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História Zero a 300

BBS Wheels: as origens da fabricante de rodas mais popular do planeta


Existem muitas fabricantes de rodas no mundo, e muitas delas criaram desenhos que hoje são considerados clássicos. O título deste post pode ser um tanto exagerado e talvez, caso alguém um dia decida fazer um censo abrangendo entusiastas de todo o planeta, descubra-se que na verdade a fabricante de rodas mais lembrada e conhecida no mundo seja outra.

Dito isto, caso esta mesma pesquisa imaginária (e um provavelmente inviável) apontasse que sim, a BBS é a fabricante de rodas mais conhecida, popular e influente do mundo, não ficaríamos surpreso. É fato que as rodas da BBS, em especial as “raiadas” como a clássica RS, são vistas como modelos extremamente versáteis que ficam bem em qualquer carro. É claro que gosto e senso estético são coisas subjetivas mas, é como dizem, “contra fotos não há argumentos”.

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Nem todos os carros fazem o estilo de todo mundo, mas com certeza algum deles faz o seu estilo

Mesmo sendo tendo um visual retrô, as BBS raiadas conseguem harmonizar com carros modernos tão bem quanto o fazem com clássicos dos anos 60, 70 e 80, com algumas exceções. E a gente também não costuma ver carros muito mais antigos do que isto usando rodas BBS, mas isto até que faz sentido considerando que a companhia foi fundada em 1970.

Mas como esta história começou? Bem, foi quando os alemães Heinrich Baumgartner e Klaus Brand se juntaram para abrir uma fábrica na cidade de Schiltach, que fica no estado de Baden-Württemberg, no Sul da Alemanha. O nome foi escolhido de forma prática, tipicamente alemã: usando as iniciais dos sobrenomes dos dois amigos e da cidade onde a companhia foi fundada: Baumgartner, Brand, Schiltach, BBS. Curto e fácil de memorizar – ao menos até que se descobre o nome completo da empresa – BBS Kraftfahrzeugtechnik, que significa “BBS Tecnologia Automotiva” em alemão.

Agora, engana-se quem acha que a BBS começou fabricando rodas. A ideia de Baumgartner e Brand era produzir componentes plásticos para automóveis – como spoilers, asas traseiras, retrovisores e polainas. Quer ver só? O BMW Série 3 E21 abaixo está equipado com um spoiler dianteiro BBS abaixo do para-choque:

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Bacana, não?

Foi em 1972 que o foco da companhia começou a mudar. Naquele ano, Baumgartner e Brand desenvolveram uma nova técnica para a produção de rodas: a construção em três peças separadas (3-piece) – miolo (center), aro (lip) e tala (barrel). Batizado BBS RS, este primeiro modelo de roda foi usado primeiro em carros de competição. Inspirado pelas rodas raiadas dos anos 50, muito populares por seu baixo peso e pela praticidade na instalação, com um único parafuso de fixação – o chamado cubo rápido. No caso das BBS RS, o miolo feito a partir de uma única peça de metal era bem mais resistente do que uma porção de raios de arame, e a divisão em três partes em uma construção modular permitia que se fabricasse rodas de largura e offset diferentes de forma mais rápida, barata e prática sem prejudicar a rigidez da peça.

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Como a BBS já fornecia componentes plástico para a BMW, não foi difícil convencê-los a usar também suas rodas em seus carros de corrida. É por isso que o icônico BMW 3.0 CSL, que dominou as provas de turismo na Europa com seu motor seis-cilindros de três litros e 325 cv, usava rodas BBS. Foi questão de tempo até que o visual extremamente atraente das BBS conquistasse outras fabricantes, além de pilotos e equipes independentes. Isto levou a um crescimento exponencial da companhia nos anos que se seguiram, e não demorou para que surgisse demanda por rodas para carros de rua.

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Já antes do início dos anos 80 a BBS esforçou-se para atender aos que queriam rodas iguais às que viam nas corridas em seus próprios carros. As BBS “civis” eram inspiradas nas rodas de competição mas, para conter custos, no início eram feitas de liga leve fundida, enquanto as rodas de competição tinham miolo forjado com aro e tala de metal torneado – processos que eram mais caros, mas garantiam maior resistência às rodas.

