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Car Culture

O Guia FlatOuter do som automotivo – tudo o que você precisa saber


Depois que os carrinhos perderam a graça o passo seguinte foi o início do envolvimento real com os carros reais. Logo ali, durante a adolescência, a reunião da molecada para lavar os carros dos pais (e tentar uma volta no quarteirão “para secar”) foi a iniciação no mundo dos carros de verdade.

Mas havia uma outra forma de curtir a realidade dos carros dos nossos pais – ao menos do meu pai: o som automotivo. Ele tinha acabado de comprar um Escort novinho e, por acaso, um cliente era proprietário de uma instaladora de som automotivo, que fez uns preços bacanas para ele. Não era nada de outro mundo, mas era um negócio que dava gosto de ouvir. O conjunto consistia de um CD player Pioneer DEH-436, ligado em um par de alto falantes coaxiais da Bravox na preparação original das portas, e um par de coaxiais Pioneer 6946 no tampão. Era tudo o que eu precisava para juntar as duas coisas que eu mais gostava: carros e música.

O ritual era o mesmo dos audiófilos, mas em vez de uma sala de estar, o ambiente era o habitáculo do Escort. Em vez de um sistema de áudio hi-fi, havia o sistema de áudio do carro, com sua acústica própria. Ao volante do carro, entre a leitura dos encartes e fantasias sobre dirigir um Escort RS Cosworth (ainda que fosse apenas um Escort GL 1996), as horas e as músicas passavam de uma forma divertida para o Leo de 13 anos.

Foi assim que comecei a me interessar por som automotivo. Em pouco tempo, apesar da escassez de informação daquele tempo de internet limitada, eu sabia tudo o que um garoto de 13 anos precisava saber sobre alto-falantes, módulos de potência, disqueteiras, crossovers, equalizadores e subwoofers. Meu negócio sempre foi alta fidelidade. Gostava do som bem definido para dentro do carro.

A febre durou pouco. Como os carrinhos, aquela brincadeira de curtir o carro parado como uma sala de música logo perdeu a graça. O conhecimento, contudo, esse a gente nunca perde. Mesmo depois de quase 25 anos, voltei a procurar itens de som automotivo e descobri que muita coisa mudou, mas os conceitos básicos permanecem. E atendendo a um pedido frequente dos leitores, decidi fazer um guia básico para quem quiser montar um projeto legal para curtir a trilha sonora com boa qualidade de áudio.

A primeira coisa que você precisa saber são os conceitos básicos de um sistema de áudio — sabendo isso, você poderá a escolher os componentes mais adequados para a finalidade que você deseja.

 

O sistema

Mesmo o mais simples dos sistemas de áudio de um carro é formado por um emissor de sinal de áudio, um amplificador deste sinal, e um conversor que irá transformar o sinal de áudio em ondas sonoras. O emissor de sinal de áudio é o rádio do carro, o amplificador deste sinal é o amplificador ou módulo de potência, e o conversor que transforma o sinal em ondas sonoras é o alto-falante. O mais básico dos sistemas, portanto, é um rádio com amplificador integrado e um par de alto-falantes.

Só que isso é apenas o começo. Cada elemento do sistema tem particularidades que você precisa conhecer e levar em consideração na hora da compra e montagem.

 

A unidade central

É o rádio do carro, propriamente dito. É quem emite os sinais de áudio que serão transformados em ondas sonoras pelos alto-falantes e, por isso, é chamado de “central”. Como é ela que emite o sinal, ela é a parte mais importante do sistema — se o sinal tiver baixa qualidade em sua fonte, ele será amplificado com baixa qualidade e será convertido em ondas sonoras de baixa qualidade.

Por isso, você deve resistir à tentação de economizar uns trocados com o rádio para torrar com alto-falantes mais potentes. E aqui deixo uma sugestão pessoal: escolha marcas de renome no mercado de áudio e atente para os projetos globais destas marcas. Normalmente os projetos produzidos para o mercado brasileiro são modelos de baixo custo, que podem ter qualidade inferior.

Além das funcionalidades desejadas na central (conectividade, tipo de mídia etc), você precisa levar em consideração a potência do amplificador integrado. Esta informação é exibida na forma de canais x potência. A maioria das centrais têm quatro canais com entre 20W e 35W, dependendo do modelo. O que isso significa? Que você pode ligar quatro alto-falantes com aquela potência especificada pelo manual do rádio. Se for um rádio com potência 4×25, você pode ligar até quatro alto-falantes de 25 Watts. Se for um rádio 4×30, pode usar alto-falantes mais potentes, de 30 Watts.

