por paulo zalewski* outro dia navegando pela internet — mais precisamente no instagram — me apareceu um post sobre um voyage americano os famosos vw fox a principio fiquei animado pelo algoritmo certeiro mas essa sensaçao se transformou em um leve incomodo logo em seguida nao por causa da bomba de dopamina barata dos reels nem pelo viralatismo cronico dos comentadores da rede social o que me incomodou foi o tanto de gente dizendo com a certeza de um autor sobre sua obra que o voyage fox era injetado porem com injeçao mecanica rapaz imagine a volkswagen usando injeçao mecanica em plena decada de 1980 quao louco isso parece para este humilde entusiasta que vos escreve me vem a mente uma rochester ram jet ou uma kugelfischer de bmw enfiada em um motor ap veja bem eu sou um grande fa da injeçao eletronica eu realmente gosto desta maravilha tecnologica gosto tanto que dei um jeito de me enfiar em uma fabricante so para fazer isso da vida — isso sem contar as lasanheiras com megasquirt speeduino fueltech e todas as outras que faço com amigos nas horas vagas e por isso que fico profundamente incomodado quando vejo entusiastas chamando injeçoes eletronicas antigas de mecanicas e como errar o portugues na frente do professor pasquale entende pensando nessa confusao do povo com injeçoes eletronicas analogicas eletronicas digitais e mecanicas achei que seria uma boa ideia revisar a historia da injeçao eletronica e abordar especificamente as injeçoes eletronicas usadas na linha volkswagen bx dos anos 1980 no brasil e no mundo esses carros sao meio obscuros la fora entao nao ha muitas informaçoes por isso movido pelo impeto de deixar registrado em algum lugar a informaçao correta venho aqui escrever e elucidar para os entusiastas interessados nessa informaçao especifica — e digamos inutil no dia a dia a linha bosch jetronic para entendermos este post precisamos compreender o que foi a linha jetronic — e aqui que todo mundo se perde e acha que toda jetronic e a mesma coisa so a linha jetronic merece um artigo so dela a jetronic em minha opiniao e tipo o boeing 707 ela desbravou o terreno desconhecido para que todos pudessem segui la a jetronic tem tres grandes marcos o primeiro deles e a linha d jetronic onde o d significa druck ou pressao em alemao foi a primeira geraçao da injeçao eletronica bosch usada pelos volkswagen typ 3 e pelos mercedes nos anos 1960 ela deu origem a duas linhas conceituais distintas dentro da propria bosch a k jetronic onde o k significa kontinuierlich ou continuamente e a l jetronic de luft ou ar eram duas correntes de desenvolvimento rivais — e aqui nao e uma figura de linguagem o proprio site da bosch comenta que havia uma rixa interna entre as equipes de engenharia de k jetronic e da l jetronic enquanto a l jetronic era uma linha de evoluçao direta da d jetronic que apostava no controle eletronico total a k jetronic era mais mecanica pois acreditava se que a eletronica nao iria prevalecer e que um motor deveria ter controles mecanicos ainda que a linha k tivesse controle eletronico e controle de lambda a linha k e l evoluiram para a ke e le futuramente com novas funçoes etc para entender o que vem a seguir isso ja basta quando eu escrever sobre a linhagem da jetronic voces verao as grandes diferenças entre elas e nisso tudo ainda surgiu a digifant que era uma injeçao exclusiva do grupo vw feita em parceria com a bosch os volkswagen bx exportados fox ate 1987/88 para o canada os fox vendidos em 1987 e no inicio de 1988 destinados exclusivamente ao canada sairam de fabrica com a bosch k jetronic e sem catalisador entao tivemos uma primeira geraçao de injetados feita para um mercado nao tao exigente em termos de emissoes mas que precisava urgentemente de um carro barato na linha volkswagen a k jetronic e uma injeçao que usa um sistema de distribuiçao de combustivel centralizado com injetor que abre por meio de uma pressao minima atingida essa quantia de combustivel injetada e calculada por uma ecu que nao era bem o caso das k mas isso deixo para a proxima materia ela sequer usava sonda lambda e dela que vem a confusao com a injeçao mecanica ela realmente opera de forma mecanica mas tem um controle eletronico — e por isso e uma injeçao eletronica como seu nome sugere a eletronica era mais atuante em situaçoes fora da operaçao normal como a fase de aquecimento do motor partida a frio e controle de marcha lenta capaz de ajustar a pressao no regulador de combustivel fazendo assim injetar mais combustivel durante a fase fria