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Nürburgring Nordschleife: o guia definitivo para planejar a sua viagem – atualizado!

Acelerar no Nürburgring Nordschleife é o sonho de onze entre dez petrolheads. Como vocês têm acompanhado no especial FlatOut em Nürburgring, transformamos este sonho em realidade no fim do ano passado: foram dez dias, três esportivos (Audi R8, BMW 125i e Nissan 370Z) e quase cinquenta voltas no leviatã de 20,8 km e 73 curvas. Ao longo deste longo processo, li e pesquisei bastante, colhi muitas informações com quem já esteve lá e, depois de ter vivido o inferno verde na pele, creio que possuo conhecimento suficiente para compartilhar com vocês um guia atualizado de primeira linha.

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Aqui temos um detalhado passo a passo para ajudá-lo a planejar esta viagem. Embora a logística seja relativamente simples para quem já viajou para fora antes, existem alguns cuidados e burocracias adicionais que, caso sejam ignorados, podem simplesmente impedir a experiência de pilotar no autódromo. O texto está dividido em dois blocos: reflexões preliminares (mais filosófico) e o planejamento em si (mais objetivo, com etapas e valores).

Vocês verão que, ao longo do texto, há uma série de links complementares para as outras reportagens que fizemos. Não deixem de clicar e conferi-los.

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Antes mesmo de começar a planejar

Quando o assunto é Nürburgring Nordschleife, fantasia e realidade se misturam de forma perigosa. É o maior, mais perigoso e mais desafiador autódromo do mundo, mas ao mesmo tempo, seu acesso é fácil e virtualmente livre (há uma taxa de 27 euros por volta – valor de 2014) para qualquer pessoa que chegue motorizada dentro dos dias e horários permitidos. Não há briefing, não há pré-requisitos, não há inspeção nos veículos: é chegar, pagar e andar.

Isso, somado ao mito reforçado por vídeos como o épico Faszination aí em cima (a volta voadora do RUF CTR “Yellowbird”), as disputas entre as fabricantes pelo melhor tempo de carro de produção em sua categoria e, claro, toda a cultura gamer de simuladores como rFactor, Gran Turismo e Forza Motorsports, tirou Nürburgring Nordschleife da cena underground de vez, o colocando sob os holofotes até mesmo para quem não é tão graxeiro assim. O resultado foi um movimento de peregrinação massivo na última década. Quando o inferno verde era algo para insiders, os assuntos costumeiros eram a vitória épica de Stewart em 1968, o acidente quase-fatal de Niki Lauda em 1976 e o recorde de Stefan Bellof (6:11,13) com o Porsche 956 em 1983 – em suma, competição.

Por um lado, o feito de Nürburgring ter entrado no radar mainstream é muito bom: o fluxo alto de turistas ajuda a sustentar economicamente o autódromo e toda a sua região, lembrando que Nürburgring foi construído na década de 1920 justamente para gerar empregos na região das montanhas Eifel. Com sorte, teremos aquele complexo ativo por muitas décadas adiante, diferentemente da tristeza que assola os nossos autódromos, que vivem sempre à sombra da morte – a especulação imobiliária já causou algumas vítimas, como Jacarepaguá, e ameaça outros, como o AIC (Curitiba).

Por outro lado, sua popularização não significa que Nürburgring tenha se tornado o Walt Disney World: Nordschleife continua sendo perigo extremo sobre o asfalto – castigando severamente até mesmo quem tem bastante experiência. Em base disso, meu primeiro conselho é…

 

Sem experiência prévia em pista = bad idea

Se você nunca fez um curso de pilotagem ou jamais participou de um track day, hot lap ou sequer uma prova de regularidade de velocidade respeitável,  Nürburgring Nordschleife certamente é o pior lugar para fazer a sua estreia. São 20,8 km (quase quatro vezes a extensão média de um autódromo), ao menos onze tipos de piso, uma quantidade insana de curvas (73) – várias delas de alta velocidade, cegas, com quebras de relevo e irregularidades no piso –, isso sem falar na variação topográfica de quase 300 metros. Mergulhos, cumes e subidas alteram muito a dinâmica do carro e suas reações à frenagens e acelerações. Também não é incomum haver mais de uma condição climática na mesma volta e mudanças dramáticas ao longo do dia, como tempestades e neblina.