Outro aspecto técnico que você deve levar em consideração é se o rádio tem saída para subwoofer. Como o nome sugere, trata-se de uma saída dedicada às frequências graves. Esta saída, porém, normalmente não é amplificada, então você precisa de um amplificador externo (ou módulo de potência, como também é chamado).

Por último, você precisa estar atento às dimensões do slot de rádio do painel. A maioria dos carros dos anos 1980, 1990 e 2000, usa um padrão criado pelo Instituto Alemão para Normatização (Deutsches Institut für Normung, ou DIN). Quando o slot é simples, ele é chamado 1 DIN ou simplesmente DIN; quando é duplo, ele é chamado de 2 DIN ou “double DIN”.

Alguns modelos, contudo, usam um padrão próprio da marca, exigindo adaptadores. A Ford, por exemplo, usou rádios mais baixos que o padrão DIN duplo, porém mais altos que o padrão DIN. A Volvo e a Mercedes também usavam rádios com altura superior ao DIN duplo. Hoje a maioria dos modelos novos têm um padrão próprio de encaixe no painel, exigindo adaptadores específicos. Eles são mais caros, mas a adaptação fica com o mesmo aspecto de um sistema original.

 

Alto-falantes

Aqui é onde você pode se perder de vez. Há opções de diversas potências, para todas as frequências, de todos os tamanhos e formas (sim, existem alto-falantes quadrados e ovais). Por isso, a primeira coisa a se levar em consideração é onde você pretende instalar os alto-falantes. Se quiser usar o mesmo suporte original do carro, é preciso procurar as dimensões exatas dos alto-falantes originais. Se quiser fazer suportes sob medida, bem… o bolso e o espaço do carro são os limites.

Depois, você precisa conhecer os tipos de alto falantes, que são classificados pelas frequências que são capazes de reproduzir:

  • Tweeter é o alto-falante destinado à reprodução das frequências agudas, no espectro de 2 kHz a 20 kHz;
  • Midrange (ou médio) é o alto-falante destinado às frequências médias, no espectro de 500 Hz a 2 kHz;
  • Midbass é o alto-falante destinado apenas às frequências médio-graves, no espectro de 200 Hz a 500 Hz;
  • Woofer é o alto-falante para frequências graves, de 50 Hz a 5 kHz;
  • Subwoofer é o alto falante para as frequências subgraves, de 20 Hz a 200 Hz;
  • Fullrange é o alto falante capaz de reproduzir um amplo espectro de frequências, normalmente entre 60 Hz e 15 kHz. Ele é geralmente usado em projetos com pouco espaço para alto-falantes ou de baixo custo.

Além da classificação pelos espectros de frequência, os alto-falantes também podem ser classificados por sua configuração física:

  • Driver é o alto falante simples, com um único cone e bobina, ou com um pequeno cone auxiliar junto à calota da bobina, para realçar frequências agudas;

  • Kit duas-vias é um conjunto de dois alto falantes de frequências diferentes e um divisor de frequências (acima). Por exemplo: um midrange e um tweeter. Se há três alto-falantes, evidentemente, o nome muda para “kit três-vias”;

  • Coaxial (acima) é um alto-falante duplo, com um conjunto de cone, bobina e magneto para uma frequência, e um segundo alto-falante com outro conjunto de cone, bobina e magneto instalado na mesma estrutura. Geralmente trata-se de um fullrange ou midbass combinado a um tweeter. Quando há três alto-falantes combinados (midbass + midrange + tweeter, por exemplo), ele é chamado “triaxial”. Quando há quatro alto falantes, ele se torna “quadraxial”.

Potência e impedância dos alto-falantes

Dito isso, na hora de escolher os alto-falantes, você terá que se atentar a dois fatores: a impedância e a potência deles — que é o fator crucial depois da finalidade do falante em termos de reprodução de frequências.

A impedância é basicamente a “resistência” do alto-falante — em resumo, é a “oposição” que o alto-falante tem ao sinal de áudio emitido pelo rádio/amplificador. Ela é medida em ohms (Ω) precisa ser a mesma da saída do rádio: se o rádio tem saídas de 4Ω (ohms), os alto falantes precisam ter 4Ω. É possível combinar alto falantes para obter a impedância desejada: por exemplo, você pode ligar dois alto falantes de 2Ω em série para obter 4Ω, mas isso é um papo mais avançado. Por enquanto, concentre-se em encontrar alto-falantes de impedância correta.

