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Uma barulhenta seleção de motores V8 em homenagem a Lemmy, lendário frontman do Motörhead

Se você nos acompanha há algum tempo, talvez já tenha sacado que a equipe editorial tem gostos culturais bastante variados, mas todos nós temos raízes no bom e velho rock and roll: todos os três membros da equipe editorial (o editor-chefe Juliano Barata, o editor Leo Contesini e este escriba, o repórter Dalmo Hernandes) já tocaram/tocam em bandas — o Juliano até tem um Rickenbacker 4003, modelo semelhante ao usado por Lemmy, líder do Motörhead e um verdadeiro deus da música pesada.

Alguns caras são tão importantes e conhecidos em todo o planeta que não precisam de sobrenome. Ian Fraser Kilmister era um desses caras — fale a respeito de “Lemmy” e todos saberão de quem se tratava: um cara feio e mal encarado, com verrugas no rosto e costeletas invadindo as bochechas, voz rouca pelas décadas regadas a álcool e cigarros, um Rick 4004 com corpo entalhado à mão e mais de 50 anos tocando rock n’ roll — até ontem (28), quando aconteceu algo que ninguém esperava: Lemmy morreu.

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O Motörhead foi formado em junho de 1975, pouco depois que Lemmy foi expulso de sua banda anterior, o Hawkwind — durante uma turnê no Canadá, ele foi preso com substâncias ilícitas e passou cinco dias na prisão. O som do Hawkwind era conhecido como space rock, música derivada do rock progressivo com longas passagens instrumentais e letras inspiradas pelo espaço sideral e pela ficção científica. Foi no Hawkwind que Lemmy começou a tocar baixo — ele começou sua carreira musical em 1960, aos 15 anos, como guitarrista. Isto explica sua maneira de tocar baixo — com acordes e palhetadas, além de uma leve distorção.

Se você está acostumado com sua voz áspera no Motörhead, certamente vai estranhá-lo em “Silver Machine”, uma das poucas canções do Hawkwind cantadas por Lemmy

Em 1976, depois de passar por algumas mudanças de integrantes, o Mötorhead chegou a sua formação clássica: um trio composto por Lemmy, pelo guitarrista “Fast” Eddie Clark e Phil “Philthy Animal” Taylor (que morreu no último dia 11 de novembro).

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Foi assim que alguns dos álbuns mais lendários do Motörhead foram gravados: OverkillBomber, de 1979; o seminal Ace of Spades, de 1980 e Iron Fist, de 1982, estão entre os registros mais adorados da banda.

Ao longo das décadas, Lemmy foi o único membro constante do Motörhead e, sem dúvida, é ele o responsável pela constância da banda. Há quem diga que os caras lançaram o mesmo álbum por 40 anos mas a verdade é que o Motörhead foi uma das únicas bandas que conquistaram o direito de simplesmente não inovar. “Nós somos o Motörhead, e tocamos rock and roll” era a frase com a qual Lemmy abria todos os seus shows e, bem fazia muito sentido.

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Todos os fãs achavam que Lemmy iria viver para sempre. E é no mínimo irônico que ele tenha nos deixado apenas  quatro dias depois de completar 70 anos — Lemmy nasceu no dia 24 de dezembro de 1945, véspera de Natal. Semanas antes, ele declarou que estava cansado das pessoas perguntando quando ele iria morrer, e disse que a aposentadoria estava fora de questão. Claro, todos estavam preocupados com sua saúde — nos últimos anos, turnês canceladas e shows interrompidos logo no início estavam ficando comuns.

 

Uma das últimas entrevistas em vídeo de Lemmy, em novembro deste ano

No entanto, depois de trocar Jack Daniels e Coca-Cola por vodca e suco de laranja, e passar a fumar apenas um maço de cigarros por semana — “por questões de saúde” — e a poucos dias de completar 70 anos, Lemmy disse:

A morte é inevitável, não é mesmo? Você fica mais ciente disso quando chega à minha idade. Mas eu não me preocupo. Eu estou pronto para isto. Quando eu for, quero fazer o que faço de melhor. Se eu morrer amanhã, não posso reclamar. Foi bom.

Só que o mundo não estava preparado. Muitos entusiastas que estão lendo a gente, temos certeza, têm Motörhead em sua playlist de músicas para acelerar. Estamos errados? Claro que não: a música de Lemmy sempre combinou com carros, corridas e motores. Não é à toa que, em sua homenagem, vamos com uma bela seleção de motores V8 roncando alto como seu Rickenbacker!