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Como cereja do bolo, os guard-rails ficam separados a poucos metros da pista por uma faixa de grama (nada de área de escape asfaltada), mesmo em trecho com curvas de mais de 200 km/h, e a largura da pista é de apenas 6,7 m (em média). Para se ter uma ideia, o autódromo de Interlagos varia entre 12 e 15 metros. Acidentes graves no inferno verde, como este que testemunhei aí embaixo, não são exatamente incomuns – e a falta de área de escape sempre pode causar acidentes secundários derivados do primeiro.

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Fora o circuito, você estará dividindo a pista com carros muito mais velozes e bons pilotos, mas também com motoristas comuns misturados a suicidas em potencial. Motos, hatches convencionais, monstros preparados, veículos antigos, carros de competição com pneus street legal e abafadores. Saber interpretá-los, dar espaço sem se arriscar e ter noção de como fazer uma manobra evasiva em circunstâncias de autódromo sem se expor a riscos são coisas que exigem alguma experiência – lembre-se que a pista tem a metade da largura de um autódromo moderno. Claro, você pode sim, andar no Nordschleife de forma segura sem experiência em pista. Mas, em seu lugar, eu me prepararia melhor – tanto para minimizar riscos quanto para extrair o melhor desta experiência.

Neste post aqui nós publicamos um guia enriquecedor de como pilotar no Nürburgring Nordschleife com o mínimo de riscos e o máximo de emoção, tanto para novatos sem experiência em pista quanto para quem já pilotou em track days.

 

Vídeos e simuladores: amigo e inimigo ao mesmo tempo

Em quase todo briefing de cursos e de carros alugados por lá, a instrução começa grifando algo como “isso não é um Playstation!”.  Quase todos os acidentes em Nür são causados por hot lappers que treinaram cem voltas ou mais em carros “iguais aos de verdade” no Gran Turismo e que tentaram andar no limite buscando tempo, como se estivessem num autódromo moderno e já fossem íntimos da pista.

Se os simuladores não podem ser superestimados – há um certo consenso de que ainda não há reprodução 100% fiel ao Nordschleife e, mesmo que houvesse, não há simulador que te prepare para uma situação real de pista –, eles também não devem ser subestimados. Com treino exaustivo em um Assetto Corsa, Forza, Gran Turismo ou rFactor, você poderá decorar o traçado e ter uma bela noção de quais são os trechos críticos e de como desenhar a trajetória em suas 73 curvas. Em resumo, é uma ferramenta que considero essencial para quem quer buscar um ritmo no mínimo razoável.

Contudo, fique ligado: Nürburgring Nordschleife tem zebras que podem ser usadas, zebras que devem ser evitadas com a sua vida (parecem-se mais com um meio-fio) e irregularidades no piso em curvas de alta, que não são reproduzidos com total fidelidade em games e simuladores. Isso sem falar nas variações de relevo, extensões de reta e geometria das curvas entre cada um destes jogos. Portanto, use-os como um guia de fluxo na pista, não como uma referência técnica, literal e absoluta. Não faça a bobagem de ficar decorando marchas e velocidades de passo de curva dos jogos: isso não funciona nem para autódromos convencionais, imagine no inferno verde.

Combinado aos simuladores, vídeos no YouTube são uma boa referência para se ter uma ideia da dinâmica da pista, ainda que a memorização não se torne mecânica. É importante advertir que nenhuma reprodução em tela é capaz de reproduzir a escala do mundo real – todos os que andaram no Nordschleife voltam embasbacados com a radicalidade do relevo (que resulta em forças G verticais similares à de uma montanha-russa) e a pouca largura da pista, que amplia muito a sensação de velocidade.


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Portanto, se a sua ideia é viajar para Nürburgring, junte o máximo de experiência real em autódromos, consuma muitos vídeos on board de carros de rua no circuito (bólidos de competição vão te dar falsas referências) e tente jogar com frequência num simulador que tenha o Nordschleife – sempre se conscientizando de que isto é para dar uma noção de traçado e perigo, e não para treiná-lo a ser um hot lapper. Não deixe para fazer nada disso na última hora: o certo é ter estes rituais bem forjados no seu cérebro ao longo de alguns meses.