Quanto à potência, aqui há uma pegadinha clássica: a potência PMPO. Ela é uma potência de referência, criada sem nenhuma base técnica e utilizada unicamente como ferramenta de marketing. Sua sigla, em si, já é vazia de significado concreto: Peak Music Power Output — algo como “potência musical máxima de saída”. Este número deve ser sumariamente ignorado na hora de comprar alto-falantes.

Se você quer uma referência real de potência, procure pela potência RMS. É esse o padrão da indústria, que mede a potência contínua de um dispositivo sonoro. As saídas amplificadas do rádio do carro são baseadas nesta medida. Portanto, se o seu rádio tem saídas 4×25, você deverá usar um alto-falante de, no mínimo, 25 Watts — a potência do alto-falante pode ser maior que a do rádio, mas nunca menor que ela, e muitos técnicos recomendam sempre o uso de alto-falantes mais potentes.

Agora, se você quiser alto-falantes muito mais potentes que as saídas do rádio/central, terá que usar para um amplificador externo ou módulo de potência.

 

O módulo de potência

Aqui o negócio começa a ficar sério. Se você quer mais qualidade de áudio, precisa de mais potência para reduzir a produção de distorção harmônica. Para isso, você precisará de alto-falantes mais potentes e de um amplificador da potência do rádio. De forma resumida, estes amplificadores usam a energia da bateria do carro para amplificar o sinal de áudio emitido pelo rádio. Os amplificadores também são necessários para a instalação de subwoofers, mesmo que sua central tenha saída para subwoofer.

O quanto eles irão amplificar depende do projeto do próprio amplificador, que pode variar de 50 watts a 5.000 watts ou mais — quanto mais potente, maior será o consumo de energia, tenha isso em mente. Na hora de escolher a potência, você precisa verificar os valores de potência nominal em RMS e a 12,6V, que é a tensão regular da bateria do carro.

Aqui você também precisa ficar de olho na faixa de frequências que o amplificador consegue amplificar, na quantidade de canais disponíveis e na impedância de saída. Veja também o tipo de tecnologia usada pelo amplificador, se é digital ou analógica. Os amplificadores digitais são mais baratos e podem ter um consumo de energia até 40% menor quando amplificam subgraves, porém têm um espectro de frequências menor, geralmente limitados a 500 Hz.

 

Crossovers e filtros

Um item pouco lembrado nos sistemas de áudio são os crossovers e filtros “passa baixa” (LPF) e “passa alta” (HPF). Os crossovers são aparelhos capazes de separar e filtrar as frequências para que o alto-falante não receba frequências que não é capaz de reproduzir ou que sejam indesejadas para ele. Esta separação é feita por meio de filtros de frequência, os já citados LPF e HPF — o primeiro filtra as frequências agudas e permite a passagem das graves (por isso “passa baixa”), e o segundo filtra as frequências graves, permitindo a passagem das frequências agudas (por isso “passa alta”).

Alguns rádios/centrais, contudo, têm este recurso integrado em seu sistema operacional, o que dispensa o uso de crossovers e filtros físicos na instalação.

 

As caixas para subwoofers

Se você decidir instalar um subwoofer em seu carro, terá de fazer uma caixa especial para ele. A maioria das instaladoras produz caixas de fibra e MDF ou compensado modeladas de acordo com as formas do porta-malas, para otimizar a ocupação de espaço. Contudo, você pode usar uma caixa simples, de formato poliedral.

Independentemente do formato, elas são classificadas de acordo com sua ventilação:

  • Caixa dutada ou ventilada, é a caixa que tem uma passagem para o ar movimentado na parte posterior do alto-falante, dentro da caixa. Com este tipo de caixa, os sons graves soam mais suaves e prolongados;
  • Caixa selada é uma caixa sem ventilação, na qual o ar contido dentro da caixa cria resistência ao movimento do alto-falante. Com este tipo de caixa, o grave tem uma batida mais intensa e seca, porém curta;
  • Band pass é um tipo de caixa na qual o subwoofer é instalado internamente, com sua face voltada para uma câmara dutada. Com este tipo de caixa, se tem um som grave mais intenso e, ao mesmo tempo, prolongado e envolvente;

  • Slim é um tipo de caixa de menor volume, usada com subwoofers de cone raso ou plano, que visam ocupar menos espaço na instalação.

 

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