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Carros fashion: quando a moda e os automóveis se juntam

Embora o principal objetivo de um automóvel seja a locomoção pessoal, tal transformação em objeto de desejo só mostra que, para o ser humano, os aspectos mais subjetivos também têm muita importância na hora de escolher um carro. O público em geral não quer só um carro espaçoso, confortável, potente e econômico – as pessoas também querem carros que considerem bonitos, e que “tenham a cara delas”. A oferta de cores, estilos de carroceria, detalhes de acabamento (por dentro e por fora) e acessórios só confirmam isto.

Mas às vezes as fabricantes levam esta noção a outro nível. Geralmente o mundo dos carros e o universo da moda não se misturam, mas ocasionalmente surgem edições especiais de carros feitos para entusiastas da moda. Ou simplesmente para quem busca algo mais exclusivo, limitado e, na maioria das vezes, caro. Geralmente as colaborações com grifes e estilistas não trazem mais do que detalhes estéticos alusivos à marca, mas é o bastante garantir um extra no preço final.

Apesar disso, é interessante a noção de que carros podem ser itens de moda. E, por isso, listamos abaixo algumas das ocasiões em que isto aconteceu.

 

Fiat 500 Gucci

Este é um dos poucos itens desta lista que podem ser encontrados tanto lá fora quanto no Brasil. E também é um dos mais compreensíveis: o Fiat 500, com seu desenho retrô que é praticamente o mesmo desde 2007 (ou seja, ele é quase retrô em dobro, exagerando um pouco), foi muito procurado pelo público em geral justamente por seu design. Ele pode ser considerado um carro de imagem, ainda que, quase como bônus, também ofereça um bom nível de equipamentos, manutenção relativamente simples e boa dinâmica para um carro urbano de tração dianteira.

A edição especial da Gucci foi oferecida a partir de 2011 em diferentes mercados, chegando ao Brasil em 2013. Como bom carro “de grife”, ele vinha decorado com alguns itens estéticos exclusivos, como as faixas adesivas nas laterais, emblemas nas colunas “B”, rodas de desenho diferenciado e revestimentos internos específicos. Isto no caso do hatchback – o 500 Cabrio trazia as faixas externas na capota de tecido.

 

Citroën C3 Ocimar Versolato

Em 2004, quase uma década antes do Fiat 500 Gucci, a Citroën lançou o C3 Ocimar Versolato no Brasil, em parceria com o estilista brasileiro. Foi a primeira vez que Versolato, que morreu em 2017 em decorrência de um AVC, colaborou com uma fabricante de automóveis.

Foto: Série Especial BR

O C3 Ocimar Versolato era oferecido apenas em preto ou prata, com painel inteiramente preto, revestimento de couro com a assinatura do designer, disqueteira para cinco CDs, tapetes personalizados, emblemas nas colunas e ponteira de escape cromada. Além disso, uma bolsa “C3 Weekend OV”, desenhada pelo estilista, acompanhava o carro.

 

Citroën C4 Cactus Rip Curl Edition

Faz sentido que a fabricante francesa tenha escolhido a famosa grife de surfwear para batizar uma edição especial do C4 Cactus – o crossover possui um dos designs mais criativos e descolados dos últimos anos, destacando-se na multidão de modelos parecidos que infestam o segmento (e ainda é competente no que faz, como vimos em nossa avaliação).

Para ganhar um aspecto mais “praieiro”, o C4 Cactus Rip Curl ganhou motivos geométricosadesivados nas colunas “C” e nos para-lamas dianteiros, além de alguns detalhes de acabamento em laranja no interior – nas molduras dos alto-falantes, cintos de segurança e etiquetas nos tapetes.

 

Peugeot Quiksilver

Outra fabricante francesa que apostou na moda praiana foi a Peugeot, que lançou diferentes modelos em parceria com a grife Quiksilver, e alguns deles foram vendidos no Brasil.

O primeiro deles foi o compacto 106, O carro tinha pintura prata (obviamente) e revestimento de tecido escuro – geralmente o 106 tinha cores vivas no interior – usando o logo da Quiksilver como padrão. Seu maior atrativo estava no body kit, que era idêntico ao do Peugeot 106 GTI vendido na Europa. Fora isto, ele tinha o mesmo motor 1.0 de 50 cv das outras versões.

