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Novo Rolls-Royce Phantom: dois turbos para o V12, uma galeria de arte no painel e ainda mais luxuoso

Em 2012 eu parei para assistir a abertura da Olimpíada de Londres. Sempre achei essas alegorias uma grande chatice, mas daquela vez o negócio seria na capital britânica, que se tornou o centro do mundo há 200 anos e continua sendo o centro do mundo — ainda que você tente discordar. Como eu tentava. Afinal, nos últimos 80 anos o poderio econômico dos EUA e a explosão industrial chinesa tiraram um pouco o foco do Reino Unido, e fizeram ela parecer tão velha e antiquada quanto uma rainha de 80 anos em um Land Rover dos anos 1970.

Liguei a TV, a festa começou e como tema da abertura a Inglaterra decidiu contar sua história. Parecia apenas uma apresentação de si mesma para o mundo, como se o mundo não a conhecesse. Então veio a Revolução Industrial, a locomotiva, o tear, seus engenheiros, seus esforços de Guerra, Winston Churchill, o renascimento pós-Guerra, a cultura pop, Beatles, Rolling Stones, Monty Python, James Bond, Mr. Bean, Sherlock Holmes, Michael Caine, Mini Cooper, o Concorde, Fórmula 1, Carruagens de Fogo, Queen, punk rock, David Bowie, Led Zeppelin, World Wide Web e Tim Berners-Lee.

Logo ficou muito claro o que eles estavam fazendo: eles estavam utilizando a típica elegância britânica para mostrar de forma sutil àqueles emergentes da China (da Olimpíada anterior) e aos colonos dos EUA que o mundo como conhecemos foi inventado por eles. E o que não foi inventado foi aperfeiçoado por eles. Ou ao menos teve a cumplicidade deles (alguém falou da Guerra do Iraque?).

É isso. Os britânicos nunca dizem: “veja seu paspalho, nós somos os melhores”. Não. Eles fazem melhor e deixam que a mera existência de suas criações fale por si.

Esse é o caso do novo Rolls-Royce Phantom, que foi lançado nesta sexta-feira (28), sem muito alarde. Não houve aquele exibicionismo plebeu de flagras, teasers, vazamentos duvidosos. Simplesmente apresentaram o carro e deixaram que sua existência lembrasse a todos nós o que é um carro de luxo de verdade. O que é o luxo de verdade.

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Começando por seu design. À primeira vista ele parece um facelift do antigo Phantom, mas ele simplesmente não poderia ser diferente. A imagem da Rolls-Royce é baseada nos conceitos mais tradicionais de luxuosidade, mais antigos que o próprio automóvel. E da mesma forma que os britânicos não matam a Rainha Elizabeth, elegem um presidente muçulmano e rebatizam o país como “República Unida” só porque “o mundo está mudando”, a Rolls-Royce também não vai construir um carro completamente diferente só porque 2003 parece ter sido há 30 anos.

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As mudanças foram sutis, e são mais percebidas se você conhece muito bem o carro antigo ou se colocar os dois lado a lado. A dianteira é a mais óbvia: o conjunto óptico abandonou os faróis duplos, mantendo somente o retângulo horizontal superior. Mas em vez de lâmpadas e projetores ele usa laser e espelhos, que garantem até 600 metros de alcance. A grade também mudou, e pela primeira vez em muito tempo não é mais destacada, e sim integrada ao capô, porém ainda continua polida a mão, assim como os frisos de aço inoxidável das janelas. Algumas coisas não podem mudar.

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Nas laterais, ele agora tem uma linha de perfil ao estilo de “iate”, como diz a própria Rolls, mais demarcada que no antecessor. Ela remete ao porte dos Rolls clássicos, com a traseira baixa e a frente alta e suntuosa, e dá ao Phantom um ar “mais distinto e majestoso” segundo as palavras da Rolls-Royce. Concordamos com eles. A lateral é seu melhor ângulo. A traseira ficou mais encorpada, porém continua baixa e manteve as lanternas pequenas — agora de LED.

As mudanças mais revolucionárias aconteceram onde precisavam acontecer, e depois que o novo padrão já estava consolidado. Foi somente agora que o Phantom ganhou uma arquitetura totalmente feita de alumínio e, pela primeira vez, ele também usa um par de turbos em seu V12. Você achava mesmo que Lord Rolls usaria algo tão banal?

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Não. O motor é uma atualização do V12 de 6,75 litros (six and three-quarter litre, outra tradição britânica), que recebeu novos pistões, sistema de arrefecimento de maior capacidade, um novo virabrequim e um novo software de gerenciamento do motor — afinal, agora ele tem dois turbos soprando ar nos 12 cilindros. Como resultado a potência passou a 571 cv a 5.000 rpm e o torque máximo de 91,6 mkgf já está 100% disponível a 1.800 rpm. A Rolls-Royce diz que seria possível produzir mais torque (como os teutopunks da Brabus fazem), mas isso “não seria adequado” ao Phantom.

