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Ruf SCR 2018: o novo “super 911” de fibra de carbono e inox com motor de 510 cv dá as caras em Genebra

Você provavelmente lembra do carro que a Ruf levou para o Salão de Genebra em 2017: uma releitura do icônico CTR Yellowbird de 1987, chamada simplesmente “CTR”, com visual retrô e um flat six biturbo de 3,6 litros e 710 cv. Na época achamos que seria difícil superá-lo. Hoje em dia… talvez não seja.

Dizemos isto porque a novidade da Ruf para a edição 2018 do Salão nos parece ainda mais radical. O Ruf SCR é uma nova interpretação da fórmula, porém inspirado em outro Ruf do passado: O SCR de 1978.

Se você lê o FlatOut há algum tempo, provavelmente já passou os olhos pelos posts que fizemos sobre a Ruf, sobre o lendário Yellowbird dos anos 80 e sobre como a Ruf passou de preparadora a fabricante de automóveis ao modificar quase tudo o que é possível modificar no 911. No início a empresa, fundada por Alois Ruf em 1939, era uma oficina mecânica. Em 1960 Alois Ruf Jr. começou a trabalhar na companhia, focando-se em reparos e modificações nos Porsche 356 e 550 Spyder – o 911 sequer havia sido lançado. Quando seu pai morreu, em 1974, Alois Ruf Jr. assumiu o controle e mudou o foco da Ruf, que passou a dedicar-se exclusivamente à manutenção, preparação e restauração dos carros da Porsche.

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O Ruf SCR de 1978

Em 1977, Alois Ruf Jr. fez um 911 Turbo com motor de 3,3 litros e mais de 300 cv. Originalmente, eram três litros e 260 cv— e, não por acaso, no ano seguinte a própria Porsche ampliou o deslocamento do flat-6 para 3,3 litros. No ano seguinte, Ruf preparou seu primeiro Porsche 911 aspirado. Batizado como 911 SCR, o carro tinha um flat-6 de 3,2 litros e 217 cv e foi o primeiro grande sucesso da Ruf como preparadora. E foi no SCR original de 1978, que a Ruf se inspirou para criar a versão 2018. Uma maneira mais do que apropriada de homenagear o Ruf SCR pelos seus 40 anos.

 

A receita clássica da Ruf envolvia a compra de um monobloco original Porsche, sem marcação de chassis, e a instalação de um conjunto mecânico baseado nos projetos de Stuttgart, porém com componentes fabricados pela própria Ruf. Isto garantia, legalmente, os Ruf não fossem Porsche. Em 2016 a companhia apresentou em Genebra o Ruf SCR 4.2, versão moderna com um monobloco modificado de Porsche 993 e mecânica própria – um flat-six naturalmente aspirado de 525 cv e 8.350 rpm e 50,1 mkgf de torque a 5.820 rpm. Todos os painéis da carroceria eram feitos de fibra de carbono.

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Agora, o Ruf SCR adotou a mesma técnica de construção do CTR apresentado em 2017: em vez de usar um monobloco Porsche modificado e sem numeração, ele foi feito sobre uma estrutura própria, com assoalho de fibra de carbono e subchassis dianteiro e traseiro tubulares, em aço inox. Além disso, a estrutura conta com uma gaiola de proteção integrada, também em inox. A suspensão é independente nas quatro rodas, com braços triangulares sobrepostos e amortecedores pushrod instalados na horizontal (como nos monopostos de competição) na dianteira e na traseira. É praticamente o mesmo setup do Yellowbird do ano passado – que também foi apresentado em sua “versão final” no Salão de Genebra 2018.

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O motor, porém, é diferente. O SCR é equipado com um flat-six naturalmente aspirado de quatro litros e 510 cv a 8.270 rpm, além de 47,9 mkgf de torque a 5.760 rpm, acoplado a uma caixa manual de seis marchas. A tração é traseira, com diferencial de deslizamento limitado.

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De acordo com a Ruf, o motor é “levemente baseado” no motor Mezger utilizado a partir de 2000, com arrefecimento líquido e injeção direta de combustível, empregado no Porsche 911 GT3 997. A Ruf, mais uma vez, é econômica nos dados de desempenho (eles provavelmente querem que os futuros proprietários descubram sozinhos), dizendo apenas que a velocidade máxima é de 320 km/h. Mas estamos falando de um carro que pesa menos de 1.300 kg, ou seja, são 2,54 kg/cv – melhor do que o Porsche 911 GT3 RS lançado há alguns dias, que com seus 1.430 kg e 520 cv, tem relação peso/potência de 2,75kg/cv. E o GT3 RS é capaz de acelerar até os 100 km/h em três segundos cravados, com máxima de 310 km/h. Por aí, podemos ter uma noção do quanto o SCR 2018 pode andar.

Agora, por mais que o novo carro da Ruf tenha espírito de competição, seu apelo é bem diferente do GT3 RS. A carroceria de fibra de carbono (pintada na bela cor verde Irish Green) é discreta, misturando elegância clássica e linhas esguias com elementos modernos como faróis com projetores, lanternas de LED e para-choques de desenho que remete ao clássico 964, porém integrados à carroceria. As rodas de cinco raios abrigam discos de freio de carbono-cerâmica.

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O interior todo revestido em Alcantara é muito semelhante ao de um Porsche clássico, porém o acabamento artesanal dá a ele um aspecto racing bem interessante e sem frescuras. Prestando atenção é possível notar alguns detalhes legais, como a fibra de carbono exposta no assoalho e os puxadores de tecido para abrir as portas por dentro. Os pedais (três, claro) são de alumínio, os bancos são de fibra de carbono e o volante é de três raios.

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A Ruf diz que o desenvolvimento do SCR 2018 incluiu dois anos de testes com um protótipo, o que indica que ele foi desenvolvido em conjunto com o CTR Yellowbird apresentado no ano passado. No fim das contas, podemos dizer que os dois projetos se completam: o Yellowbird é um monstro biturbo de 710 cv feito para destruir tempos de volta, enquanto o SCR é um driver’s car retrô. Difícil decidir entre os dois.

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