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Guia de Compra

Alfa Romeo 145/155: tudo o que você precisa saber antes de comprar


A Fiat não planejava comprar a Alfa Romeo em 1987. Era um concorrente, basicamente, e a Fiat já tinha uma marca premium com seus próprios problemas e dificuldades para equacionar: a Lancia. Mas como tudo na Itália, nada tão simples como lógica pode balizar nada. A Ford americana tinha colocado uma oferta na mesa para comprar a empresa de Milão, e de repente, e isso acionou um velho alarme na sede do gigante de Turim. Primeiro, uma Alfa Romeo fortalecida com os recursos técnicos e financeiros da Ford seria um oponente bem mais difícil do que jamais fora. E depois, existia o brio italiano: Alfa Romeo nas mãos de americanos? Nunca!

Foi na verdade o mesmo impulso que nos anos 1960 fez a mesma empresa (e a mesma família, os Agnelli) comprar a Ferrari antes que a Ford pudesse fechar o negócio. Uma ópera menor esta da Alfa Romeo, mas com sopranos, contraltos e barítonos todos presentes de qualquer forma. Sem falar que alguma pressão política para manter a marca em mãos patriotas também deve ter acontecido. Os Agnelli, dizem, se confundem com a república italiana em si.

Mas o fato é que as duas se juntaram, e um problema imediatamente apareceu para a Fiat: como posicionar a marca? No fim, a Lancia progressivamente perde seu viés esportivo para, sem sucesso, se tornar uma marca de luxo. O que abre espaço para os Alfa progressivamente tomarem este seu espaço na corporação. Mas um monte de dúvidas percorriam os corredores da Fiat então, centrados em definir o indefinível: o que faz um Alfa ser um Alfa? São motores? Suspensão? desenho externo?

155 TI.Z 1993

O 164 que foi lançado em 1987 era um produto, ainda que parte do projeto tipo 4, era feito pela Alfa Romeo independente. Restava para a Fiat substituir o pequeno 33 e o médio 75, ambos produtos já antiquados, mas com uma imensa legião de fãs. Os três modelos, 33, 75 e 164 tinham quase nada em comum em arquitetura. Os motores quatro em linha e seis cilindros eram compartilhados entre o 164 e o 75, mas um tinha motor transversal-dianteiro e tração idem, e o outro, motor dianteiro, transeixo traseiro e tração lá atrás. O 33 tinha um boxer de 4 cilindros dianteiro longitudinal, e tração dianteira. Uma complexidade incrível.

A Fiat resolve manter os motores Alfa Romeo, universalmente adorados, nos substitutos do 33 e do 75, mas colocá-los dentro do esquema de 4 plataformas da Fiat. O novo 33, que conhecemos como 145 e 146, seria derivado da plataforma tipo due (Fiat Tipo), e o novo 75 (155) seria derivado da plataforma tipo tre, a do Tempra. O que significa, sim, que o 145/146 podiam ter motores boxer longitudinal e quatro em linha transversal, em seu lançamento. Uma incrível, e inútil vista de hoje, complicação.

Quatro em linha e boxer: duas 145 diferentes.

 

O projeto e evolução destes carros mostrou o que já era claro desde o Alfasud de 1973: um Alfa Romeo é um carro com um certo comportamento ao rodar, um certo comportamento esportivo em curvas, um certo espírito entusiasmado, girador e bravo do motor. Não pode ser centrado em nenhum motor ou configuração mecânica ou arquitetônica, nem muito menos um desenho de carroceria. É algo muito mais misterioso, que está tanto no detalhe quanto no todo, um amálgama de qualidades subjetivas, não componentes físicos. Tento evitar entrar no clichê mas falho: é quase divino.

O que faz um grande cozinheiro não são os ingredientes que ele usa, se são exóticos ou baratos, raros ou comuns. O que importa é como ele combina eles com cuidado, conhecimento e criatividade nata, para fazer deles algo maior que cada um jamais poderia ser em separado. Assim sempre foram os Alfa Romeo, mas mais claramente nesta era Fiat. E ainda mais nestes dois, o 145 e o 155, os primeiros da era Fiat. Tinham tudo para ser Fiat enfeitados, mas são algo muito diferente: são Alfa Romeo.