 

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Essa preocupação com as boas-maneiras do Phantom reflete também em seu desempenho: com o novo câmbio automático de oito marchas a aceleração de zero a 100 km/h é feita em 5,3 segundos e a velocidade máxima é de “apenas” 250 km/h. Números conservadores porque, novamente, a Rolls acha que uma aceleração mais rápida e uma velocidade mais alta “não seriam adequadas”. Mas desta vez o motivo real é outro: com 2.625 kg (75 kg a mais que seu antecessor) ele provavelmente não conseguiria ser muito mais rápido mesmo.

Apesar do aumento do peso a arquitetura do carro é mais leve e 30% mais rígida — a engorda se deveu às novas tecnologias adotadas no Phantom (como os próprios turbos) e ao aumento das camadas de isolamento acústico que, sozinhas, pesam 130 kg. O desenvolvimento da plataforma levou seis anos, e foi feita totalmente pela Rolls-Royce, sem nenhum componente compartilhado com a BMW — resultado de uma nova filosofia adotada pela fabricante alemã, que visa dar mais independência à Rolls — e ela será usada em todos os futuros Rolls-Royce, incluindo o Cullinan, o SUV-que-a-Rolls-não-chama-de-SUV.

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A suspensão manteve o layout de braços triangulares na dianteira e multilink na traseira, porém foi reprojetada para a nova arquitetura e também para fornecer mais curso para cada roda. Os amortecedores trabalham com bolsas de ar no lugar das molas helicoidais, e a Rolls-Royce diz que “a sensação de tapete voador foi levada a um novo patamar”. Para manter o carro competente quando é preciso deixar as formalidades de lado, a Rolls adotou barras estabilizadoras ativas e esterçamento das rodas traseiras. Por último, o Phantom ganhou um conjunto de pneus Continental recém-lançados, que usa um composto mais macio e uma camada interna de espuma, que reduz o ruído da rodagem em 9 dB.

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E por falar em isolamento, é exatamente isso o que a cabine oferece, segundo a Rolls-Royce. As janelas têm vidros de camada dupla e 6 mm de espessura, e o isolamento acústico da cabine usa 130 kg de material para manter o nível de ruído abaixo de 60 dB. Parece que o ruído mais alto lá dentro será mesmo o relógio analógico.

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As técnicas de marchetaria ainda estão presentes no acabamento de madeira usado no painel de instrumentos, nas portas e nas mesas do banco traseiro. Os elementos em preto brilhante que você vê no painel e nas portas são peças de vidro temperado, que podem ser customizadas ao gosto do cliente. O painel também tem um novo quadro de instrumentos digital e uma tela para o sistema multimídia — que também alimenta duas telas retráteis para os bancos traseiros. Aliás, para resolver o problema da confrontação do moderno com o clássico, a Rolls deu um jeito de criar um sistema que oculta todas as telas (exceto o quadro de instrumentos, claro). As portas traseira “suicidas” continuam lá, e são motorizadas, bem como as portas dianteiras.

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A cabine tem mais alguns toques de luxuosidade — detalhes que mostram porque o Rolls é a materialização do luxo. A parte posterior dos bancos dianteiros, por exemplo, tem um acabamento de madeira influenciado pela famosa Eames Lounge Chair, de 1956. Você talvez não tenha reconhecido pelo nome, mas dê uma olhada no Google e você reconhecerá.

O revestimento interno do teto poderia usar apenas algum material exótico, mas a Rolls foi além e repetiu o teto “Starlight”, com pequenos pontos luminosos de fibra óptica que reproduzem um panteão estrelado. E lá na frente, no painel, aquele espaço normalmente vazio sobre o porta-luvas, foi usado pela Rolls para criar um elemento decorativo chamado “The Gallery”, no qual o cliente escolhe uma obra de arte com ares de escultura/mosaico.

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A partida é feita por um botão, parte do sistema de chave presencial (a chave, aliás, é uma miniatura da silhueta do carro), porém ele não está em um painel tecnológico e moderno, e sim em uma réplica modernizada do painel de partida e dos comandos de faróis dos Rolls antigos.

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Apesar de todos estes detalhes, toda esta suntuosidade, a Rolls-Royce dispensa em toda a sua comunicação com o público qualquer tipo de comparação ou de afirmação superlativa. Como aquela apresentação dos Jogos Olímpicos, a Rolls-Royce, veio, mostrou como se faz e saiu sem dizer nada. Precisa?

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