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Car Culture

Os 10 carros mais caros leiloados em 2022

Em 2022 o mercado de clássicos se manteve tão aquecido quanto nos anos anteriores — especialmente quando se fala de leilões, que quebraram recordes lá fora e se popularizaram até mesmo no Brasil. Como ainda estamos na primeira semana de 2023, ainda há tempo para mais uma retrospectiva sobre o ano passado: a lista dos carros mais carros arrematados em leilões em 2022. O tipo de lista que, dependendo do seu humor, pode fazer seus pensamentos voarem ou seu sangue ferver.

Como esperado, a lista tem uma boa cota de Ferrari, mas talvez no menor número desde que começamos a fazer nossas listas de ano novo. Foram apenas três exemplares e somente dois clássicos — o outro é um Fórmula 1 moderno. A principal surpresa foram os dois Mercedes-Benz — pela segunda vez na liderança dos mais caros leiloados e agora com um exemplar clássico, mas não esportivo, no meio da lista.

A lista é completamente europeia, como esperado — os americanos já chegaram a esse patamar das dezenas de milhões de dólares com os Duesenberg e com os Shelby e Ford dos anos 1960, mas nenhum deles foi comercializado neste ano que passou.

O mais caro da lista não é novidade para ninguém, especialmente porque ele se tornou o carro mais caro da história, superando qualquer Ferrari 250 GTO ou similar. Falo do Mercedes 300SLR Uhlenhaut Coupé. E é difícil pensar em um carro capaz de ultrapassá-lo, visto que ele foi retirado do acervo da Mercedes-Benz para dar início a um programa filantrópico de educação da própria Mercedes.

 

Mercedes-Benz 300 SLR Uhlenhaut Coupé – US$ 143.000.000

O carro é um dos dois únicos exemplares de rua produzidos com base no 300SLR e eles nunca foram vendidos ao público. Como o outro exemplar deverá permanecer para sempre no acervo da Mercedes, o único exemplar disponível para compra não poderia ter outro desempenho se não o maior valor já pago por um automóvel. E por uma boa causa. O 300SLR Uhlenhaut Coupé foi arrematado em maio de 2022 por nada menos que US$ 143.000.000.

 

McLaren F1 1998 – US$ 25.100.000

Quem aparece em segundo lugar é mais um exemplar do McLaren F1. No ano passado um destes foi o recordista de preço, custando US$ 20.465.000. Agora, alguém pagou quase US$ 5.000.000 mais caro por um exemplar que nem está tão bem conservado quanto aquele do ano passado.

Isso, porque o McLaren F1 recordista de preço em 2021 é o único exemplar pintado de marrom “Creighton Brown” e é McLaren F1 menos rodado de todos, com apenas 390 km marcados em seu odômetro. Este de 2022, já rodou mais de 26.300 km — ainda que seu último proprietário o tenha mantido em uma garagem com temperatura controlada e rodado menos de 500 km com ele.

É uma prova de que estes carros já se tornaram objeto de investimento financeiro, confirmada pelo valor de venda deste vice-recordista de 2022 — e que teria sido novamente o carro mais caro do ano se a Mercedes não tivesse decidido ajudar as crianças.

 

Ferrari 410 Sport Spider 1955 – US$ 22.005.000

Aí está, a primeira Ferrari da lista: uma 410 Sport Spider dos anos 1950. Arrematada em agosto por pouco mais de US$ 22.000.000, ela tem um curto histórico nas competições — que ajudou a inflacionar seu valor.

Ela foi projetada para disputar a Carrera Panamericana de 1955, que foi cancelada depois da tragédia de Le Mans naquele mesmo ano. Com isso, ela foi guardada até 1956, quando foi usada por Juan Manuel Fangio nos 1000km de Buenos Aires. Fangio não venceu a prova, pois a Ferrari teve o diferencial quebrado.

Da Argentina o carro foi enviado para a Itália, onde foi reparado e vendido para o americano John Edgard, que colocou Carroll Shelby ao volante do carro para conquistar a vitória na Seafair, em Washington. Shelby mais tarde diria que aquela foi a melhor Ferrari que pilotou.

E como se não bastasse, ela tem um V12 de 5 litros de 380 cv (!) desenvolvido pelo mago Aurelio Lampredi. Fangio, Lampredi, Shelby… como um carro desse poderia valer menos?

 

Ferrari F2003GA – US$ 15.680.000

Aí está: a primeira Ferrari não-clássica destas listas de mais caros do ano. De novo: como poderia valer menos? Afinal, trata-se simplesmente de um dos carros usados por Michael Schumacher em sua campanha do título de 2003, o quarto dos cinco consecutivos que venceu com a Ferrari e o sexto de sua carreira.

