FlatOut!
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FlatOut em Nürburgring Viagens e Aventuras

Nürburgring Nordschleife: considerações finais, retrospectiva completa e brindes aos leitores!

Quando deixei o Audi R8 V8 naquela gelada tarde acinzentada no aeroporto de Frankfurt, tive de fazer um último rito: remover os adesivos do FlatOut. Um de cada lado dos para-lamas dianteiros, um da traseira. Também retirei o adesivo de Nürburgring Nordschleife. O Audi, sujo como deveria estar, com toda aquela poeira escura acinzentada – como um verdadeiro carro de pista. As silhuetas do FlatOut e do inferno verde ficaram perfeitamente demarcadas na carroceria, exibindo o verdadeiro tom Suzuka Grey do R8. Mas a maior marca ficou na minha alma. Ei, mais que bestial branquelo de Ingolstadt, BQ 667. Daqui a muitas décadas lembrarei dessa aventura. Até o meu último dia por aqui, na verdade.

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Esta foto foi tirada na última noite em Nürburg

Hoje, tantos meses depois daquela experiência mágica – vivi dez dias exclusivamente no inferno verde e pilotei por exatamente 45 voltas (mais que o dobro de um GP de Fórmula 1 na época) –, sinto que, na verdade, a minha história com Nürburgring está apenas começando. Como se desde o instante em que retirei o último pedaço de adesivo da carroceria, um cronômetro em contagem regressiva tivesse iniciado. Uma volta que não tem data. Um dia.

Mas o mais bacana é ver como isso acendeu uma chama em muitos de vocês. Quantas pessoas vieram falar comigo ou deixaram comentários no FlatOut agradecendo a série, tanto pela quantidade de informações quanto pela motivação final para rasgar um monte de dinheiro, pegar um avião para voar 9.800 km, depois encarar 170 km de estrada, só para pilotar em uma tripa de asfalto de 20,8 km perdida no meio da Renânia-Palatinado, botando a própria vida em risco. Coisas que só vocês mesmos irão entender. Daí eu vi que, fora o sonho pessoal, acabamos carregando uma bandeira muito importante. Que Nürburgring continue ativo por décadas e décadas, e que nunca se torne memória. Como Jacarepaguá ou o risco em que provavelmente vive o AIC.

Essa também é uma oportunidade para agradecer, pedir desculpas, explicar, e dar uma surpresa. O enorme agradecimento é aos fiéis escudeiros Leo Contesini, Dalmo Hernandes e Dan Oda (na época nosso novo membro da família, Gustavo Ruffo, ainda não estava na casa) por terem segurado a barra de maneira impecável enquanto estive fora por dez dias. Não é fácil amigos, pois este não é um site, mas sim uma empresa. Tem muita coisa que não aparece do lado de cá do balcão e que devora mais da metade do nosso tempo.

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Também jamais me esquecerei de você, zed. Você foi o cara que me levou pela primeira vez à pista no comando.

O pedido de desculpas é para os leitores que se indignaram com o longo período tomado para a série se concluir. Como disse anteriormente, o mercado publicitário está em uma fase difícil há muitos meses, então eu e o Dan, diretor comercial, nunca batemos tanta perna e gastamos tanta saliva para manter a casa sólida. Ao mesmo tempo, fui extremamente exigente com a série de Nürburgring, porque para mim é o legado que deixo na minha passagem por aqui. Ter aberto as portas e jogado luzes em algo no qual muitos têm dúvidas para ir atrás do sonho, ter imergido da forma mais profunda que pude o leitor que não tem condições financeiras para visitar o Nordschleife. Então me reservei o direito de somente escrever sobre isso quando houvesse tempo para fazê-lo decentemente. Desculpem se isso custou alguns nervos.

A explicação, que acho conveniente, é dizer que toda essa viagem de Nürburgring foi paga 100% do meu próprio bolso. Foram quase quinze mil reais de despesas, fora o risco de gastar quatro vezes mais que isso com o conserto da pista, no caso de eu ter sofrido um acidente. Vi um ou dois comentários, ao longo de todo esse tempo, de gente dizendo que eu estava “passeando por aí com o dinheiro dos outros”, se referindo ao nosso Crowdfunding. Tecnicamente, o CF poderia ser usado para a produção de matérias bacanas para os leitores, mas a verdade (que descobrimos bem rápido) é que, embora bem sucedido, o crowdfunding até hoje paga somente as despesas essenciais do site, não nossos salários. Ter uma empresa custa caro, senhores…