alem da valvula/injetor de partida a frio outro detalhe e que estes carros tinham tres abafadores — como nao tinham catalisador ele era substituido por um abafador adicional por nao ter catalisador ele tambem podia rodar com gasolina com chumbo tetraetila de 1987 a 1990 para canada e eua exceto california os carros destinados ao canada de 1988 em diante e aos eua exceto california a partir de 1987 saiam de fabrica com uma evoluçao da k a ke jetronic com catalisador e sonda lambda a ke era uma evoluçao que contava com controle de sonda lambda afinal o catalisador precisa que a mistura esteja sempre perto da razao estequiometrica ideal para a sua maxima eficiencia segundo o manual a grande diferença para saber se era o sistema k ou ke era a cor do distribuidor de combustivel que na versao k era pintado de preto imagem da esquerda do catalogo de 1989 para o canada a direita uma imagem da internet enquanto escrevia uma duvida pairou sobre minha cabeça por que a mudança em 1987 afinal o clean air act existe desde 1963 e teve um marco fundamental em 1970 que realmente obrigou as fabricantes a se mexerem o que entao fez em 1987 os carros virem com catalisador o endurecimento na cobrança do cumprimento das leis ambientais que foi publicado pela epa no dia 7 de abril de 1987 a epa estima que cerca de 70 areas do pais atualmente nao atendem ao padrao de ozonio a agencia preve que mais de 35 grandes areas metropolitanas provavelmente nao atingirao o padrao ate o final deste ano embora cerca de 80 cidades nao atendam ao padrao de monoxido de carbono a epa espera que apenas algumas cidades tenham problemas de longo prazo com monoxido de carbono ambos os padroes sao projetados para proteger a saude publica dos efeitos adversos dos poluentes atmosfericos na carta aos governadores thomas descreveu os planos da epa para garantir que as agencias estaduais e locais estejam implementando os compromissos assumidos em seus planos de ar limpo aprovados ou seja o endurecimento da cobrança das leis ambientais obrigou as fabricantes a garantirem que seus carros cumpriam as normas de emissoes com isso entao o catalisador passou a ser obrigatorio exigindo uma injeçao mais inteligente para fazer o controle correto da mistura de combustivel etc uma coisa que nao esta clara e se em todos os anos de venda nos eua o fox teve catalisador e sonda lambda e muito provavel que sim pois la somente se comercializou a ke jetronic que era justamente a evoluçao com controle de sonda no canada e mencionado explicitamente que houve modelos que nao sairam com catalisador e sem controle de sonda os carros da california de 1987 a 1990 segundo o manual de serviço eles sairam com a ke jetronic porem com catalisador sonda lambda e egr esta era operada por valvula a vacuo e um thermoswitch para que o egr fosse utilizado apenas quando o motor ja estivesse em pleno funcionamento aqui assim como nos outros modelos pre 91 eram controlados por um modulo de igniçao tci h mas o avanço de igniçao era feito pelo distribuidor via vacuo e centrifugo como tradicionalmente conhecemos aqui no brasil pacote de opcionais para o fox na linha 1989 os carros da california de 1991 em diante aqui trago algo ainda mais curioso as leis ambientais na california eram tao rigorosas que a vw resolveu vender o fox com uma injeçao mais sofisticada naquele estado os carros destinados a california saiam com a injeçao vw bosch digifant 1 com catalisador e sonda lambda sim uma injeçao especifica para um unico estado dos eua que incrivel outro detalhe e que a digifant 1 tinha tambem protocolo de obd usava outra bobina com uma power output stage e capacidade de identificar falhas na bobina via protocolo obd alem disso a igniçao ja era totalmente controlada pela ecu essa bobina era muito similar a utilizada aqui nos conhecidos sistemas mi a digifant era uma linha direta da digijet que saiu nas vw vanagon e acabou evoluindo para a digifant ela deriva da linha l jetronic mas ela tem o controle de combustivel e de igniçao juntos no mesmo modulo sendo mais sofisticada e moderna com o controle de combustivel igniçao e correçao por sonda lambda todos no mesmo modulo ela se tornava mais cara mas em um estado em que as normas eram rigorosas era melhor evitar a dor de cabeça e garantir a aprovaçao no smog test da epoca os carros pos 1991 para o canada e eua exceto california e aqui temos o capitulo final de sua saga na america do norte quando houve o facelift para a nossa querida frente chinesinha em 1991 a partir daqui carros