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O que acontece com seu carro quando você passa por um buraco na pista

Todo motorista em algum momento de sua vida a bordo de um carro conheceu o “som da destruição”, aquele barulho seco, alto e desesperador que invade o carro e parte o coração quando atingimos um buraco enorme na pista. Ao ouvi-lo você tem a certeza de que seu querido carro tão bem cuidado foi transformado em uma carroça imprestável instantaneamente.

Às vezes a dor encerra quando você para o carro e constata que nada sério aconteceu. Em outras, a dor é seguida dos sentimentos mais primitivos que você poderia ter. Sorte dos governantes que eles nunca estão por perto quando isso acontece.

Mas… o que acontece com seu carro quando você atropela um pobre buraco abandonado no meio da pista?

Pensando com os ouvidos, a impressão é de que você acabou de destruir todos os componentes mecânicos e, por sorte, o painel não caiu no seu colo. Mas quando você pensa com o órgão certo, logo percebe que felizmente não foi bem assim. A não ser que você seja da família Duke, de Hazzard.

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Quando você acerta um buraco em cheio, a pancada não acontece exatamente quando a roda cai no buraco, mas quando ela sai dele, batendo na borda. Primeiro, porque a roda sofre um impacto horizontal e o movimento horizontal da suspensão é quase nulo se comparado com o movimento vertical. Não há amortecimento e o impacto é dissipado para a suspensão e para a carroceria, causando o temido barulho.

Outra causa do som da destruição acontece quando a suspensão distende devido ao desnível da pista, a carroceria tende a acompanhar esse movimento. Sabe aquela sensação de frio na barriga quando você começa a descer um viaduto, depara com uma descida brusca ou com uma longa depressão? Ela é causada por esse efeito: a roda “cai” primeiro, o carro “cai” depois.

Mas quando você atinge um buraco curto e profundo, enquanto a carroceria está acompanhando a queda da roda, a suspensão já está sendo comprimida pelo impacto com a borda da saída do buraco, então você tem um choque de duas forças: uma força vertical descendente (da carroceria sendo puxada pela gravidade) e uma força vertical ascendente (a roda sendo levantada pelo impacto com a borda do buraco). Com isso as forças contrárias são somadas para se oporem à força da mola, a suspensão chega ao fim do curso, tocando os batentes e até componentes estruturais do carro. Como os batentes estão afixados à estrutura do carro, o impacto se dissipa por ela, resultando no som da destruição.

Em impactos mais severos, como visto a partir dos 7 minutos do vídeo acima, as rodas podem tocar a estrutura do cofre/caixas de roda

Os pneus também influenciam nessa sinfonia maldita: sua estrutura pode sofrer deformações elásticas em condições normais de uso, porém quando o carro impacta um obstáculo fixo e rígido, a força resultante também é maior. Isso faz com que eles sejam comprimidos no ponto de impacto e transferem a força para a roda — podendo quebrá-la ou amassá-la – e para a suspensão, uma vez que há uma ligação mecânica rígida entre ela e o cubo de roda.

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Essa compressão do pneu também aumenta momentaneamente a pressão do ar, o que pode levar ao estouro ou a um vazamento brusco pela dobra do talão no ponto de impacto. Não apenas isso: mesmo que o pneu escape aparentemente intacto da pancada, ainda é possível que tenha ocorrido algum dano às suas cintas e estruturas internas, como a separação das camadas das paredes do pneu, o que resulta nas temidas bolhas.

A difusão dos impactos também pode afetar os pivôs da suspensão, causando folgas ou sua quebra. Um pivô quebrado ou com folga faz a direção ficar instável e o carro “puxa” para um dos lados. As buchas de bandejas e bieletas também podem se deformar ou romper, causando ruídos e instabilidade na direção.

Também é possível que ocorra a deformação das bandejas e braços da suspensão e do amortecedor. Nesse caso, os danos podem até comprometer a rodagem do carro ou o alinhamento correto da suspensão. Em impactos mais fortes é possível afetar os pontos de fixação da suspensão, como as torres dos amortecedores dianteiros, e uma compressão severa da suspensão também pode fazer o fundo do carro tocar o chão — especialmente em carros rebaixados —, danificando desde para-choques e saias ao cárter e componentes do sistema de escape.

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