A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Project Cars Project Cars #302

Project Cars #302: a instalação do V8 no meu Chevrolet Opala

Bom galera vocês pediram e vão ter, este vai ser o post de project cars mais longo da história – mentira só vou escrever o suficiente dessa vez! – no primeiro post apresentei pra vocês eu, e a história do meu Chevrolet Opala, mas esqueci de mostrar o que já passou pela minha garagem apesar de o Opala ser o primeiro e mais especial veículo da frota.

Tive além do Opala algumas motos e um segundo carro, que não consegui manter por falta de verba. A primeira segunda-integrante da garagem foi uma CG125 1984 com cerca de 40 mil km originais, ela ainda tinha o câmbio de 4 marchas pra baixo – e não a primeira pra baixo e as outras 4 para cima, eu gostava muito daquele câmbio! – que foi vendida para o gerente da rede Chevrolet de Guaíba/RS e restaurada 100% original.

Foto 01 - CG125

Depois dela veio o carro e que saudade desse carro, embora eu seja apaixonado por motores gigantes, carros com tração traseira e barulhentos esse pequeno e querido Escort Hobby 1.0 com seus valentes 52cv – gentilmente apelidado de cicatriz – me fez muito feliz e só me deixou boas lembranças, tenho muitas saudades desse carrinho apesar dele aparentemente não ter nada empolgante. Para retratar nada melhor que uma foto numa trip com os amigos e o cachorro pra praia, vai uma mais elaborada também pois ele merece, eita carrinho zerado que vai deixar saudades!

 

Depois do cicatriz foi a vez da ovelha negra, essa não deixou nenhuma boa história pra contar, ou talvez a história ruim seja uma boa história pra contar agora não sei. Trata-se de uma XT225 2005, muito inteira e muito bonita, quem já andou numa sabe que o conforto de uma Yamaha não tem comparação (fanboy Yamaha detected), só teve um problema, eu não consegui fazer sequer um milhar de km com ela, fiz algumas centenas entre uma retífica e outra.

Sim meus amigos, fiz duas vezes retífica do motor assim que comprei de uma revenda, as duas por conta da revenda e as duas sem sucesso. Acabei botando à venda com motor batendo mesmo, deixei bem claro o que tinha acontecido e apareceu um rapaz com uma YBR 125 para dar na troca, eu tinha ficado meio assim com a Yamaha mas precisava de algo econômico – Aqueles dois mêses que tive a XT o Opala rodou cerca de 1500km por mês fazendo 5 à 6km/l no carro, façam as contas. – e aceitei a proposta.

Foto 04 - XT225

Agora a garagem está assim, o Opala como projeto, para uso em dias de chuva e finais de semana, a YBR125 pra daily – aliás, to gostando demais dessa motinha, obrigado Yamaha! – e a TTR230 para a diversão do final de semana. Como eu disse eu sou fissurado em moto desde pequeno, influências do meu pai que, naquela época, andava de XLX350 e hoje anda comigo com uma Husqvarna WR 250 2T. Já pensei em vender a moto de trilha para fazer o Opala mas não consigo, adoro essa moto e não quero me desfazer dela – aliás, ela tá na fila para ganhar umas coisas novas depois que o Opala receber o novo coração – pois essa moto foi metade comprada e metade ganhada dos meus pais, que me apoiam demais em todos os esportes que eu me meto.

 

Finalmente o swap

Ok, já falamos bastante sobre nada então vamos à meleca grande que é o motor que será implantado na minha lasanha. O motor é um Chevy Small Block de 283 polegadas cúbicas, deve ter vindo de uma Impala ou algo do tipo porém o bloco ainda mantém suas medidas standart. Este motor não é muito famoso então é muito difícil achar informações sobre ele, o que nos interessa é que o motor original oferece cerca de 200 cv e 35 mkgf, varia muito para cada veículo mas podemos dizer que é “maomeno” isso aí mesmo! Esse motor ficou conhecido na década de 50 lá fora por equipar as versões mais primitivas do Corvette até que, em 1961 o Vette seria equipado com o motor 327. Além de equipar o corvette esse motor também foi usado no Chevelle, Nova, El camino, Bel Air, entre outros.

Foto 07 - Motor

O meu bloco eu não sei daonde veio, consegui com o meu mecânico – aliás, obrigado Edu, vou falar de ti mais tarde ainda – mas o motor me chamou atenção por ser um motor bastante girador e pouco conhecido, sim eu gosto de passar trabalho mas fazer algo diferente! Junto com o bloco de medida standart veio o virabrequim original feito a primeira retifica que também vai ser usado. Em um primeiro estágio, vide que sou vendedor mas não ganho muito, vou montar esse motor da maneira mais econômica possível e nos próximos parágrafos vou explicar como será esse primeiro estágio, seguidamente das minhas intenções num futuro para ele e para o Opala em si.