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As informações históricas a respeito dos primeiros modelos de rodas BBS feitas para carros de rua divergem bastante, e a própria companhia conta sua história de forma resumida. É consenso geral que as rodas BBS RS provavelmente foram as primeiras, seguidas rapidamente por outros modelos como a BBS RZ, a versão em peça única fundida da RS; e a BBS RG, que era construída como uma roda de corrida, com miolo forjado (a letra “G” de seu nome quer dizer Geschmieded, ou “forjado” em alemão).

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A BBS RZ ficou famosa ao ser a roda que vinha de série na primeira geração do BMW M3 E30, lançada em 1985

As fabricantes alemãs também agiram rápido ao adotar as rodas BBS como equipamento de série em alguns de seus modelos. A BMW foi uma das primeiras – antes mesmo do M3 E30 aí em cima, o BMW Série 5 da geração E12 já usava rodas BBS de fábrica.

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Melhor ainda: o modelo era o M535i, movido por um seis-cilindros de 3,5 litros e 231 cv, que era o BMW de rua mais rápido do mundo quando foi lançado, em 1980. Naquele ano foram produzidas 220.000 rodas na fábrica em Schiltach.

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Mercedes-Benz, Audi, Volkswagen, Porsche e Opel – ou seja, as mais importantes fabricantes alemãs – também começaram a usar rodas BBS como equipamento de série em seus carros. E não apenas modelos desenhados pela BBS, mas também rodas criadas por seus próprios designers, que eram feitas pela companhia sob encomenda.

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Novos modelos eram adicionados à linha ano a ano, e o ritmo de produção aumentou a ponto de a BBS precisar abrir uma nova fábrica em 1987, a fim de conseguir suprir a demanda. Em 1990, procurando expandir sua atuação, a BBS lançou duas novas linhas de acessórios: volantes e bancos. Você não deve ter visto muitos volantes da BBS por aí, e há uma boa razão para isto: eles não eram exatamente bonitos.

Já os bancos eram parecidos com os Recaro da época:

Dito isto, as rodas da BBS iam melhor do que nunca. Em 1994 a fabricante firmou acordos com a Pininfarina e com a Bugatti para fornecer rodas para seus conceitos e, no caso da Bugatti, para o supercarro EB110. Foi nesta época que a BBS começou a diversificar ainda mais os desenhos de suas rodas.

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Em 1995, comemorando 25 anos de sua fundação, a companhia lançou a BBS RS II, que tinha o intuito de inaugurar uma nova era no design das BBS, trocando os raios cruzados (cross-spokes) por raios duplos. A inspiração eram as BBS LM, que começaram a ser produzidas no ano anterior para os protótipos que competiam nas 24 Horas de Le Mans e também ganharam uma versão civil.

Também nos anos 1990 a BBS começou a fornecer rodas de magnésio para diversas outras categorias: a DTM, a Super GT e até mesmo a Fórmula 1 – em 1994 Michael Schumacher venceu seu primeiro título mundial na Fórmula 1 usando rodas BBS de magnésio forjado em seu Benetton.

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Apesar da popularidade de suas rodas e da expansão no segmento OEM, tornando-se fornecedora de diversas fabricantes de automóveis fora da Alemanha – Saab, Subaru, Lexus, Mazda, Ford, Jaguar e Volvo, para citar apenas algumas delas – a BBS passou por maus bocados nos anos 2000. Por conta do mercado de “réplicas” (um nome mais bonito para as falsificações, via de regra) a companhia viu-se com problemas financeiros que levaram a uma declaração de falência em 2007, ao que a BBS foi prontamente adquirida por um grupo de investidores belga chamado Punch International. Felizmente, na mesma época a BBS começou a dividir suas operações, abrindo subsidiárias no Japão e nos Estados Unidos, o que de certa forma ajudou a manter a produção acontecendo mesmo com a crise financeira. Tanto que, em 2011, a BBS começou a produzir no Japão rodas ultra-leves feitas de super-duralumínio, mesmo material usado nas estruturas dos aviões.

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O primeiro modelo de roda feito de super duralumínio forjado foi a BBS RI, com cinco raios finíssimos, que na medida 19×8,5” pesa apenas 7,9 kg. Em 2015, em sua inovação mais recente, a BBS começou a produzir em série rodas de magnésio forjado usando a tecnologia adquirida como fornecedora da Fórmula 1.

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