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Carros Antigos

Kenmeri: quando o Nissan GT-R ganhou o nome de um casal da TV


No início dos anos 1970 a jovem Diane Krey vivia com sua família no Japão. Seu pai havia sido enviado para aquele país ainda quando servia à Força Aérea dos EUA. Descomissionado, ele continuou no Japão depois de ser contratado como piloto comercial da Japan Air Lines. Sendo filha de um militar, Diane Krey não se envolveu com a comunidade local. Em vez disso, ela frequentou a escola militar na base aérea, onde se apaixonou por um garoto que fazia parte do elenco de uma agência local de modelos e atores.

Certo dia, ao acompanhá-lo na gravação de um comercial da Honda, ela acabou recrutada pela equipe de produção, que procurava rostos ocidentais para o vídeo. Tudo o que ela precisava fazer era parecer impressionada com a moto que passava pelo campus da faculdade. Ali começou uma breve carreira de modelo que a lançou à fama local — e mudou a história do Nissan Skyline.

Em 1972 Diane tinha apenas 16 anos, e a Nissan estava lançando uma nova geração do Skyline, conhecida como C110/GC110. O modelo ganhava um ar mais moderno, com alguma referência estética aos carros americanos da época. Como na geração anterior, ele foi oferecido como um sedã de quatro portas, um cupê hardtop e uma perua de quatro portas. A inspiração americana transformou o sedã e o cupê em um sucesso instantâneo — especialmente o segundo, que tinha visual de muscle car e lanternas duplas circulares na traseira. Também como na geração anterior, o Skyline ganhou uma linha esportiva baseada nos sedãs e cupês: o 2000GT, 2000GTX-E e, claro, o 2000GT-R.

O GT-R era oferecido apenas como cupê, e mantinha o motor seis-em-linha da geração anterior e todos aqueles recursos vindos das pistas que seu antecessor, o Hakosuka, já oferecia: motor S20 de 160 cv, câmbio de cinco marchas, suspensão independente nos dois eixos, diferencial com deslizamento limitado, suspensão recalibrada e acabamento espartano para manter o baixo peso. Ele também foi o primeiro carro japonês a ser equipado com freios a disco nas quatro rodas.

Desta vez, contudo, o GT-R não foi para as pistas, apesar do sufixo racer. Devido à crise do petróleo, a Nissan cancelou seu programa de competição, mas manteve o esportivo de rua por uma questão estratégica para o sucesso do modelo, que passava a ter um apelo ainda maior entre os jovens com sua cara de muscle car.

Acontece que o negócio deu errado. A crise do petróleo afastou o interesse do público nos carros esportivos devido ao maior consumo e, por isso, em março de 1973 — apenas dois meses após o lançamento do GT-R cupê — a Nissan encerrou a produção do esportivo com apenas 197 unidades produzidas. Isso torna este segundo GT-R o mais raro de todos. Tão raro, que a maioria das fotos que você vê por aí, mostram, na verdade, modelos comuns do Skyline caracterizados como GT-R.

Sem histórico nas pistas, nem uma produção longa o bastante, a história da segunda geração do GT-R poderia acabar por aqui. Contudo, agora é a hora em que Diane Krey volta ao palco.

Na ocasião do lançamento desta nova geração do Skyline, a agência de publicidade responsável pela conta da Nissan criou uma campanha baseada em uma série de fotos e vídeos de um casal jovem curtindo a vida dos anos 1970 com um Nissan Skyline. O casal tinha nome: Ken e Mary — supostamente escolhido pela sonoridade semelhante a “american”. Ken era interpretado pelo ator Jimmy Zinai, que já tinha um certo sucesso no Japão por participar de uma série de TV adolescente. Mary, como você já deve ter suspeitado, era Diane Krey.

A campanha foi veiculada por apenas dois anos, com um total de sete minutos de vídeos quando se soma todas as peças da campanha para a TV. Fora isso, o casal também estampou as peças impressas para revistas, cartazes e catálogos das concessionárias, que eram renovados mensalmente. Logo eles se tornaram o casal mais popular do Japão — ainda que não fossem um casal de verdade e sequer tivessem idade para dirigir. Ken e Mary, digo, Jimmy e Diane não conseguiam ir a teatros, cinemas ou a concertos, pois eram tão assediados quanto as atrações. Dizia-se, na época, que até os príncipes do Japão queriam conhecer “Ken e Mary”.

Com o sucesso, a Nissan começou a organizar eventos do tipo “meet & greet” nas concessionárias, onde o público podia conhecer pessoalmente o casal e fazer fotos com eles — e com o Nissan Skyline, claro. Os amigos do irmão de Diane, que era mecânico de aviões na base americana, iam todos juntos levá-lo para casa para tentar ver a “Mary”.

A história, contudo, teve um desfecho trágico após uma sucessão de eventos adversos. Primeiro, o contrato de Diane estava perto de se encerrar. Depois, a Japan Air Lines demitiu todos os funcionários estrangeiros, e a família Krey estava voltando para a Califórnia. Por último, Jimmy Zinai, que mal tinha completado 16 anos, sofreu um acidente de moto e morreu. Apesar da oferta de renovação de contrato pela agência, Diane ficou tão abalada — especialmente depois de se tornar o centro das atenções do funeral de Jimmy, com milhares de admiradores presentes — que simplesmente decidiu encerrar sua carreira como atriz/modelo e voltou para os EUA.

A Nissan ainda tentou continuar a campanha com um novo casal interpretando Ken e Mary, desta vez dois nativos japoneses, que viviam situações mais japonesas, mas já não era a mesma coisa sem Jimmy e Diane. Em 1977, três anos após a morte de Jimmy, a Nissan lançou a nova geração do Skyline, desta vez sem um GT-R, que só voltaria em 1989.

O sucesso dos vídeos de Jimmy e Diane, contudo, ajudaram aquela geração do Skyline a vender mais de 670.000 unidades em menos de cinco anos, e resultou no apelido pelo qual o carro ficaria conhecido para sempre: Kenmeri. O Skyline GT-R, contudo, teve apenas 197 unidades produzidas e, por isso, é o mais raro e mais valorizado dos GT-R. Um exemplar original pode chegar facilmente além dos US$ 400.000.

Diane “Mary” Krey e o Nissan “Kenmeri”

 


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