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Project Cars Project Cars #428

Subaru Impreza WRX: a história do Project Cars #428

Olá pessoal do Flatout! Me chamo Rodrigo Mattos e meu apelido é Rodrigo Lagoa. Muita gente acha que este é o meu nome pois é um apelido de longa data. Sou mineiro residente da cidade de Belo horizonte, patinador, videomaker e fotografo apaixonado por carros desde que nasci. Acho que a primeira palavra que falei quando criança foi CARRO. Hoje gosto de dizer que vivo de registrar momentos e emoções dentro e fora do cenario automobilistico. Caso queiram conhecer um pouco mais do meu trabalho acessem esse link.

O primeiro carro no meu nome foi um Voyage G5 0km que rodou 120 mil km comigo. Na época o carro me custou por volta de R$ 35.000 e o escolhi por ser um dos sedãs zero km que mais andava nessa faixa de preço.

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Eu tinha um programa de esportes radicais que se chamava Mundo Urbano e exibido semanalmente pelo extinto canal da editora abril FIZTV. O Voyage foi o carro escolhido pra pegar estrada e rodar o pais pra gravar dos melhores atletas de parkour, patins, skate e bike. Good times! Very good times!

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Fotos feitas no inicio de 2008 pelo meu grande amigo e (claro) também fotografo (de moda) Carlos Hauck.

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Em 2008 numa destas viagens, eu estava gravando em Alphaville-SP, era madrugada e ouvi um ronco absurdamente diferente. Parei o que estava fazendo na hora e corri pra ver qual carro era. Passou um carro preto, com asa alta, berrando pra burro e claro cuspindo fogo no escape nas trocas de marcha. Naquele momento eu pela primeira vez na minha vida assistia a uma cena como aquela. Eu reconheci o carro pelo som! Nunca tinha visto um Subaru na vida real, somente no youtube (que ainda engatinhava no Brasil), muito menos andando daquela maneira. Aquilo mudou minha vida. Nesta época eu já era apaixonado pelos subarus mas não conhecia a gama de modelos disponíveis no brasil. Meti as caras no google pra descobrir qual ano modelo era aquele carro (era um Hawk 2006) e quanto ele custava. Claro que o preço na época era proibitivo para mim, e acabei desanimando na mesma velocidade que aquele carro passou do meu lado.

Os anos passaram e as pesquisas continuaram, eu era apaixonado com aquele clássico 22B mas nunca havia me passado pela cabeça que eu poderia encontrar um  carro do mesmo ano/modelo turbinado e a um preço acessível. (vivam os GC8!).

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No mesmo dia que comecei a procurar informações sobre a marca no Brasil, eu achei o lugar certo com as pessoas certas: www.clubesubaru.com.br Lá achei o anuncio do carro dos meus sonhos: o Belzeblue, (em um período de três anos o carro teve dois donos e eu persegui todos eles com a mesma proposta ate que finalmente em 2011 na mão do terceiro dono ele aceitou meu VW. O bicho caiu nas minhas mãos e claro passou por vários ups, fiz vários vídeos (sensurados) e fotos, que se for falar toma o post todo…).

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Cavalinho de pau sem vergonha em local fechado

 

 

Daí o tempo passou. Mudei pra São Paulo, juntei uma grana e peguei uma bomba que resolveu estourar na minha mão. “Pega esse Golf VR6, Lagoa! Vende esse Subaru véio, vai ser legal. O carro é bonito, é numerado, exclusivo, o carro é isso, o carro é aquilo.” Mesmo que fiquem repetindo isso na sua orelha, não faça isso!

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Apesar de ter ido ver o carro pela primeira vez com com um mecânico amigo eu precisava ter certeza que tava tudo ok, e para isso combinei com o dono que iria tirar o cárter e averiguar a parte de baixo.

Lindo né? Mas calma que lá vem a história…

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Claro veio a surpresa: borra! Muita borra! Montei o cárter no lugar de novo e eu deveria ter colocado o carro no guincho, mas não.. resolvi economizar R$ 200 e rodei 80km pra devolver o carro. Resultado? Claro… quebrou.

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Foram nove meses na fila de espera, dois meses pra fazer tudo, mais uns R$ 20.000 em peças e mão de obra. Esse é o preço de ter um exclusivo peso de papel numerado (lembre-se: eu não queria esse carro, mas enfim…). Gastei uma fortuna pra levantar o carro de volta, minha ideia era montar turbinado, mas pra isso precisava de freios melhores, suspensão de melhor qualidade… potência não é nada sem controle. Mas infelizmente o mundo girou mais devagar de novo e eu precisava do carro com urgência, resolvi montar pela metade, somente com pistão forjado.

