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Esta é a Ferrari Daytona SP3 – a mais rápida já feita para as ruas


Sabe aqueles malas que gostam de reclamar sobre como o mundo está difícil e chato para os entusiastas? Junte este link, este aqui, este aqui e esta matéria e faça apenas uma pergunta: quando foi que tantos carros tão f*** foram lançados em sequência como em 2020 e 2021? Só isso. Pergunte apenas isso. E faça as contas de quanto tempo se passou desde o período mencionado pelo seu amigo frente-fria do encontro do postinho.

Porque não bastava termos GMA T.50, o Alfa Romeo Giulia GTAm, o Maserati MC20, o Corvette Z06, os Porsche 993 GT3 e 718 GT4 RS. E a Ferrari também não se contentou com a 812 Competizione e com a 296 GTB e decidiu terminar 2021 arrebentando a porta do estábulo de Maranello com um dos carros mais incríveis que ela fez desde a 599 GTO e a La Ferrari. Esta, senhoras e senhores, FlatOuters e FlatOutars, meus jovens e minhas jovans, é a Ferrari Daytona SP3.

Sim, Ferrari Daytona SP3, aquele carro com inspiração retrô, da série Icona, que dissemos no início do mês que seria lançada neste fim de semana. A inspiração retrô está no design do carro e no nome dele: olhe bem para ela e tente enxergar a Ferrari 330 P3. Faça um esforço, vá…

Agora que você enxergou a P3, vai lembrar que ela foi quem jogou um balde de água fria nos americanos depois da primeira vitória da Ford em Le Mans, ao vencer a 24 Horas de Daytona de 1967. Naquele ano a Shelby estava desenvolvendo o novo GT40 e, na corrida mais importante depois da 24 Horas de Le Mans, a Ferrari chegou com seus novos protótipos e faturou a corrida na casa de Carroll Shelby. Foi quando a Ferrari se “apropriou” do nome Daytona.

Dito isso, vamos voltar para o presente e admirar esta gloriosa obra de arte sacra, construída a apenas 450 km de distância do Vaticano. Se você olhou bem para ela, também sacou algo da LaFerrari no visual. Algo como se alguém tivesse feito uma 330 P3 moderna sobre a La Ferrari. Pois foi exatamente isso o que os italianos fizeram.

O monocoque do carro é exatamente o mesmo da La Ferrari, feito de fibra de carbono T800, assim como as portas de fibra de carbono T1000 — e você pode notar isso por dois fatores marcantes: a silhueta das portas e das janelas laterais, e o fato de os bancos serem moldados no monocoque, com os comandos ajustando-se ao motorista.

Outra característica da La Ferrari presente na Daytona SP3 é a configuração do motor, que fica atrás do cockpit. O motor, no caso, é um V12 aspirado e temperamental como toda italiana (máquina ou mulher, você decide…), uma evolução do F140 usado na LaFerrari, sem a parte da eletrificação. Na verdade, o F140 GA é derivado da 812 Competizione, o que significa que ele também gira 9.500 rpm (nove mil e quinhentas rotações por minuto, por extenso, para não deixar dúvidas), mas é ainda mais potente que o GT, pois produz nada menos que 840 cv — um pequeno tapa de 10 cv em relação à 812 Competizione.

Parece pouco, mas quando se chega a esse patamar de desempenho, este pouco exige um esforço enorme da equipe de engenharia para extrair estes 10 cv de um motor que já é originalmente superlativo. Em relação ao V12 usado na Competizione, este da Daytona SP3 tem novos pistões, bielas de titânio ainda mais leves, um compósito chamado DLC (“carbono tipo diamante”) aplicado aos pinos de pistão para reduzir o atrito, e um virabrequim rebalanceado e 3% mais leve. Isso no conjunto reciprocante. Porque no cabeçote ainda foi preciso modificar os balancins e as molas de válvula, e na admissão o plenum usa aletas móveis para variar sua geometria e otimizar a taxa de compressão efetiva do V12. Tudo isso para 10 cv.

O câmbio também veio da 812 Competizione e também foi modificado para a Daytona SP3 de forma que as trocas da embreagem dupla sejam ainda mais rápidas o que, segundo a Ferrari, resulta em “uma curva de torque que cresce rapidamente até a faixa vermelha de 9.500 rpm”. O resultado é uma aceleração de zero a 100 km/h em 2,85 segundos, de zero a 200 km/h em 7,4 segundos, e velocidade máxima de 340 km/h, o que faz da Daytona SP3 a Ferrari de rua mais rápida de todos os tempos.

Um elemento que, particularmente, me pareceu interessante é como a Ferrari conseguiu integrar as referências de design clássicas à estrutura moderna e às necessidades aerodinâmicas de hoje. A dianteira mantém os para-lamas salientes como na série P de protótipos dos anos 1960, o para-brisa é baixinho e há uma pequena aleta móvel sobre os faróis, como eram os faróis escamoteáveis do passado. Não tem o mesmo charme, mas é o que temos para hoje.

Os retrovisores posicionados nos para-lamas também são um toque retrô que mantém a funcionalidade aerodinâmica, porque quando montados nas portas, os retrovisores sempre representam um ponto crítico por produzir turbulência. Ali, nos para-lamas, esse efeito é minimizado e o fluxo fica liberado para as tomadas de ar que direcionam o fluxo aerodinâmico para os radiadores nas laterais.

A traseira do carro é um espetáculo separado: em vez do tradicional arranjo de lanternas circulares, ela tem uma pilha de lâminas sob a lanterna, que também é uma lâmina iluminada. O arranjo consegue ser futurista e retrô ao mesmo tempo. E aqui eu tenho certeza de que você pensou na Testarrossa ou na 348, mas a inspiração é um pouco mais obscura e continua na família dos protótipos P: o conceito 250 P5 Pininfarina.

 

A Ferrari diz que a Daytona SP3 é o carro de rua com o projeto aerodinâmico mais eficiente já feito por ela, e mesmo assim, o carro não precisou de aerodinâmica ativa.

O retro-futurismo continua na cabine da Daytona: os bancos integrados ao monocoque são coisa da LaFerrari, mas também eram comuns nos protótipos dos anos 1960. Era um recurso para permitir que os carros fossem extremamente baixos e, como consequência, mais aerodinâmicos. Na Daytona SP3 a Ferrari compara a posição do piloto e passageiro ao de um monoposto, pois em nenhum outro carro de rua os dois sentam-se tão próximos do solo. Por isso, o carro tem apenas 1,14 metro de altura. A origem LaFerrari com a exclusão do powertrain elétrico também resultou em um baixo peso: apenas 1.485 kg sem fluidos.

Por último, como a Ferrari bem antecipou na ocasião da confirmação do lançamento da Daytona SP3, ela não é uma one-off, mas um carro em série especial, limitada a 599 unidades.

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