A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Car Culture

Heavy Metal flat-six: Magnus Walker, o colecionador de Porsche mais cool da galáxia

Los Angeles, Califórnia: terra do hard rock, do cinema e de Magnus Walker, um dos maiores colecionadores/restauradores de Porsche do planeta. Conhecido por seu visual descolado e seu estilo único de customização — e ele também é um dos nossos favoritos, ao lado de Akira Nakai e dos magos da Singer.

Na verdade, seu estilo até pode ser descrito como um equilíbrio entre as criações extremas da RAUH-Welt e as obras primas do restomod da Singer — obviamente, seguindo um estilo único e inconfundível. E tudo quando ele decidiu deixar a escola aos 15 anos e sair do cinzento distrito industrial de Sheffield, na Inglaterra.

SONY DSC

Magnus Walker é britânico, porém há mais de 20 anos ele respira o ar de Los Angeles, e diz que não trocaria a cidade americana por nada. Sua infância na década de 70 não foi das mais abastadas no lado industrial da Inglaterra, e por isso os carros e a explosão do heavy metal do fim da década eram as duas paixões do jovem Magnus.

O estalo veio quando ele foi com seu pai a um Salão do Automóvel e viu um Porsche 911 Turbo branco, customizado com as cores  do FlatOut da Martini Racing. Foi ali que ele fez sua escolha. Naquela época, todo moleque tinha um esportivo favorito — Ferrari Berlinetta Boxer, Lamborghini Countach ou Porsche 911 — pendurado na parede do quarto — e Walker escolheu o Porsche. Sheffield, contudo, não era exatamente um pólo de Porsche — na verdade, era difícil ver um deles nas ruas. Sendo assim, ele só podia sonhar.

O próprio Magnus Walker, contando sua história no TEDx Talks — se você entende inglês, imperdível

Aos 10 anos, ele chegou a escrever uma carta para a Porsche, dizendo que queria se tornar um designer para a companhia. Eles escreveram de volta, dizendo que ele poderia ser, se se esforçasse.

Mas o tempo passa, a gente cresce e precisa fazer algumas escolhas. Magnus Walker escolheu, aos 15 anos, abandonar a escola e começar a trabalhar em empregos temporários, frequentando pubs e ouvindo heavy metal. Cansado de ouvir lhe dizerem para “cortar o cabelo e arrumar um emprego de verdade”, aos 17 ele se inscreveu no programa Camp America, que promovia (e ainda promove) intercâmbio para jovens britânicos que quisessem ir para os EUA a trabalho.

Magnus ainda levaria dois anos para chegar aos EUA, e foi uma viagem só de ida. Ele chegou a Detroit em 1986 e viveu lá até o início da década de 90. Magnus Walker chegou em Los Angeles em 1992, e logo soube que ali era o seu lugar. O hard rock estava explodindo, o Guns N’ Roses era a maior banda do momento e ele logo viu que não era difícil fazer a vida — exatamente como na TV.

Depois de comprar uma calça usada por uns trocados e vendê-la por 25 dólares ao balconista de uma loja de discos, ele viu conseguiria algum dinheiro vendendo roupas usadas customizadas — ele comprava jaquetas e jeans Levi’s, os modificava e vendia nas praias de Los Angeles. Foi assim que nasceu sua primeira marca, em 1992, a Serious Clothing, que teve clientes como Alice Cooper e Madonna.

magnus-walker (11)

Hoje em dia, Magnus Walker ainda vende roupas — pela sua nova marca, a Urban Outlaw, aberta no ano passado. Mas as roupas e ítens de lifestyle são apenas um complemento — seu negócio são mesmo os Porsche que ele compra, restaura, modifica e coleciona.

Magnus Walker é um cara que gosta de fazer tudo de seu jeito — como o próprio Akira Nakai, da RAUH-Welt —, mas ele não é tão recluso e parece ser um cara mais aberto. O que não significa que ele seja menos excêntrico — é só olhar seus dreads batendo no quadril e sua barba que cobre quase todo o peito. Boné, uma camiseta surrada, uma camisa de flanela, jeans surrados e botas são quase um uniforme, e ele parece mais um roadie do Motörhead do que o dono de um negócio milionário.

magnus-walker (13)

O primeiro Porsche de Magnus Walker foi comprado em 1992, tamanho foi o sucesso de seu empreendimento em Los Angeles. Com o dinheiro das roupas, ele e sua esposa conseguiram comprar um galpão e fazer dele um loft. Era uma vizinhança ruim, mas Walker conseguiu promover uma transformação no local — seu apartamento decorado com temática punk ficou famoso depois que apareceu em um artigo de revista sobre mudança de vida. No dia seguinte, ele recebeu a ligação de uma produtora interessada em fazer um clipe.