 

Os 42 litros do Packard-Bentley “Mavis”

Sim, esta é uma lista de motores V8 e o Mavis tem um motor V12. Mas não estamos falando de qualquer carro: este hot rod foi feito usando um chassi de Bentley 8-Litre e um motor V12 Packard de 42 litros (sim, QUARENTA E DOIS LITROS) de nada menos que 1.500 cv, do mesmo tipo usado em lanchas militares durante a Segunda Guerra Mundial.

Ele tem um ronco absurdo e, embora isto não tenha sido confirmado, pertenceu ao próprio Lemmy. Apropriado, para dizer o mínimo.

 

Mad Max e Motörhead

Aliás, quando falamos que a música do Motörhead combina com ronco de motor V8, não estávamos brincando, e este vídeo é a prova: trata-se de algo bem comum no Youtube: um tributo a um clássico do cinema com uma trilha sonora adequada ao fundo. O clássico, na verdade, são três — a trilogia original Mad Max, com Mel Gibson (segundo a descrição do vídeo, com menos cenas de “Mad Max 3: Além da Cúpula do Trovão” porque “este filme é uma merda”. A música é nada menos que Ace of Spades, do álbum homônimo que é item obrigatório na coleção de qualquer fã de heavy metal.

Ver muscle cars rasgando o deserto pós-apocalíptico — incluindo, obviamente, o Ford Falcon “Interceptor” do protagonista — é algo especialmente recompensador em um dia como hoje.

Bem, já que estamos nessa, que tal outro tributo a Mad Max e Motörhead? Desta vez, a canção é Killers, do álbum Inferno, de 2013. Aliás, esta é uma boa oportunidade de constatar, mais uma vez, que Lemmy e seus amigos fazem exatamente a mesma coisa há décadas, e muito bem.

 

Um Dodge Challenger na Autobahn

O Motörhead é britânico, muscle cars são americanos e este vídeo se passa na Alemanha — algum problema com isto? Você já deve ter visto por aqui, mesmo: trata-se de um vídeo gravado por um cara que se identifica apenas como “Pale Rider”. Ele mora na Europa mas, em vez de algum supercarro ou sedã esportivo para acelerar nas Autobahnen, as famosas rodovias “sem limites” da Alemanha, ele escolheu um Dodge Challenger preparado.

Ele também visita outros países, como a Itália e seu lendário Passo di Stelvio, uma das estradas mais famosas do mundo

O ronco ensurdecedor é do vídeo produzido por um V8 470 (7,8 litros), com três carburadores de corpo duplo (o famoso Six Pack), preparado para render estimados 500 cv. Entre as modificações, estão um kit stroker foi usado para elevar o deslocamento original de 400 pol³ (6,55 litros), cabeçotes Edelbrock e comando “bravo” CompCam Xtreme Energy. O motor é acoplado um câmbio manual de quatro marchas com embreagem hidráulica Keisler, e sua voz de trovão é amplificada por coletores TTI com acabamento em cerâmica e abafadores Dynomax Ultraflo.

 

Uma motosserra V8

Por que é que você precisaria de uma motosserra cujo motor é um V8 Holden de 4,1 litros (253 pol³)? Para mostrar que é possível, oras! E, não adianta: um bom V8 nem precisa de quatro rodas para nos conquistar. Ah, e é claro que este vídeo foi feito na Austrália.

 

Little Red Wagon vs. Hemi Under Glass: o confronto

Ao falar em ronco de V8, é impossível não lembrar das corridas de arrancada. E, ao falar das corridas de arrancada, não há como não mencionar um dia histórico: nos anos 1990, dois dos carros de arrancada mais famosos do planeta se encontraram: o Dodge Little Red Wagon e o Hemi Under Glass.

O primeiro era um show car feito pela Dodge em 1965. Com um Hemi 426 na traseira, a Little Red Wagon foi a picape mais veloz do mundo por anos, além de ser considerada o carro que começou a onda dos wheelstands (ou wheelies) entre os muscle cars — quando as rodas traseiras se levantam e o carro anda empinando por alguns metros (ou todos) da pista de arrancada.