Por que você quer um Alfa Romeo 145/155?

Se não são carros tão maravilhosamente belos como o 156, estão longe de serem feios. Originais e diferentes o suficiente para sobressaírem na turba, algo raro hoje em dia. Mas também são algo bem interessante hoje em dia: os mais baratos Alfa Romeo que se pode ter.

Mas não se engane com esse fato. Esta situação é advinda da falta de apoio da Fiat à marca, que causa dificuldades de manutenção nos carros usados, que por sua vez os desvaloriza. Como consequência, caem nas mãos de gente que não tem condições financeiras nem conhecimento específico para mantê-los de forma adequada, gerando outra rodada de desvalorização, como uma bola de neve. Mas esta condição não dura para sempre, claro: os carros são interessantíssimos e raros por aqui, e então já pararam de desvalorizar. Provavelmente é a hora de comprar um; valorização, ou no mínimo preços mantidos estáveis, parece ser a tendência aqui.

Mesmo porque são uma unanimidade entre seus donos, todos eles perdidamente apaixonados por seus carros, mais que o normal. Diz o nosso amigo Alexandre Garcia: “Sempre achei uma idiotice o cara ter dois carros exatamente iguais. Mas eu tenho duas 155 Super, fora a 155 Elegant, de tanto que gostei do carro. É simplesmente maravilhoso!” o Marcus Myrrha vai mais além: “Eu gosto de tudo neste carro. E não tem absolutamente nada que não goste nela. Para mim, é perfeita; a 155 é o carro da minha vida.” O Luís Masini fala de sua 145: “Eu adoro dirigir ela. Esta Alfa Romeo me prega um sorriso no rosto na segunda quadra já! Da posição de guiar ao barulho e potência do motor, um carro fabuloso.” Nenhum relato a respeito desses carros é menos que apaixonado. Um motivo que se basta em si: quem não quer paixão?

Os 155 foram os primeiros a chegar lá fora, historicamente o primeiro Alfa da era Fiat, se descontarmos o sensacional, raríssimo, caro e exótico cupê SZ. Apareceu em 1992, com motores Alfa Romeo quatro em linha Twin-Spark de 8 válvulas (com vários deslocamentos de 1,6 a 2,0 litros), e V6 Busso de 2,5 litros e 12 válvulas. Uma versão Q4, essencialmente uma Lancia Delta integrale mecanicamente, também existiu. O 145 apareceu em 1994 na Europa, inicialmente com motores boxer do 33, de 1.4 a 1.7 litros. Um ano depois, aparecia o 2.0 Twin Spark de 16 válvulas (derivado de bloco Fiat, mas exclusivo da Alfa) na versão Quadrifoglio Verde. Em 1997, todos os boxer foram descontinuados em favor de versões menores do Twin Spark 16V. O 146, lançado em 1995, era a versão sedã do 145 que nunca tivemos aqui.

 

Aqui no Brasil o primeiro a chegar oficialmente foi justamente o 155, já na fase 2, com motores Twin Spark 16V e para-lamas “widebody”, além de um sem fim de melhorias diversas. As versões, exclusivas para nosso mercado, eram Elegant e Super, ambas com o 2.0 Twin Spark de 16 válvulas e câmbio manual de cinco marchas. O Super era bem diferente do Elegant: rodas, apêndices aerodinâmicos e acabamentos da cabine eram iguais às da 155 Q4 da segunda série europeia. Tinha também discos de freio maiores, menor altura do solo e relações do câmbio ligeiramente encurtadas. O 145 chega em 1996, inicialmente em versões Elegant e Quadrifoglio Verde, ambas 2.0 16V. No ano de 1998, o Elegant vinha com o 1.8 16V.

Ambos os carros são monoblocos bem diferentes, reforçados e modificados, em relação aos Fiat do qual derivam. Criado pelo I.DE.A Institute italiano sob Ercole Spada, o desenho quadrado do 155 lhe dava ótimo espaço interno e porta-malas, mas incrivelmente também era bastante aerodinâmico: o Cx era de 0,29. Tinha suspensão independente nas quatro rodas, dianteira Mcpherson, e traseira por braço arrastado, com freio a disco nas quatro rodas. Tem 2540mm de entre eixos em um comprimento total de 4443 mm. O mais prático hatchback 145 tem o mesmo entre eixos, mas mede pouco mais de quatro metros: 4093mm. O 155 pesa aproximadamente 1300 kg, e o 145 é na média 100kg mais leve.

