FlatOut!
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Pergunta do dia

Qual é o melhor piloto de corridas que nunca conquistou um título?

Foto: Neill Watson

“E aí, Piquet, vai correr para ganhar?”, perguntou o repórter ao tricampeão de Fórmula 1 Nelson Piquet, conhecido por sua irreverência. “Não, vou correr para chegar em 14º”. Óbvio que é para ganhar, pois vitórias e títulos são o objetivo principal de qualquer piloto, de qualquer categoria. Acontece que há pilotos geniais que nunca conquistaram títulos em suas categorias, e o FlatOut quer saber: qual foi o melhor deles — o melhor piloto que nunca levou um título para casa?

Como de costume, a primeira sugestão é nossa: Sir Stirling Moss, que venceu muitas corridas, mas jamais foi campeão na categoria que disputou a maior parte de sua carreira: a Fórmula 1.

Andamos falando bastante de Sir Stirling Moss nos últimos tempos: seu nome foi citado algumas vezes na nossa série sobre as Lendas de Le Manssua vitória na Mille Miglia com o Mercedes-Benz 300SLR completou 60 anos em 2015 e nosso editor Gustavo Henrique Ruffo contou como foi entrevistá-lo por telefone em 2011.

O homem é uma lenda, tendo disputado 529 corridas entre 1948 e 1962 e, destas, vencido 212. Ele já chegou a disputar 62 corridas em um único ano, e pilotou carros de 84 marcas diferentes na carreira. Depois de se “aposentar” em 1962, Moss ainda passou mais de duas décadas correndo ativamente no automobilismo profissional.

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Moss e seu Cooper 500

Moss tinha apenas 19 anos quando comprou seu primeiro carro de corrida, um Cooper 500, em 1948, usando o dinheiro dos prêmios das competições de hipismo das quais participava. Depois de convencer seu pai a deixar que ele comprasse o carro e se tornasse um piloto — o velho preferia que seu filho fosse dentista —, Moss provou que tinha talento ao dominar a Fórmula 3 britânica em pouco tempo. Em 1955 Moss venceu sua primeira corrida de Fórmula 1, o GP da Grã Bretanha, ao volante do Mercedes W196 — o carro que deu origem ao 300SLR que protagonizou a tragédia de Le Mans de 1955.

Na verdade, o desastre no circuito de La Sarthe também mudou a história da carreira de Stirling Moss: depois do acidente, as três últimas corridas da temporada de 1955 da Fórmula 1 (os GPs da Alemanha, da Suíça e da Espanha) foram canceladas. Restou apenas o GP da Itália e, mesmo que Stirling Moss vencesse a corrida, não conseguiria superar o número de pontos de seu colega de equipe, amigo, mentor e rival Juan Manuel Fangio.

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Se as três corridas não tivessem sido canceladas, a história poderia ser diferente. Comentários da imprensa na época sugeriam que Fangio havia entregue a vitória a Moss para que ele tivesse a alegria de vencer em casa, mas o argentino desmentiu dizendo que que Moss era “simplesmente o melhor” naquele dia. Se Fangio disse, não é difícil imaginar Stirling Moss vencendo outras três corridas.

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Fangio e Moss

Além disso, Moss teve as mãos no caneco na temporada de 1958, mas uma atitude que expressa exatamente o espírito da época fez com que ele perdesse o título. Depois do GP de Portugal daquele ano, Mike Hawthorn seria punido por deixar seu carro andar de ré para fazer o motor pegar no tranco depois de uma rodada na pista e perderia os seis pontos conquistados com o segundo lugar. Durante o julgamento dos fiscais de prova, Moss defendeu o colega dizendo que a sugestão de deixar o carro rolar para trás para pegar no tranco fora sua, e que Hawthorn não estava no traçado oficial da prova ao fazer isso. Com o testemunho de Moss, Hawthorn manteve seu segundo lugar e seus seis pontos. No fim do campeonato, o Moss perdeu o título para Hawthorn por apenas um ponto, ainda que tenha vencido quatro corridas e seu rival apenas uma.

Ainda na década de 50, Moss quebrou três recordes de velocidade. Em 1950, revezou ao volante de um Jaguar XK120 com o britânico Leslie Johnson no Autódrome de Montlhéry — os dois pilotaram por 24 horas consecutivas a uma velocidade média de 172,94 km/h. Dois anos depois, Moss voltou a Montlhéry, destavez com uma equipe de quatro pilotos, que revezaram ao volante de outro XK120 por sete dias e sete noites a uma velocidade média de 161,43 km/h.

Por fim, em 1957, Moss foi às planícies de sal de Bonneville com um protótipo feito sob medida para quebrar o recorde de velocidade em um quilômetro lançado. O chamado MG EX181 equipado com um quatro-cilindros de 1,5 litro supercharged de 290 cv chegou aos 395,32 km/h, quebrando cinco recordes internacionais de uma vez.

Mas Sir Stirling Moss nunca conquistou um título na Fórmula 1, categoria que sempre fora seu principal foco. Ainda assim, o senhor que se aposentou para valer das pistas em 2011, aos 81 anos de idade, é um dos maiores pilotos de todos os tempos. Que outros grandes pilotos sem títulos você conhece? E qual deles é seu favorito? Como de costume, a caixa de comentários espera por você!