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O que um alemão pensaria do trânsito americano (e brasileiro)? 

Você pode não gostar dos carros alemães, mas não pode negar que eles desenvolvem e fabricam alguns dos melhores carros do planeta. A única razão para construir carros tão bons é poder desfrutar de todo o seu potencial, e para isso você também precisa de algumas das melhores estradas do planeta, as autobahnen, e também de um comportamento exemplar de seus motoristas. Só assim você pode se dar o luxo de abolir o limite de velocidade em alguns trechos ideais sem promover uma carnificina motorizada. Apesar de ser o país mais populoso da Europa com 82 milhões de habitantes — e de receber milhares de turistas interessados em dirigir legalmente a 250 km/h — o número de mortes no trânsito alemão é pouco superior a 3.000 por ano.

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Surpreendentemente não é preciso nada muito além de algumas regras e o cumprimento à risca. Nós já falamos sobre elas anteriormente em um post, mas elas se resumem a sinalizar manobras, manter-se à direita quando não estiver ultrapassando, não parar no acostamento, ultrapassar apenas pela esquerda e não forçar passagem. São regras básicas, prezadas pela legislação de trânsito da maioria dos países, mas nem sempre colocadas em prática pelos motoristas em seus países, ainda que admiradas pelos turistas que dirigem na Alemanha.

E isso causa uma situação curiosa: se nós ficamos impressionados com o rigor dos alemães no trânsito, como um motorista rigoroso como os alemães enxerga o trânsito americano? O pessoal do UNILAD Tech respondeu com este vídeo onde um “alemão” pega seu Audi S “Acht” (S8) e dirige pelos EUA contando suas impressões do ponto de vista germânico. A premissa inicial do vídeo é justamente a situação que mencionamos: “Vi muitos vídeos falando sobre como dirigir na Autobahn. Agora vou fazer um vídeo sobre como dirigir na América”, diz o “alemão”.

Obviamente trata-se de um vídeo cômico, mas a comédia precisa de fatos para funcionar. Além disso, muito se aplica às nossas rodovias e ao comportamento brasileiro. Como o vídeo está legendado em inglês, vamos comentar os trechos traduzindo-os aqui.

Logo de cara, ele declara: “as regras aqui são um pouco diferentes da Alemanha. Na Alemanha [em um cruzamento], o carro da direita tem a preferência. Nos EUA o carro maior tem a preferência”. No Brasil também é um pouco diferente. Por aqui o motorista mais esperto (e mais irresponsável) tem a preferência, embora com o advento dos SUV essa tendência esteja mudando lentamente, geralmente americanizando a regra brasileira: o carro maior com o motorista mais esperto tem a preferência. Depois das motos, claro. “É por isso que tanta gente morre no trânsito aqui. Na Alemanha são apenas 3.000 por ano. Nos EUA, 43.000”. E no Brasil 50.000.

“Na rodovia a história é completamente diferente. […] Acho que a principal razão para tantas mortes está nas rodovias. Eles ultrapassam pela esquerda, pela direita, as pessoas não dirigem na direita. Eu sou praticamente o único na direita, todo mundo está na faixa rápida, na esquerda. Não faz sentido!”. Bem… talvez tenha a ver com a colonização britânica dos EUA. Curiosamente o comportamento se repete no Brasil. Deve ser a influência americana em nossa cultura. Rock and Roll, Nascar, Todo Mundo Odeia o Chris, As Branquelas e dirigir pela esquerda.

“O limite de velocidade também é confuso. O limite é 55 (88 km/h), mas estou a 57 (92 km/h) e as pessoas à minha frente estão mais lentas e as que vêm de trás estão a 80 (128 km/h).” Ah sim, outro traço cultural da América: dirigir muito abaixo dos limites. Apesar do alívio cômico, trata-se de uma reprodução fiel do ponto de vista de um alemão sobre os limites de velocidade. Se uma rodovia tem postada a velocidade de 100 km/h, você dirige perto dessa velocidade. Não muito acima (130), nem muito abaixo (80). Falando sério aqui, é esta noção de que o limite de velocidade dos alemães é que traz a segurança das autobahnen: os limites têm a ver com a velocidade operacional e quanto mais perto dela (e não meramente abaixo dela), mais seguro você estará (leia mais aqui).

“Às vezes você dirige 20 mph mais rápido. Às vezes não. E às vezes, se não estiver acima a polícia te para e pergunta por que você está devagar. E quando você está acima, a polícia te para e pergunta por que você está rápido.” Essa é uma característica dos EUA: a polícia tem como política de vigilância do trânsito a manutenção da velocidade operacional. Se um carro se destaca dos demais por estar muito rápido ou muito devagar, o agente para o motorista e o orienta a acompanhar o tráfego — ainda que todos estejam acima do limite postado.

“Estou atrás de um Audi Qfunf [na faixa da esquerda] e tem um cara me ultrapassando pela direita. Esta é a faixa rápida! Cai fora!”. O Brasil resumido: você na fila para ultrapassar pela esquerda quando o cara mais esperto do mundo chega pela direita — quase sempre impedindo que o cara à sua frente mude de faixa para te dar passagem.

“Mas tem algo legal aqui. Mesmo com o semáforo vermelho, você pode virar à direita. Não vem ninguém, eu posso virar à direita mesmo com o semáforo vermelho. Na Alemanha eles chamariam a polizei, a polizei levaria seu carro, sua carteira de motorista, te multaria. Gostei disso.” Esta é mesmo uma regra endêmica dos EUA: se você não vai cruzar, não há risco, basta confluir com cuidado e seguir em frente.

“Outra coisa que gostei é que o estacionamento tem vagas enormes”. Isso é uma consequência da extensão territorial dos EUA. O Brasil também tem uma grande extensão territorial e carros cada vez maiores, mas inexplicavelmente as vagas são pequenas. Temos que rever isso aí…

“Outro conceito que gostei é que o semáforo está no outro lado da rua [no cruzamento], assim se você é gordo consegue enxergar. Na Alemanha se você for gordo…” No Brasil também temos esse tipo de semáforo, mas nem sempre. E você não precisa ser gordo, basta ser um pouco alto. É por isso que eu gosto de teto solar/panorâmico. Você pode olhar por cima.

“E mais uma coisa: eles usam milhas por hora aqui. Por quê? Estamos em 2018! Milhas não são precisas. Ninguém fala ‘em exatamente 5.604 pés vire à direita’. Isso é uma milha. Mas você fala ‘em 1.000 metros vire à direita’ porque quilômetros são mais precisos.”  Damos toda a razão ao mr. Fritz Grosser: não faz sentido usar o sistema imperial.

Claro, se fôssemos continuar falando do trânsito brasileiro, teríamos que fazer nosso próprio vídeo. Hm, parece uma boa ideia não?

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