Foto 08

Bom, vamos começar por baixo mesmo, cabeçotes originais de ferro, molas comuns, comando comum, tudo escolhido com base no menor preço. Como eu disse não tenho recursos financeiros pra cair de cabeça fazendo algo louco que vocês nunca viram antes, vai ser montado seguindo a receitinha original e ainda assim estarei triplicando a potência original do carro e duplicando o torque, acho que tá bom pra começarmos não? Está. O alternador vou usar o que tenho hoje que foi retirado de um santana, radiador será de Opala 6 cilindros, molas dianteiras também vão vir de um diplomata 6 canecos com ar e direção. Bomba de óleo, admissão, bomba de água tudo original ou de menor custo, apenas o sistema de ignição pretendo investir um pouco mais e usar logo um distribuidor HEI ou algo parecido.

O segredo do brinquedo está no aumento da capacidade cúbica do motor, os pistões serão usados os do Opala 6 cilindros provavelmente da marca metal leve, o virabrequim será o original como eu já havia citado e as bielas vão vir do Tempra. Não, vocês não precisam ler de novo, as bielas usadas no meu motor serão do Fiat Tipo/Tempra. Antes de “mas Kelvin tu vai usar peças Fiat no teu motor Chevrolet”, “Se vai montar um motor Chevrolet usa peças Chevrolet” e “porque não compra logo um tempra turbo?” deixem-me explicar. As bielas de Tempra são ligeiramente parecidas com as chevrolet em medidas e são compatíveis com algumas adaptações, o que me faz escolher elas é o baixo custo em comparação com bielas originais do motor 283, que teriam de ser importadas provavelmente, e principalmente a resistência dela perante as originais. Falando assim parece abobrinha mas só de segurar uma biela de Tempra e uma Chevy na mão nota-se a diferença no peso já, o perfil é o mesmo porém bem mais reforçado e o peso adicionado nas bielas não vai ser prejudicial para o motor, já que ele é em “V” e o conjunto todo será balanceado antes da montagem.

Com essa receita bem básica espero chegar em algo perto dos 200cv, lembrando que neste primeiro momento vou usar a caixa de câmbio original e o diferencial do Opala 6cil com auto-blocante que já tenho no meu carro. Também vou usar o volante e embreagem original do motor quatro cilindros, que provavelmente não vão aguentar muito tempo – mas quem se importa, vou estar andando de ve-oitão man! – o que me obriga a mais alguns “up’s” em toda a mecânica do meu carro mais pra frente.

Para esse swap vamos fazer algumas coisas – que eu sei que vocês já viram no post do Alexandre Garcia entitulado “Como fazer o seu Opaloito” – a primeira modificação que vou fazer é jogar a bateria para o porta-malas, coisa que eu já queria fazer há tempos pois gosto do visual do cofre limpo. A segunda das modificações tem a ver com os freios, de largada vou arrancar o servo-freio fora e usar ele apenas no cilindro mestre o que vai permitir a instalação do motor com folga e deixar o pedal mais ao meu gosto digamos assim. Também serão adaptados os discos do Diplomata na traseira, com pinças de Marea – nesse momento já deve ter gente me chamando de Fiat-lover enrustido e meu Opala de Frankesntein – além de reforço estrutural nas longarinas para aguentar o motor novo e melhorar a rigidez do carro enquanto não vem o santo-antônio (ops, spoiler). As rodas traseiras foram alargadas para 7” e ampliado o aro para 15” perante os 14”x5” originais, a dianteira permanecerá original mesmo! Para colocar o motor no lugar à princípio nada de mancais, vou soldar o motor na estrutura mesmo because race car, mas ainda quero andar num carro com motor soldado à estrutura pra ter uma ideia de como vai ficar.

 

Planos futuros

Para resolver a situação do câmbio e diferencial frágil vamos fazer mais algumas alterações, afinal eu quero um carro confiável para poder rodar no dia-a-dia. O drivetrain será atualizado portanto o câmbio, embreagem e diferencial vão vir de uma Blazer com motor V6 (Vortec), uma coisa legal dos carros Chevrolet é que câmbios e motores quase sempre são compatíveis em veículos similares.

