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Este motor home com motor V8 supercharged de 900 cv é o bar mais rápido do mundo

O que mais se vê pela internet e pelas redes sociais nos últimos são histórias bonitas (e um tanto otimistas demais) de gente que largou tudo, montou em uma Kombi/ônibus/van/qualquer coisa e saiu para correr o mundo. Se um dia resolvermos fazer isto, já sabemos qual é o veículo perfeito: este motorhome Winnebago com um motor V8 supercharged de 900 cv. Não é à toa que seu nome é “Happy Wagon” – como não ser feliz com uma coisa dessas?

O projeto foi feito pela Ringbrothers, companhia fundada pelos irmãos Jim e Mike Ring especializada em modificação e customização extrema. Seus projetos costumam ficar famosos por duas razões: a preparação mecânica de primeira e o visual, no mínimo, polêmico. Quer um exemplo? O De Tomaso Pantera ADRNLN que os caras fizeram para o SEMA Show de 2013:

Como você deve saber, o De Tomaso Pantera usava motores V8 Ford. O exemplar 1971 da Ringbrothers, contudo, é movido por um Chevrolet LS3 com admissão Holley Hi-Ram, injeção eletrônica e 600 cv. Visualmente, porém, o supercarro foi bastante descaracterizado, por dentro e por fora. Além disso, pintado de amarelo e preto, não ficaria tão deslocado assim no papel de Bumblebee, dos Transformers.

Pegar um clássico como o Pantera e modificá-lo tão radicalmente é, de fato, uma proposta ousada. Por isso, a gente até entende quem não gostar da ideia.

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Por outro lado, um motor home das antigas das antigas transformado em um míssil de 900 cv é algo bem mais fácil de aceitar.

O Winnebago Brave era o mais curto modelo da fabricante americana de Iowa. A Winnebago foi fundada em 1958 e seus modelos, feitos sobre chassis desenvolvidos pela própria companhia, logo se tornaram sinônimo de motor home nos EUA – a Winnebago está para os motor homes como a Omo está para o sabão em pó.

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O motor do Brave, que ficava entre os bancos dianteiros (como nos micro-ônibus), era um V8 Dodge 318, bastante parecido com o que equipava os Dodge vendidos no Brasil na época. O interior era espaçoso para o tamanho do veículo, que tinha 8 metros de comprimento, e muito bem acabado, com revestimento em madeira, duas camas, mesa de jantar, cozinha e banheiro.

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Os irmãos compraram este Winnebago Brave 1972 em 2014. Em dois anos, o que era um motor home cansado, com motor praticamente fundido, carroceria enferrujada e interior customizado para parecer um saloon do Velho Oeste se transformou em um bar. Isto mesmo, um bar capaz de chegar aos 80 km/h em 3,2 segundos.

Para tal, o motor LS3 de 6,2 litros teve o deslocamento ampliado para 6,6 litros. Virabrequim e bielas são da Callies e um compressor Magnuson ajuda a levar a mistura ar-combustível através do cabeçote LSA com dutos polidos. Os 900 cv resultantes vão para o eixo traseiro através de uma caixa automática General Motors 4L80 e de um diferencial Dana 80, com relação final de 4,11:1. O conjunto foi montado pela Wegner Automotive, de Wisconsin, nos EUA.

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Agora, como se não bastasse tanto desempenho (e tanto barulho), o Happy Wagon também foi todo restaurado e modificado, por fora e por dentro. Ainda que a pintura ainda seja a original, gasta pelo tempo, alguns novos painéis foram instalados (por causa da corrosão), adesivos foram colados por todo canto e alguns acessórios foram incorporados ao projeto, como uma mini-moto na dianteira e uma churrasqueira dobrável na traseira, que vem acompanhada de um cooler e de um minibar.

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Do lado de dentro, há uma mistura de metal, couro, luzes de neon e equipamentos eletrônicos que nos trazem à mente várias influências: um bombardeiro da Segunda Guerra Mundial, uma lanchonete da década de 1950, uma man cave ou um bar de reputação duvidosa, você escolhe. A decoração é toda típica de um bar, e há até espaço para armar uma cama e dormir em qualquer lugar. Afinal, você não vai querer sentar ao volante depois de uma noite de churrasco e bebedeira.

Aliás, a gente acha que este seria o veículo perfeito para uma volta ao mundo com autódromos e pistas de arrancada no itinerário. É um bar, é uma casa, é um carro de corrida. Claro, a dinâmica definitivamente não deve ser das melhores, mas você entendeu, não é?

 

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