Neste post aqui nós fizemos um especial falando apenas sobre a relação entre simuladores e Nürburgring, os pontos nos quais os simuladores de forma geral ajudam e ficam devendo em relação ao inferno verde, mais uma pequena avaliação do realismo da reprodução do Nordschleife dos principais games e sims do mercado. Não deixe de conferir.

 

Planejando a viagem para Nürburgring

Hora de tirar da teoria e começar a botar no papel. Meu primeiro conselho é: tente planejar esta trip com um amigo graxeiro. Você dividirá despesas de gasolina, aluguel de carro para deslocamento na Alemanha, quarto de hotel, alimentação, aluguel do carro para acelerar no Nordschleife (quase todas as empresas permitem o compartilhamento) e, acima de tudo isso, terá alguém para dividir as emoções de estar em Nürburgring enquanto degusta uma Weissbier no começo da noite. Como vocês viram neste post, fui presenteado pela enorme coincidência de compartilhar meus primeiros dias com dois bons amigos no inferno verde e posso confirmar – isso faz toda a diferença nas memórias!

Três amigos, duas coincidências e o Nürburgring Nordschleife

Pensando na logística dos automóveis, é interessante pensar em pares a bordo dos veículos (ir para a Alemanha em duas, quatro, seis pessoas) para não dificultar as contas ou deixar os carros muito pesados, mas isso fica a critério de cada um.

Daqui em diante, vamos em tópicos:

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1) Calendário de Nürburgring Nordschleife: é por aqui que o planejamento precisa começar. O autódromo fecha o acesso público diversas vezes por ano: competições, eventos privados, filmagens de publicidade, cursos de pilotagem, testes de fábricas, nevascas de inverno, reformas – clique aqui para acessar o calendário oficial da pista. O que você está procurando são dias abertos ao “Tourist Drives” (Touristenfahrten) – cuidado para não confundir com Track Days privados (exemplos: Trackdays.de, Schnelleschwaben). Track Days são eventos fechados, para os quais você precisa fazer uma inscrição com os organizadores, com valores que variam entre 450 e 750 Euros por dia – mais o seu carro, claro. Se você tem grana sobrando, é uma opção interessante: há muito menos carros na pista, o nível dos motoristas é melhor, fechamentos da pista por acidentes são raros e você dá mais voltas.

2) Quantos dias é o suficiente? É arriscado ficar apenas um ou dois dias. A janela para Tourist Drives durante a semana é muito curta (geralmente das 17:30 às 19:30 – o calendário sempre detalha os horários) e um acidente grave bem no começo da sessão pode encerrar as atividades naquele dia. Tempestades também não são incomuns. Tente ficar hospedado ao menos por três dias: com tempo sobrando, sua ansiedade diminui, você poderá dar mais voltas e construirá seu ritmo com mais calma – e poderá visitar sem tanta pressa as outras atrações do complexo de Nürburgring, como as lojinhas (confira nossa experiência com elas aqui), o museu de Nürburgring ou simplesmente passear por aí e topar com carros épicos.

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Geralmente a administração abre dois períodos ao ano para o chamado Green Hell Driving Days (fotos acima), que é quando a pista fica aberta das oito da manhã às sete da noite (!) para Tourist Drives, mas nestes dias há uma incidência maior de acidentes e um trânsito incalculável tanto na cidade quanto no autódromo. Embora você vá topar com mais de 1.000 carros que você só veria juntos no Gran Turismo, será quase impossível de se fazer uma volta limpa no circuito pelo mesmo motivo. Daí vai do que você considera como prioridade.

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3) Fechamento de inverno: a estação mais fria do ano começa em dezembro e vai até o fim de fevereiro na Alemanha. No inverno, o autódromo fica fechado, ocasionalmente usado para testes privados de fabricantes. A partir de novembro, portanto, você já estará arriscando. Eu fui no outono, entre o fim de setembro e o começo de outubro. A temperatura variava entre 5º C e 30º C – calor que me pegou de surpresa. Vá preparado para um pouco de tudo.