Seu sucessor, o 206, também teve uma versão Quiksilver, seguindo a mesma cartilha – um body kit mais agressivo, pintura na cor prata e emblemas da grife na carroceria e no interior. No Brasil, ele foi vendido no começo dos anos 2000.

Em 2011, a Peugeot trouxe de volta a parceria com a Quiksilver, mas dessa vez com o 207. O carro não era prata, e sim branco. Em compensação, vinha com rodas de acabamento bicolor exclusivo e um motor 1.6 16v de 113 cv.

Três anos depois, foi a vez do Peugeot 308 Quiksilver. Ele vinha com rodas de 17 polegadas na cor grafite, retrovisores com capas pretas, e o emblema da grife nas portas, bancos e tapetes. O motor era o 1.6 16v de 122 cv.

 

Lamborghini Murciélago LP640 Versace

Obviamente, o Lamborghini Murciélago Versace foi criado em parceria com a famosa grife italiana. A decoração era discreta: apenas os motivos gregos nas laterais, perto das caixas de roda dianteiras. O interior tinha revestimento de couro bicolor, preto e branco, com o mesmo tema grego bordado em alto relevo no encosto, e também nos revestimentos das portas e teto.

O carro foi apresentado em 2006 durante o Salão de Paris. Foram feitas apenas 20 unidades do Murciélago Versace, com pintura preta ou branca. Cada um deles vinha com duas malas de viagem (uma masculina e uma feminina), mais uma bolsa para ternos, todos com revestimento interno de cetim branco. Além disso, o comprador também levava um par de sapatilhas de pilotagem feitas de couro azul, mais um par de luvas.

O conjunto mecânico, obviamente, era mantido intacto – o V12 de 6,5 litros e 640 cv, o câmbio sequencial eletro-hidráulico de seis marchas e a tração nas quatro rodas, suficientes para ir de zero a 100 km/h em três segundos cravados, com máxima de 340 km/h.

 

AMC Gremlin Levi’s (e outros carros “jeans”)

Se o Lamborghini Murciélago Versace é um dos carros mais raros e exclusivos desta lista, o AMC Gremlin é um dos mais humildes, embora também seja um dos mais raros. Lançado nos Estados Unidos em 1973, o Gremlin Levi’s era meio que um fruto da Crise do Petróleo. Em vez de atrair o público com a promessa de desempenho superior e números na dragstrip, ele oferecia um pacote estético inspirado nas calças jeans.

A carroceria era pintada de azul claro, e o interior trazia revestimento de que lembrava jeans, mas não era feito de algodão, e sim de nylon – a NHTSA, órgão do governo que fiscalizava a segurança nas estradas e nos carros, proibia o uso de algodão por conta de sua inflamabilidade. Mas o aspecto era convincente – os bancos dianteiros até traziam botões, costuras laranja e a famosa tag vermelha da Levi’s.

Isto posto, o Gremlin não foi o único carro com a temática “jeans” lançado ao longo dos anos.

No Brasil, mesmo, tínhamos o Chevette Jeans, apresentado em 1979 – que, ao contrário do Gremlin, usava jeans de verdade no revestimento dos bancos e das portas. Estava disponível nas cores Branco Everest e Prata Diamantina.

A Volkswagen também teve sua cota de carros “jeans”. O clássico Fusca, por exemplo, recebeu edições especiais com revestimento de jeans na Alemanha, em 1974 e 1974; na África do Sul, em 1976; e no México, em 1982, 1995 e 2000.

Foto: Ran When Parked
Foto: Ran When Parked

Já o Volkswagen Up alemão ganhou uma edição Jeans em 2015 – embora o revestimento dos bancos fosse de couro sintético, tingido de azul e tratado para ficar parecido com jeans.

O mesmo vale para o VW Beetle Denim, que foi lançado nos EUA em 1976 e tinha como objetivo relembrar as edições especiais da década de 1970. Nessa, os brasileiros foram os mais autênticos.

 

Citroën 2CV Hermès

Quem aí curte carros marrons? Então se prepare para uma overdose: o Citroën 2CV6 Hermès. Diferentemente dos outros carros desta lista, ele não foi vendido ao público – ele foi feito em 2008, no Salão de Paris, para celebrar os 60 anos do 2CV. A ideia fazia sentido: embora tenha sido lançado em 1948 com o único objetivo de ser um meio de transporte barato para a França do Pós-Guerra, com o passar dos anos o 2CV virou um carro chic, quase um acessório de moda.

