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A evolução dos games de corrida, parte 2: a era de ouro dos arcades e a chegada dos consoles


Começamos a contar aqui no FlatOut a evolução dos games de corrida e, se você leu, já viu que os arcades surgiram no fim da década de 1960. Na real, nem eram videogames: os arcades eletromecânicos usavam projeção de luz e sombra em vez de computação gráfica para simular a experiência de dirigir um carro (ou uma moto). Viu também que muitas das grandes desenvolvedoras de jogos da atualidade começaram no ramo fabricando estas máquinas.

Levou menos de dez anos, porém, para que surgissem os primeiros jogos puramente eletrônicos, que também foram comentados no post anterior.

 

A ascensão dos arcades

Em um período curto, de apenas cinco anos, os jogos de corrida deixaram para trás os gráficos monocromáticos e simplistas ao extremo e foram incorporando cores, animações mais sofisticadas, efeitos sonoros melhores e jogabilidade mais complexa. Monaco GP, de 1979, era o melhor exemplo disto.

O arcade da Sega usava visão aérea, porém tinha um gameplay bastante dinâmico, alta sensação de velocidade e até mesmo recursos como um ciclo dia-noite básico. Os jogos com câmera em terceira pessoa ou visão do cockpit já haviam começado a surgir, mas um grande inovador ainda tinha visão aérea: Rally X, arcade de 1980 lançado pela Namco.

O game parecia um Pac Man, mas com um pequeno carro de rali no lugar do personagem amarelo homônimo, e uma pista de terra no lugar dos labirintos retrofuturistas, bandeiras no lugar da comida e outro carro no lugar dos fantasmas.

Você tinha de pegar todas as bandeiras e evitar que o outro carro o fizesse. Mas sabe qual era o grande barato? Rally X foi o primeiro game de corrida a ter uma música tocando junto com os efeitos sonoros. Antes dele, só havia música nas sequências de abertura e na tela de título. E, como todo fã de jogos de corrida sabe, a música costuma ser parte essencial da experiência como um todo.

Em 1981, Turbo, da Sega, foi o responsável por popularizar os arcades com câmera em terceira pessoa. Trazia cenários muito variados, com asfalto e terra e até variações de relevo (!); múltiplos oponentes na tela; uma AI bastante esperta para a época 9os outros carros avançavam em você e não eram completamente imbecis nas curvas) e uma boa trilha sonora.

A tela vertical faz de Turbo um game perfeito para ports de smartphone, não?

pole-position-arcade-cabinetA Namco contra-atacou em 1982 com Pole Position e, meus amigos, aquilo foi um estouro. O arcade inspirado na Fórmula 1 foi um dos primeiros a contar com uma pista licenciada – Fuji Speedway, no Japão, que na versão virtual tinha até mesmo propagandas de marcas do mundo real, como Martini e Marlboro, nos outdoors na beira da pista. Sim, propagandas de bebidas e cigarros em um jogo de videogame – algo que seria inconcebível hoje, mas na época era só uma prova de que os games de corrida estavam ficando cada vez mais sérios como forma de entretenimento.

Claro, ainda seria um longo caminho para que ficassem, de fato, realistas, mas os anos 1980 foram a era de ouro dos arcades: as desenvolvedoras de jogos competiam entre si para mostrar inovação, o que acabou trazendo ótimas consequências para quem curtia gastar fichas – máquinas de arcade com cockpits completos forneciam uma experiência imersiva, especialmente com o volante de carro de verdade usado para controlar seu bólido roxo.

Pole Position também foi o primeiro game a exigir uma volta de classificação antes da corrida, o primeiro a trazer um sistema de checkpoints, e o primeiro a colocar mais ênfase nas ultrapassagens e em chegar primeiro do que “apenas manter as quatro rodas na pista”, segundo a Electronic Games. Tais ingredientes ajudaram Pole Positiona a se tornar o arcade mais lucrativo dos EUA em 1983.