 

Colaboraram para esta matéria: Alfa Romeo Clube do Brasil ( @alfaromeoclube ),  Marcus Myrrha (especialista da marca e do modelo 155, proprietário, [email protected]), Ricardo Augusto Stachevski (especialista da marca e do modelo 145, proprietário, @Alfisti_Brasiliani ), Gui Murad (sócio do clube, entusiasta da marca, @gui.murad ), Luís Guilherme da Costa Masini (proprietário), Alexandre Garcia (O ogro do cerrado, proprietário, mecânico, preparador).

 

Versões

Motor/Transmissão: Como dissemos, a maioria dos carros que viram oficialmente usavam o 2.0 Twin Spark 16V, a exceção sendo o 145 Elegant de 1998, com o 1.8 Twin Spark 16V. Todos tem transeixo manual de cinco marchas, embora as relações finais não sejam sempre as mesmas.

O motor Twin-Spark é na verdade derivado do quatro-em-linha da Fiat, aqui conhecido nos Marea 1.8, mas modificado, e com um cabeçote exclusivo: duplo comando de válvulas, quatro válvulas por cilindro, duas velas de ignição (Twin-Spark).Tinha também variador de fase no comando de admissão, e coletor de admissão de plástico, variável, e eixos contra-rotativos para diminuir vibração.

O 2.0 desloca exatamente 1.970 cm³ (83.0 x 91.0 mm), e nestes carros fornece 150 cv a 6.200rpm, e 19 mkgf a 4000 rpm. Diz o Marcus Myrrha: “A suavidade e a elasticidade do motor 2.0 16V são dignas de nota. É uma delícia ouvir e acelerar.” No 155, a aceleração de 0-100 km/h se dá na casa dos 9 segundos, e a velocidade máxima é de 210 km/h. O 145 com o mesmo motor tem a mesma velocidade máxima, mas acelera de 0-100km/h em 8,4 segundos.

A versão Elegant 1.8 do 145 usa o mesmo motor, mas medindo 82.0 x 82.7 mm, para um total de 1747 cm3. Tem 140 cv a 6300rpm, e 17,2 mkgf a 4000rpm. A velocidade final era de 205 km/h, com aceleração de 0-100 km/h em 9,2 segundos.

Um total de 969 unidades do 155 vieram para o Brasil oficialmente, divididas meio a meio nas versões Elegant e Super. Já o 145 é mais comum: 1713 unidades importadas oficialmente. Este guia tratará apenas destes carros trazidos oficialmente, pois são os encontrados normalmente a venda por aqui. Mas com ajuda do Marcus Myrrha (155) e do Ricardo Stachevski (145), conseguimos, como informação apenas, saber quão raras são as outras versões que vieram de forma independente: Uma 145 1.6 Twin Spark foi importada via embaixada. Cinco unidades de 145 com motor boxer vieram parar no Brasil: três 1.6, uma 1.4, uma 1.7 16V.  Além disso se sabe de dois sedãs 146: um 1.6 (talvez 1.4) e outro 2.0, ambas Twin-Spark. Foram importadas também três 155 V6 de primeira série, e cerca de quinze 155 4 cilindros 8V, primeira série, a maioria delas 2.0, mas pelo menos duas 1.8.

Carroceria/Acabamento:  O desenho externo dos dois carros é bem diferente, o que, na maioria das vezes, determina a preferência pessoal. O 145 é mais prático por ser um hatchback, mas o sedã 155 tem um porta-malas enorme, que praticamente anula a vantagem. O 155 Super tem o desenho externo, relação de marcha e pneus mais esportivos, mas alguns preferem o Elegant por sua suavidade e conforto; o AG é apaixonado pelo seu: “O Elegant é um carro suave, bem educado, gostoso, vem com aro 14…De todos os Alfa Romeo que tenho, é o melhor de todos para usar diariamente.” – o que, considerando que tem 155, 145 e 156, é algo a se escutar.