canadenses e americanos passaram a usar a injeçao digifant 2 a grande evoluçao da digifant 2 era englobar o controle de combustivel e igniçao em um modulo so onde entao o distribuidor faria o trabalho de distribuir a centelha e enviar o sinal de rotaçao do motor e o gerenciamento de avanço ficava por conta da ecu catalogo da linha 1991 menciona a digifant e fala que a tecnologia era similar a usada em carros esportivos a grande diferença da digifant 1 e que ela nao possuia protocolo obd mas existia um sistema de diagnostico igual ao usado nas injeçoes nacionais com led e resistor em uma tomada especifica do sistema onde ao interpretar o numero de piscadas do led voce encontra em uma tabela o causador da falha e por que em 1990 houve essa mudança o clean air act amendments of 1990 caaa 90 sancionado pelo entao presidente george h w bush em 15 de novembro de 1990 baixou os limites de hc co nox e outros gases poluentes com isso precisava se de um controle muito mais preciso — algo que a digifant entregava sistema de controle digifant os carros californianos contudo mantiveram a digifant 1 ainda fico pensando nisso afinal fazer uma calibraçao demora toda a questao de software em 1990 lembre se era diferente de 2026 testes validaçoes etc mesmo assim a volkswagen lançou um calculador e um sistema de injeçao especifico para a california me pergunto se foi economicamente viavel — talvez como um grande beta testing da digifant 2 os volkswagen bx brasileiros aqui ja entramos em territorio conhecido a nossa saudosa le jetronic de segunda geraçao usada nos incriveis e revolucionarios gol gti oficialmente nunca houve uma segunda ou terceira geraçao mas houve evoluçoes do sistema le ao longo dos anos — tanto que em alguns manuais americanos tratam as le fabricadas a partir de 89/90 como le de terceira geraçao que tinham uma forma de diagnostico estilo obd e um melhor controle de sonda embora digam que a le do gti e uma injeçao totalmente analogica isto nao e verdade visto que a le e uma transiçao do analogico para o digital ela usa sinais analogicos mas possui mapas armazenados digitalmente em sua memoria eprom em alguns livros da bosch a le e tida como uma eletronica hibrida entre o analogico e o digital ela se assemelhava as digifant mas ainda era uma le jetronic — tanto que contava com modulo de igniçao separado uma caracteristica da linha le somente na digifant e posteriormente na motronic os modulos foram unificados em uma verdadeira ecu — afinal no mesmo modulo se tinha todo o controle do motor o que e a definiçao atual de ecu catalogo do gti 1989 com a le jetronic e o controle de igniçao ez k os carros brasileiros de 1997 nao poderia deixar de lembrar da quase esquecida saveiro 1997 que contava com a modernissima magneti marelli iaw injeçao sequencial igniçao feita pela ecu assim como nas digifant controle do motor focado em emissoes e etc percebemos que ela e uma adaptaçao da epoca afinal a saveiro de segunda geraçao nao estava pronta e em 1997 entrava em vigor o proconve l3 e o carburador nao daria mais conta para nao ficar sem uma picape a volkswagen improvisou apos horas revirando manuais e os confins da informaçao digital sobre uma parte especifica de um motor de um carro que nao e tao popular entre os entusiastas americanos organizando todo o desenvolvimento do carro por la cheguei a esta versao final que espero ter sido esclarecedora a todos que procuram informaçoes sobre estes carros e tambem aos interessados na historia da injeçao eletronica em si com isso podemos entender ate mesmo como esses sistemas funcionam e desmistificar de uma vez por todas a ideia de que a injeçao dos volkswagen fox bx era uma injeçao mecanica ok a k jetronic era quase mecanica mas esse quase faz toda a diferença na nossa proxima conversa quero trazer as nuances especificas de cada uma as evoluçoes linhas conceituais e funcionamento das mesmas aqui no brasil varonil nao tivemos muito contato com a linha k de forma mais popular e mesmo sendo mais arcaica seu funcionamento e interessantissimo embora a linha l seja ainda mais ao final dessa historia voces estarao convencidos de como estas caixinhas sao especiais e mesmo entendendo o conceito e funcionamento elas ainda parecerao magicas ate a proxima *paulo zalewski e engenheiro mecanico especializado em calibraçao de motores entusiasta de injeçoes programaveis e fa de projetos retrofit em carros antigos ele começa hoje sua colaboraçao quinzenal no flatout
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