A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Lançamentos

Novo Shelby GT500 revelado: mais de 700 cv e câmbio de dupla embreagem no Ford Mustang mais potente da história

Quando alguém perguntava a Carroll Shelby qual era seu Shelby favorito, ele sempre respondia “o próximo” – uma forma de dizer que sempre havia espaço para melhorias, como é o próprio espírito do automobilismo. Shelby nos deixou em 2012, mas a tradição continua. E hoje a Ford apresentou, no Salão de Detroit, o novo Mustang Shelby GT500 – o próximo Shelby, por assim dizer. O novo GT500 honra o passado da sigla ao trazer o conjunto mais extremo da linha. Se o Shelby GT500 de quinta geração já era um carro violento, a sexta geração leva isto a um novo patamar ao adotar um novo motor V8 supercharged de mais de 700 cv – potência similar aos carros da Nascar, ainda que estes sejam aspirados. E, pela primeira vez no segmento dos muscle cars, câmbio de dupla embreagem.

Ainda não é assinante do FlatOut? Considere fazê-lo: além de nos ajudar a manter o site e o nosso canal funcionando, você terá acesso a uma série de matérias exclusivas para assinantes – como conteúdos técnicoshistórias de carros e pilotosavaliações e muito mais!

 

FLATOUTER

Plano de assinatura com todos os benefícios: acesso livre a todas as edições da revista digital do FlatOut e demais matérias do site, download de materiais exclusivos, participação em sorteios e no grupo secreto no Facebook (fique próximo de nossa equipe!), além de veiculação de até 7 carros no FlatOuters e até 3 anúncios no site GT40, bem como descontos em oficinas e lojas parceiras*!

R$20,00 / mês

*Benefícios sujeitos ao único e exclusivo critério do FlatOut, bem como a eventual disponibilidade do parceiro. Todo e qualquer benefício poderá ser alterado ou extinto, sem que seja necessário qualquer aviso prévio.

CLÁSSICO

Plano de assinatura na medida para quem quer acessar livremente todas as edições da revista digital do FlatOut e demais matérias do site1, além de veiculação de até 3 carros no FlatOuters e um anúncio no site GT402.

De R$14,90

por R$9,90 / mês

1Não há convite para participar do grupo secreto do FlatOut nem há descontos em oficinas ou lojas parceiras.
2A quantidade de carros veiculados poderá ser alterada a qualquer momento pelo FlatOut, ao seu único e exclusivo critério.

Repetindo o que ocorreu nos anos 1960, o GT500 de sexta geração chegou alguns anos depois do GT350. O primeiro Shelby GT350 foi apresentado em 1965, enquanto o GT500 chegou em 1967, dois anos depois. Já o GT350 atual foi lançado em 2015, como modelo 2016, e o GT500 foi apresentado quase quatro anos depois, em janeiro de 2019. E, assim como ocorreu há cinco décadas, o GT500 serve como um passo além do GT350 que lhe serviu como ponto de partida.

Para começar, o GT500 é um carro claramente diferente do GT350 em abordagem. O GT350, com motor naturalmente aspirado e virabrequim de plano simples, é um pony car refinado, com certa inspiração europeia. O novo GT500 é um carro mais selvagem, bruto e potente. É mais ou menos o que separa, guardadas as devidas proporções, o Camaro ZL1 do Camaro Z28, por exemplo.

Por esta razão, em vez do motor Voodoo do GT350, o Shelby GT500 recebeu uma evolução diferente do motor Coyote (que ainda não tem nome), também com 5,2 litros de deslocamento e comando duplo nos cabeçotes, porém com virabrequim de plano cruzado e, mais importante, um supercharger do tipo Roots de 2,65 litros. O supercharger foi instalado entre as duas bancadas de cilindros e teve seu posicionamento invertido com o intercooler, ficando abaixo dele, o que ajuda a colocar o centro de gravidade mais perto do chão – uma tendência já vista em outros esportivos com supercharger, como o Dodge Challenger SRT Demon.

Havia quem esperasse por um V8 biturbo no GT500, mas a Ford decidiu seguir a cartilha mais tradicional e adotar o supercharger, mesmo que ele consuma mais energia do próprio motor, pela entrega de torque instantânea e pela reação mais fidedigna ao pedal do acelerador.

Assim como no Shelby GT350, o motor é todo feito de alumínio, com camisas de cilindro em aço-carbono, pulverizadas em plasma diretamente nas paredes dos cilindros (uma forma de reduzir seu peso e de ganhar um pouco mais de diâmetro nos cilindros, pois essa camada é extremamente fina). Também possui cabeçotes de alto fluxo, bielas forjadas mais robustas, e melhorias no sistema de arrefecimento. O sistema de lubrificação ganhou dutos redimensionados, e o cárter não é apenas um reservatório de óleo: ele também ajuda a estruturar a parte inferior do bloco, na área dos mancais. A peça possui, ainda um sistema de comportas ativas para manter o pescador de óleo sempre alimentado – seja para aplicação em track days, seja em provas de arrancada com VHT na pista.

 

A Ford limitou-se a dizer que o novo motor passou por um retrabalho para entregar “mais de 700 cv”, sem dar números exatos – existem, contudo, especulações que vão de 720 cv a mais de 750 cv. De todo modo, uma coisa é certa: a Ford diz que o Shelby GT500 é seu mais potente modelo produzido em série em toda a história.