Na época troquei tudo que voce imaginar de mais caro nesse motor, pistões, bielas, comandos, corrente, bombas de água e óleo. Enfim zerei o carro, andei por uns oito ou nove meses mas nunca consegui gostar dele. Era um carro de passeio, aspirado, com um som maravilhoso, super confortável, a patroa curtia os banquinhos com aquecimento elétrico e o teto solar. Mas eu não estava nem aí para isso… e eu queria um carro que pudesse virar um bom tempo aqui no Mega Space, que me desse a possibilidade de fazer sprints e freadas fortes em espaços curtos, que saísse forte no sinal sem destracionar — pois odeio tração dianteira cantando pneu toda hora, então prefiro um 4×4, de preferência Subaru e… turbo. Decidi anunciar o tão famigerado VR6 e apareceu um usuário lá do Clube Subaru com uma proposta perfeita.

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Essa proposta eu não poderia perder… mesmo que o valor de mercado fosse um pouco diferente. Esse sim era o Santo Graal, o escolhido, imaculado, totalmente stock. E com pecas do 22B dos sonhos, e ele me entregaria aqui na porta de casa. Eu mal podia acreditar! Vem logo!

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Claro que eu aceitei, mesmo que ainda um pouco machucado pelo relacionamento anterior e também desconfiado pois o cara disse que traria o carro de carretinha própria. Mas ele e todo o Clube Subaru diziam: “Piá, não tem erro, esse é 100% mesmo”. Droga, eu estava caindo de novo na mesma armadilha. Mas a gente precisa aprender com os altos e baixos da vida e tem uns caras ali que eu confio de olho fechado. Inclusive quero deixar meu agradecimento aqui a todos as pessoas que me ajudaram e torceram por mim lá no clube por tantos anos.

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Eis a criança: primeira foto, de manhã cedo

A alma da criança. Veja ali no canto esquerdo a mágica rolando! Olha essa barra de carbono!

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O carro é todo original de fábrica, tirando a suspensão, que é uma HKS Hypermax III (o que me fez entender por que o antigo proprietário não queria dirigir esse carro de Curitiba até Belo Horizonte. É desconfortável demais!

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Esse carro tem vários detalhes todos vindo da terra do sol nascente. Dá um look nesse tocador de CD e MD Pioneer Carrozzeria:

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Conta-giros com faixa vermelha em 8.000 rpm e velocímetro de 180km/h. Sim: ele gira 8.000 rpm e… sim ele é limitado eletronicamente a 180km/h:

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Câmbio STI 5 marchas e adesivo WRC Fan Club em fibra de carbono, e claro o som é legal pacas, mas só pra quem mora no Japão ou tem saco pra ficar gravando MD nos tempos de mp3 e Bluetooth.

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O melhor do interior, além de não ter um único rasgo nos bancos, é o cheirinho doce específico do Japão.

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Eu nao curto muito os badges rosa (acho que não combina com branco) que rolam no carro, tinha um preto clássico e resolvi colocar. Abaixo o detalhe da pintura cansada do parachoque (assunto que vou abordar mais pra frente):

 

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Scoop original:

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Grades originais do Subaru 22B, raríssimas.

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Escape do catalizador pra tras da marca Fujitsubo em titânio:

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Aerofolio original, que já rodou… não gosto muito de andar com carro de aerofólio alto pois atrai rachadores. O cara cola na traseira, pisca farol etc.

 

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Primeiro banho (outro motivo de ter vindo de “charrete” foram os pneus que estavam velhos e ressecados):

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O primeiro ensaio foi meio que sem querer. Eu tava voltando de um trampo de filmagem (sim esse é o meu daily), fim de tarde sensacional, com um por do sol maravilhoso e a promessa de uma superlua logo na hora do por do sol. E eu pensei “vou aproveitar o tripe e a dslr vou fazer um light paint”. Piada ne? qndo fui procurar a luz de LED que normalmente deixo nos meus carros, descobri que so tinha um par de iPhone com pouca bateria.

 

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Sim é photoshop, mas ela passou por ali, um pouco menor claro…

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O carro tinha alguns pequenos detalhes na pintura pra fazer, o parachoque de fibra tava com um rachadinho na ponta embaixo, do lado do motorista, pneus velhos e ressecados, troca de oleos e fluidos em geral…

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E aí eu decidi vender o aerofólio.

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Bom, por enquanto é isso, pessoal. No próximo post vou falar sobre o que vc precisa saber pra comprar um Subaru, sobre a manutenção básica logo apos a compra, sobre o dia-a-dia em um carro com a suspensão de pista e sobre o que fazer pra manter o seu motor inteiro depois de três voltas com pé embaixo no Megaspace. Obrigado pelo seu tempo!

Por Rodrigo Lagoa, Project Cars #428

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