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As curvas inclinadas mais icônicas do automobilismo

Em novembro de 2019 correu a notícia de que o circuito holandês de Zandvoort ganharia novas curvas inclinadas (banked corners em inglês). Na ocasião, fotos da pista em reforma foram divulgadas, e as expectativas eram altíssimas. Afinal, Zandvoort vai retornar ao calendário da Fórmula 1, com a corrida marcada para o dia 3 de maio – daqui a exatamente dois meses. Será o fim de um hiato que dura desde 1985, quando Zandvoort recebeu a Fórmula 1 pela última vez. O GP da Holanda de 1985, aliás, acabou com a última vitória do tricampeão Niki Lauda, seguido de Alain Prost na segunda posição e Ayrton Senna, na época recém-chegado à Lotus, em terceiro. Faz tempo, hein?

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Agora, as curvas inclinadas de Zandvoort ficaram prontas – e a própria organização da Fórmula 1 divulgou as primeiras imagens e informações sobre a nova configuração da pista. As curvas inclinadas são a 3 e a 14 – batizadas, respectivamente, em homenagem ao antigo diretor do circuito, John Hugenholtz, e ao piloto Arie Luyendyk, que venceu a Indy 500 duas vezes. Ambas têm inclinação entre 18° e 19° (o número exato ainda não aferido, possivelmente). Para se ter ideia, as curvas do oval de Indianápolis têm inclinação de 9°.

As curvas inclinadas em Zandvoort foram uma das últimas ideias de Charlie Whiting, que morreu em março de 2019, como diretor de corridas da FIA. E, de acordo com a Dromo Circuit Design, empresa responsável pelo projeto das modificações, a intenção era emular as condições das curvas Eau Rouge e Raidillon, em Spa-Francorchamps, e a sequência Maggots-Becketts de Silverstone. Isto é válido, em especial, para a transição entre as curvas 2 e 3. De acordo com a Dromo, graças às mudanças de elevação, a impressão que os pilotos têm é estão sendo “esmagados”, como se estivessem em um saca-rolhas. Especialmente porque os pilotos entram na curva 2 a 265 km/h e precisam frear forte antes de entrar na curva 3, que é seguida de um segmento bastante técnico.

Além de proporcionar uma visão bem interessante para o público, as curvas inclinadas aumentam significativamente o desafio para os mecânicos – os carros de Fórmula 1 simplesmente não foram feitos para inclinações deste tipo, e as equipes terão de se esforçar para encontrar um acerto de suspensão que não comprometa o desempenho nas partes inclinadas, e nem no restante da pista. E os organizadores da prova garantem que este desafio não será replicado em nenhum outro circuito presente no calendário.

 

Isto posto, achamos que esta é a oportunidade perfeita para relembrar outras curvas inclinadas famosas do automobilismo – tanto as que ainda existem quanto as que já entraram para a história.

 

Indianapolis

Foto: LAT

O tradicionalíssimo oval de Indianapolis Motor Speedway é, tecnicamente, um retângulo com os cantos arredondados. São quatro curvas idênticas, todas com inclinação de exatos 9,2°. Construído em 1909, Indianapolis foi o segundo circuito oval dedicado construído no mundo – o primeiro foi o lendário circuito de Brooklands, no Reino Unido, que alguns defender ter sido a principal inspiração para a construção de Indianapolis.

Agora, apesar de icônico ao extremo, em termos de inclinação o circuito de Indianapolis é um dos mais conservadores – entre os circuitos que recebem a NASCAR, por exemplo, Indianapolis só não é menos inclinado que o oval de New Hampshire Motor Speedway, cujas curvas têm inclinação de 7°.

 

Brooklands

Inaugurado em 1907, o circuito de Brooklands foi o primeiro oval dedicado do planeta. Curiosamente, porém, sua concepção não teve motivo no automobilismo em si, mas na preocupação com a recém-nascida indústria de automóveis britânica. Na época, preocupações com a segurança pública estabeleceram um limite de velocidade de 32 km/h nas vias públicas do Reino Unido. Temendo uma estagnação no desenvolvimento de carros mais potentes e velozes, pela impossibilidade de realizar testes de velocidade máxima, o empresário Hugh F. Locke King idealizou uma pista onde estes testes pudessem ser feitos com segurança. Seu uso para competições, claro, foi natural e esperado – tanto é que, em seu auge, Brooklands podia receber nada menos que 287.000 espectadores.

