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Car Culture

Como era o mundo quando o Fiat Palio Weekend foi lançado?

Com o fim da produção do Renault Clio e do Fiat Palio Fire, o posto de carro mais antigo em produção no Brasil agora é ocupado pelo Fiat Weekend.

Apesar de não usar mais o prenome Palio e de ter um visual bastante diferente de seus antecessores, ele ainda é o mesmíssimo carro que conhecemos em 1997.

Sim, o Palio Weekend está entre nós há duas décadas. Vinte longos anos que mudaram o mundo de forma significativa enquanto a perua Fiat seguia seu caminho inabalável. Claro, ao longo desses anos ela teve suas pequenas evoluções e aprendeu a esconder a idade, por isso chega a ser um pouco difícil encará-la como um carro de 20 anos. Para facilitar essa percepção, decidimos fazer mais uma daquelas nossas viagens no tempo (aqui, aqui e aqui, se você ainda não viu) e lembrar como era o mundo quando o Palio Weekend foi lançado.

 

O Tempra ainda era o topo-de-linha da Fiat

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Lançado em 1992 o Fiat Tempra foi o sedã médio mais bem sucedido da marca ítalo-mineira. Oferecido inicialmente nas versões Ouro e Prata (diferenciadas pela cor usada no emblema do carro) e com versões de duas e quatro portas, ele trazia um ar de modernidade ao mercado brasileiro, ainda que fosse baseado no antigo Fiat Regata argentino.

Ao longo de sua carreira ele foi o pioneiro do turbo “não-esportivo” no Brasil, em sua versão Stile, e também o primeiro modelo com quatro válvulas por cilindro no mercado brasileiro — com um belo 2.0 16v de 127 cv que o levava de zero a 100 km/h em 9,8 segundos e permitia que ele fosse além dos 200 km/h.

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A edição de imagens também era diferente em 1997

O sucesso do Tempra no Brasil fez a Fiat mantê-lo em produção até o final de 1998, com direito a ano-modelo 1999 – o que significa que o Palio Weekend dividiu as concessionárias com ele por dois anos.

 

A picape da Fiat ainda era a Fiorino

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Atualmente a Fiat Strada é a picape mais vendida do país e também um dos dez carros mais vendidos do Brasil. O bom desempenho se deve a uma série de fatores, como a ausência de concorrentes competitivos de verdade e também à idade do projeto: lançada em 1998, ela é o segundo carro mais antigo à venda no Brasil, com 19 anos de estrada.

 

Isso também significa que em 1997, quando o Palio Weekend foi lançado, a Fiat ainda oferecia a Fiorino como opção de picape. Derivada do Uno de primeira geração, ela fora lançada em 1988, mas deslanchou mesmo no início dos anos 1990, o que segurou sua produção até seu décimo ano de carreira.

 

Michael Schumacher ainda era bicampeão mundial

Em 1997 Schumacher estava em seu segundo ano de Ferrari e havia terminado o campeonato anterior em terceiro lugar, com três vitórias e outros cinco pódios — dois terceiros lugares e dois segundos lugares.

Naquele 1997 ele tinha tudo para faturar o título… se não tivesse causado um acidente proposital para tentar impedir uma ultrapassagem de Jacques Villeneuve na prova final da temporada, e por isso acabou desclassificado do campeonato.

 

Rubens Barrichello ainda não havia vencido na F1

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Barrichello e Jan Magnussen — sim: o pai de um piloto da F1 atual era piloto de F1 quando o Palio Weekend foi lançado

Apesar das piadas propagadas por comediantes que sequer imaginam como funciona um carro de corrida e pelo público que pensa que Fórmula 1 é futebol, Rubens Barrichello foi um dos maiores pilotos da história da categoria. Suas 17 temporadas disputadas ininterruptamente somando 326 GPs são suficientes para provar isso.

Como se não bastasse, Barrichello ainda venceu 11 Grandes Prêmios, o que o coloca à frente de campeões como James Hunt, John Surtees, Keke Rosberg e Denny Hulme. Mas estas 11 vitórias só aconteceram bem depois de 1997. A primeira — e talvez mais emocionante delas — aconteceu no GP da Alemanha de 2000, em Hockenheimring. Debaixo de chuva, Barrichello largou do 18º lugar e nas 45 voltas seguintes terminou a prova na frente de todos os outros, com uma vantagem de mais de sete segundos para Mika Hakkinen, o segundo colocado, 21 segundos para David Coulthard, o terceiro.

Em 1997 Barrichello tinha apenas três pódios na carreira: um terceiro lugar no GP do Pacífico de 1994, um segundo lugar no GP do Canadá de 1995 e um segundo lugar no GP de Mônaco de 1997.