O Hemi Under Glass, baseado no Plymouth Barracuda, foi feito pelo mesmo motivo, e tinha este nome porque o V8 Hemi 426 era visível sob o vigia traseiro. A localização do motor também fazia com que a transferência de peso na hora da arrancada levantasse as rodas traseiras. Ver ambos lado a lado é realmente épico — ainda que, na verdade, o Hemi Under Glass faça parte de uma série de carros de arrancada de mesmo nome construídos entre 1965 e 1975.

 

O maior burnout do mundo…

Como se mede o tamanho de um burnout? Pela quantidade de carros envolvidos, claro! E, no primeiro dia de 2015, 103 muscle cars fizeram um burnout coletivo durante um evento na Austrália, o Summernats, que acontece todos os anos e reúne mais de 2.000 entusiastas dos muscle cars australianos. O recorde anterior era de 69 carros, e foi estabelecido na edição 2014 do evento. Os organizadores já se comprometeram a quebrar seu próprio recorde (de novo) e 2016.

Aliás, no mesmo evento, este cara decidiu que seu burnout só acabaria quando os pneus estourassem. Isto costuma acontecer com frequência por lá.

 

A banda mais barulhenta do planeta

Calma, isto ainda é uma coletânea de motores V8 roncando alto. No entanto, em 1986 o Motörhead foi chamado de “a banda mais barulhenta do mundo” pela revista Spin ao atingir 130 decibéis em um show nos Estados Unidos. O recorde anterior era do The Who, que no ano anterior registrou 120 decibéis. Estamos falando isto porque nos lembrou este Dodge Polara (o grandão, americano, não o nosso Dodginho baseado no Hillman Avenger) com um motor Hemi 526 (sim 8,6 litros!) no dinamômetro. A máquina travou quando atingiu a marca de 1.500 cv, e a imagem chega a ser distorcida pela onda de choque.

Este outro vídeo, com um dragster Top Fuel, traz uma situação semelhante: repare na onda de choque causada pela explosão do motor aos 1:02. Dizem que Lemmy fazia o mesmo com os amplificadores de seu Rickenbacker.

E, falando em barulho, você precisa escutar a marcha lenta desde V8 Randy Letcher de 7,7 litros (468 pol³) — lembra uma tropa de soldados do inferno marchando… ou a cozinha pesada e suja do Motörhead.

 

No melhor lugar da plateia

A Sportscar Vintage Racing Association realiza há mais de 20 anos corridas de carros históricos nos EUA. Em uma de suas categorias, o Grupo 6, correm apenas carros produzidos até 1972 — principalmente muscle cars e esportivos americanos com motor V8, como o Chevrolet Corvette, o Ford Mustang ou o Shelby Cobra, que dividem a pista com carros europeus como o Porsche 911 e o Jaguar XKE.

Este vídeos, gravados em Road America, dão uma boa ideia de como é estar na beira da pista diante de dezenas de motores V8 americanos preparados para girar a 8.000 rpm.

 

Uma chopper de arrancada com motor V8 transversal

Sim, você leu direito: uma chopper de arrancada com motor V8 transversal! O piloto vai deitado em uma prancha sobre o motor e o supercharger e, quase sem conseguir controlar esta aberração, é capaz de cumprir o quarto-de-milha em 10,3 segundos a 209 km/h. Completamente insano, sem dúvida.

 

Gassers! Gassers! Gassers!

Lemmy cresceu na década de 1950 ouvindo as primeiras bandas de rock and roll. Naquela época, os carros de arrancada mais populares eram os Gassers — sedãs e cupês dos anos 40 e 50 com motores V8 preparados e suspensão dianteira elevada, a fim de aumentar o centro de gravidade e melhorar a transferência de peso. O resultado era um visual um tanto curioso que compensa a relativa ineficácia do arranjo — a ponto de garantir que até hoje existam competições de Gassers.

 

É assim que soa a maldade

Toda boa lista de roncos de V8 precisa de um Dodge Charger preto. É uma lei do universo que precisa ser respeitada. Nesta aqui, o escolhido é um brutal Charger 500 1970 equipado com um V8 Mopar Perfomance de estúpidas 572 pol³ (9,4 litros). São 660 cv e 91,8 mkgf de torque sem qualquer tipo de indução forçada, além do ronco perfeito para pegar a estrada. Se possível, com Motörhead rolando ao fundo.

 

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