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Alfa Romeo Alfetta GTV6: delicie-se com um dos roncos de V6 mais bonitos de todos os tempos

Quantas vezes a gente já elogiou aqui o ronco dos motores V6 Alfa Romeo? Até perdemos a conta. No entanto, hoje é dia de fazer isto de novo — mas, desta vez, com um modelo que a gente não costuma ver com frequência aqui no FlatOut. É hora de corrigir isto.

É o Alfa Romeo Alfetta GTV6. A gente tem quase certeza de que ele só não aparece por aqui por uma infeliz questão de idade: enquanto ficamos idolatrando os clássicos Alfa de tração traseira dos anos 1960 e 1970, e relembrando os belíssimos sedãs e hatchbacks que a fabricante do cuore sportivo fez nos anos 1990 e 2000 (sem falar, é claro, do novo Giulia, cuja chegada agora é questão de tempo), os clássicos da década de 1980 ficam meio esquecidos. O motivo? Talvez eles só não estejam velhos o bastante para serem considerados clássicos.

Mas é só um palpite. E, de qualquer forma, com o revival da cultura oitentista, não vai demorar para que os Alfa da melhor/pior década da história também recebam o amor que merecem. Até lá, façamos nossa parte: vamos falar um pouco do Alfetta GTV6?

Quer saber, tivemos uma ideia melhor: vamos deixar que ele fale primeiro. Você já sabe o que fazer: coloque fones de ouvido, aumente o som e aproveite!

Sim, o vídeo começa com Eros Ramazzoti tocando ao fundo, mas a trilha sonora fica boa de verdade quando o V6 de 2,5 litros entra em cena. Trata-se de de um motor com comando simples nos cabeçotes e injeção eletrônica multiponto Bosch L-Jetronic. São 160 cv a 5.600 rpm e 21,7 mkgf de torque a 4.000 rpm, suficientes para levar os 1.210 kg do carro até os 100 km/h em 8,2 segundos, com máxima de 218 km/h.

Nada mau mesmo, e o suficiente para não perder muito feio para, digamos, o Porsche 911 Carrera 3.2 da época, que tinha 210 cv em seu flat-six e era capaz de atingir os 100 km/h em 6,3 segundos. E a gente jura que, por volta dos 2:15 de vídeo, o som produzido pelo escape lembra a microfonia de um amplificador de guitarra. Sério. O ronco é tão bonito que, na época do lançamento, a revista alemã Auto Motor und Sport disse que parecia que um engenheiro acústico havia trabalhado por meses no projeto, só para aperfeiçoar o som do motor.

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O Alfetta GTV (mais tarde, só GTV) era derivado do sedã Alfetta, lançado em 1972. Se você olhar a foto acima, vai notar certa semelhança com o nosso Alfa Romeo 2300, e não é por acaso — o Alfetta foi a maior inspiração da Alfa para criar o 2300 aqui no Brasil (lá fora o nosso Alfa foi batizado como Alfa Rio). O que não é defeito algum, visto que se trata de um carrinho bem simpático.

No entanto, legal de verdade é o GTV, esportivo idealizado depois do sucesso do Alfetta na Europa. Para transformá-lo em um fastback de apelo mais nervosinho, a Alfa chamou ninguém menos que Giorgetto Giugiaro, do estúdio Italdesign. A gente prefere imaginar que a beleza do hatch não surpreendeu ninguém — afinal, Giugiaro é Giugiaro. Também achamos que o visual clássico do Alfetta GTV, como apresentado em 1974, é o mais bonito.

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Também era um carro bom de guiar, fosse na versão GT 1.6, com um quatro-cilindros de 130 cv; GT 1.8, de 122 cv; ou GTV (de Veloce) 2000, cujo 2.0 entregava 130 cv. No entanto, foi em 1980 que a Alfa criou a versão GTV6 e provou do que o hatchback era capaz.

E do que ele era capaz? Vamos deixar que o italiano Davide Cironi, entusiasta italiano cujo canal no Youtube é uma verdadeira coleção de belos reviews em vídeo, nos mostre.

O vídeo tem legendas em inglês que podem ser traduzidas automaticamente

Para começar, bem, é um Alfa Romeo com motor V6 e tração traseira. No entanto, a suspensão — que usava barras de torção longitudinais e braços inferiores na dianteira e um eixo DeDion na traseira — era muito bem acertada e garantia um carro bastante equilibrado (ainda que sair de traseira, como Davide demonstra várias vezes ao longo do vídeo, não fosse difícil). A direção tinha o peso correto e era muito bem calibrada, e a agilidade do carro ao mudar de direção impressiona para uma máquina com mais de três década de vida.

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O único “defeito” era o câmbio, cujos engates imprecisos chegavam a assustar — Davide até diz que os Alfa mais antigos, como o Giulia, eram melhores e pareciam até mais modernos neste quesito. Mas que carro italiano não tem suas particularidades, não é?

Como se não bastasse, o GTV6 ainda tem uma bela história nas pistas: entre 1982 e 1985, os carros preparados pela Autodelta, a “equipe de fábrica” da Alfa Romeo, fizeram bonito no Campeonato Europeu de Turismo (ETCC), ficando com o título por quatro anos consecutivos (juntando-se aos dezessete títulos do ETCC que os italianos conquistaram no total).

O Alfa Romeo GTV6 foi produzido entre 1980 e 1987, e teve 22.380 exemplares fabricados. Considerando que a grande maioria deles, portanto, já passou dos 30 anos de idade, fica a sugestão para quem quiser trazer um exemplar lá de fora — ainda que este não seja o melhor momento para tal empreitada, vamos repetir as palavras de Davide e te desafiar a não sair procurando o GTV6 em sites de classificados gringos depois de ver estes vídeos.

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