageiro.

tanque central

A estrutura do monobloco é flexível na parte de cima, e rígida embaixo, padrão existente em carros de categoria GT em todo o mundo, proporcionando uma impressionante rigidez à torção.

Quando Ischishima San começa a mostrar a parte de baixo do monobloco, ele fala que é feito de forma diferente dos demais carros urbanos. É todo reforçado com chapas de várias espessuras e estruturas tridimensionais, como por exemplo, esta enorme barra reforçada abaixo da localização do estepe.

Quando Keiichi Tsuchiya pilota o Fit, ele várias vezes diz não acreditar em tamanha performance e potencial do carro.

Foram muitos elogios, e ele afirma que realmente é um verdadeiro esportivo e muito divertido de pilotar. Este Fit foi projetado para provas de endurance.

Não é à toa que o monobloco do Fit é a base do Honda Civic Type-R FN2 Europeu.

 

Turbo?

Agora começo a planejar uma melhoria no motor do meu carro. Como não fiz o swap, a única solução para conseguir potência, é com turbo ou supercharger e baixar muito o centro de gravidade do carro. Estou analisando as peças necessárias, e vou comprar aos poucos. Quando eu tiver todas, aí faço o orçamento para montar. Será algo simples com pouca pressão e miolo original. Meu sonho mesmo seria um Rotrex, mas andar com este pedaço apelativo de Agera R, não é pra qualquer um.

Aí desisti. Quero este kit turbo para focar no objetivo de ficar entre os cinco carros mais rápidos de Hot Lap em Brasília. Um dia conseguirei. Enquanto isso, irei publicando o desenvolvimento do projeto. Um abraço a todos, e obrigado pelos comentários de apoio nos posts anteriores. Vocês leitores me motivam a cada dia. Até a próxima, pessoal.

Por Lucas Ribeiro, Project Cars #279

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