Escolhi essa caixa pois ela possui cinco marchas e não quatro como a 260F de Dodge sendo a última marcha com relação 0,78:1 e não 1:1 como a maioria dos câmbios quatro marchas, o diferencial da Blazer é um Dana 44 com relação 3,73:1 que até é um pouco curto mas como vai entrar bem em conta não ligo, talvez num futuro eu mude para um com relação mais longa. Com esse powertrain vou ter um carro forte pra arrancar e que vai viajar a 100km/h com giro baixo, cerca de 2500rpm, e será muito robusto afinal quer algo mais robusto que cambio e diferencial de camionete que foi usada pela brigada militar por anos?

Tá beleza Kelvin agora tu tem parte de um powertrain cabuloso pra aguentar um motor furioso, qual o próximo passo? O motor furioso! Aqui eu não me resolvi muito bem ainda mas quero montar algo forte e confiável, nada de lenta embaralhada ou carro morto em baixa. Num futuro distante vejo o Opala bi-turbo, mas algo não tão surreal como o Opala V8 bi-turbo do Jader. Não sabe do que eu to falando? Vejam o video abaixo:

Claro isso é a ideia que eu tenho mas as coisas podem mudar, supercharger, aspirado, nitrado, tudo são coisas que passam pela minha cabeça mas provavelmente não irão aparecer aqui no FlatOut, pois esse é um projeto para a vida toda. O que posso adiantar é que antes disso tudo pretendo instalar cabeçotes de alumínio, fazer coletores dimensionados e usar um comando mais interessante com as devidas molas de válvulas.

Além dessa pequena preparação no motor pretendo usar injeção programável neste carro, sempre fui adepto a carburadores por puro saudosismo mas tive contato com carros preparados usando injeções um tanto quanto complexas e bom, os carros hoje em dia não usam mais carburador e sim injeção eletrônica por algum motivo né? Dessa maneira também posso rodar no álcool com partida a frio, evitando as gasolinas com péssima qualidade aqui do Brasil.

Foto 13 - Workbench ProTune

Já saindo um pouco do quesito motor pretendo instalar ar condicionado e direção hidráulica pretendo instalar o santo-antônio funcional, pra melhorar a rigidez do veículo mas sem retirar os bancos traseiros, afinal vou precisar levar os filhos pra escola um dia. Também quero trocar as rodas originais por réplicas das Weld ProStar, pois as originais são feitas exclusivamente pra carros de arrancada e não vão aguentar o tranco das estradas Brasileiras, algo como uma tala 10” na traseira e 6” na dianteira tá de bom tamanho. O interior, apesar de usar santo-antônio, pretendo deixar com os bancos que tenho agora e sem grandes parafernalhas, nada de banco concha, led’s por todo painel ou relógios monitorando até a pressão dos gases do piloto. Terá o necessário e o que destoar da minha proposta ficará escondido no porta-luvas, de castigo.

Esteticamente o carro é este aí, não fiz nenhum plano pra ele pois acho o carro muito bonito assim mesmo, claro que ele precisa uma reforma mas eu não estou me importando com isso. Para a turma do frisinho vou mandar os parachoques e frisos serem recuperados e voltarem à cara original mas a lataria vai longe assim como está, talvez eu faça uma restauração onde tem os podres maiores e pinte todo ele de fundo cinza num futuro próximo.

Por enquanto eu vou usando uma técnica muito arrojada para conserto de lataria e prevenção de infiltrações, é um produto que tu masca por alguns minutos até perder o sabor depois aplica na área desejada moldando-o conforme necessário, o produto chama-se chiclete e a técnica é uma gambiarra. O pessoal do grupo do FlatOut no WhatsApp adorou essa técnica desconhecida!

Foto 16 - Chiclete

 

Et Ceteras

Queria terminar esse post com um pouco das bobagens que fiz e felicidades que tive com esse carro, mesmo sendo um Opala quatro cilindros de míseros 80cv. Primeiramente devo lembrar a vocês que com piso molhado o carro pula de 80cv para 400cv automaticamente, se os pneus estiverem carecas a potência se eleva pra 500cv, isso torna o carro especial para os dias de chuva e não há como resistir uma acelerada numa saída de curva. Como eu gosto de gravar essas brincadeiras as vezes hoje teremos até videos pra vocês sentirem um pouco da brincadeira, não é um Ken Block nem um Han de V&F é óbvio, mas a diversão é incomparável.

Além da brincadeira nas saídas de curvas não dá pra deixar de aproveitar o torque e fazer marotagem as vezes, atire a primeira pedra quem nunca fez um burnout (pode ser até com o carro 1.0 da mãe) e gostou. O cheiro de borracha queimada pra mim é um dos melhores que existe, nada como acordar e sentir aquele cheiro impregnado na garagem do dia anterior ainda. Tá Kelvin cala a boca e manda o video.