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Weiss Beast! Que você continue fazendo a alegria de muitos entusiastas. E que nenhum deles destrua a sua carroceria…

A surpresa é um pouco humilde, mas certamente vocês irão gostar. No post das lojinhas de Nürburgring, disse que o comentário mais votado receberia um brinde trazido diretamente do inferno verde. Como vocês veem na foto de abertura, na verdade temos onze pequenos brindes. O critério foi o seguinte: peguei o comentário mais votado de cada post, depois elenquei todos em um ranking decrescente. Em base disso, abaixo temos os dez vencedores. E o décimo primeiro brinde? Será o comentário mais votado deste post até o fim deste mês (é para ajudar na logística, pois neste dia também faremos a contagem do brinde da promoção da Lancer Experience).

Abaixo temos a lista dos brindes e dos vencedores. Essa relação nome-brinde foi sorteada à moda antiga, no saquinho de papel.

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1) Boné oficial Nürburgring preto: Vinicius Lacerda
2) Boné oficial Nürburgring preto: Chiocca GTi
3) Boné oficial Audi Sport 24h Le Mans (comprado em Adenau): Brazooka
4) Cordão oficial Audi Sport 24h Le Mans (comprado em Adenau): Jose_Sherman
5) Caneca oficial Nürburgring / Stefan Bellof: BLK_Poomah_GTE78
6) Adesivo para carro oficial Nürburgring preto: d_mach1
7) Adesivo para carro oficial Nürburgring preto: Julien Avril
8) Adesivo para carro oficial Nürburgring prata: Jalazio
9) Tampa de válvula para pneu (anti-furto) oficial Nürburgring: Nacholoser
10) Tampa de válvula para pneu (anti-furto) oficial Nürburgring: Andre SS
11) Chaveiro oficial Nürburgring com tag vermelho: o comentário mais votado deste post!

Vencedores, por favor, deixem seus e-mails na área de comentários!

 

Recapitulando a aventura…

Clique nas fotos para acessar cada uma das reportagens! A lista segue na ordem cronológica de publicação.

Missão Nürburgring Nordschleife: dez dias, três carros e o FlatOut no templo!

Foi aqui que tudo começou. No dia 23 de setembro de 2014, a uma semana de embarcar para realizar o meu sonho mais antigo, escrevi este post para apresentar a viagem: dez dias, três carros e o FlatOut no templo! Objetivo: viver Nürburgring Nordschleife com o máximo de intensidade, conhecer cada poro daquele local e trazer todo o conhecimento de volta aos leitores, com narrativas imersivas e dezenas de fotos.

Cheio de expectativas, dormindo mal de ansiedade, muitos planos traçados, milhares de voltas acumuladas em todo tipo de simulador – do Grand Prix Legends ao rFactor –, dezenas de horas de vídeos on board e litros de saliva gastos com quem já tinha enfrentado seus desafios, gente aqui do Brasil e da Europa. Eu sabia que seria terrível, no melhor sentido da palavra. Foi muito pior do que aquilo. Ou seja, absolutamente fascinante.

 

Nürburgring Nordschleife: o guia definitivo para planejar a sua viagem – atualizado!

A grande missão desta viagem – além, é claro, de viver a experiência – era trazer todo o conhecimento que fosse possível aos leitores. O legado começou antes mesmo de embarcar. Decidi publicar este gigantesco guia de viagem, com uma lista abismal de tudo o que você deve checar antes de planejar a sua ida, um breve comentário sobre simuladores, agenda da pista, período indicado, passagens, aeroporto indicado, visto e PID (Permissão Internacional para Dirigir), hotéis, alimentação, aluguel de carros, dicas de trânsito na Alemanha, grana, entretenimento e gastos extras. Além disso, listei todos os carros que você pode alugar para pilotar no Nordschleife, com links diretos para as empresas. Depois que voltei de Nürburgring, atualizei o guia com uma série de informações adicionais.

Foi uma grande felicidade ter cumprido o objetivo: muitos leitores nos agradeceram pelo guia e recebemos mensagens de diversos entusiastas que se inspiraram, seguiram os passos e foram para lá, inclusive no último feriadão. Fico feliz por ter ajudado outras pessoas a realizar este mesmo sonho que tive, mas também por ajudar a manter a pista viva. Ela não pode virar passado.

