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Car Culture

Como era o mundo quando a Fiat Strada foi lançada


Foi-se o tempo em que as concessionárias brasileiras estavam cheias de projetos antigos, com 20 anos ou mais. Desde 2014 a legislação brasileira exige que todos os carros novos tenham airbags e freios ABS, o que automaticamente “peneirou” projetos competentes, porém antiquados, como a Volkswagen Kombi (que data da década de 1950) e o Fiat Uno, lançado por aqui em 1984. Com a obrigatoriedade das bolsas infláveis e dos freios antitravamento, os carros com mais de 20 anos de idade foram desaparecendo quase por completo.

É da própria Fiat o único carro brasileiro com mais de 20 anos desde o lançamento: a Fiat Strada de primeira geração, que chegou em 1998 – dois anos depois do Palio. Das picapes compactas derivadas de hatchbacks, ela e a VW Saveiro foram as únicas que restaram. Mas a Saveiro ganhou uma geração completamente nova em 1997 e outra em 2000, enquanto a Strada permaneceu, tecnicamente, a mesma por todo este tempo, a despeito das reestilizações profundas que ela recebeu ao longo dos anos.

E mesmo com a chegada da nova geração neste ano de 2020, o modelo antigo segue em linha exclusivamente na configuração Hard Working, voltada a frotistas e pessoas que vão usá-la para trabalhar. Simplesmente porque é uma opção mais em conta, cuja competência já está mais do que comprovada. E também porque o projeto já “se pagou” há tempos. No caso da Strada, fazia sentido adaptar o projeto para a nova legislação.

Como já mostramos aqui no FlatOut algumas vezes, é sempre interessante relembrar como as coisas eram quando certos carros foram lançados. E nós vamos fazer isto mais uma vez – desta vez, vamos dar uma olhadinha em como era o mundo em 1998 outubro de 1998, quando a Fiat Strada foi lançada no Brasil.

 

 

O Fiat Uno ainda tinha motor Fiasa

 

Em 1998, o carro de entrada da Fiat ainda era o Uno Mille. A fabricante já havia deixado de lado versões mais equipadas e com mais motor – mais precisamente, os Uno R e o Uno Turbo – e assumido sua vocação de baixo custo. Tanto que, custando menos de R$ 10.000, ele era o carro mais barato do Brasil.

O Uno vendido em outubro de 1998 era o Mille EX, sucessor do SX que foi descontinuado naquele ano. Para reduzir custos, o acabamento foi simplificado e diversas medidas foram tomadas – algumas delas controversas, como a adoção de apenas uma luz de ré. Economia de escala.

O motor ainda era o Fiasa de 994 cm³, exatamente como no lançamento do Mille oito anos antes. Porém, com injeção multiponto, chegava a bons 57 cv (mais que suficientes para um carro de 785 kg com câmbio bem escalonado).

O Fiat Marea ainda era novidade

 

Uma boa forma de entender como as coisas eram diferentes no lançamento da Strada é lembrar que, poucos meses antes, outra novidade da Fiat foi o Marea – última tentativa da fabricante de emplacar um sedã médio no Brasil (o Linea, seu sucessor, era baseado no Punto não chegava a ser um médio de fato).

O Marea era um carro interessantíssimo – tinha design contemporâneo, acabamento primoroso e boas qualidades de condução. Nas versões mais simples, até tinha manutenção razoavelmente simples. Contudo, as versões mais caras com motor de cinco cilindros eram carros de mecânica muito complexa, exigindo mão de obra especializada e ferramental altamente específico até mesmo para serviços corriqueiros como uma troca de correia dentada.

Nem mesmo o desmpenho matador do esportivo Marea Turbo (sedã e perua), que tinha uma versão de dois litros e 182 cv do motor Fivetech, foi o bastante para mudar a fama do modelo, mesmo depois de tantos anos. A Fiat ainda o manteve em linha até 2007 e lançou versões mais simples, com motor 1.6 (o mesmo usado pelo Palio), em uma tentativa de torná-lo mais popular, mas foi em vão.

 

A Mazda ainda estava no Brasil

Se você lamenta todos os dias o fato de o Mazda Miata não ser oferecido de forma oficial no Brasil, eis um motivo para lamentar ainda mais: em 1998, quando a Strada foi lançada, a Mazda ainda atuava no Brasil – foi assim até o ano 2000, quando a empresa encerrou suas atividades por falta de demanda. Além do Miata, era possível compra MX-3, Protegé e 626 nas concessionárias Mazda brasileiras.