Quanto custam?

Estes carros ainda são baratos, mas o ideal aqui é comprar carros bem cuidados; o chamado do baixo preço em carros muito judiados podem ter resultados tristes. São carros que se bem cuidados, duram muito sem dar problemas, mas são sensíveis ao descuido; podem facilmente descambar para um poço sem fundo.

Os preços estão em viés de alta, com muita gente percebendo o valor deles, e caminhando inexoravelmente para o status de clássicos. Não é para menos: ótimo desempenho e comportamento em uma marca reverenciada. É inevitável. Se você sempre quis um, não espere muito.

Espere pagar um mínimo de R$12.000 para carros cansados, precisando de muita coisa (e gastar um bocado para levantá-lo). Carros bons, andando bem mas usadinhos, vão de R$ 18.000 até R$ 25.000, dependendo do estado. Carros perfeitos, originais com pouco uso, ou restaurados, e sem nada a fazer, saem por um mínimo de R$ 30.000.

 

 

No que ficar de olho?

Perfil do carro: Como passaram algum tempo valendo muito pouco no mercado, alguns deles sofreram com pouca manutenção de donos sem condições de manter um carro especial. Mas ao mesmo tempo, eram caros quando novos, e alguns se mantiveram com poucos donos desde então, bem cuidados. Um histórico do carro é sempre vantajoso, mas especialmente aqui: é um carro que mecanicamente não aceita maus tratos muito bem.

Carroceria: A Fiat e a Alfa Romeo, antes destes carros serem lançados, sofreram muito com corrosão prematura da carroceria. Com isso, trabalham violentamente nisso durante os anos 1980, e quando chegamos nos 145 e 155, a proteção à corrosão é muito boa. Praticamente não é um problema, como na maioria dos carros modernos. Diz o Marcus: “Não há pontos críticos. Corrosão nas Alfa Romeo da era Fiat aqui no Brasil é quase inexistente. A rigidez geral do conjunto é muito boa e eventuais desalinhamentos só existirão em caso de sinistros (colisões).”

Motor/Transmissão: Os motores, ao contrário do que se diz por aí, são bem resistentes. Mas são sofisticados e caros, como convém a um carro de marca e desempenho superior. Desta forma, como qualquer carro deste tipo, é sensível a manutenções malfeitas ou inexistentes. A fama dos Alfa vem basicamente de carros comprados baratos, usados, por gente sem condição de mantê-los: clássico caso de “nada mais caro que um Mercedes barato”.

Com a palavra, o Marcus Myrrha: “Utilização de óleos lubrificantes inadequados e com trocas prolongadas, por tempo ou quilometragem, aliadas a exigência da unidade sempre no limite, certamente irão causar problemas, com redução da sua vida útil. O variador de fase do comando é um componente relativamente sensível a manutenção inadequada. E é caro. Hoje em dia o valor de um novo chega a bater nos três mil reais. Gambiarras como troca dos reparos não funcionam. Muito menos “travar” o variador para impedir o característico barulho de motor diesel quando está defeituoso. Deu defeito, tem que trocar por um novo.” Mas o Alexandre Garcia tem uma solução relativamente fácil: ” O variador de fase do Marea serve lá. Assim como a bomba d’água, que é a mesma.” Ao comprar, verificar ruídos no cabeçote que podem denunciar uma polia ruim. Também vazamentos de óleo em geral devem ser evitados.

As correias e tensores também são itens normalmente negligenciados: “Tanto a 145 quanto a 155 têm, além da correia dentada e da de acessórios, correias dos eixos contra rotativos de balanceamento. O que se pode encontrar num carro com manutenção mal feita, em oficinas não gabaritadas: correias de marca ruim ou fora da especificação, rolamentos tensores de baixa qualidade e a falta da correia dos eixos contra rotativos. Isso mesmo: tem gente que simplesmente retira essa correia para gastar menos na troca.”

