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Esta Kombi com motor V8 é na verdade um hot rod disfarçado de pão de forma

Se você já pensou em modificar uma Kombi e colocar nela um novo motor, provavelmente imaginou uma com um flat-6 Porsche na traseira, rodas Fuchs e suspensão preparada para encarar as curvas com a desenvoltura de um 911 (ou quase isso).

De fato, é um projeto bacana e razoavelmente popular entre os admiradores da velha senhora (os que têm condições, ao menos), mas não é o único jeito de deixar uma Kombi mais estilosa e mais rápida. O americano Ken Prather, por exemplo, decidiu transformar sua Kombi 1962 em um muscle car americano. Deu certo e, se você tiver a mente aberta, vai achar sensacional.

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Na verdade a ideia veio antes do carro. Ken contou ao blog da Summit Racing que, depois de uma vida inteira dedicada a construir hot rods, ele decidiu dar a si mesmo um desafio: fazer um hot rod de motor central, só não sabia que carro usar como base.

“Um dia meu filho me disse que tinha visto uma van antiga à venda na rua. Era uma Kombi 1962 e até que estava em bom estado, com exceção da carroceria, que estava coberta com primer de duas cores diferentes”, ele contou à Summit.

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Depois, ele levou a velha van para casa dirigindo. O velho boxer de quatro cilindros, 1600 cm³ e 40 cv já estava bastante cansado e mal deu conta do recado mas, felizmente, deu lugar a um enorme V8 Chevrolet de 5,8 litros equipado com um compressor mecânico e, aparentemente, posicionado quase exatamente no meio da Kombi — e ocupando quase todo o espaço no interior.

Originalmente ampla e arejada como toda Kombi e trazendo, em seu interior, uma mesa de madeira e outras bugigangas hippies, a van agora é um claustrofóbico míssil com dois bancos, volante de metal, instrumentos Auto Meter e muitos, muitos componentes feitos à mão pelo seu dono, que dirige há quase 60 anos, período em que também aprendeu a fina arte da construção de hot rods.

A verdade é que quase tudo o que está na Kombi foi feito artesanalmente por ele. Isto inclui o subchassi que dá suporte ao motor, à transmissão TH-350 de três velocidades (muito popular entre os pilotos de arrancada por sua robustez) e ao diferencial Ford de 8” no eixo traseiro. Não há eixo cardã e, na prática, a Kombi é equipada com um transeixo.

Antes de tudo, porém, Ken rebaixou o teto e reforçou a estrutura da parte superior. Pelas janelas estreitas se vê o motor, equipado com um compressor mecânico Weiand 6-71 e alimentado por dois carburadores Holley Street Avenger de 600cfm, cabeçotes World Casting, virabrequim forjado Callies e balancins Harland Sharp.

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O ar entra por um scoop montado na lateral (que, segund Ken, dá à perua um ar de supercarro que constrasta bem com o exterior vintage). Atrás dele, o enorme radiador que recebe jatos de água fria caso as coisas esquentem demais e trabalha junto a duas ventoinhas elétricas bem avantajadas. O sistema de escape começa com belos coletores Schoenfeld e termina em uma enorme saída dupla na lateral, passando pelos abafadores Flowamaster que, felizmente, ainda permitem um que o ronco embaralhado do V8 seja bem amplificado.

O acesso ao motor é feito por duas portas “asa-de-gaivota” instaladas no lugar da porta dupla original e as janelas, que são bem mais estreitas do que o normal (o teto foi rebaixado em 18 cm) permitem uma bela visão do interior.

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O habitáculo é um show à parte, novamente repleto de elementos feitos pelo próprio Ken, como o painel com instrumentos Autometer, os bancos concha parcialmente forrados de vinil vermelho e perfurados pelo bem do visual e da ventilação. O volante de metal ficaria deslocado em qualquer outra Kombi, mas cai como uma luva aqui.

Ken garante que, apesar do visual totalmente racer, o interior é bastante confortável (mesmo que não tenha ar-condicionado, é só levantar o para-brisa) e ele até a usa diariamente. Na verdade, Ken foi capaz de dirigir a Kombi por quatro mil milhas — cerca de 6.400 km — duas vezes, indo e voltando das Planícies de Sal de Bonnevile, no fim da década de 2000. Foram mais de US$ 1.300 dólares em gasolina gastos nestes quase 13 mil km.

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Sendo assim, além muita potência, a Kombi tinha que ser segura. Para dar conta das frenagens, Ken instalou o conjunto de freios Wilwood de um Ford Mustang por baixo das rodas cromadas de E-T Gasser de 15×5” na dianteira e American Racing “5-Spoke” de 15×10” na traseira. Os pneus dianteiros são um par de BF Goodrich Touring T/A de medidas 195/65 na frente, enquanto os traseiros são Hoosier Pro Street de medidas 31×12.50R, próprios para arrancadas. O tanque de combustível foi deslocado para trás, em uma célula de segurança Summit Racing.

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Se os freios falharem, ainda há a gaiola de proteção e os cintos de competição RCI Racing para tentar evitar que alguém corajoso o bastante para entrar pelas portas suicidas e acelerar esta coisa morra. Até agora tem dado certo — Ken tinha entre seus objetivos o de chegar aos anos 10 ainda capaz de levar sua Kombi a um evento de arrancada, disputar algumas puxadas e voltar para casa dirigindo. Ele, que está na casa dos 70 anos, já está nessa há cinco e não dá sinais de cansaço.

Talvez uma Kombi hot rod com motor V8 feita com suas próprias mão seja o segredo da longevidade…