 

Mitsubishi e Citroën ainda não eram campeões de construtores do WRC

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Dois dos grandes ícones do rali mundial, Mitsubishi e Citroën, ainda não haviam sido campeões de construtores do WRC em 1997. A Mitsubishi já havia conquistado o título de pilotos no ano anterior com Tommi Mäkkinen, mas ainda não havia sido coroada como a melhor construtora da temporada — algo que só aconteceu em em 1998.

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A Citroën, que dominou os ralis da mesma forma que a Ferrari dominou a Fórmula 1 no início dos anos 2000, sequer estava tentando vencer o WRC. A fabricante só entrou na competição em 1998.

 

A Saveiro zero-quilômetro ainda era quadrada

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Os primeiros exemplares da Volkswagen Saveiro estão aptos a receber a placa preta de veículos de coleção desde 2012, há distantes cinco anos. Surpreendentemente, a primeira geração desta picape oficialmente “clássica” ainda era produzida quando o Palio Weekend foi lançado. Apesar da renovação do Gol iniciada em 1995, a picape só ganhou sua segunda geração em 1998. Em 1997 ela já havia ganhado injeção eletrônica e um acabamento mais refinado nas versões de topo, mas ainda era basicamente a mesma Saveiro de 1982.

 

O Toyota Corolla ainda era importado

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O sedã médio mais vendido do Brasil já está em sua quarta geração fabricada no Brasil, mas em 1997, quando o Palio Weekend foi lançado, Toyota Corolla ainda era um carro importado da América do Norte.

O único carro que a Toyota produzia no Brasil naquele ano era o jipe Bandeirante. O Corolla só foi nacionalizado em 1998.

 

O Golf estava em sua terceira geração

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Atualmente a Volkswagen produz a sétima geração do Golf no Brasil e, apesar de termos pulado a quinta e a sexta gerações, o modelo foi nacionalizado em 1999, quando sua quarta geração foi lançada. Isso significa que em 1997 o Volkswagen Golf ainda era um hatchback importado, e ainda estava em sua terceira geração.

 

Tom Kristensen vencia pela primeira vez em Le Mans

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Tom Kristensen pendurou o capacete no final de 2014, depois de vencer Le Mans nada menos que nove vezes. Mas quando o Palio Weekend começou a ser fabricado no Brasil, o dinamarquês ainda estava prestes a vencer pela primeira vez as 24 Horas de Le Mans.

Foi na edição de 1997, pilotando para a Porsche ao lado de Stefan Johansson e Michele Alboreto, que Kristensen iniciou sua sequência inigualada de vitórias na maior corrida do planeta.

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Em 1998 e 1990 ele disputou a corrida pela BMW, mas não terminou nenhuma das duas. Sua sequência inacreditável de vitórias começou apenas em 2000, quando foi para a Audi. Lá ele venceu todas as edições até 2005 (ok, em 2003 a vitória foi pela Bentley, mas era apenas um Audi disfarçado de inglês). As duas últimas vieram em 2008 e depois em 2013.

 

O recorde de Nürburgring era de quase oito minutos – e ninguém se importava com isso

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Em 1997 ainda não havia todo o hype atual acerca de Nürburgring Nordschleife, e nenhum fabricante de supercarros se preocupava muito em divulgar seus tempos por lá. Claro, isso não significa que não havia tempos de volta registrados por lá, afinal, um circuito desafiador e com aquela variação de relevo e diversidade de curvas sempre pareceu o lugar ideal para avaliar a capacidade de um esportivo.

Por isso, antes da guerra pelo topo da tabela que vem se arrastando desde a década passada, somente alguns jornalistas mediam os tempos de volta dos carros no Nürburgring Nordschleife. Os britânicos da revista Autocar, eram os detentores do recorde quando o Palio Weekend foi lançado: em 1996 eles foram à Alemanha com um Nissan Skyline GT-R R33 V-Spec, e completaram uma volta no circuito em 7:59.

 

A telefonia brasileira ainda era estatal

Para adquirir uma linha telefônica em 2017 você precisa apenas de R$ 5 e um número de CPF. É esse o preço cobrado por um chip de celular pré-pago e é este o documento exigido para cadastrá-lo.

Em 1997, contudo, a história era bem diferente: com sistemas analógicos, a habilitação de um telefone era demorada e limitada. Além disso, a telefonia no Brasil era estatizada, controlada pela Telebrás. Para adquirir uma linha telefônica você se tornava uma espécie de acionista da empresa e precisava enfrentar uma longa fila de espera (ou um bom contato lá dentro, só para variar).

Esse modelo estatal perdurou até 1998, quando finalmente foi realizada privatização das empresas de telecomunicação, que finalmente colocou a telefonia do Brasil no século 20 antes que ele acabasse. Com a concorrência entre empresas privadas, a aquisição de linhas foi facilitada até chegar ao ponto em que estamos hoje, com internet banda larga na palma da mão, bastando apenas um chip comprado em bancas de jornal e um CPF válido.

