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Viagens e Aventuras

Meus 3 roteiros para dirigir no fim de semana


Eu adoro viajar de carro, mas detesto os grandes corredores rodoviários modernos. Não há problema algum com eles. A maioria é bem conservada, bem sinalizada, bem servida de postos e restaurantes e razoavelmente segura. O problema é o motorista brasileiro contemporâneo, que não compreende o conceito de “mão de circulação” e dirige como se estivesse no Reino Unido. Isso é realmente um aborrecimento.

O que eu gosto mesmo de fazer é sair desses lugares e pegar rotas alternativas. Demora mais, mas você volta com mais histórias para contar e bem mais relaxado. Além disso, você se desliga um pouco do caos da vida moderna, onde todos estão sempre com pressa e presos aos seus celulares como se estivessem impedindo uma hecatombe nuclear de anti-matéria ao manter a cara na tela mesmo enquanto fazem algo menos importante como… dirigir um carro.

Saia do caos urbano e você chegará a um lugar onde o tempo passa em ritmo diferente. E por isso o trânsito também. Sua cabeça se adapta aos poucos, naturalmente. E você estará dirigindo mais tranquilo, sem se preocupar com nada além da estrada e da paisagem.

Como acontece durante as caminhadas, viajar também nos faz refletir e, no meu caso, fiquei pensando quais seriam minhas rodovias favoritas. Ao parar o carro, saquei o celular, respondi mensagens e anotei a ideia: “minhas estradas favoritas/dicas de passeios curtos para curtir o carro”. 

A anotação deu origem a esta pequena matéria, com minhas três rodovias favoritas das que conheço como motorista e pelas quais já dirigi dezenas (talvez centenas) de vezes. São escolhas baseadas no prazer ao dirigir— procurei me basear em uma fórmula criada pela Avis há alguns anos. Como eu moro em São Paulo, dois roteiros são próximos da capital e um deles é em Santa Catarina. Se você mora em outra região, deixe sua sugestão nos comentários. Vamos descobrir novos caminhos por aí.

 

SP-123 – Tremembé a Campos do Jordão – 35 km

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Em 2016, quando avaliamos o Jaguar XF S, eu o comparei à SP-050, que é a estrada que liga São José dos Campos/SP a Campos do Jordão/SP. Na ocasião eu disse que ela era uma alternativa divertida e menos badalada à famosa SP-123, da mesma forma que o Jaguar XF S em relação aos Mercedes, Audi e BMW.

Mas da mesma forma que o Jaguar XF S, a SP-050 tem um inconveniente: seu trecho de serra é estreito e tem curvas cegas, o que não é um problema se você estiver sozinho na pista. Mas se você topar com um carro mais lento à sua frente, bem, seu passeio acaba por ali, pois a ultrapassagem não apenas é proibida em toda a subida, como também é impossível de se realizar com um mínimo de visibilidade. É difícil topar com outro veículo à frente, mas pode acontecer.

Por essa razão a SP-123 (Floriano Rodrigues Pinheiro) ainda é minha opção ir até às cidades serranas e ao Sul de Minas. A rodovia começa no final da SP-070 (Gov. Carvalho Pinto), em Taubaté, mas o melhor trecho começa ao pé da Serra, no entroncamento com a rodovia Pedro Celete, em Tremembé.

A partir dali começa a subida de mais de 1.000 metros em apenas 35 km — o que se traduz em um equilíbrio quase perfeito entre retas curtas e curvas de raios variados. Tudo emoldurado pela vista panorâmica do Vale do Paraíba — algo que, por si, faz a viagem mais agradável.

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Mas a principal vantagem é que toda a subida tem uma terceira faixa para ultrapassar os eventuais motoristas mais lentos que aparecerem pelo caminho. Raramente você terá que diminuir a velocidade ao longo da subida — exceto, claro, nos radares-pegadinha que foram instalados na parte mais segura da rodovia, logo na reta plana que dá acesso à cidade.

Uma dica é fazer um “circuito” subindo pela SP-123 (Floriano Rodrigues Pinheiro) e descendo pela SP-050 (Monteiro Lobato), que termina na cidade de Monteiro Lobato e dá acesso a São José dos Campos, já no caminho para voltar à Dutra (BR-116)

 

BR-101 – Ubatuba/SP a Paraty/RJ – 70 km

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Com quase 4.700 km de extensão, a imagem que as pessoas tem da BR-101 varia de acordo com o trecho que atravessa suas regiões. Nas regiões Sul e Nordeste, a BR-101 é o principal corredor rodoviário entre as capitais, mas em São Paulo, ela serve para ligar suas cidades litorâneas umas às outras — tanto que sempre foi mais conhecida como rodovia Rio-Santos. É exatamente por isso que ela está na minha lista.

Em Santa Catarina a BR-101 é neurótica. Caminhões demais, motoristas permanentemente apressados, áreas urbanas usadas como avenidas e retornos em nível pelo centro das pistas tornam a viagem por ela consideravelmente estressante.

Nem mesmo a proximidade do mar ajuda, pois ao longo de 100 ou 200 km ele fica parcialmente oculto por morros ou prédios. Em São Paulo a BR-101 é o exato oposto, especialmente no meu trecho escolhido, entre o centro de Ubatuba/SP e a chegada à Paraty/RJ.

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Sim, o trecho é lotado na alta temporada de verão, mas é uma das melhores rodovias que você encontrará para curtir seu carro fora da estação. Apesar do asfalto um pouco áspero, ele tem uma boa variedade de traçados, com trechos sinuosos alternados com trechos de retas e curvas menos acentuadas e até alguma variação de relevo. Mas a principal vantagem é que ela tem pouquíssimo trânsito — além, claro, da vista para o mar.

Há alguns anos, pouco antes da pandemia, o trecho fluminense da rodovia foi reformado, com uma capa novinha de asfalto que melhorou muito as condição no lado de lá da divisa.

Se você sair de São Paulo, a capital, há uma outra rodovia no caminho para curtir um passeio em dose dupla: saia da Ayrton Senna (SP-070) em Mogi das Cruzes e siga em direção a Salesópolis pela SP-088. Depois, siga em direção à Rodovia dos Tamoios (SP-099) para chegar a Caraguatatuba, e dali siga para Ubatuba e Paraty pela BR-101.

É um passeio de mais de 10 horas, contando as paradas que você precisa fazer e que você irá querer fazer por causa do ambiente, mas pode ser uma opção interessante para curtir o final de semana. Além disso, Ubatuba e região têm águas em temperatura branda mesmo no inverno, então com sorte você pode curtir a praia.

 

SC-416 – Timbó/SC a Pomerode/SC

Foi a rodovia onde aprendi a dirigir. Uma estradinha rural, ligando duas cidades pequenas do interior de Santa Catarina, com asfalto perfeito, quase ninguém trafegando por ali e — como todas desta lista — com um bom equilíbrio entre curvas e retas.

Nos últimos anos o asfalto acabou um pouco maculado, mas ainda é um lugar agradável de se dirigir, especialmente se você tiver tempo para evitar a tumultuada e perigosa BR-470. Além disso, as duas cidades têm duas ou três cervejarias artesanais, onde você pode parar e fazer umas compras para o final de semana.

E se você não se importar de sair do asfalto e rodar uns poucos quilômetros na terra, ali perto há o parque Natural Municipal Freymund Germer, onde fica o Morro Azul, um dos pontos mais elevados da região, com vista panorâmica e voos de parapente.

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