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Project Cars Project Cars #01

Um raríssimo Alfa Romeo 155 V6 2.5 é o Project Cars #01! Acompanhe sua restauração

Olá seguidores do FlatOut! Me chamo Danilo Rizzo e moro na região metropolitana de São Paulo. Os mais atentos devem ter percebido que minha família é de origem italiana, e no pacote de itens de série dos descendentes estão algumas paixões – pelo macarrão, pelo futebol, pelo vinho, e pelos carros. Eu não fujo ao padrão.

Minha relação com a Alfa Romeo começou quando tinha 12 ou 13 anos, no início dos anos 1990, quando as primeiras corridas do BTCC e da DTM foram transmitidas por aqui. De tudo o que pilotavam – na Inglaterra, Audi A4, Vauxhall Cavalier, Ford Mondeo, BMW 320i, Volvo 850; e na Alemanha, Mercedes C180 e Opel Calibra – as Alfas 155 logo se destacaram e tomaram meu coração de assalto em um instante. Eram tempos de abertura das importações, e logo pude ver, ao vivo, um ou outro desses carros circulando por São Paulo.


O ronco épico do 155 de DTM, em uma prova de subida de montanha na Sicília

Alguns amigos e familiares me perguntam por que sou tão apaixonado pelas 155, e minha resposta é simples: dirijam uma. Eu já dirigi Alfas mais modernas e mais antigas e não encontrei nada como a 155, e nem cometerei a injustiça de comparar a carros de outras montadoras. Minha primeira 155, adquirida em 2006, foi uma 2.0 twin spark, 1996, Grigio Titanio. Carro espetacular, desde aquela época com ar condicionado digital e freios a disco nas quatro rodas com ABS. O interior em couro cinza claro com imitação de madeira no painel, alavanca de câmbio e volante, ao melhor estilo dos italianos. Desempenho admirável, assim como a estabilidade. Um kart de 2 toneladas com direção cirurgicamente precisa e um ronco de motor que berra ao seu condutor: “você é um frouxo, me acelera!”

Sem me desfazer da 155 TS, em 2009 adquiri outra – a mosca branca que sempre procurei, uma 2.5 V6, 1992. Foram feitas cerca de 2000 unidades deste modelo raro até na Europa – imaginem aqui no Brasil. A nova Alfa, apelidada carinhosamente de La Gioconda, tinha um pequeno problema: estava jogada numa garagem semi-coberta na Praia Grande, litoral de São Paulo, fazia 8 meses. Antes de comprá-la, precisava tirar duas dúvidas:

1) Trata-se de uma 155 2.5l V6 original?
2) Há compatibilidade de peças entre a 2.0 TS e a 2.5l V6?


O ronco do V6 é um departamento à parte!

Para não dar tiro no pé, fui ver o carro com meu meu mecânico a tira colo, o Milton da Mzcar, profundo conhecedor das Alfas modernas. Enquanto conversava com o então proprietário de carro, Milton revirava o carro atrás de evidências de alterações, podres na lataria ou algo que comprometesse um eventual restauro. Carro visto e a certeza de que ele era recuperável, não me permiti perder mais tempo, e comprei-o. A foto de abertura do post é do dia em que ela chegou.

Sempre que penso em minha 155 V6, vem à mente imagens desses cinco anos de restauração. Imagens reais dela completamente depenada como quando foi para a funilaria, e imagens criadas por minha mente de qual seria o resultado final. Para os leitores perceberem quão raro é o carro, assim que a comprei, entrei em contato com os amigos da Scuderia Alfista Portugal, contando da compra do carro e pedindo alguma ajuda. Recebi a resposta do presidente do grupo: “aqui ela também é rara. Boa sorte por aí.”

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Alfa Romeo 155 2.5 V6 na Polônia

Foram sensações diversas desde a euforia da compra, o entusiasmo dos colegas alfistas quando souberam do restauro de um modelo tão raro no país, a frustração com a dificuldade em encontrar peças originais, a angústia de interromper o projeto por mais de um ano por problemas particulares, a ansiedade em ver o carro ficando pronto – e a desilusão quando tudo parece caminhar bem o descobrimos que o bloco do motor está condenado. Justamente o bloco do motor?!

Por demorar tanto tempo, pudemos cuidar de detalhes que talvez a pressa não nos permitiria pensar. O problema de motor, por exemplo, permitiu-me colocar no carro um motor zero km importado da Argentina. Pois é, descobrimos que a Argentina é o paraíso logo ali para os alfistas…

Para mim, ficaram registrados alguns momentos no decorrer do restauro. Os diferentes modelos de repetidor de seta lateral comprados como se fossem originais, a batalha até descobrir a suspensão traseira correta, já que os antigos proprietários do carro haviam instalado suspensão com altura regulável (tipo rosca), a luta para encontrar outra 155 com o interior decente para nos servir de doador, o para-brisa dianteiro misteriosamente quebrado depois de ter sido retirado para a pintura.

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Como tive de fazer funilaria completa e pintar o carro inteiro, talvez a discussão mais interessante tenha sido referente a cor do carro: manteríamos o blu spazio original ou partiríamos para o rosso Alfa (foto abaixo)? Confesso que perdi o sono e o carro ficou uns dias parado até isso ser decidido, mas meu purismo não me permitiu trocar a cor do carro. O vermelho chamaria muito mais atenção, mas no fundo, eu sempre saberia que não era a cor original.

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Para finalizar nosso primeiro contato, já lhes digo para conter a ansiedade, pois o carro ainda não está pronto. Tudo o que era paralelo ou recondicionado vem sendo substituído por peças originais, e isso leva tempo, muito tempo. Mas isso é papo para o próximo artigo.

Por Danilo Rizzo, Project Cars #01

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