 

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A partir daqui, o caldo começa a engrossar. O começo da jornada. Escrevi este post enquanto devorava uma caixa de cookies de chocolate, sozinho num quase-fantasmagórico hotel Lindner Eifeldorf. Desembarquei no Aeroporto de Frankfurt, peguei o 370Z com o simpático Mr. Pretzner (motorista da Nissan) e fiz a trip de cerca de 170 km até Nürburg – que teoricamente levaria pouco mais de uma hora e meia, mas na prática levou mais de três: rush, chuva, conspiração do universo (a viagem foi detalhada no post). Cheguei na cidade do inferno verde à noite e lá encontrei meu amigo Márcio Murta e jantamos uma pizza em Adenau. Tinha sido o seu primeiro dia pilotando no Nordschleife. Ele estava levemente aterrorizado.

Na manhã seguinte, fiz o Backstage Tour, no qual guias turísticos te levam para conhecer toda a estrutura de Nürburgring (incluindo o autódromo moderno). Devorei um cachorro-quente, toquei o 370Z para o posto (abastecimento e calibragem para pista) e fui até o portão do Nordschleife. Ricardo Pasianotto foi o cara que me levou para andar de carona no inferno verde. Estava a instantes de acelerar no Nordschleife pela primeira vez na vida.

 

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Só de lembrar deste momento minhas mãos começam a suar e, confesso, meus olhos marejam levemente. Note como aperto o volante com força desnecessária: mesmo sendo um cara de tocada suave, não conseguia controlar o frio na barriga. A primeira vez que acelerei no Nürburgring Nordschleife. Acabo de reler este post e revivi cada momento novamente, incluindo as ansiedades e medos.

Também foi muito bom lembrar e rever a aventura de invadir o circuito no meio da madrugada, em companhia de amigos: Viktoria, Pasianotto e Murta. Foi realmente especial caminhar no total breu, o lado negro do inferno verde. Outra coisa bacana: com o 370Z acabei participando do Green Hell Driving Days, quando Nürburg foi completamente dominada por centenas e centenas de esportivos clássicos e modernos de toda a Europa.

 

Overdose gearhead: os carros que aceleram no Nürburgring Nordschleife!

Eram tantos, mas tantos carros que tive de fazer um post-galeria de quase 200 fotos somente dedicado a isso. Nürburg e Adenau foram completamente dominadas por todo tipo de esportivo, de todas as épocas, para todos os gostos. Era uma coisa insana, nem no maior dos sonhos consegui imaginar algo tão absurdo.

 

Começando a pegar intimidade no Nürburgring Nordschleife com o BMW 125i!

Alguns dias depois, chegou a hora de acelerar o BMW 125i preparado para pista da Rent4Ring. Originalmente eu alugaria um Suzuki Swift Sport – disparada a melhor opção para aprender o circuito e mesmo cravar hot laps com diversão e segurança –, mas todos estavam reservados. Depois, tentei partir para um Mégane RS 265 com a RSR, mas infelizmente houve um problema na reserva. Por sorte, a Rent4Ring tinha este bimmer, que se mostrou a melhor escolha. Que carro incrível. Devorei doze voltas a bordo dele como se não houvesse amanhã – e ele foi essencial para o superesportivo que eu ainda pegaria em Frankfurt. Vídeo on board no post!

 

Conheça as lojas de Nürburgring: de torradeiras a sapatilhas do Nordschleife!

Se você é comprador compulsivo, fuja das lojinhas de Nürburgring – e fuja deste post também, porque dá pra comprar tudo on line e receber em casa. Camisetas, agasalhos, jaquetas, cuecas, quadros, torradeiras, travesseiros, toalhas de banho, centenas de miniaturas… há virtualmente todo e qualquer tipo de item com o tema de Nürburgring por lá. Muitas fotos e detalhes!

 

Três amigos, duas coincidências e o Nürburgring Nordschleife

Sem eles, a viagem não teria sido tão bacana. E olha que estes caras só ficaram comigo nos três primeiros dias de um total de dez. Neste post vocês conferem os depoimentos deles, além de vídeos on board: Márcio Murta no Toyota GT86, Ricardo Pasianotto na perua BMW Série 3! Muito obrigado pela companhia e pela diversão toda!

