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Este é o último Chevrolet Opala SS produzido no mundo

Por que gostamos tanto de saber qual foi o último exemplar fabricado de um carro antigo? Talvez porque seja o mais próximo que conseguiremos chegar de voltar no tempo, para quando aquele carro ainda rodava novo por aí. Pode ser pelo valor histórico, ou pela simples curiosidade… no fim das contas, não importa.

O que importa é que existe gente dedicada a resgatar a história destes carros. Caras como Alexandre Badolato, o curador do Museu do Dodge, que também é especialista na trajetória da indústria automotiva nacional. Foi ele quem descobriu aquele que é, de fato, o último Opala fabricado de que se tem notícia – um Diplomata SE 1992, na cor Vermelho Ciprius; e também do último Opala cupê.

Em seu mais recente vídeo, Alexandre desvenda outra história bem interessante: a do último Opala SS produzido pela Chevrolet. E, acredite, trata-se de um modelo 1981!

 

Se você é minimamente ligado na história do Opala, deve saber que o esportivo SS saiu de linha em 1980. Naquele ano, a Chevrolet realizou a reestilização mais radical do modelo, adotando faróis quadrados e um visual mais moderno e retilíneo na carroceria.

Àquela altura, o apelo do cupê esportivo de tração traseira já não era mais o mesmo de cinco ou dez anos antes e o mercado queria carros menores e mais econômicos – como o VW Gol, que foi lançado naquele ano e se tornaria um sucesso absoluto.

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Sendo assim, para 1981, não haveria mais Opala SS, nem mesmo na versão com motor quatro-cilindros de 2,5 litros, conhecida como SS4. Naquele ano, o interior foi remodelado, com um painel de instrumentos maior e com linhas retas, acompanhando a tendência da carroceria.

Sabendo disso, fica a pergunta: que história é essa de Opala SS 1981?

Alexandre conta que tudo começou há alguns anos, quando surgiu na internet o anúncio de um Opala SS 1981 com motor de seis cilindros. Era um carro bastante judiado, com uma pintura preta bastante desgastada por cima da original, podres na carroceria e nos acabamentos, componentes faltando… um desastre. A desconfiança era grande, naturalmente: em tese, o carro simplesmente não deveria existir, estava em mau estado e, ainda por cima, muito descaracterizado.

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Além disso, é muito comum que carros de versões mais comuns sejam caracterizados como SS (os famosos “travecados”, como costumam ser chamados) e anunciados como tal. Este poderia ser um daqueles casos, mas não: depois de averiguar o número do chassi, constatou-se que aquele era, de fato, um SS modelo 1981, ainda que tivesse sido fabricado em 1980.

A pista foi dada pelo número do chassi:  5R87HAB100002. Existe uma relação, fácil de encontrar na Internet, que destrincha o significado de cada uma das partes do número do chassi (você pode consultá-la aqui) e, com ela, a verdadeira identidade do carro foi revelada.

5R: Opala SS
87: carroceria cupê
H: motor de seis cilindros a gasolina
AB: modelo 1981
100002: segundo carro fabricado como modelo 1981

Alexandre afirma que o número do chassi é a única forma confiável de saber exatamente o ano de fabricação e a versão do carro. Os dados indicados no documento emitido pelo Detran muitas vezes estão errados, e servem apenas como referência básica, quando muito.

A hipótese provável, segundo Alexandre, é a seguinte: pode ser que a Chevrolet ainda não tivesse decidido tirar o SS de linha quando começou a produção do modelo 1981, em setembro de 1980, e por isso este carro foi fabricado. De qualquer forma, segundo ele, o carro hoje está a salvo, restaurado, nas mãos de um colecionador.

A partir daí, a dúvida seguinte foi natural: será que existiram outros Opala SS 1981?

5R800012

Investigando os números de chassi seguintes, Alexandre chegou a outro carro, o de chassi 5R87EAB100012. Neste caso, a letra E significa que o motor é um quatro-cilindros  a álcool, enquanto o número 100012 indica que aquele foi o 12º exemplar da linha 1981, certamente fabricado no mesmo dia que o outro carro (naquela época, a produção da fábrica da Chevrolet em São José dos Campos podia chegar a 200 carros por dia). O início do número do chassi, 5R87, não deixava dúvidas: aquele também era um Opala SS. E era o último, pois não havia outros números de chassi com o mesmo início.

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Não demorou muito para que Alexandre conseguisse, através de sua rede de contatos, localizar o carro e descobrir que o mesmo se encontrava na cidade de Alto Alegre, no interior de São Paulo, a cerca de 500 km da capital. Em abril de 2016, através de um amigo que se dispôs a ver o carro de perto, Alexandre conseguiu fotos do carro e, vendo que estava bem melhor conservado que o anterior, decidiu comprá-lo. Não foi fácil convencer o dono, um senhor que havia comprado o Opala em 1992 e estava com ele desde então, mas eventualmente cedeu.

O vídeo mostra o momento em que o carro é retirado da garagem e colocado em cima do caminhão que o levará para São Paulo. Dá para ver que, apesar dos sinais do tempo (riscos, pequenos amassados e queimaduras na pintura), o carro estava íntegro e costumava ser utilizado de vez em quando.

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Alexandre aproveita para investigar o estado e o histórico do carro, a fim de descobrir possíveis modificações feitas no Opala SS para a linha 1981. O dono do carro, chamado “seo” Ivo, conta que o carro já não tinha as faixas laterais quando o comprou, e que não lembra exatamente dos detalhes que tinha quando foi comprado. Por outro lado, ele também diz que jamais realizou modificações estéticas no carro, e que tudo está exatamente como em 1992: as rodas pintadas de grafite, o painel de instrumentos moderno, o volante igual ao do Opala Comodoro (porém com uma gravatinha da Chevrolet estampada no botão da buzina, em vez do nome da versão) e os para-choques pretos. Para Alexandre, é pouco provável que a Chevrolet tenha mudado muitos detalhes em relação ao Opala SS 1980.

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Mas, afinal, qual é a destes dois Opala SS 1981, já que não existem outros? O palpite de Alexandre é simples: ao verificar os números de chassi em busca de outro exemplar do SS 1981, ele notou que os carros na sequência eram todos de versões diferentes. Normalmente, em uma linha de produção, não é isto que ocorre: as versões costumam ser produzidas em lotes, para tornar o processo mais fácil, rápido e organizado. Por esta razão, Alexandre acredita que o destino dos primeiros carros da linha 1981 era uma sessão de fotos de divulgação.

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Estas fotos podem estar na fábrica da Chevrolet em São José do Rio Preto, para onde foi o acervo de documentos históricos da General Motors do Brasil quando o Museu da Ulbra foi fechado há alguns anos. Caso os dois carros estejam nas fotos, será possível desvendar o restante do mistério. Até lá, porém, o último dos Opala SS ficará sob os cuidados de Alexandre, como ele já tem feito com outros clássicos resgatados.