4) Passagens e visto: os aeroportos mais próximos de Nürburgring são os de Frankfurt (a 163 km), Dusseldorf (151 km) e de Colônia (81 km). Mas vôos do Brasil para Colônia ou Dusseldorf são raríssimos, portanto, use estes aeroportos somente se você estiver vindo de outro país da Europa. As passagens costumam sair por a partir de R$ 2 mil o trecho, mais cerca de 10% de tarifas. Dica: não deixe de usar cartões de crédito com pontos que podem ser trocados por passagens ou descontos e de se cadastrar em planos de fidelidade de companhias aéreas. Faz muita diferença e, se você está juntando pontos há alguns anos, as passagens podem até sair na faixa. Comprar adiantado também resulta em descontos: tente não deixar para em cima da hora – dois ou três meses de janela lhe economizarão algumas centenas de reais (ou mais).

Como em quase todo país da Europa, você recebe o visto na polícia federal deles. A não ser que você tenha algum histórico sinistro, a entrada é tranquila. Contudo, previna-se: leve na mochila tudo o que pode ajudar o agente a saber o que você irá fazer – reserva de hotel e de automóveis, guias de Nürburgring, etc.

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5) Hotel: a administração de Nürburgring oferece um guia bastante completo de hotéis na região do autódromo e nas cidades vizinhas. Os próximos a Nürburgring, como o Lindner Eifeldorf aí em cima, são geralmente mais caros: as diárias variam entre 70 e 140 euros nos quartos simples (os duplos acrescentam, em média, 30 euros). Nos vilarejos próximos ao circuito, o preço mínimo cai para até 45 euros o pernoite (o valor máximo varia de acordo com o luxo). Lembre-se de que você estará de carro e a pista só abre no fim do dia: não há necessidade de ficar tão em cima do autódromo assim.

Não esqueça de conferir quais hotéis incluem no valor o café da manhã, wi-fi e estacionamento – pagá-los separadamente pode deixar aquela oferta irresistível não tão saborosa quanto antes. Outro detalhe: os hotéis mais populares, como o pequeno e aconchegante Zur Burg, estão sempre com as vagas disputadas – procure fazer a sua reserva com, no mínimo, um mês e meio de antecedência.

Sobre os distritos ou vilarejos: a entrada tanto para o GP Strecke (autódromo moderno) quanto para o Nordschleife se dá em Nürburg. Meuspath está logo ao lado, Welcherath e Kirsbach estão três quilômetros ao sul. Döttingen e Herresbach estão entre 3 e 4 km ao leste. Ao norte temos Herschbroich (2 km) e Adenau (7 km), que é um pouco maior e mais movimentado que Nürburg.

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6) Alimentação: você fará suas refeições em Nürburg e em Adenau, que oferece mais opções em sua avenida principal Hauptstrasse (que inclusive corta Nürburg). Quase todos falam inglês, ainda que rudimentar. Fique atento aos horários: às 22:00 a maioria dos restaurantes já estará fechado, pois você está no coração do interior da Alemanha. Com entre 10 e 20 euros você se alimenta bem: carnes e massas, especialmente pizzas, são os pratos mais servidos por lá. Não deixe de conhecer o restaurante da família da Sabine Schmitz, o Pistenklause, que fica bem próximo ao castelo de Nürburg e a não mais do que 2 km do acesso ao Nordschleife. Para saber como se locomover por Nürburg, não perca o nosso vídeo com o tour pela cidade, no qual explico como chegar aos lugares.

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Pouco antes do centro de Adenau, você topará com o supermercado Rewe. Recomendo comprar muita água e alguns snacks para distrair o estômago enquanto você passeia pela cidade e, principalmente, pilota no inferno verde. A adrenalina deixará a boca bem seca. Apenas não se esqueça de deixar a garrafa fora do habitáculo (no porta-luvas ou no porta-malas) na hora de acelerar. No Rewe há um espaço especial para venda de souvenires oficiais, que também estão à venda nos postos de gasolina de Nürburg e Adenau. A foto abaixo é do blog Nur nicht aus Liebe weinen.