Vários outros interessados em usar o local como cenário de filmes e programas de TV surgiram, e o negócio se mostrou tão lucrativo que Magnus Walker teve como aumentar sua coleção de carros, que àquela altura já tinha um Jaguar E-Type, um Mustang 1965 e até uma Ferrari 308 GTB — mas seu negócio era Porsche, e foi com um Porsche modificado e preparado por ele mesmo que ele ficou reconhecido pela comunidade de proprietários do esportivo de Stuttgart nos EUA.

Este abaixo é o Porsche 911 1971 de Magnus Walker — seu primeiro projeto, que já teve quatro motores diferentes e foi uma das primeiras demonstrações do estilo de Walker: várias cores espalhadas pela carroceria, alguns adesivos, rodas clássicas e algumas peças feitas artesanalmente, como os para-choques e capô.

Sua fama cresceu e ele começou a apresentar outros de seus projetos pela internet — sempre aclamado por sua originalidade e pela qualidade de seus 911 modificados. Seu alcance, contudo, era local — ele fez alguns bons amigos em fóruns e na cena automobilística local graças a seus carros que ele podia dirigir na rua, ir para o autódromo e voltar dirigindo para casa.

Até que, em 2012, sua fama explodiu: ele recebeu um email do cineasta canadense Tamir Moscovici, que se interessou pela vida de Magnus, por seus carros e por seu trabalho, e propôs a ele que ambos fizessem um curta. Este curta acabou virando um documentário de 30 minutos, cujo trailer foi parar no site do Top Gear e teve 50 mil views em seu primeiro dia no YouTube.

O documentário foi lançado ainda em 2012. Caso você ainda não tenha assistido, pode fazê-lo agora mesmo:

[vimeo id=”44410797″ width=”620″ height=”350″]

Seu reconhecimento foi tanto que os executivos da Porsche assistiram ao documentário e chamaram Magnus para conhecer a sede da empresa em Stuttgart. O sonho estava, finalmente, realizado.

Ao longo da vida, o cara que morava na Inglaterra e só podia sonhar em ter um Porsche 911 já teve mais de 50 deles, todos modificados. E, embora diga que nunca os fez para isso, Magnus Walker já vendeu alguns de seus carros — normalmente longe dos holofotes, por algo entre US$ 40 mil e US$ 130 mil (R$ 90-290 mil, conversão direta).

magnus-walker (25)

Mas ele ainda faz as coisas a seu modo. Ele tem um blog — ainda hospedado no Blogger —, onde divulga fotos e notícias sobre seus empreendimentos — a loja Urban Outlaw, novos carros e, recentemente, um novo modelo de roda desenvolvido em parceria com a Fifteen52 — as sedes das duas companhias ficam na mesma rua no Distrito das Artes de LA.

fift

Na Urban Outlaw, ele se concentra nas roupas e acessórios inspirados em seus carros. “Eu até poderia aceitar encomendas de carros, mas isto significaria responsabilidade, contabilidade, tempo, prazos, pressão”, ele contou em uma entrevista ao The Independent do Reino Unido em maio deste ano. “Do jeito que as coisas estão, eu posso fazer o que quiser, quando eu quiser”.

Continue, então, querendo fazer seus carros, Magnus. Eles são demais.

Você pode acompanhar o trabalho de Magnus Walker no Instagram, no Facebook e no seu blog.

magnus-walker (16)

magnus-walker (29)

 

Matérias relacionadas

Os carros conceito que, felizmente, jamais foram produzidos em série

Leonardo Contesini

Volante, pedais e alavancas: uma breve história de como dirigimos hoje

Dalmo Hernandes

Coisas feitas pelas fabricantes de automóveis que não são carros

Dalmo Hernandes