A Mazda nunca conseguiu ter o mesmo sucesso que Honda e Toyota em nosso País – talvez por não ter a mesma estrutura das rivais e não conseguir nacionalizar sua produção. E também por não ter tradição como ambas as marcas (que já estavam presentes no Brasil com outros produtos antes de Civic e Corolla).

 

O McLaren F1 deixava de ser fabricado

Em 1998, o carro mais veloz do planeta tinha um V12 naturalmente aspirado, pouco mais de 600 cv, câmbio manual e tração traseira. E ele estava em seu último ano de produção – seis unidades do McLaren F1 foram fabricadas artesanalmente em Woking no ano de 1998, cada uma levando em torno de três meses e meio para ficar pronta.

A obra prima de Gordon Murray atingiu os 386 km/h (velocidade média em duas aferições, com pico de 391 km/h em uma delas) no dia 31 de março de 1998, no circuito de Ehra-Lessien, com o piloto Andy Wallace ao volante. De lá para cá, o recorde mundial de velocidade já trocou de dono algumas vezes e foi motivo de inúmeras discussões dentro e fora da Internet. Além disso, o próprio McLaren F1 já ganhou alguns sucessores – os mais recentes foram o Speedtail, da própria McLaren, e o GMA T.50 – que, cá entre nós, tem mais credenciais para ser o sucessor definitivo do F1 que qualquer coisa feita pela McLaren nos últimos anos.

 

A Fórmula 1 usava motores V10 aspirados

Mesmo quem não curte carros e não dá a mínima para a Fórmula 1 é capaz de admitir que os roncos dos motores de antigamente eram muito mais empolgantes que o berro grave e rouco dos V6 biturbo atuais.

Em 1998, por exemplo, a Fórmula 1 estipulava que as equipes usassem motores naturalmente aspirados de três litros. A quantidade de cilindros era livre, mas em 1998 todas as equipes usavam motores V10 – algo inédito em toda a história da F1. Mais tarde, esta configuração tornou-se obrigatória, e rendeu alguns dos roncos mais bonitos de toda a história da Fórmula 1. Em seu auge, os V10 de Fórmula 1 passavam tranquilamente dos 900 cv em acerto de classificação, e eram capazes de girar a até 19.000 rpm.

O peso das regulamentações ambientais fez com que o V10 fosse abandonado para a temporada de 2006, dando início aos não tão épicos (mas ainda mais interessantes que os atuais) V8 aspirados de 2,4 litros.

 

Gran TurismoNeed for Speed III: Hot Pursuit eram os games de corrida do momento

Gran Turismo 7 será lançado no ano que vem, no máximo em 2022. A EA Games já confirmou um novo Need for Speed – o 25º da franquia, contando todos os títulos principais e spin-offs. Em 1998, porém, Gran Turismo ainda estava em seu primeiro game (lançado no ano anterior); e Need for Speed havia acabado de ganhar seu terceiro e revolucionário título – Need for Speed III: Hot Pursuit, que introduziu as perseguições policiais que vieram a se tornar uma marca registrada da série.

Gran Turismo só estava disponível no PlayStation, enquanto NFS III podia ser jogado tanto no console da Sony quanto no Windows.

Aliás, o Windows 98 havia acabado de ser lançado, e veio a ser considerado um dos melhores sistemas operacionais já lançados pela Microsoft. Agora, para instalar Need for Speed no PC, só mesmo comprando o jogo. Baixar não era uma opção, afinal…

 

A Internet ainda era discada

Hoje a rede mundial de computadores (quer termo mais datado que este?) possui um acervo absurdamente grande de informação arquivada e milhares de novos dados são publicados todos os dias – cada post no Facebook, cada foto no Instagram, cada tuíte. Os vídeos mais antigos no Youtube têm quase 15 anos (o principal site de vídeos do mundo foi inaugurado em 2006). Os memes tomaram vida própria e possuem uma história muito rica – a ponto de serem estudados seriamente para ajudar os antropólogos a entender a evolução da sociedade como um todo. E não, não estamos sendo irônicos.

Então, pode até ser um choque imaginar que, em 1998, a internet comercial como a conhecemos hoje – a World Wide Web – só tinha quatro anos. O primeiro website “WWW” foi publicado pelo físico e cientista da computação Tim Berners-Lee, que em 1990 foi o primeiro a conseguir fazer um computador e um servidor se comunicarem através da internet. Oito anos depois, a maior parte das pessoas ainda não tinha acesso, a banda larga não existia e, se o FlatOut já tivesse sido lançado, certamente seria uma revista impressa….

 

 

 

 

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