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7) Aluguel de carro: antes de falar de custos, precisamos dar um toque. Todas as empresas de rentals para uso civilizado, como Hertz, Avis, Europcar, etc, sabem muito bem que Nordschleife tem acesso aberto. No contrato de todas da região (e isso se estende até bem depois de Frankfurt), existe uma cláusula específica proibindo expressamente o uso em Nürburgring. Os riscos são grandes: alguns carros são rastreados por GPS, há olheiros durante os dias mais movimentados e há funcionários que checam as imagens divulgadas nos sites de fotógrafos.

Em resumo: você não só pode ser responsabilizado por custos como pneus, discos e pastilhas de freio, como pode ser banido para sempre destas empresas. Parece bobagem, mas lembre-se de que não são muitas as boas companhias de aluguel de carros no mundo – ser banido pode te complicar numa viagem futura. Tenho alguns amigos que já usaram rentals em Nürburgring e nada aconteceu, mas também conheço alguns banidos. Se você duvida disso, confira a carta presente no meio da página deste link do Bridge to Gantry.

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A forma mais responsável de curtir Nürburgring é você alugar um carro civil para se deslocar do aeroporto até Nürburg e, uma vez lá, alugar um carro preparado para acelerar no Nordschleife com as empresas específicas para isso, as famosas rent-a-racer, como a Rent4Ring aí em cima. Será vital fazer o agendamento antecipado, pois eles veículos são disputados  – veja mais no fim deste post.

Isso dito, o aluguel de um automóvel civil pode ser feito no próprio aeroporto. As diárias começam, em média, a partir dos 40 euros (compactos, como o VW Polo), podendo chegar aos 120 euros (carros luxosos, como o Mercedes-Benz Classe E), lembrando que o custo de tarifas adicionais (em torno de 25 euros) e do combustível não estão incluídos. Como a gasolina é cara na Europa, se você está querendo gastar um pouco menos alugue um veículo a diesel para se deslocar pelo país. Não esqueça de alugar também o GPS, oferecido por, em média, 10 euros e de pegar o seguro (a tarifa geralmente começa em 10 euros). Outra dica: imprima a rota que você irá fazer antes de viagem. Havendo qualquer falha do GPS, você poderá ao menos perguntar pelos nomes das estradas e avenidas.

8) Combustível: você chega a Nürburg pela estradinha B258 de Döttinger Höhe, que corre paralela ao enorme retão principal do Nordschleife. Lá também fica o famoso posto de gasolina ED, no qual todos os carros que aceleram em Nürburgring abastecem e calibram seus pneus. Em outubro de 2014 paguei 1,539 euros pelo litro da gasolina Super Plus, de 98 octanas – não esqueça de incluir o IOF de 6,38% na sua planilha. Sim, dá mais de cinco reais por litro.

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9) PID (Permissão Internacional para Dirigir): você deve andar com a sua carteira de motorista sempre acompanhada da PID, que você solicita ao Detran de seu estado e o recebe após cerca de duas semanas, ao valor médio de R$ 210. Por outro lado, em nenhuma das experiências internacionais que tive este documento foi reconhecido pelas autoridades locais. No momento do aluguel do rent-a-racer, apenas a carta de motorista é requerida. Portanto, fica ao seu critério.

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10) O trânsito na Alemanha: fora uma noção básica de como dirigir na Autobahn (na avaliação do Audi S3 Sedan demos uma boa pincelada no assunto), não espere por placas em inglês. “Ausfahrt” é que você mais irá ver nas rodovias e significa saída (para veículos, para pessoas o termo é “Ausgang”). Neste link você encontra as principais placas de trânsito que se diferem do Brasil. De forma geral, dirija de forma correta e respeitosa e você não terá problemas.

11) Cartão de crédito e euros em cash: confie no seu cartão, mas não 100%. Já tive situações ao reabastecer o automóvel (tarefa que você faz por conta própria), quando a operadora simplesmente não reconhecia o meu cartão. Tenha sempre um bom punhado de euros na carteira para evitar imprevistos (lembre-se de que isso pode acontecer no momento de alugar o carro no aeroporto!). Não esqueça de fazer o aviso de viagem internacional do seu cartão internacional em seu banco (geralmente é feito pelo site), ou o seu cartão poderá ser bloqueado sob suspeita de clonagem. E não se esqueça de conferir o limite para gastos e saques lá fora, e claro, do IOF de 6,38% que será cobrado em sua fatura (fora o valor ridículo que os bancos consideram na conta de moedas estrangeiras).