 

Audi R8 V8, entre o êxtase e o terror. Foi como se cada experiência que tive a bordo de um carro antes – as idiotices ilegais a bordo de um velho Gol, os sustos e alegrias com meus Dodges, as derrapagens controladas em madrugadas chuvosas com o Rafael Paschoalin, as oportunidades de pilotar em autódromos internacionais, o curso de pilotagem da Mitsubishi, a participação na Lancer Cup – tivessem me preparado para culminar nisso. Pilotar um carro de forma veloz no Nürburgring Nordschleife é um desafio assustador. Com um esportivo, a coisa engrossa ainda mais. Com um superesportivo, num chão traiçoeiramente gelado e levemente úmido… amigos, acho que este foi o grande momento da minha vida. No post eu descrevo essa história detalhadamente. Há muitas fotos bacanas também 🙂

 

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Do céu ao duro e cruel chão. Ego, sensação de segurança, vontade de romper limites: tudo foi esmigalhado a pó quando vi uma bola de fogo ardendo a poucos metros do Audi R8 que pilotava em um dos trechos mais velozes do Nordschleife. O carro acidentado. Outro Audi R8. Este post eu nunca mais li na íntegra depois de tê-lo publicado. Não pretendo fazê-lo.

 

Vídeo: conheça os arredores de Nürburgring a bordo do Audi R8

No longo vídeo deste post, vocês darão um passeio por todos os arredores de Nürburg: vão descobrir onde ficam os principais hotéis, o restaurante da família da Sabine Schmitz, a entrada do castelo, alguns dos principais rent-a-racers, a entrada do Nordschleife e até o acesso para Adenau. Serve tanto para quem tem curiosidade de conhecer os arredores quanto para quem vai conhecer o local e quer ter uma ideia de onde ir.

 

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Este foi um dos posts mais saborosos da série, bem, ao menos em minha opinião. Aqui eu conto em detalhes a história do castelo de Nürburg, cuja construção começou aproximadamente no ano de 1170, no Sacro Império Romano-Germânico. Não foi uma pesquisa fácil, mas ficou um texto bem bacana 🙂

 

Nürburgring Nordschleife: quanto que um simulador ou game pode te ajudar?

A pergunta da imagem é autoexplicativa. Sempre existem muitas dúvidas acerca do quanto que os simuladores podem ajudar numa situação como a de se preparar para o Nordschleife. Neste post explico as vantagens e as limitações dos simuladores, além de comentar o realismo das representações de Nürburgring das principais opções do mercado. Contudo, vale uma atualização: o Assetto Corsa lançou recentemente o seu pacote com Nordschleife scaneado a laser e o resultado é simplesmente incrível – o próprio simulador evoluiu muito desde a primeira vez que o experimentei. Semana passada também foi lançado o Project Cars.

Oficialmente a série de Nürburgring está encerrada com este post de considerações finais, mas na semana que vem teremos um post com vídeo comparando as representações do Nordschleife destas duas novidades. E com este vídeo irei atualizar este post dos simuladores.

 

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Nürburgring Südschleife. As ruínas escondidas do irmão menor esquecido do Nordschleife. Caminhar sobre este asfalto fantasmagórico quase centenário, no qual centenas de pilotos amadores e profissionais buscaram seus limites por décadas a fio, foi uma experiência espiritual inesquecível. Lembro do ruído e da textura das folhas e sementes sendo esmagadas pelos meus pés. Era tudo o que eu ouvia. Neste post vocês vão conhecer a história do circuito, além de me acompanhar nesta breve jornada.

 

Como pilotar no Nürburgring Nordschleife sem se matar nem decepcionar o cronômetro

Romances à parte, down to numbers! Depois de 45 voltas completadas em Nürburgring Nordschleife (para você ter uma ideia, cada GP de Fórmula 1 tinha, em média, 20 voltas), juntei experiência suficiente para criar um guia de pilotagem nos níveis básico e intermediário. Para isso, além da minha vivência, conversei com muita gente e li cuidadosamente uma série de guias já publicados, incluindo os da revista alemã Sport Auto. Acho que será muito útil para quem for acelerar na pista.

 

O museu de Nürburgring Nordschleife: veja tudo o que tem no Ring Werk!

O último post da série foi uma pequena orgia gearhead: o museu de Nürburgring, onde repousam diversos mitos da DTM e do automobilismo mundial em geral.