De forma inédita, a Ford decidiu dar ao Shelby GT500 um câmbio de dupla embreagem de sete marchas, fornecido pela Tremec – é a primeira vez na história que um muscle/pony car utiliza este tipo de câmbio. A decisão mostra que a Ford busca aproximar o desempenho do Shelby GT500 de modelos mais exóticos – e não nos espantaremos caso, futuramente, as gerações seguintes do Chevrolet Camaro e do Dodge Challenger optem por soluções parecidas em suas versões mais nervosas.

A caixa, ligada ao diferencial traseiro por um cardã de fibra de carbono, é capaz de fazer trocas ascendentes em menos de 100 milissegundos e possui diferentes modos de condução, entre eles normal, weather, sport, drag e track. Em alguns dos modos (os dois últimos, presumivelmente) é possível utilizar o sistema line lock e o controle de largada. O primeiro freia apenas as rodas dianteiras para facilitar os burnouts de aquecimento dos pneus; enquanto o segundo, como bem sabemos, controla a aceleração do motor de modo a aproveitar ao máximo torque, potência e tração na arrancada.

Vale observar que há forte possibilidade de que a transmissão utilizada pela Ford no GT500 – a Tremec TR-9007, que é capaz de suportar até 92 mkgf de torque – seja empregada também pelo novo Chevrolet Corvette 2020 (que também ficará mais próximo do que nunca dos superesportivos mais exóticos, adotando a configuração de motor central-traseiro). De acordo com a Road and Track, que conversou com engenheiros envolvidos no projeto, a Tremec encomendou em 2017 o ferramental para produzir a TR-9007 para a Ford e para a General Motors. A publicação norte-americana observa, ainda, que embora o GT500 inicialmente seja oferecido apenas com o câmbio de dupla embreagem, a Ford não descarta a possibilidade de dar ao super-Mustang uma caixa manual, com três pedais e tudo o mais. Para tal, porém, é preciso que haja demanda suficiente para justificar o investimento na linha de produção.

A Ford também se recusou a dar os dados de desempenho exatos do Shelby GT500, limitando-se a dizer que o carro será capaz de ir de zero a 100 km/h “na casa dos três segundos e meio”, e de cumprir o quarto-de-milha “abaixo dos 11 segundos”.

A Ford colocou no GT500 os maiores discos de freios utilizados em um cupê esportivo nos EUA, com 420 mm de diâmetro na dianteira, ventilados – e mordidos por pinças Brembo de seis pistões. Na traseira, são 370 mm e pinças de quatro pistões, também da Brembo. De acordo com a Ford, a área dos discos dianteiros é 20% maior do que no GT350 – o que dá aos freios do GT500 uma massa termal 30% maior, ou seja, mais capacidade de trocar calor.

Visualmente o Shelby GT500 também corresponde à expectativa, com um pacote estético bem mais agressivo. De acordo com a Ford, porém, todas as modificações em relação ao Shelby GT350 são funcionais, o que inclui uma abertura frontal 50% maior – o que permite que mais ar frio seja soprado sobre o sistema de arrefecimento, que conta com seis radiadores atrás da grade (que, por sua vez, é inspirada nos aviões de caça). O scoop no capô, com 78×71 cm, possui entradas de ar do tipo persiana e uma bandeja de alumínio removível que, quando instalada, melhora a extração de ar quente de dentro do cofre e ainda contribui par aumentar a downforce.

O Shelby GT500 ainda possui rodas de alumínio de 20×11 polegadas na frente e 20×11,5 polegadas atrás, calçadas com pneus de medidas 305/30 na dianteira e 315/30 na traseira. Com o pacote opcional Carbon Fiber Track Package, elas são substituídas por rodas de fibra de carbono com tala 0,5 polegada mais larga, fabricadas pela Carbon Revolution. O pacote inclui também uma asa traseira de fibra de carbono ajustável, feita nos moldes do Ford Mustang GT4 de competição, e um splitter frontal também de fibra de carbono – além de acompanhar a remoção do banco traseiro, para reduzir peso. Outro pacote, o Handling Package, oferece suportes ajustáveis para as torres dos amortecedores, camber plates e spoiler traseiro com um Gurney flap.

O Shelby GT500 vem equipado de fábrica com bancos Recaro firmes e de bom suporte, porém confortáveis para longos períodos dentro do carro; revestimento de suede nas portas, painel digital com tela de 12 polegadas e central multimídia com touchscreen de 8 polegadas, além de oferecer como opcional um sistema de som Bang & Olufsen com 12 alto-falantes de alta fidelidade. O GT500 também pode ser adquirido com bancos Recaro de competição.

Preços ainda não foram revelados, mas o Shelby GT500 já tem data para chegar às concessionárias dos States: o segundo semestre de 2019. Ainda não foram discutidos planos para o Brasil, e isto nem deve acontecer – tanto o GT500 quanto o GT350 são modelos de nicho mesmo em seu mercado de origem, e o investimento necessário para homologação do modelo, mais a capacitação da rede de concessionárias, já torna o custo inviável. Para que possamos acelerar o GT500 no Brasil, o jeito vai ser esperar pelas inevitáveis importações independentes.

elby

 

Matérias relacionadas

Sandero RS Racing Spirit: série limitada do Renault é lançada por R$ 66.400

Juliano Barata

Honda Civic Si, agora com motor 1.5 turbo: como ele anda?

Dalmo Hernandes

Com 658 cv, Corvette Z06 é o Chevrolet mais potente da história

Dalmo Hernandes