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Car Culture

GT500 Super Snake: como surgiu o Mustang mais cobiçado (e caro) de todos os tempos

A raridade é um dos fatores de maior peso para a transformação de um carro em um ítem de coleção. Quando aliado à esportividade então, a cobiça e o valor são ejetados à estratosfera. É por isso, por exemplo, que um Hemi Cuda 1970 conversível atinge cifras tão altas quanto três milhões de dólares quando é posto à venda: apenas 14 unidades foram fabricadas.

Mas o caso do GT500 1967 aí em cima é um pouquinho mais extremo: ele é único. Um de um. E é capaz de atingir 270 km/h. Seu nome? Super Snake. O original.

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O Mustang Shelby GT500, equipado com um big block 428 (sete litros) de 355cv, já não era brincadeira. Sua aceleração de 0 a 100 km/h em 6,2s é impressionante até hoje. Mas o mítico Carroll Shelby queria mais: pediu ao engenheiro-chefe das operações da Shelby America, Fred Goodell, que equipasse uma unidade com um 427 de competição, utilizado nos GT40 Mark II; para ser usado em um teste encomendado pela Good Year.

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Dotado de cabeçotes e bomba d’água de alumínio, tuchos mecânicos, um carburador Holley de 780cfm e coletores de escape dimensionados com design exclusivo, a usina rendia estúpidos 520 cv (declarados) a 6.000 rotações por minuto! Para diferenciá-lo dos demais GT500, a carroceria recebeu uma faixa tripla longitudinal exclusiva, com 20 polegadas de largura.

 

O carro foi levado à pista de testes da Good Year, no Texas, para uma demonstração dos então-novos pneus de performance Thunder Bolt. Lá, o Super Snake registrou uma média de 228 km/h ao longo de 500 milhas (804,6km), com picos de até 270 km/h! Considere a aerodinâmica de um Mustang, a falta de aderência dos pneus diagonais e a total falta de segurança – tanto do carro como da pista – e entenda o tamanho desta façanha.

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O automóvel foi parar nas mãos de Don McCain, na época um representante de vendas da Shelby American, que tentou transformá-lo em uma série limitada a ser vendida na Mel Burns Ford, concessionária que ele chefiou pouco tempo depois de adquirir o GT500 SS. Mas o preço proibitivo de US$ 7.500 o transformou em uma versão mais pesada e menos atraente do Cobra 427, e por isso o projeto foi cancelado antes de sair do forno.

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Assim, o único Super Snake a ser construído foi parar nas mãos de uma dupla de pilotos de aviões comerciais, que o levavam para as pistas de arrancada nos finais de semana. Após trocar de mãos algumas vezes ao longo das décadas, o Mustang mais raro do mundo foi anunciado no Ebay pela bagatela de US$ 3 milhões em 2008, o que o tornou o Mustang mais caro de todos os tempos.

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