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Project Cars Project Cars #532

Project Cars #532: a história da minha Dodge Dakota R/T 5.2 V8

Por Eduardo Martinelli, Project Cars #532

Olá, pessoal! Começando meu project car número 2 mas antes de mais nada, vamos relembrar rapidamente o Prelude (Project Car #512). O vendi no final de 2020, curti o carro mas confesso que ele ficou mais tempo no estaleiro (Gearhead Garage) do que na minha garagem. A pandemia atrapalhou meus planos de uma viagem até a Serra do Rio do Rastro, paciência.

O Prelude era uma delícia ao volante, absurdamente grudado no chão, o Toyo R888 somado com os amortecedores Koni, freios Willwood e toda a dinâmica super acertada do próprio carro faziam eu correr alguns riscos desnecessários apenas pelo ronco absurdo do motor invadindo o habitáculo (escapamento feito pela Unique Performance) e pelo desejo de chegar no limite do carro.

Descobri que meu limite é menor que o limite do carro, me questionei “por quê” continuar se meu desejo adolescente não é este. E por que continuar se meu filho não gostava do carro? “Happiness is only real when shared” já dizia Alexander Supertramp.

A vida segue, planos mudam, a gente muda, sonhos adolescentes adormecidos despertam graças à algumas reportagens do Dalmo e do MAO. A mão coça, a gente não enxerga mais a garagem com aquele brilho nos olhos. A vida passa, o espírito entusiasta só piora, é a lei da vida, é como a natureza rege e como expôs Darwin no livro A Origem das Espécies.

O carro que comprei por puro espírito entusiasta, a minha tela em branco, já não me emocionava mais. Me divertia muito mais com meu daily junto com a minha família do que com o Prelude sozinho.

Pois é.. depois deste devaneio todo vendi o carro (minha esposa inicialmente foi até contra: “você montou ele com carinho, ele é bonito… certeza?”) e o novo dono o levou até São Paulo dirigindo, saiu de Criciúma até São Paulo com o Project Bach, imagino que deve ter sido divertido.

Graças ao MAO e ao Dalmo, o moleque da década de 90 renasceu. Lembrei daquele carro que vi na revista Quatro Rodas na edição 435 de outubro de 1996, era vermelho, lindo, maravilhoso! 

A garagem ficou apenas com o daily por um tempo, enquanto isto a procura noturna atrás do meu sonho é voraz, todos os sites, praticamente TODOS, procuro o especial, aquele me fazia sonhar moleque, encontro alguns pouquíssimos, mas nenhum na carroceria e motorização que desejava.

Dodge Dakota R/T 5.2 V8 cabine simples. A mini Dodge Ram. O último V8 fabricado no Brasil. O tradicional 318 Magnum com umas melhorias para entregar 232 cavalinhos pelas rodas traseiras.

Encontrei a minha através do Google (ele sabe tudo sobre você, ouve tudo, “lê” tudo que você pesquisa, e não pense que eu digitei “Dodge Dakota R/T cabine simples a venda” no buscador, cuidado), no meio de um breve relax no Instagram ele me coloca o anúncio do carro que estava procurando todas as noites! A Dakota R/T V8 cabine simples na cor branca.

Estava em um estilo meio outlaw, badass, rodas pretas, baixa, com um certo exagero também, confesso. Santantônio e aquele para choque de ferro com milhas que não combinavam de forma alguma com o desenho do carro. Mas me parecia um bom projeto. E acima de tudo, era a rara V8 cabine simples. Não sei quantas foram feitas desta versão, acredito que foram poucas, pois o que mais se vê são as V8 cabine estendida (linda também).

 

Um único porém, estou em Criciúma/SC, carro estava em Piracicaba/SP, é dezembro de 2020, preciso correr e fazer a lição de casa:

– quanto custa para alguém ir lá ver para mim?
– quanto custa para trazê-la?
– quanto custa uma revisão completa e uma ou outra customização?

Com estas três frentes aciono o Felipe (caçador de carros), uma indicação de guincho que trouxe o Prelude de São Paulo para mim e fez um ótimo trabalho e os tradicionais f*cking guys da Gearhead Garage. Os caras são demais.

Com todos os custos na mão, começa a negociação, canelada daqui, contra proposta de lá, alguns dias sem responder, de ambos os lados, mais um pouco de negociação até que encontramos um valor em comum. Precisava correr agora, estava na última semana de dezembro.

O Felipe foi lá em Piracicaba no dia 31 de dezembro, tirou quase 100 fotos do carro, fez vídeo, passou sua percepção. Era um carro de trabalho e tinha mais de 200.000 quilômetros rodados mas, por incrível que pareça, estava bom, muito bom. Aliás, os bancos pareciam novos, apesar de serem originais, o tabelier íntegro, sem nenhuma mancha ou rachadura, todos os botões ok. Óbvio que haviam detalhes mas nada que prejudicasse o negócio e tudo que precisaria trocar já estava com os valores e entrou na negociação. Negócio fechado! Obrigado, Pix!

Comprei meu sonho adolescente no último dia de 2020. Parecia criança contando pra esposa, filho (ele é parceiro, topou a picape do papai), mãe, irmã, cunhado, sobrinhos…. “Comprei um carro V8 de 20 anos, pessoal” eles amaram. Prefiro acreditar nisso.

Devido às festividades de final de ano, o Felipe deixou a Dakota na Gearhead Garage no dia 04 de janeiro, a ideia inicial é deixa-lo pronto para o meu aniversário, dia 01 de fevereiro.

Check list:

– Troca de fluídos,
– Troca de mangueiras,
– Troca de correias,
– Troca de retentores,
– Troca de velas,
– Troca de cabos,
– Revisão dos freios e suspensão (avaliar a altura e se dá para rebaixar mais um pouco),
– Upgrade no escapamento (quero ele na lateral, saindo logo após a porta do passageiro),
– Retirada do Santo Antônio e para barros,
– Retirada do adesivo da caçamba,
– Retirada do protetor de caçamba,
– Trocar os retrovisores pela versão R/T americana (menores e mais harmônicos), os nacionais parecem orelhas de Mickey,
– Substituição das lanternas traseiras da versão americana (na minha opinião, mais bonita),
– Substituição dos piscas dianteiros pela cor âmbar (estavam as lentes transparentes),
– Substituição da tampa de válvula por um da MOPAR,
– Colocar um som mais moderno Pioneer com caixas JBL nas furações originais,
– Pintar as rodas na cor prata original,
– Colocar pneus Cooper Cobra 255/60 R15 na dianteira e um rolo compressor Cooper Cobra 295/50 R15 na traseira.

É um projeto relativamente simples, não vou desmontar o carro todo nem vou pintá-lo inteiro, é manutenção básica pós compra com um ou outro upgrade e customização. Um amigo Flatouter fez uma projeção de como ficará, a ideia inicial era manter o estilo badass, mas depois de ver a projeção seguirei o period correct, mantendo inspiração da Dakota R/T Americana, visual limpo, clean, clássico.

Ocorre que relativamente simples nunca é para uma picape V8 com 20 anos nas costas.

To becontinued…


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