Outro detalhe importante a se verificar são as velas, que no Twin-Spark são duas por cilindro, de tamanho diferente. Como lembra o Ricardo Stachevski: “Há muitos anos criou-se uma cultura totalmente errada de se colocar velas de motocicletas no lugar das velas pequenas do Twin Spark, simplesmente porque a rosca cabe. Acontece que todas as outras especificações são deixadas de lado, o que faz com que o motor trabalhe de maneira errada e até provocando aumento no consumo médio. O correto: as velas maiores são de código BKR6EKPA e as menores são as PMR7A.” Cuidado com as bobinas também: a marca correta é Bosch, e marcas de baixa qualidade fazem funcionamento irregular.

Uma boa notícia: “Periféricos e agregados do motor, como bomba d’água, radiador, válvula termostática, alternador, compressor do ar-condicionado e outros, são relativamente fáceis de encontrar e por valores civilizados. Muita compatibilidade com linha Fiat aqui também. No caso do escapamento, existem marcas paralelas com valores compatíveis com os de carros nacionais. E a embreagem é robusta, e não é muito cara, caso necessite troca” – diz o Marcus.

O problema aqui é gente sem cuidado ou respeito pela mecânica sofisticada, claramente. O Marcus lista alguns absurdos: “Variador de fase travado (por solda ou marteladas); gambiarra no sistema de arrefecimento para forçar o funcionamento da ventoinha; falta das correias dos eixos contra rotantes; sistema de arrefecimento sem o fluido apropriado e às vezes sem a válvula termostática; juntas de cabeçote ou da tampa de válvulas de baixa qualidade com vazamentos.” É mole?

Acabamentos: As rodas aro 15 das 155 Super e 145 QV costumam estar reformadas em muitos carros, especialmente em unidades mal cuidadas. Como usam pneus de perfil mais baixo, é comum serem danificadas por buracos. E as reformas “afinam” as rodas, o que acaba afetando a segurança. Esse é um problema bem menos comum nas versões Elegant, que utilizam rodas aro 14.

Os vidros também são difíceis de achar novos, tem que vir de ferro-velho. O para-brisa do Tipo serve na 155, mas a cor não bate (o para-brisa original da 155 é azul – PPG Solextra). Canaletas e borrachas de porta da 155 são compatíveis com os do Fiat Tipo. Outros acabamentos são específicos dela e não são mais encontrados novos no mercado mas, em carros bem cuidados, costumam estar em ordem. Carros com revestimento dos bancos original e em ótimo estado costumam se bem mais valorizados entre os aficionados, pois reposição é muito difícil.

O Ricardo nos lembra de outro detalhe: “Uma questão que tem aparecido cada vez mais sobre os emblemas da carroceria da 145 são os trevos verdes, exclusivos das Quadrifoglio Verde, presos nas saias laterais e na tampa traseira do carro. Com o tempo e o desgaste provocado pelas intempéries os trevos vão descolorindo e ficando azuis. Infelizmente são acabamentos que encontram escassez em todos os mercados e ainda não encontramos uma solução definitiva para reformá-los. O part number do trevo das saias é 60619515 e da tampa traseira é 60619713.”

Suspensão: Resistente e de manutenção barata: as bandejas dianteiras são iguais às do Fiat Marea (cuidado com marcas de baixa qualidade) e amortecedores encontram similaridade na linha Fiat. Freios também não são nenhum problema. Fácil encontrar discos e pastilhas no mercado. Atenção para as versões: o disco de freio dianteiro da 145 Elegant é diferente do da QV. O mesmo vale para as versões Elegant e Super da 155 (versões base com diâmetro de 260mm, Super e QV, 284 mm).

A suspensão de fábrica da 145 QV e 155 Super vinha com maior carga, que davam aos modelos topo de linha dinâmica mais apurada e altura do solo menor. Muitos donos não se atentam à esse detalhe e acabam por instalar peças de qualquer tipo, deixando a altura total do carro mais alta e consequentemente fazendo com que os parâmetros de geometria fiquem fora do padrão, provocando um desgaste extra no conjunto dianteiro, principalmente.

Para quem não tem medo de experimentar como o AG, ele manda uma dica: “Montar o braço arrastado traseiro de Marea. Alarga a bitola traseira, o que dá dois efeitos que para mim, mudam a 155 completamente. O primeiro efeito é estético: a roda traseira originalmente fica muito para dentro do carro, e assim, fica rente ao para-lama, bem mais bonito. O outro efeito é em comportamento: originalmente o carro sai de traseira se encontra irregularidade no piso, mas com esta modificação fica absolutamente neutro.”

