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Estes caras transformaram um BMW Z4 em uma barchetta britânica ao estilo JDM – e a salada deu certo!

É natural que os entusiastas se agrupem de acordo com a escola que mais curtem: há os fãs de sedãs e esportivos alemães, os que gostam mesmo é de hot hatches, aqueles que sonham com esportivos japoneses e os apaixonados por muscle cars. Esta diversidade é bacana, e tudo fica ainda melhor quando não há rixas ou desentendimentos bobos. Dito isto, o mundo não é um lugar perfeito, e quem mistura estilos muitas vezes não é bem recebido.

Isto, contudo, não deve ser problema para os caras da Bulletproof Automotive. Os caras conseguiram pegar um esportivo alemão, modificá-lo com influências britânicas e japonesas e, ainda assim, deixar boquiaberto qualquer um que veja o resultado — o BMW Z4 GT Continuum. Que, além de tudo, ainda tem um nome bacana demais.

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O carro apareceu no SEMA Show do ano passado — o mesmo palco onde foi revelado o incrível Fugu-Z de Sung Kang, o Han Lue de “Velozes e Furiosos”. No entanto, o apelo do Z4 GT Continuum (sério, que nome legal!) é completamente diferente.

Enquanto Han Lue apostou em uma receita tradicional com alguns toques pessoais, os caras da Bulletproof — distribuidora de componentes de preparação e customização sediada em Hawthorne, na Califórnia — decidiram pirar e transformar o Z4 em algo realmente único, emprestando elementos estilísticos dos roadsters europeus da década de 1950 e da atual cena de carros modificados japoneses — tudo isto, sem perder a essência do german engineering.

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De cara, não tem como não notar que está “faltando um pedaço” do carro: os caras sumiram com o teto retrátil elétrico que vem de série no BMW Z4 de segunda geração. Aliás, os caras conseguiram nos fazer notar o Z4 E89 novamente, visto que o modelo, que foi lançado em 2009, já completa sete anos sem grandes mudanças, ao remover o teto e o para-brisa dianteiro e colocando em seu lugar uma pequena lâmina de vidro que é quase meramente decorativa e uma cobertura com dois santo-antônios aerodinâmicos — efetivamente, transformando o carro em uma barchetta.

Vêm à mente verdadeiros clássicos, como o Porsche 550 Spyder e Ferrari 166MM (lembra da música Red Barchetta, do Rush?). Também vemos nele uma pitada de Jaguar Project 7, a obra prima do designer brasileiro César Pieri — que, por sua vez, foi inspirado pelo emblemático D-Type, vencedor das 24 Horas de Le Mans de 1955.

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Só aí, já temos influências alemãs, italianas e britânicas. Mas, como já deixamos claro, carro também traz muitas influências japonesas — que quase passam despercebidas depois da modificação no teto e no para-brisa. Quase.

A carroceria foi alargada com um body kit da japonesa Varis, de proporções quase “Liberty Walk-escas” e design bastante sofisticado, com aletas nas laterais do para-choque dianteiro e recortes sinuosos por toda sua extensão. A gigantesca asa traseira também é da Varis, e a gente diria que ela é exagerada demais se exagero não fosse o mote do projeto todo.

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O carro tem uma postura bastante agressiva, com rodas RAYS Volk Racing G25 de 20×10 polegadas na dianteira e 20×12 polegadas (!!) na traseira, calçadas com pneus Toyo Proxes R888 de medidas 285/35 e 315/30, respectivamente. A suspensão recebeu amortecedores ajustáveis sob medida feitos pela Aragosta, enquanto os freios vieram do BMW M4.

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Quer dizer, quase todo: mecanicamente, o carro é bastante old schoolA base foi o Z4 35i/iS, com motor N54 — um seis-em-linha biturbo que, originalmente, entrega 306 cv no Z4 35i e 340 cv no Z4 iS — e fizeram uma preparação leve, que consistiu basicamente em uma reprogramação eletrônica ESS Tuning Stage 2, que aumenta o limite de giro e eleva a potência para cerca de 400 cv, além de um intercooler feito sob medida e um novo sistema de escape. O câmbio é manual de seis marchas, original de fábrica, sem nenhuma alteração. Sweet!

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Fotos: Larry Chen/Speedhunters

Falando em câmbio, o pomo da alavanca é de madeira e deixa claro que o apelo do interior é outro: enquanto o lado de fora prima pelo exagero, o lado de dentro recebeu customização minimalista, com couro matelassê no painel e nos revestimentos de porta e bancos do BMW M4, simples e eficiente.

Mesmo que você não tenha curtido o resultado geral, não há como não admirar a originalidade que o BMW Z4 GT Continuum conseguiu ao misturar tantas influências diferentes.

Só tem um probleminha: custava nos deixar ouvir o ronco do bicho?

 

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