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Ela viveu 51 anos ao lado de seu Fusca – e a VW o restaurou como um presente

“Ela esteve ao meu lado em tudo. Casamento, divórcio, um novo companheiro. Lembro de estar voltando da quimioterapia e de parar na junção da rodovia 5805 em direção ao norte – e de apenas encostar minha cabeça e meus ombros nela”.

Com “ela”, Kathleen Brooks, se refere à sua amada Annie. O seu Fusca modelo 1967 Ruby Red, com interior de vinil, escapamento opcional e 53 cv de seu motor 1500. Era dezembro de 1966 quando as duas se uniram na concessionária Econo Motors, em Riverside, California, por 2.300 dólares.

Kathleen tinha 21 anos de idade. Hoje, mais de meio século depois, Annie possui mais de 560.000 quilômetros rodados (o suficiente para 14 voltas ao mundo) e Kathleen, 73. Brooks trabalha com mulheres vítimas de câncer de mama, buscando oferecer conforto às pacientes durante o tratamento e recuperação. Ela mesma superou a enfermidade – três vezes. E seu Fusca, de dezembro de 1966 até hoje, é o seu carro de uso diário.

Em dezembro de 2017, Annie completou 50 anos ao lado de Kathleen. O Channel 8 de San Diego colheu um depoimento para uma pauta e este vídeo foi parar na Volkswagen North America, que sentiu que, dentre todas as tantas histórias entre Fuscas e seus donos, esta tinha uma conexão especial. E assim, decidiram dar um presente a Annie e a Kathleen – o carro seria completamente restaurado.

Esta simples separação temporária já provou a profundidade do elo. Kathleen mal conteve as lágrimas.

“Parece ridículo. Ela é um carro. Mas (sua partida) me deixou muito emocionada. Ela não é parte de mim, mas é uma extensão de mim”.

O carro foi levado para a fábrica mexicana de Puebla, que foi inaugurada na mesma época, em outubro de 1967. Em agosto do ano passado, celebraram 12 milhões de veículos produzidos. Dentre eles, o último Fusca produzido no mundo, em 30 de julho de 2003, o chassi número 21’529.464, que hoje está no museu da marca, em Wolfsburg.

Um toque especial: Augusto Zamadio, o engenheiro mecatrônico da VW encarregado de liderar a equipe de 60 pessoas no projeto de restauração (em primeiro plano na foto abaixo), é entusiasta dos aircooled e possui um carro do mesmo ano-modelo.

O carro foi completamente desmontado e teve sua tinta removida manualmente. Após análise estrutural e do inventário de peças, os trabalhos começaram. A carroceria e o chassis exigiram bastante trabalho devido à corrosão causada pela umidade e o sal da Califórnia. A cor foi feita matched to sample, utilizando como amostra a parte interna do porta-luvas, livre do desgaste e da alteração de cor causada pelos raios de sol.

A mecânica e a elétrica sofreram atualizações sutis para deixar o veículo mais confiável, o que inclui o emprego de discos nas quatro rodas utilizados nos últimos Beetle fabricados no México. Mas continuou com o bom e velho carburador. No total, 357 peças originais do veículo foram restauradas e cerca de 40% do veículo conta com peças novas. Em termos de estilo, o carro é quase 100% original, com pequenas customizações na tapeçaria e a instalação de acessórios com o estilo da época, como o rack de teto.

O belíssimo vídeo abaixo mostra esta história contada pela própria Kathleen, além de um pouco do processo de restauração e o reencontro – note que Zamadio fez questão de levar o carro pessoalmente à Brooks. Mais do que os fatos em si, atente às sutilezas da forma como Kathleen se refere, trata e observa Annie. Existem muitas formas de se contar a nossa história de vida e a passagem do tempo. O carro é apenas uma delas. Mas pode ser uma das mais belas.

 


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