 

Peças e manutenção

Os 145 e 155, como todo Alfa Romeo, exige cuidado e gente especializada para sua manutenção. O risco de um mecânico menos habilidoso piorar problemas já existentes ao invés de melhorar não é pequeno. Prefira gente que pelo menos conheça os carros já, e converse com seus clientes. O Marcus Myrrha do Alfa Romeo Clube do Brasil aproveita para indicar algumas mais conhecidas:

São Paulo:

– BF Soluções Automotivas – Mecânica especializada. Rua Miguel Desiato, 47 – Parque São Lucas – São Paulo – SP

-Serpa Júnior Alfa Romeo Care – Ateliê especializado em acabamentos, detalhamento e elétrica. Trabalha ítens mecânicos de manutenção pontual. Rua Senador Flaquer, 975 – Centro – Santo André – SP

Paraná:

Injetec Tecnologia Automotiva – Mecânica e eletrônica em geral. Av Presidente Kennedy, 635 – Rebouças – Curitiba – PR

Minas Gerais:

Marinelli Fiat – Mecânico em geral, funilaria e pintura. Rua Camilo Schiara, 171 – Flamengo – Contagem – MG

Quanto a peças, é de praxe o garimpo destas peças nos principais marketplaces e em grupos nas redes sociais focados no modelo. Também as buscas na internet tem se mostrado cada vez mais frutíferas: Tanto o Mercado Livre quanto buscas diretas no Google com o PN da peça, hoje são uma fonte praticamente inesgotável de opções. Algumas peças alternativas, comuns aos Fiat, podem ser achadas em concessionárias da marca também.

Outra indicação do Marcus para peças:” Dib Neto (Injetec) de Curitiba. Consegue quase tudo a preços normais de mercado. Outro lugar que se encontra peças é o Pega-Peça (www.pegapeca.com.br).

Iluminação externa: Faróis e lanternas (piscas) dianteiros da 155: além de ser possível encontrar usados, existem algumas de mercado paralelo à venda no Mercado Livre. Lanternas traseiras, só originais e usadas.

 

Depoimentos dos donos

Ricardo Augusto Stachevski (especialista no modelo 145, @Alfisti_Brasiliani )

A nossa 145 Quadrifoglio Verde foi adquirida em 2015 após um anúncio de um colega alfista que estava se desfazendo de algumas Alfas. O fato de ter sido um carro de um membro do clube foi fator determinante, visto que carros de alfistas costumam receber manutenções preventivas e recebem uma atenção extra no trato geral. Este, aliás, é um conselho que sempre passo à amigos interessados em comprar sua primeira Alfa: priorize carros com bom e longo histórico, isto salvará muito tempo e dinheiro. Desde o momento da compra a única intervenção atípica foi a troca da caixa de fusíveis, que apresentou defeito, mas rapidamente encontrei outra usada em bom estado anunciada por um colega de Curitiba.

O ponto que pode não agradar aqueles que desejam usar esta versão no dia-a-dia é a suspensão um tanto rígida, que pode não agradar. Se é o seu caso, as versões Elegant 1.8 ou 2.0, com os amortecedores mais suaves e altura mais alta, é o seu carro ideal.

Mesmo após uma longa lista de carros exóticos que tivemos na família, de Peugeot 504 pick-up à Accord cupê, passando por Daewoo Espero, Chrysler Neon e Kia Clarus, a Alfa Romeo 145, com todos os seus atributos estéticos exclusivos, somada à carga histórica da marca e à excelente dirigibilidade, a Alfa sempre conseguiu se destacar na nossa garagem. Todo o carro me agrada, do detalhe das bases dos vidros dianteiros, com a ‘’descida diferente’’ perto da coluna A, ao recuo no painel do lado do passageiro, o carro é feito, definitivamente, para impressionar ao olhos e ao cuore.