 

Side-story: o Kia Bongo e o posto de gasolina

Em outubro de 2010, Nürburgring já estava há alguns anos no topo dos meus sonhos pessoais. Já o cara aí embaixo queria muito mais: além de conhecer o Nordschleife, queria correr no Pikes Peak e no TT da Ilha de Man – dito e feito, hoje ele é o único brasileiro a ter competido na história do TT e conheceu o inferno verde durante uma tempestade. Sei que Pikes Peak é apenas uma questão de tempo. Rafael Paschoalin é assim, talvez o maior representante da filosofia “if in doubt, flat out!” que conheço. Este ano ele disputará novamente o TT da Ilha de Man – e nós postaremos um pequeno diário atualizável de como estão indo as coisas por lá.

Mas, outubro de 2010. Nessa época a gente se via bastante, para falar sobre projetos automotivos seriamente retardados, disputar sessões intermináveis de Gran Turismo ou de rFactor em Nürburgring, botar uma tal de S10 de lado em rotatórias vazias durante madrugadas chuvosas. E também para trabalhar. Na época ele estava na revista Motociclismo e eu tinha acabado de ir para a Car and Driver, começando a minha transição oficial da fotografia para o editorial.

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Numa dessas ele me chamou para um frila, fotografar duas motos GasGas na pista de testes da ASW, em Mogi das Cruzes. A viagem seria rápida, não fosse um problema: Kia Bongo. Um caminhãozinho feito para transportar caixas de alfaces e flores certamente não gostava de carregar duas ou três motos em sua caçamba. E ele nos punia com a rigidez de um chassi comparável a um colchão d’água. Não é metáfora: em qualquer ondulação na estrada, você sente o veículo se dobrando feito uma taturana. Você nunca está parado no banco, está sempre oscilando. Tive a sorte de andar em muita coisa rápida, até mesmo um BMW da DTM de carona (adaptado), em Oschersleben, e segurei bem a barra. Mas quem me deixava com vontade de devolver o almoço era o Bongo.

Eu e o Rafa já fizemos muita bobagem ao volante, mas naquele dia a presepada foi absolutamente incidental. E não tinha nada a ver com qualquer coisa próxima a um hooning, embora as consequências pudessem ter sido épicas. A real é que o Paschoalin se perdeu em Mogi. Depois de avistar pela terceira vez pelo mesmo posto de gasolina, mandei um “puta merda mano, para nessa porra de posto que vou perguntar pros caras como acha esse acesso!”. Na verdade, impaciente estava ele. Eu só queria um pretexto para pisar no chão firme e sair daquela embarcação por alguns segundos que fossem. Quando ele concordou e apontou o Bongo em direção ao posto, bati o cinto. Queria pular fora daquela traquitana.

O problema é que ele não é o tipo de cara que anda exatamente como um senhor de idade. E entre a rua e a guia do posto, havia uma pequena depressão no asfalto. Mais ou menos parecida com isso:

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O que levou o Bongo a fazer algo parecido com isso:

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Não é sacanagem. O Bongo realmente encarnou o Focus de McRae na Finlândia e decolou. A porrada de lançamento foi tão forte que os braços do Rafa foram ao ar, como aqueles bonecos de posto de gasolina. Eu? Sem cinto, bati a nuca no teto e então metade do meu corpo foi para fora do caminhão de alface, de forma que bati as duas mãos na base da porta – pelo lado de fora. O caminhão, sem controle, quicando feito filhote de cabra feliz, em direção às bombas do posto. Comigo meio pendurado do lado de fora. Se tivéssemos causado um acidente explosivo, certamente seria um vídeo russo, daqueles mudos, captados por câmeras de segurança.

O Kia convenientemente parou ao lado dos três frentistas, ainda sambando o chassi. Os caras estavam brancos, olhos arregalados, travados, em estado de choque. Tivemos uma crise de riso incontrolável e não conseguíamos fazer o cazzo da pergunta – e a cara estarrecida do trio só piorava a crise. Depois de três dias tentando, conseguimos. Eles explicaram direitinho. Mas antes de chegarmos lá, tivemos de passar mais outras duas vezes na frente do posto. Se o Paschoalin fosse taxista, certamente estaria milionário.

 

Essa anedota talvez não faça muito sentido para boa parte dos leitores. Mas, além de ter participado de boa parte do processo da viagem para o Nordschleife – na verdade iríamos nós dois mais outro amigo, Rodrigo Mora, não fosse o seu calendário de competições do ano passado –, o Rafael Paschoalin teve uma ideia maluca, que tem a ver com o inferno verde. Então, se a série “FlatOut em Nürburgring” termina aqui, deixo neste final o primeiro risco do que pode ser o próximo capítulo – mesmo que leve alguns anos.