Um exemplar fabricado em 1989 foi todo restaurado para receber a customização da Hermès, que incluiu pintura marrom (até as rodas), revestimento em couro marrom no volante, alavanca de câmbio e portas, e couro bicolor marrom e branco nos bancos.

 

Lincoln Continental Mark V Designer Labels

De todos os carros neste post, certamente o Lincoln Continental Mark V é o que mais se valeu das edições especiais fashion: foram quatro delas – Bill Bass, Cartier, Givenchy e Emilio Pucci. Os pacotes eram upgrades cosméticos, disponíveis para diferentes versões de motorização, e não incluíam mudanças mecânicas.

O que se obtinha, porém, eram pacotes com cores e materiais definidos pelos estilistas de suas respectivas grifes – a pintura da carroceria, o acabamento e o revestimento do interior, o teto de vinil e os frisos laterais.

Cada versão tinha o emblema de sua grife na tampa do porta-malas, além da assinatura do respectivo estilista na janela lateral traseira (a chamada opera window) e uma plaqueta de ouro 22-quilates, entregue à parte, para que o dono colocasse no painel de instrumentos.

 

Monza Clodovil

Não se pode terminar esta lista sem falar do famoso Monza Clodovil, que abordamos aqui no FlatOut há não muito tempo. Lançado em 1982, ele foi o primeiro carro com pegada fashion vendido no Brasil. Mas ele não foi criado pela Chevrolet, e sim por um de seus concessionários – mais precisamente, a Chevrolet Itororó, em São Paulo/SP. A intenção era atrair à concessionária o público feminino, seguindo a lógica de que as mulheres gostariam de dirigir um carro que deixasse claro seu bom gosto para a moda. Acredita-se que a inspiração tenha vindo justamente do Lincoln Continental Mark V Designer Label.

Embora não tenha sido criado pela GM do Brasil, o Monza Clodovil tinha seu aval: a concessionária pediu autorização para a fabricante para comprar alguns exemplares e realizar neles modificações antes de vender.

A base era sempre a versão SL/E, que recebia na concessionária diversos toques especiais. As cores disponíveis eram Ouro, Marrom Café, Azul Noturno, Vermelho Sangue, Azul Esverdeado e Branco, todas metálicas ou perolizadas. Havia um aplique especial na face traseira, com uma moldura preta para a placa e extensões de acrílico vermelho translúcido para as lanternas (não eram funcionais, apenas refletores) – uma solução estética interessante que acabou adotada em 1988 pela própria Chevrolet no Monza Classic.

O Monza Clodovil também tinha a assinatura do estilista impressa na parte interna no vigia traseiro, bancos de couro preto com as iniciais “CH” gravadas nos encostos e um chaveiro ouro 24 quilates que acompanhava o carro. Além disso, era oferecido como opcional um jogo de malas de couro marrom feitas sob medida para o porta-malas do Monza hatch, também desenhado pelo estilista.

Se no papel a ideia parecia boa, na prática o carro foi um completo fracasso. De acordo com estimativas não-oficiais, no máximo 12 exemplares foram vendidos – o que, de certa forma, torna o Monza Clodovil um dos modelos mais raros da Chevrolet não apenas no Brasil, mas no mundo.

 

Fiat Oggi Pierre Balmain

Foto: Série Especial BR

Todos nós curtimos o Fiat Oggi CSS, que foi a única série especial de homologação brasileira, criada nos anos 1980 especificamente para o Campeonato Brasileiro de Marcas e Pilotos, e teve 300 unidades fabricadas. No entanto, o Oggi mais raro de todos é um carro fashion: o Fiat Oggi Pierre Balmain.

Baseado na versão CS, o Oggi Pierre Balmain era direcionado ao público feminino, e veio dois anos depois do Monza Clodovil, em 1984. O modelo foi direcionado ao público feminino e, como o nome diz, associava o modelo ao estilista francês Pierre Balmain.

O sedã vinha com alguns itens especiais no acabamento interno, como o acabamento monocromático marrom; bancos e portas revestidos em  veludo; e painel, para-choques e volante na cor marrom chocolate. A carroceria trazia o logotipo PB da grife nas laterais e no painel, e os compradores ainda ganhavam duas malas estilizadas pelo francês.

O Oggi Pierre Balmain Foi vendido somente sob encomenda entre janeiro e março de 1984, somente na cor bege áureo. Estima-se que menos de 50 unidades tenham chegado às ruas.