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Pergunta do dia

Qual foi a edição mais marcante na história do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1?

Estamos em meados de novembro. Sabe o que isto significa? Que já é permitido começar a planejar as festas de fim de ano, que já dá para encontrar decoração de Natal nas lojas e que neste fim de semana tem Grande Prêmio do Brasil em Interlagos. Será a 43ª edição da corrida de Fórmula 1, que é realizada desde 1972.

De lá para cá, muita coisa aconteceu — incluindo a substituição de Interlagos pelo Autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, nos anos 80. A tradição voltou em 1990 e, desde então, a Fórmula 1 não deixou Interlagos por um ano sequer. Ainda mais agora, que, infelizmente, o autódromo do Rio se tornou parte do passado.

Dito isto, seria injusto perguntar qual foi o Grande Prêmio do Brasil mais marcante de todos e considerar apenas as provas disputadas em Interlagos. Então lá vai: qual foi a corrida de Fórmula 1 mais emocionante já disputada no Brasil?

Como de costume, vamos dar a largada. E não poderíamos escolher outra corrida que não o GP de Interlagos de 1991, o segundo realizado no novo traçado. Ayrton Senna venceu em casa, com o câmbio quebrado, em um final de corrida dramático que entrou para a história.

Ayrton já não era mais um novato — em 1991 ele já havia passado pela Toleman e pela Lotus, e estava em seu quarto ano de McLaren e já era bicampeão mundial. Àquela altura, o lugar dele entre os maiores pilotos de Fórmula 1 da história já estava mais do que garantido. No entanto, Ayrton ainda não havia conseguido uma vitória em casa.

Considerando seu segundo título conquistado no ano anterior, além do fato de ter aberto a temporada de 1991 com uma vitória nos EUA, Ayrton Senna naturalmente era um dos favoritos não apenas para vencer em casa, mas também para ficar com o título. E, de fato, este parecia mesmo ser o inevitável: ao volante do McLaren MP4/6, dotado de um belo V12 de 3,4 litros, Senna ficou com a pole ao virar 1:16,392.

 

Riccardo Patrese e Nigel Mansell, ambos da Williams-Renault, largaram logo atrás. Prost, seu maior rival, era apenas o sexto colocado atrás do colega de Ferrari Jean Alesi e de Gerhard Berger, que também defendia a McLaren.

Logo nas primeiras voltas, Senna despontou na frente, abrindo cerca de três segundos de vantagem já na volta 8. Na época, apenas os seis primeiros colocados na corrida pontuavam, de modo que a briga neste pelotão da frente foi bastante acalorada. Berger, Patrese, Alesi e Prost trocavam de posições constantemente.

Mas a verdadeira disputa era mesmo entre Ayrton Senna e Nigel Mansell, que conseguiu ultrapassar Patrese e seguiu Senna por boa parte da corrida. O britânico parecia determinado a alcançar Senna e, de fato, isto poderia acontecer a qualquer momento, ao menor deslize de um dos dois.

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O que ninguém sabia era que, faltando cerca de 20 voltas para o fim da prova (eram 71 voltas no total, ou cerca de 307 km), o câmbio do McLaren perdeu a quarta marcha. Imediatamente, o esforço físico necessário para guiar rápido o monoposto ficou muito maior. Para sua sorte, o câmbio da Williams de Mansell também abriu o bico, na 60ª volta.

Com o britânico fora, Patrese assumiu seu lugar. Senna não tinha tanto motivo para se preocupar: ele ainda estava sete segundos na frente e a corrida chegava perto do fim. No entanto, algo ainda pior aconteceu: faltando sete voltas para a chegada as outras marchas foram sucumbindo.

No fim das contas, Senna pilotou as últimas seis voltas do GP do Brasil de 1991 apenas com a sexta marcha. E Riccardo Patrese chegava cada vez mais perto. Seria até compreensível se ele acabasse ficando no segundo lugar do pódio — na verdade, isto já seria incrível, considerando as circunstâncias.

De qualquer forma, não foi o que aconteceu. Fazendo um esforço sobre-humano, Senna segurou a ponta até o último instante. Logo depois da corrida, quase sem conseguir ficar em pé, disse:

Foi um martírio. Só pensava que tinha de conseguir. Mas Deus me deu forças para fazer aquele esforço físico. Na chegada eu tive um espasmo muscular por causa das cãibras, foi uma das piores dores que senti na vida. Mas a vontade de vencer era maior. Foi maravilhoso.

Foi a segunda das sete vitórias de Senna na temporada de 1991, que foi encerrada com seu tricampeonato. As imagens do piloto mal conseguindo erguer o troféu, precisando de ajuda para fazê-lo, vai ficar para sempre marcada não apenas na história de Interlagos, mas também de toda a Fórmula 1. No vídeo abaixo, você pode conferir a corrida na íntegra:

Eis nossa sugestão. Mas agora é sua vez: qual foi a edição mais marcante na história do Grande Prêmio do Brasil?

 

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