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12) Gastos extras quase inevitáveis: esqueça Nova York e Berlim. Você estará perdido no interior da Alemanha, meu caro. Ainda assim, há algumas atividades interessantes e que resultam em gastos de impulso. Há kart indoor, museu, cassino, lojas de souvenires (sim, é exatamente aqui que você torrará seu cartão), simuladores, um punhado razoável de bares e restaurantes e até uma ou outra balada – ainda que valha um aviso: elas estarão quase sempre fechadas, e só abrem durante a época de grandes eventos, como as 24 Horas de Nürburgring. Não conte com vida noturna agitada: com exceção da época de eventos, os dias são meio monótonos e depois das 23:00 tudo vira um deserto breu.

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O carro para acelerar no Nürburgring Nordschleife: rent-a-racer!

Hora da sobremesa! Abaixo temos a lista das principais empresas, exibidas em ordem de tamanho e com todos os carros que elas oferecem – os links levam diretamente à página do automóvel. Como padrão para preços, escolhemos o pacote de seis voltas (é chamado de “half day”) com combustível e tarifa das voltas no Nordschleife inclusos.

Nota: boa parte delas requer uma caução equivalente ao valor do seguro do veículo, que será descontado no caso de acidente. Este valor é proporcional, começando na casa dos 3.000 euros (Swift Sport), podendo chegar a 15.000 euros (BMW M3 E92 ou Porsche Cayman S) ou mais. É bom conferir isso caso a caso.

Importante: os carros e preços listados se referem à época de publicação desta matéria (fevereiro de 2015). Sempre faça uma checagem dupla com a empresa – até para conferir se não há novidades na garagem!

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Rent Race Car: Suzuki Swift Sport (449 euros), Renault Clio RS200 (549 euros), VW Scirocco Cup (649 euros), Toyota GT 86 (669 euros), VW Golf GTI 7 Performance (749 euros), BMW Z4 3.0 Si Coupé (749 euros), Renault Mégane RS 265 Cup (779 euros), Porsche Cayman S 981 (1.099 euros). Clique aqui para acessar o site.

RSR Nurburg: Renault Sport Twingo RS (399 euros), Renault Sport Clio Cup (499 euros), Renault Clio RS 200 Paddleshift (595 euros), Toyota GT86 (699 euros), BMW M3 E46 (849 euros, mão inglesa), VW Scirocco (749 euros), Renault Sport Mégane R26.R (799 euros, mão inglesa), Renault Mégane RS 265 (799 euros), BMW M135i F21 (899 euros), Lotus Exige 240S (999 euros), BMW M3 E92 V8 (1.099 euros), Lotus Exige S V6 (1.649 euros), Porsche Cayman S (1.649 euros), Porsche GT3 991 PDK (2.499 euros), Nissan GT-R (2.499 euros), McLaren MP4-12C (2.995 euros). Clique aqui para acessar o site.

Rent4Ring: Suzuki Swift Sport Stage 2 (479 euros), BMW 125i Stage 2 (749 euros – é o carro que eu aluguei, da foto aí em cima. Leia sobre minha experiência com ele aqui). Clique aqui para acessar o site.

NeedForRing: Ford SportKa “ST 120” (349 euros), Ford Focus “ST 170” (549 euros), BMW 318 Ti E36 (449 euros), BMW 325i E36 (549 euros), Nissan 350Z (719 euros). Todos os carros você vê juntos neste link.

Ring Speed Motorsport: esta empresa mostra no site apenas os preços sem combustível e sem tarifas das voltas (espere por um acréscimo de entre 250 e 300 euros na conta final). Muitos carros de perfil entusiasta aqui. Ford Puma 1.7 VCT 16V (239 euros), Ford Fiesta ST 150 (259 euros), BMW 330Ci E46 Stage 1 (399 euros), BMW 330Ci E46 Stage 2 (449 euros), Nissan 350Z Coupé (499 euros), BMW M3 E36 Race Car (549 euros), BMW M3 E46 (649 euros), Renault Megane II RS. Todos os carros você vê juntos neste link.