 

Ainda não existia internet banda larga no Brasil

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Sem banda larga, sem imagens

A internet comercial chegou ao Brasil em 1995, o que significa que em 1997 ela já era relativamente comum nos lares brasileiros. Mas naquela época a velocidade máxima de download de dados era 56 kbps. Isso porque ainda não existia banda larga de internet no Brasil. E não era uma questão de monopólio, ou estatização: a tecnologia ainda era novidade no mundo inteiro, e só deu as caras por aqui no ano 2000.

 

Frank Sinatra estava vivo

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Em 2017 Frank Sinatra é lembrado como um dos grandes cantores do século 20, e é mais reverenciado por nossos pais e avós do que por nossos amigos. Seus maiores sucessos hoje são mais conhecidos por regravações de outros artistas, como Lady Gaga (“The Lady is a Tramp”), Sid Vicious (“My Way”) e Bono Vox (“I’ve Got You Under My Skin”), e “New York, New York” é mais lembrada como “aquela música de Nova York”.

Em 1997, o Mr. Blue Eyes já não fazia mais shows havia dois anos, mas ainda estava entre nós, e aqui permaneceu até 14 de maio de 1998, quando o Palio Weekend completou seu primeiro ano de vida.

 

Charlie Brown Jr. estava lançando seu primeiro disco

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Uma das bandas brasileiras de rock mais populares dos últimos anos, o Charlie Brown Jr., encerrou suas atividades há quatro anos, quando o vocalista Chorão foi encontrado morto em seu apartamento, vitimado por uma overdose de cocaína e álcool.

Quando o Palio Weekend foi lançado, o Charlie Brown Jr. estava lançando seu primeiro disco, “Transpiração Contínua Prolongada”, que chegou às lojas em junho de 1997 e vendeu cerca de 500.000 cópias depois do sucesso dos hits “O Coro Vai Comê”, “Proibida Pra Mim”, “Tudo o Que ela Gosta de Escutar” e “Quinta-Feira”.

 

O USB ainda estava engatinhando

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Hoje o USB é o padrão mais popular da indústria de eletrônicos, sendo usado desde carregadores de smartphones a discos de armazenamento e protocolos de comunicação entre dispositivos. Quando o Palio Weekend foi lançado, contudo, o USB ainda era uma tecnologia em desenvolvimento, que ainda era incapaz de transferir dados em alta velocidade.

A forma mais popular de transferir arquivos na época eram os velhos disquetes ou CDs — que ainda não eram tão simples de se gravar. Para arquivos maiores havia os Zip Disks, com capacidade de incríveis 100 megabytes.

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Foi somente a partir de 1998, quando foi lançada a versão 1.1, com taxa de transferência de 12 Mbps, que a tecnologia começou a deslanchar e a ser cada vez mais adotada por fabricantes de eletrônicos.

 

O DVD estava sendo lançado

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Os discos de vídeo digital foram lançados comercialmente em 1995, mas apenas no mercado japonês. Foi somente em 1997 que ele saiu do arquipélago oriental e começou a tomar o mundo, inicialmente nos EUA, Canadá, América Central e Indonésia, e só chegou no resto do mundo em 1998.

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Era uma tecnologia nova e cara, e por isso as fitas VHS continuaram dominando o mercado até meados de 2003, quando o DVD ultrapassou os velhos cassettes pela primeira vez nos EUA. Apesar de ter sido ultrapassado pelo Blu-ray em termos de qualidade de áudio e vídeo, e de estar enfrentando a crescente concorrência dos serviços de streaming, o DVD ainda é o formato mais popular de distribuição de vídeos em todo o mundo. Podemos dizer que ele é o Palio Weekend das mídias.

 

O McLaren F1 ainda era produzido, mas ainda não era o carro mais rápido do mundo

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Lançado em 1992, o McLaren F1 foi o primeiro modelo de rua da McLaren, equipado com um BMW V12 de 6,1 litros e um câmbio manual de seis marchas. Tão impressionante quanto os 627 cv do seu motor eram a configuração interna para três passageiros com o piloto sentado no meio do carro, o cofre do motor folheado a ouro para melhor dissipar o calor, e os exaustores sob o carro para aperfeiçoar o fluxo aerodinâmico. Isso sem mencionar o monocoque e a carroceria de fibra de carbono, que mantinham o peso do carro abaixo de 1.140 kg.

Tudo isso tornaria o F1 o carro mais rápido do mundo, mas em 1997 ele ainda não havia conquistado a coroa: o teste de velocidade máxima que homologou o recorde de 386,4 km/h foi realizado somente em 31 de março de 1998. Isso significa que quando o Palio Weekend foi lançado o carro mais rápido do mundo ainda era o Jaguar XJ220, com seus 341,7 km/h atingidos por Martin Brundle no circuito de Nardò, na Itália em junho de 1992.

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