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Project Cars Project Cars #152

Curtição a 8.000 rpm: a história do meu Mitsubishi Colt GTI, o Project Cars #152

Prezados amigos, gearheads de plantão, meu nome é Diego Malavazi, sou Engenheiro Mecânico e moro em Vitória/ES. Quis participar do Project Cars para falar de um carrinho de desempenho condizente com a sua proposta esportiva e que pouca gente conhece (eu mesmo o conheci há pouco tempo). O carro que apresento-lhes é o Mitsubishi Colt GTI 1995, um peso leve com motor girador e extremamente ágil. Conheci o veículo por acaso, quando fui comprar algumas peças de acabamento para minha outra maconha, um Vectra GSI 1994, que possuo há uma década.

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Mas vamos ao carrinho. O dono da loja de peças, chegou com o veículo completamente sujo, pneus recapados, pintura queimada e interior completamente avariado, bancos de couro rasgados e com o escape fumando, como um viciado em nicotina. Mas ao olhar o interior do carro, algo me chamou atenção: a faixa vermelha do conta-giros começando em 7.500 rpm e se estendendo até os 9.000 rpm.

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Nesse momento, vi que se tratava de um legítimo esportivo — e não só de imagem como está na moda hoje em dia. Passei a reparar os detalhes. Teto solar funcionando, ar-condicionado, direção hidráulica, vidros e travas elétricas, freio a disco e suspensão independente nas quatro rodas (Enkei de 14 polegada, bem leves), desenho agradável e limpo, cofre do motor bem cuidado e a placa COL1800 denunciavam que o carro já havia tido um dono que entedia de carro.

Pedi para dar uma volta. Apesar do medo do carro explodir, fiz um 0 a 100 km/h e fiquei surpreso em ver a segunda beliscando os 105 km/h com o conta-giros colado nas 8.000 rpm. Ao chegar em casa pesquisei um pouco sobre o carro, buscando alguma explicação porque o motor girava tanto e tão suave, mas não encontrei nenhum segredo japonês na ficha técnica, apenas um r/l 0,33 – horrível para um motor girador —, o que me deixou mais impressionado.

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Já tinha mais que motivos para comprar o carro e restaurá-lo.

Dias depois liguei para o camarada, questionando-o se queria vendê-lo, mas ele era tão ruim de jogo quanto o carro. Não baixava nada e partimos a negociação nos R$ 12.000. Depois de muita proposta, contraproposta e perda de paciência, consegui derrubar um pouco o preço, pouco mesmo, mas sabia que dali viria muito conhecimento e diversão. Negócio feito, hora de levar para casa e desfazer alguns recursos técnicos encontrados e trocar peças. Muitas.

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Tentei até rodar com o carro do jeito que estava, mas minha paciência não permitiu mais que duas semanas, pois sabia que eu estava perdendo tempo na reforma do carrinho. Mas antes de parar, por que não compará-lo com o ZX Dakar do Rodolfo, outro amigão nosso que também curte hot hatches dos anos 1990?

Rolling a 30km/h, lado a lado, terceira buzina e tchau, arranquei na frente, mas por alguns segundos e no meio da primeira mesmo eu já estava bem para trás, na segunda eu já tinha que pegar o binóculo, sabia que o carro era forte mais tinha que pará-lo urgentemente para verificar pq não estava andando como deveria e finalmente começar o serviço de reparo.

Infelizmente na época, em meados de 2011, eu não pensava em registrar as fotos do antes e depois, ou por vergonha mesmo de tão sujo e mal cuidado que o carro estava. A partir do momento que comecei a desmontar o motor comecei a registrar cada detalhe do serviço como pode ser visto nas fotos abaixo. Os problemas? Bem… acho melhor contar em outro post. Até a próxima!

Por Diego Malavazi, Project Cars #152
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