Mas nem tudo é zuera, pinga, tendel, e foguete. Uso esse carro diariamente e também viajo com ele, seja pra algum encontro ou por simplesmente curtir pegar a estrada curto muito viajar. Alguns devem pensar que é loucura, fazer 100, 200, 300 ou até 500km com um carro com mais de 40 anos de idade mas a verdade é que ele é tão capaz quanto qualquer outro se tiveres o carro em dia. Eu gosto de carros que tem história, eu e meu carro temos história pra contar quanto à viagens e vou contar, pelo menos, a primeira delas.

Quando recebi a Carteira de Habilitação numa terça-feira, direto fui pra casa pegar o carro e dar umas voltas (aquela coisa de garoto recém habilitado), coloquei gasolina no tanque e acabou o dia. No dia seguinte resolvi que daria uma volta maior, fui até a zona rural da minha cidade onde a galera desce de skate que dava uns bons km de estrada calma que eu conhecia bem mas essa ainda não era a viagem. No dia seguinte, arrumei as malas, juntei a parafernalha de ferramentas, enchi o tanque (ostentação total), revisei o nível de água e óleo já me preparando pra completar os dois no meio da viagem e parti rumo ao litoral.

Isso aí mesmo, no meu terceiro dia habilitado eu peguei a lasanha e fui pra praia no final de semana do Planeta Atlântida curtir os shows, especialmente The Offspring, com a minha, agora, ex-namorada. Infelizmente não achei uma mísera foto dessa primeira viagem e fiquei chateado mesmo de não ter tirado uma foto disso, foi muito legal. Como consolo, tenho uma foto do segundo dia habilitado naquele rolê pela zona rural que fiz.

Foto 17 - Zona rural de NH

Se a ida foi tranquila e consumiu apenas alguns ml de água e um litro de óleo (eita) a volta já foi um pouco mais tumultuada. Voltei dando carona pra dois amigos que também não vão nunca esquecer dessa viagem. Dada a partida após o meio-dia tudo normal, carro pegou tranquilamente, andando um pouco já com radio e faróis ligados (eu sempre ligo os faróis e sinaleiras em viagens) o carro começou a falhar o rádio, desliguei e parei alguns metros adiante.

Nada de anormal no carro, pensei que fosse o maldito cd player shing-ling que tinha ido para o saco, entrei no carro pra seguir viagem e puf, sumiu a carga da bateria – pronto né, já viu que vai ser uma viagem daquelas – desce todo mundo empurra pega no tranco desliga tudo e vai embora. Como eu não conhecia o carro me obriguei a parar no caminho pra ver como ele tava, nesse momento ele já não marcava mais combustível, temperatura, acho que nem a luz do óleo acenderia se precisasse. Empurra de novo quase que o carro não pega e pau na máquina de novo, dessa vez logo atrás dos meus pais que cruzaram comigo no caminho.

Lá pelas tantas o maldito simplesmente apagou, morreu! Jogamos pra rua lateral e lá vão os dois delinquentes, que achavam que ia ser só alegria a viagem, empurrar o carro para fora da pista. Isso rendeu uma baita bolha no pé do meu amigo (abraço Luiz Alberto) por causa do asfalto quente. Em resumo o carro não tinha nada de bateria e a ignição não funcionava, o que nos levou a ter de fazer uma ponte do carro da minha mãe para o meu, sorte ter encontrado eles no caminho!

No final das contas conseguimos chegar em casa e a culpa era do maldito alternador de Chevette/Opala original ainda, que foi substituído pelo de Santana de 65Ah que eu uso até hoje. Alias até hoje uso o carro em viagens e procuro algumas rotas diferentes pra passar, eu gosto dessa função. Como eu to devendo fotos dessa primeira aventura com o carro, vou deixar as de algumas viagens que fiz recentemente.

Foto 18 - Estrada Velha

“Estrada velha” que ligava o litoral norte à capital, hoje quem faz esse serviço é a freeway ou BR-101, ao fundo a Lagoa dos Barros

Foto 19 - Parque eólico

Parque eólico de Osório

Foto 20 - Encontro com os amigos

Encontro com os amigos em Porto Alegre

E, pra encerrar esse segundo post, fiz diversas fotos dele, incluindo alguns detalhes, há pouco tempo. Então segue pra degustação:

Por Kelvin Spier, Project Cars #302

0pcdisclaimer2

Matérias relacionadas

Project Cars Bikes: regularizando e começando a restaurar a Kawasaki Ninja ZX11

Leonardo Contesini

Project Cars #182: a história do meu Honda Civic VTi 1993 turbo

Leonardo Contesini

Project Cars #369: o Celta GSi começa a ganhar sua cara esportiva

Leonardo Contesini