Se você falar com alguma destas empresas, ajude a gente a ficar conhecido por aquelas bandas – diga que você viu no FlatOut!

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Outra opção são os famosos taxi rides, voltas voadoras feitas por pilotos contratados. Em teoria parece algo chato, mas quando você anda com um profissional ao seu lado, a coisa fica eletrizante. Algumas das empresas acima oferecem este pacote, mas o mais famoso é o BMW Ring-Taxi, Por 225 euros (e até três passageiros a bordo, que podem rachar esta conta!), você vai de carona em um BMW M5 conduzido por um dos pilotos da fábrica (infelizmente, a bela Sabine Schmitz não faz mais esta função). O Ring-Taxi é extremamente disputado – recomendamos que você o agende tão logo comprar as passagens.

 

Quanto custa a volta em Nürburgring? Dá pra pilotar no GP Strecke (circuito moderno)?

Se você está indo com o seu próprio carro ou decidiu alugar um rent-a-racer dispensando os pacotes de combustível e voltas, terá de pagar por cada volta que você dá no Nordschleife. Os preços são os seguintes: uma volta por 27 euros, pacote de 4 voltas por 100 euros, pacote de 9 voltas por 209 euros, pacote de 25 voltas por 518 euros. Os valores são do fim de 2014.

Em algumas ocasiões, o circuito moderno (GP Strecke) também está aberto a Tourist Drives. Você usa os mesmos tickets para andar no novo Nürburgring, com a equivalência de uma volta no circuito antigo valer um turno de 15 minutos no GP Strecke.

 

Total de gastos

Digamos que você fará uma viagem para ficar três dias em Nürburgring sem esbanjar, mas sem se impedir a todo momento. Temos aí: passagens (~R$ 4.500), PID (~R$ 210), hotel (~250 euros pelas três diárias), alimentação (estimamos em 200 euros pelos três dias), aluguel do carro mais combustível (algo em torno de 350 euros), uns 250 euros em bares, souvenires e afins, 450 euros pelo pacote “all included” de seis voltas com o Swift Sport e 699 euros por mais um pacote de seis voltas, desta vez com o Toyota GT86.

No total, temos R$ 4.710 em reais mais 2.200 euros. Considerando o Euro a R$ 3,30 (lembre-se de que o banco esfola uma cotação astronômica nas faturas) mais os 6,38% de IOF, temos um gasto total de uns R$ 12.500. Sim, é uma viagem extremamente salgada: só de rent-a-racers, temos R$ 4.033 – um terço do total!

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Por outro lado, não considere este valor como a verdade absoluta para uma trip de três dias para Nürburgring. Você pode ficar na casa de um amigo em uma cidade vizinha (Colônia é uma cidade bem mais agitada e que fica a pouco mais de uma hora de lá – boa sugestão do leitor Marco), alugar um quarto de moradores (sugestão de Andwolf – clique neste link e confira!), gastar menos com alimentação usando mais produtos de supermercado, economizar combustível na viagem andando de forma tranquila na estrada e voltar feliz com apenas uma camiseta ou um chaveiro de Nürburgring. Ou rodar menos de seis voltas por carro. Isso sem falar na melhor possibilidade: emendar uma puxadinha para Nürburgring em uma viagem que passe pela região. Apertando o cinto, dá pra fazer essa conta despencar bonito.

Para encerrar, não posso deixar de pedir a ajuda da comunidade dos leitores: quem já foi para Nürburgring Nordschleife e quiser complementar com avaliações de hotéis, restaurantes, bares ou qualquer outro tipo de dica, seja muito bem vindo. Afinal, este post e seus comentários serão fonte de consulta para muita gente hoje e no futuro. Se você é um deles, salve esta página nos seus links favoritos!

 

Leituras adicionais

Site oficial de Nürburgring

Bridge to Gantry

Nürburgring for Dummies

Nürburgring.org.uk