Alfa Romeo 145 QV 1996/1997
Dono a 05 anos. 127.000KM

 

Marcus Myrrha (especialista da marca e do modelo 155, proprietário, [email protected])

Já tive duas 145, uma Elegant e uma QV. Mas a minha experiência mais longa e duradoura é com a 155. Eu comprei uma zero km em 1998. Estava meio encalhada com a chegada da 156, e a comprei. Fiquei com ela até o final de 2001, rodei 38 mil km até vender. Tive zero problemas com ela, um carro realmente perfeito. Depois em 2004, eu comprei uma com 14 mil km, e fiquei com ela até 38 mil km também. Vendi ano passado para um amigo do clube. Esse carro era novo também, muito zero mesmo, e de novo, tive zero problemas.

As atuais eu peguei de 2012 em diante. Já foram carros que tive que fazer muita manutenção para deixá-los em ordem de novo. São três carros de importação oficial, 2.0 16V: duas Elegant e uma Super. Além disso tenho uma primeira fase, 2.0 8V, que estou acabando de restaurar. E tenho também uma raríssima V6 de primeira série.

Eu gosto de tudo nela, e não existe nada nela que eu não goste. É o carro da minha vida. Minha experiência com os carros novos foram perfeitas, nunca me deram problema, totalmente confiáveis, só alegria mesmo. Mas é incrível como os mais usados foram destruídos por manutenção negligente. Dá muito trabalho descobrir as gambiarras e barbaridades, e consertar. me deixa triste ver como ignorãncia destrói esses carros.

As 155 atuais aqui, 2.0 16V, tem 90, 125 e 133 mil km rodados. Agora estão todas em ordem, mas não foi fácil nem barato arrumá-las. O 155 é um carro incrível, sensacional; mas precisa ter sido bem cuidado. Se foi bem cuidado, dura e só dá alegria. Agora, se não…

 

Luís Guilherme da Costa Masini (proprietário)

O meu Alfa Romeo 145 Elegant 1.8 está comigo desde zero km. Sou o único dono dele.

Eu adoro dirigir ela. Esta Alfa Romeo me prega um sorriso no rosto na segunda quadra já! Da posição de guiar ao barulho e potência do motor, um carro fabuloso. É também super funcional e prático. Uso ele como uma perua, baixo os bancos e carrego tralha, vou para a praia com ele. Faço de tudo com este carro, inclusive passeios rápidos para diversão pura. Dirigi-lo ainda é um prazer, mesmo depois de tanto tempo.

Defeito? talvez apontaria a falta de lugar apropriado para fixação do protetor do cárter. Nunca apresentou nenhum problema sério, está com cento e poucos mil km. Troca de correias foram duas, amortecedores uma , pneus três , sempre preventivas. Nunca me deixou na mão, funciona perfeitamente.

 

Alexandre Garcia (O ogro do cerrado, proprietário, mecânico, preparador).

Tenho hoje uma 145 QV, mas já tive uma Elegant 1.8 também. É um carro sensacional de se andar , a QV, delicioso, que não vejo nenhum ponto negativo. Tive que fazer manutenções normais, como trocar variador de fase de comando, alternador, coisas assim. Gosto muito.

A 155 eu gosto tanto que fiz algo que não fazia: repeti carro. Tenho duas Super, e uma Elegant. São carros diferentes, a Elegant usei muito tempo no dia a dia, é simplesmente deliciosa, um carro suave, muito legal. Já a Super é para andar com faca nos dentes. Eu adoro ela para isso, parei de usar justamente porque não consigo andar devagar!

São carros muito, mas muito agradáveis. A que mais andei foi a Elegant, gostei muito dele, me agradou pacas. Deu algum problema de parte elétrica; tive que trocar o chicote do motor. Mas fora isso, tranquilo. As Super são duas, uma preta e uma vermelha. Para acelerar não tem Alfa melhor; não consigo me controlar com ela. Dou lenhas homéricas nela, de trocar marcha no corte, que nem um maluco, aquela baixaria toda.

O interessante é que nunca vi um carro moderno produzido em série que muda tanto de um carro para o outro. O Super e o Elegant são diferentes pacas, mesmo teoricamente quase iguais. E mesmo entre os carros iguais: a Super preta é bem menos agressiva que a vermelha. Vai entender!

Mas uma coisa é certa: são carros baratos e sensacionais. Eu amo todas elas!

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