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Speed Sisters: a primeira (e única) equipe feminina de corridas do Oriente Médio

Ao contrário da Arábia Saudita, na Palestina (ou no território ocupado pelos palestinos) as mulheres podem dirigir. Algumas delas até desenvolvem uma paixão sem limites por velocidades e corridas. Foi o caso de Noor Dawood, a única mulher piloto de drift do Oriente Médio e um dos quatro membros das Speed Sisters, a única equipe de corrida do Oriente Médio composta apenas por mulheres.

Além de Noor,  Mona Ennab, Betty Saadeh e, mais recentemente, Sahar Jawabrah fazem parte de uma equipe de mulheres que sempre dirigiram rápido, e orgulhosamente admitem que todas elas já levaram multas por excesso de velocidade nas ruas de Rammalah, na Cisjordânia. Certamente as quatro estariam participando de corridas ilegais se não fosse a competição organizada pela Federação Palestina de Automobilismo.

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São mulheres diferentes, de idades diferentes, com vidas diferentes. Noor tem 23 anos e nasceu no Texas. Mona e Betty são ex-modelos e até já participaram de concursos de beleza. Sahar é bibliotecária e mãe de família. As quatro têm em comum o gosto por velocidade, e o fato de estarem competindo e se saindo muito bem com seus carros no meio de um cenário predominantemente masculino — adversários e público são todos homens.

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Elas disputam uma série de autocross conhecida como Speed Test, iniciada em 2005, logo depois que a onda de violência entre Israel e os palestinos começou a cessar.  As corridas são disputadas em território israelense; sempre em estacionamentos ou qualquer outra área ampla e asfaltadas e são como qualquer outra prova de autocross do mundo, com a pista delimitada por cones e os pilotos marcando seus tempos. As únicas diferenças são a música regional nos alto-falantes, e a ausência de mulheres além das Sisters.

 

No começo os homens acharam estranho, mas as deixaram participar. Então elas lentamente foram provando que são boas competidoras e na última temporada, uma das Speed Sisters conseguiu o décimo lugar no ranking geral. Em uma cultura predominantemente machista como a do Oriente Médio, isso significa muita coisa.

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As garotas já conseguiram o apoio de Khaled Khadoura, presidente da Federação Palestina de Automobilismo, e da cônsul britânica no país, Karen McLuskie, que ajudou com uma boa doação para comprar macacões e capacetes. Em retribuição as garotas adotaram a bandeira britânica no logotipo do grupo. Khadoura diz ter orgulho das meninas: “não demorou para que elas passassem de novatas para concorrentes de verdade”, ele diz. O apoio é importante porque, apesar da popularidade, as corridas ainda são um esporte muito caro na Palestina.

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A cônsul sabe onde está se metendo: “para mim, o automobilismo não é um esporte como qualquer outro. Nele, homens e mulheres podem competir na mesma corrida e em igualdade.” Ela está confiante no desempenho das meninas. “Uma de nossas garotas venceu em sua categoria. E você tinha que ter visto a cara dos homens!

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Homens que, aliás, gostam de ver as garotas correndo na pista de Ramallah, que fica ao lado de um presídio palestino. Toda vez que o nome de uma delas é anunciado nos alto-falantes, o público na beira da pista vai abaixo. Só que alguns membros do clero classificam as corridas com mulheres como haram — algo proibido, na cultura árabe. Homens dizem que são fãs das Speed Sisters, mas que jamais permitiriam que uma esposa ou filha tomasse parte no esporte. “Seria inaceitável”, é a opinião geral. Talvez eles só estejam com medo de ser derrotados por essas mulheres.

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Logicamente uma história como estas não poderia passar em branco ou apenas registrada apenas em algumas entre bilhões de páginas de internet. Por isso a diretora canadense Amber Fares está trabalhando há dois anos em um documentário “crowdfunded” sobre as Speed Sisters. Logicamente o foco é a aventura dessas mulheres nas pistas, mas em um contexto mais amplo, o documentário irá mostrar como é a vida das mulheres no Oriente Médio e como a iniciativa das Speed Sisters está ajudando a transformar a cultura local.

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O filme ainda está em produção — a demora, segundo a produtora, é porque todos acham a ideia incrível, mas a empolgação não se transforma em doações. Mesmo assim, ela está tentando finalizar o filme a tempo de inscrevê-lo nos principais festivais de cinema. Sua página de Crowdfunding já atingiu metade da meta, mas restam apenas nove dias para o fim do prazo. Se você quiser colaborar, o site é este aqui. Estamos torcendo para que elas consigam.

 

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