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O Alfa Romeo 155 Super de Delfino | FlatOut Classics


O quadro FlatOut Classics se dedica ao antigomobilismo e aos neocolecionáveis (youngtimers) estrangeiros e nacionais, dos anos 20 ao começo dos anos 2000. Carros originais ou preparados ao estilo da época.
São matérias especiais, feitas para serem saboreadas como as das clássicas revistas que amamos.
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O sonho do Alfa 155

Dizem que todo entusiasta precisa ter ao menos um Alfa Romeo em algum momento de sua vida. Não uma Ferrari, nem um Porsche, mas um Alfa Romeo. Pudera: em toda a sua história a Alfa Romeo foi pioneira em tecnologias, foi dominante nas pistas, criou esportivos lendários e foi a precursora do sedã esportivo — algo que a BMW passou 40 anos tentando convencer o mundo que foi ideia dela. Tudo isso embalado em algumas das carrocerias mais sensuais já vistas sobre automóveis.

Delfino Mattos descobriu tudo isso por conta própria, enquanto pesquisava a história da Ferrari, depois de conhecer a F50 e a F355. Com a descoberta veio o fascínio, do fascínio veio a paixão. E a paixão o colocou em um encontro do Alfa Romeo Clube de Londrina. Ali, ele fora apresentado aos modelos da marca, às características de cada um, aos detalhes dos modelos. Saiu do encontro decidido a comprar seu Alfa Romeo. Mas… qual?

Depois de descartar os modelos V6 devido à manutenção e, principalmente, ao consumo. Delfino voltou sua atenção aos quatro-cilindros. O 156 era impressionante, mas caro. O 145 era interessante, mas ele já tinha um hatch de duas portas na garagem. Decidiu dar tempo ao tempo.

E esse tempo o levou a outras reuniões do Alfa Romeo Clube de Londrina, onde ele acabou encontrando sua musa. Era um Alfa Romeo 155 Super, vermelho, usado por seu proprietário, um senhorzinho italiano, para ir às missas. O carro entrou no radar dos alfisti dois anos antes, mas o italiano recusava-se a vender. Foi justamente quando Delfino estava procurando seu 155 que o homem mudou de ideia.

 

O Alfa Romeo 155

Em janeiro de 1992 a Alfa Romeo apresentava ao público o sucessor do 75, o último dos seus sedãs feitos à moda antiga, com transeixo traseiro. O carro havia sido um grande sucesso, com pouco mais de 380.000 exemplares produzidos em seus sete anos de mercado. Mas as coisas haviam mudado um pouco na Alfa Romeo desde o lançamento do 75, em 1986. Naquele mesmo ano, a Fiat completou a aquisição da marca e, aos poucos, passou a desenvolver os novos modelos da Alfa baseados em plataformas compartilhadas com os modelos Fiat e Lancia, outra marca que havia sido comprada pela Fiat nos anos 1980.

Por essa razão o 155 abandonou o layout mecânico tradicional da Alfa Romeo, passando a adotar motor transversal e tração dianteira como os modelos da Fiat — ou integral, no caso da versão Q4, que compartilhava o sistema com o Lancia Delta, seu irmão de plataforma.

Apesar da mudança radical do 75 para o 155, a Alfa Romeo conquistou o público com um design elegante e ousado, desenvolvido pelo Instituto I.DE.A. As linhas e vincos retos eram ousados e sóbrios ao mesmo tempo, e também permitiram um excelente aproveitamento de espaço interno, especialmente no porta-malas, que tem 525 litros. A dianteira baixa e esguia e o para-brisa reclinado ajudou a obter 0,29 de coeficiente aerodinâmico, um número excelente para a época.

Ao Brasil o 155 chegou já após o facelift de 1995, também conhecido como “widebody” devido aos para-lamas mais salientes. Todos vieram com motores Twin Spark 16V e câmbio manual de cinco marchas nas versões Elegant e Super. O Super tinha uma inspiração mais esportiva, diferentemente do Elegant — suas rodas, apêndices aerodinâmicos e acabamentos da cabine eram iguais aos do 155 Q4 da segunda série europeia. Tinha também discos de freio maiores, menor altura do solo e relações do câmbio ligeiramente encurtadas.

Seu tempo no Brasil, contudo, foi curto. Os primeiros chegaram em 1995 e, em 1999, o modelo já foi substituído pelo 156, mais moderno e, segundo alguns, melhor resolvido em termos de design.

 

A conquista da “guria”

Depois de conversar bastante com o proprietário, Delfino foi ao primeiro encontro com o carro. De cara, percebeu que era bem mantido e tinha manutenção adequado. No primeiro espaço aberto em meio ao trânsito, o pedal no fundo, as rotações no alto emitiram o canto de sereia dos Alfa Romeo. Delfino descobriu que precisava daquele carro. Na volta, combinaram um preço. Delfino precisaria vender seu carro, levantar o restante, mas deixou a negociação encaminhada.

