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Car Culture

Este conceito esquisito da Mercedes foi o precursor do Smart e do Classe A… em 1981!

Na década de 1990 — mais precisamente, em 1997 — a Mercedes-Benz surpreendeu o mundo todo ao lançar um carro compacto, de tração dianteira e perfil de monovolume. Era o hatchback Classe A, que foi até fabricado no Brasil. Demorou para que o mundo todo o aceitasse, na verdade, e há quem até hoje não o considere um modelo digno da marca Mercedes-Benz.

O fato é que o Classe A evoluiu e, hoje em sua terceira geração, tornou-se um hatchback maior e mais esportivo, com direito até mesmo a uma versão AMG produzida em série (o A38 AMG W168 era apenas um conceito). O modelo original, contudo, era o típico carro urbano: compacto, prático e econômico para o trânsito das cidades.

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Também foi em 1997 que a Daimler, dona da Mercedes-Benz, deu início a produção do smart ForTwo. O pequeno cupê tinha motor traseiro, dois lugares e era tão curto que podia ser estacionado a 90º (quer dizer, se as leis locais assim permitissem). Vendido em quase 50 países, o ForTwo chegou à sua terceira geração em 2014, mantendo-se fiel à receita original.

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Mas por que a gente está falando disso? Porque, por mais que tenham sido um choque para os fãs mais tradicionais da Mercedes, o Classe A e o Smart têm sua origem traçada a um conceito bem mais antigo, de 1981.

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Seu nome é quase maior do que o carro: Mercedes Nahverkehrsfahrzeug, que por sorte foi abreviado como NAFA. A assustadora palavra alemã significa “veículo para distâncias curtas” e, de fato, com um três-cilindros de um litro e 40 cv, o NAFA provavelmente não iria muito longe.

No entanto, com apenas 2,5 m de comprimento e 1,5 m de largura; portas de correr e diâmetro de giro de apenas 5,7 metros, o carrinho foi pensado mesmo para os grandes centros urbanos, onde a economia de combustível e espaço são bem mais importantes que o desempenho. A transmissão era automática, e o NAFA tinha até direção hidráulica para facilitar as manobras.

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O material de divulgação falava em “conforto comparável ao de um Mercedes-Benz Classe S”. Bem, não há muitas fotos do interior mas, pelo que dá para ver, os bancos eram mesmo bem confortáveis. Claro, ele tinha este visual esquisito de conceito, mas era uma ideia que poderia ter funcionado. No entanto, naquele mesmo ano, a Mercedes decidiu abortar o projeto porque, daquele tamanho, o carro jamais cumpriria as normas de segurança da companhia.

Claro, não seria a primeira tentativa de criar um compacto urbano seguindo a receita — basta lembrar dos bubble cars, como o Isetta e o Messerschmitt, ou até mesmo os brasileiros como o Gurgel Supermini, o Gurgel XEF e o Aruanda, de Ari da Rocha, podem ser citados. Aliás, o NAFA é a cara do Aruanda, que foi projetado lá em 1963.

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O fato é que, mesmo depois de cancelar o desenvolvimento do NAFA, a Mercedes-Benz aproveitou suas ideias no Smart e no Classe A — a própria fabricante diz que a influência do NAFA no primeiro conceito do Classe A, o Vision A93, de 1993, foi direta. Neste ponto, o Smart está um pouco mais distante do conceito, que tinha motor e tração na dianteira.

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Mercedes-Benz A93 Vision Concept. Ah, os anos 90!

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