Mas a gente não disse que naquela época os games evoluíram rápido? Em 1983, Pole Position 2 veio e trouxe novas pistas (incluindo Suzuka) e controles aprimorados. TX-1, desenvolvido pela Tatsumi e publicado pela Namco e pela Atari naquele mesmo ano, tinha gráficos que lembravam um desenho animado e passou a exigir reduções de marcha e frenagens na hora certa para que se conseguisse um bom desempenho. Sério, compare os três gameplays abaixo e entenda o que estamos falando.

TX-1 também marcou época por ser o primeiro a usar force feedback no volante, que vibrava de acordo com a intensidade da curva, e por ter três telas na máquina para aumentar o ângulo de visão, como se faz com os simuladores atuais.

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Nesta época também foram lançados alguns títulos curiosos em LaserDisc, ou LD – a primeira mídia de armazenamento óptico disponível comercialmente. Cada LD parecia um CD gigante e era capaz de armazenar cerca de 60 minutos de vídeo contínuo e, por isso, costumavam ser utilizados em coletâneas de vídeoclipes. Jogos eram mais incomuns, mas eram interessantes: havia um game de corrida chamado GP World, arcade da Sega lançado em 1984, que usava a filmagem onboard de um circuito de verdade como cenário, com sprites de carros animados sincronizados com o cenário. O efeito visual é bem esquisito para nós hoje em dia, mas na época a ideia de um “filme interativo” pareceu bem interessante, por mais que as interações fossem limitadas. Só que havia um problema maior: o game não tinha som!

De qualquer forma, obviamente não foram os jogos em LD que garantiram o futuro dos games de corrida, e sim o advento dos consoles domésticos. Em 1977, já existia o Atari 2600, um dos primeiros consoles domésticos realmente bem sucedidos. Indy 500 foi o primeiro jogo de corrida lançado para o console, e era bastante parecido com os arcades da época, com gráficos extremamente pixelados, visão aérea e jogabilidade simplista.

Apesar de ser bastante limitado, o Atari foi o console que monopolizou o mercado até 1983, quando foi lançado o Nintendo Entertainment System, famoso NES. Se o Atari continuou fazendo sucesso no ocidente, o segundo foi a grande sensação no Japão.

Apesar de também usar uma CPU de 8 bits, o NES era mais poderoso e tinha gráficos bem mais detalhados, com cores vibrantes, e jogos mais complexos, a ponto de games lançados para arcade logo ganharem versões para o Nintendinho. Road Fighter, da Konami, é um bom exemplo – o jogo de corrida com visão aérea acabou ficando mais conhecido que Sega Grand Prix, pioneiro do estilo.

Já F1-Race, da própria Nintendo, era praticamente um Pole Position com outro nome. Este e outros títulos famosos ficaram bastante populares no Brasil no fim da década de 1990 e no começo dos anos 2000, quando a Dynacom fabricou consoles que usavam a engine do NES e vinham com cartuchos de 64 jogos que incluíam clássicos como Mach RiderExcitebike.

É claro que isto não impediu que o Atari 2600 seguisse popular, com títulos como Enduro, de 1983, que se tornou um clássico instantâneo apesar de ser visivelmente inferior aos títulos da Nintendo do ponto de vista técnico.

Olhando para trás, estes jogos seguem divertidos pela nota nostálgica que toca lá no fundo do seu cérebro a cada screenshot que você vê, ou cada música que você escuta no Youtube. E é por isto que, apesar de extremamente rudimentares se comparados aos padrões atuais (ou mesmo a games de quinze ou vinte anos atrás), eles estão em evidência. Se hoje você quiser reviver por alguns minutos a sua infância ou, se for um pouco mais jovem, saber por que diabos o pessoal mais velho fala tanto destes jogos, todos estão a uma busca no Google de distância – é só baixar um emulador, ou mesmo acessar sites que te permitem jogar no navegador.

E há literalmente centenas deles, pois o lançamento dos consoles foi o pontapé inicial necessário para que os videogames entrassem de vez para a cultura popular. Com os jogos de corrida não foi diferente, mas esta história fica para o próximo post!

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