As curvas inclinadas de Brooklands tinham inclinação de até 30°, dependendo do trecho. No centro da pista havia uma linha tracejada sobre a qual, supostamente, os pilotos podiam contornar as curvas sem virar o volante. A superfície da pista era de placas de concreto não revestido, por questões de custo. Com isto, algumas partes do concreto cederam – o que acabava aumentando o desafio.

Brooklands recebeu sua última prova em 1939, fechando as portas para eventos regulares e dando lugar ao que hoje é um museu, e também uma locação relativamente popular para eventos e encontros de automóveis e motocicletas.

 

AVUS

AVUS é o acrônimo de Automobil-Verkehrs und Übungsstraße, ou “estrada para treinamento e testes de automóveis” em uma tradução livre. Inaugurada em 1921, AVUS é a rodovia de acesso controlado mais antiga da Europa – e, até 1998, também foi utilizada para competições automobilísticas.

Embora o layout do trecho, com duas retas paralelas e duas curvas nas extremidades, seja comum em estradas, é algo bem inusitado para um circuito de corridas. A curva sul era plana, mas a curva norte tinha uma inclinação de alarmantes 43,6° em seu ponto mais íngreme. O traçado original tinha 19 km, mas a partir de 1967 a curva sul foi relocada algumas vezes para reduzir a extensão do trajeto – que, em determinado momento, perdeu também a inclinação da curva norte e ficou com apenas 2,6 km de extensão.

https://www.youtube.com/watch?v=N9_CUpdMKeI

Em seus dias de glória, AVUS era muito utilizado como campo de testes, e também recebeu algumas vezes o Grande Prêmio da Alemanha na era pré-Fórmula 1 – era praticamente o playground das lendárias “flechas de prata” da Mercedes-Benz.

 

Caracciola-Karussell

 

O Caracciola-Karussell é uma das duas curvas inclinadas de Nürburgring Nordschleife – e possivelmente a mais famosa de todas as curvas do lendário Inferno Verde. Batizado em homenagem a Rudolf Caracciola, que foi o vencedor da primeira corrida de automóveis realizada em Nürburgring, ao volante de um Mercedes-Benz Kompressor, em 19 de junho de 1927.

Diferentemente de outras curvas inclinadas famosas, o Karussell é mais inclinado na parte interna, que é revestida de concreto e tem uma inclinação de 27°. Tecnicamente, embora seja uma das curvas mais lentas, é também uma das mais difíceis de contornar da forma correta – sua entrada é cega, e a diferença de aderência no pavimento exige bastante esforço físico do piloto, que precisa esterçar e segurar firme no volante por um período prolongado.

Visualmente, o Karussell é uma das curvas favoritas dos fotógrafos, tanto pelo cenário imediatamente reconhecível quanto pela baixa velocidade – é possível tirar várias fotos do carro em diferentes ângulos enquanto ele contorna a curva.

 

Monza

O lendário circuito de Monza, inaugurado em 1922, sofreu com um período de negligência durante a Segunda Guerra Mundial – além de ter todas as atividades automobilísticas suspensas, o local foi utilizado pelos militares ao longo do conflito. Depois que a Guerra acabou e a cidade de Monza começou a ser reconstruída, os administradores do autódromo decidiram realizar uma grande restauração no mesmo.

E isto incluiu a inclusão de um trecho oval, com 4.250 m de extensão e curvas inclinadas em 38°. Um verdadeiro playground para acelerar sem limites – que serviu de palco para uma das corridas mais incríveis já realizadas: “Monzanapolis“, a disputa entre monopostos da Fórmula Indy e da Fórmula 1 que aconteceu em 1957 e 1958.

O oval foi utilizado para corridas até 1969, e por vezes as corridas eram realizados numa combinação do trecho misto e do oval, totalizando um circuito longo com 10 km de extensão. O oval permanece lá, como um monumento ao passado.

 

 

Nardò Ring

A famosa pista de testes de Nardò Ring, no sul da Itália, é um circuito circular com 12,5 km de extensão. A pista é bastante larga, com quatro faixas, e é mais inclinada na porção externa – são 12° de inclinação. Isto permite que alguns carros percorram o anel a até 240 km/h sem esterçar o volante.

Superesportivos mais velozes, porém, ainda precisam esterçar – como o Koenigsegg CCR que, em 2005, atingiu os 387 km/h em Nardò, com o volante esterçado a 30° por toda a extensão da pista.

Construído em 1975, o circuito de Nardò pertencia à Fiat, mas desde 2012 é propriedade da Porsche Engineering – que, naturalmente, aproveita o cenário atípico para conduzir testes de velocidade e longa duração em seus modelos.

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