Para sua sorte, logo após o test drive, Delfino foi convocado em um concurso público que lhe daria uma melhor provisão financeira, além de dispensar o uso do carro para ir ao trabalho. As coisas começavam a conspirar a favor. No II Encontro Nacional de Alfa Romeo, realizado na mesma época, Delfino foi definitivamente contagiado pela marca e decidiu que compraria o 155 Super do italiano mesmo sem ter vendido seu carro.

Entrou em contato com o italiano e… descobriu que o carro não estava mais à venda. Diante da decepção, Delfino não desistiu e deixou seu número de telefone com o homem, caso ele mudasse de ideia nos dias seguintes. Nada.

“Na época fiquei até aliviado, porque eu poderia me estabilizar no novo emprego e continuar a busca com calma”, explica. Mais alguns dias passados, contudo, o italiano telefona: o carro está a venda novamente.

Desta vez a negociação correu melhor e, com um pequeno “paitrocínio”, Delfino arrematou o carro. Como se não bastasse a maré de sorte, ele ainda conseguiu vender o carro e recebeu uma boa quantia na rescisão contratual do antigo emprego. Delfino finalmente tinha seu desejado Alfa Romeo 155 Super, Rosso Alfa, 1996/1997, equipada com os opcionais do Grupo III, que incluem ar-condicionado automático, lavadores de faróis, alarme, airbag para o motorista, teto solar e faróis de neblina. O antigo dono colocou revestimento em couro nos bancos e uma disqueteira Alpine para 6 CD. Na época, o carro estava com pouco mais de 109.000 quilômetros rodados, com alguns detalhes a fazer, mas muito acima da média de conservação para um carro dessa idade. “Naquele dia, 6 de agosto de 2013, ela passou a ser minha “Guria”, conta.

 

A vida com o Alfa 155

Depois de realizar o sonho, Delfino tratou de tomar atitudes para evitar que ele se tornasse um pesadelo. A primeira providência após a compra foi dar ao carro uma boa lavagem e enceramento para verificar o real estado de conservação da carroceria e da pintura. “Pude constatar que a pintura estava muito boa, com poucos riscos e pequenos amassados — ainda mais pela idade da macchina”, explica. Por dentro, Delfino fez hidratação do couro dos bancos e aspirou o carpete, pois tudo estava com aspecto de novo. Na parte mecânica bastou fazer a troca de fluidos, filtros, correias, tensores e da válvula termostática, e começar a aproveitar o carro.

Uma característica que me agrada é que, entre 2.000 e 3.000 rpm, o carro é relativamente silencioso e esperto, adequado ao trânsito urbano. Entre 3.000 e 4.000 rpm, o som do motor se torna mais presente e é bastante agradável, sendo a faixa ideal para usar na estrada. Não posso reclamar do consumo, andando civilizadamente e com o ar-condicionado ligado, ele faz uma média de 8 km/l”, explica Delfino

Acima das 4.000 rpm o passado esportivo da marca é evocado. O som do Cuore invade a cabine e o carro ganha velocidade rapidamente. O comportamento fica mais arisco e qualquer pisada no acelerador é prontamente respondida. Na estrada, é possível manter uma velocidade de 140 km/h com tranquilidade”, completa.

 

A viagem inaugural

Depois de fazer os pequenos reparos e manutenções e submeter o carro a um polimento para devolver à pintura a vida que ela ganhou em 1996, Delfino planejou uma road trip de 900 km até o Alfa Romeo Brasil 2015, em Caxambu/MG.

Foram 11 horas de viagem até o Parque da Águas, onde seria realizada a exposição. “Ao ver dezenas de Alfa Romeo estacionadas e as pessoas acenando tive a sensação de missão cumprida”, disse Delfino.

Estavam expostos mais de setenta veículos, que mostravam boa parte dos últimos 60 anos de evolução da centenária marca milanesa. Os destaques estavam nas pontas, com os belos carros e caminhões produzidos sob licença pela Fábrica Nacional de Motores (Fenemê) nas décadas de 1950 e 1960 e os recentes 159, Giulietta e Mito, que não foram vendidos no país, mas foram cedidos para a exposição pela Fiat.

Além desses, havia uma infinidade de 2300, 145, 155, 156, 164 e 166 todos muito bem conservados e que vieram rodando para o encontro. Também estiveram presentes alguns dos modelos mais icônicos da marca, como as GTV, Spider e um sedan Giulia Super de 1974, que veio rodando desde Salvador, a mais de 1800 km de distância.

Mas a melhor parte foi conhecer as pessoas e colocar em dia a conversa que durante o ano acontece por meios virtuais. Algo que sempre me encantou nesse grupo é o sentimento de amizade, que transforma estranhos em amigos de longa data em poucos minutos.”

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