A equipe por trás do carro é igualmente impressionante: Jean Todt, Ross Brawn, Rory Byrne e Paola Martinelli. A campanha também: um chassi tão dominante com o piloto em seu auge, conquistando o título com seis etapas de antecipação. Seis!

Seis também foi o número de chassis construídos do F2003, e este em especial, o 229, foi o mais bem-sucedido deles: das seis vitórias de Schumacher naquela temporada, o 229 foi usado em cinco delas — Espanha, Áustria, Canadá, Itália e EUA.

 

Talbot-Lago T150-C SS Teardrop Coupe Figoni et Falaschi 1937 – US$ 13.425.000

Carros pré-guerra e com carrocerias art-dèco são sempre presenças garantidas nestas listas de mais caros, e com este Talbot-Lago não foi diferente: o carro pertenceu a Tommy Lee, um dos mais lendários hot rodders dos anos 1930 e 1940 e, por isso, faz barulho quando foi anunciado pela Gooding & Co. para seu leilão no concurso de Amelia Island.

Os Talbot-Lago com carroceria Figoni et Falaschi normalmente são alguns dos carros mais caros do mundo, então não é exatamente surpresa que este exemplar tenha atingido seus US$ 13.425.000 — especialmente com um proprietário famoso no histórico.

Além disso, este é um carro premiado. Seu primeiro êxito como um objeto de arte sobre rodas foi logo após sua criação, em 1938, no Concours d’Elegance Fémina, em Paris. Depois, já um clássico, ele venceu em sua classe no concurso de Pebble Beach e foi o melhor do evento em Amelia Island.

 

Bugatti Type 57SC Atalante 1937 – US$ 10.345.000

Vejam só… um Bugatti na lista. Há quanto tempo isso não acontecia? E é mais um dos carros art-dèco, embora mais discreto que o Atlantic e o Figoni et Falaschi acima. Trata-se de um dos 17 Type 57 feitos por Jean Bugatti e, segundo especialistas (sempre eles), este é o melhor da série.

O carro tem um oito-em-linha de 3,3 litros sobrealimentado para produzir 200 cv e chegar a 190 km/h. Recentemente ele foi submetido a uma restauração pelo especialista em Bugattis, Ivan Dutton, o que explica os pouco mais de US$ 10.000.000 atingidos no leilão.

 

Mercedes-Benz 540 K Special 1937 – US$ 9.905.000

Aí está o segundo Mercedes-Benz da lista: um 540 K Spezial Roadster que não teria nada muito especial se não fosse o fato de ter sido comprado novo pelo último rei do Afeganistão, o xá Mohammed Zahir.

Com o início da Segunda Guerra Mundial, o carro foi enviado para a embaixada do Afeganistão em Paris, e escapou de ser destruído no conflito. Depois o carro foi para Londres e, de lá, para os EUA, onde foi comprado pelo colecionador Vernon D Jarvis, que o deixou exposto na Flórida. Mais tarde ele foi vendido a outro colecionador, Robert Bahre, que o guardou em uma coleção até o ano passado, quando ele foi leiloado durante a Monterey Car Week.

 

Hispano-Suiza H6C 1924 – US$ 9.245.000

Se você achou a carroceria deste carro parecida demais com madeira, saiba que ela não é parecida. Ela é feita de madeira. Mais especificamente de mogno. Curiosamente, o mogno é um tipo de madeira que pode ser extremamente pesado, mas foi selecionado pelos fabricantes de aviões Nieuport-Astra e, por isso, toda a carroceria pesa só 70 kg.

O carro passou pelas mãos de vários entusiastas e colecionadores dos primórdios do antigomobilismo,  e foi restaurado pela primeira vez ainda nos anos 1950. Nos anos 1980 ele passou por uma segunda reconstrução completa e venceu o prêmio de sua categoria no concurso de Pebble Beach de 1986.

 

Maserati 450 S 1958 – US$ 9.170.000

Para os desavisados parece uma Ferrari, mas trata-se de um Maserati 450S de 1958 com carroceria Fantuzzi e que foi comprado por Carroll Shelby para o piloto Jesse Rose, que venceu várias corridas da temporada de 1958 do SCCA. Depois disso o carro trocou de mãos algumas vezes nos EUA e acabou voltando para a Europa, quando um colecionador britânico o comprou.

No Reino Unido ele teve vários outros proprietários, dentre os quais o Barão John Ailwyn Fellowes, que restaurou o carro no início dos anos 1970. A partir dali ele voltou para os EUA, foi para o Japão, voltou para o Reino Unido, onde foi arrematado em agosto passado por quase US$ 9,2 milhões.

 

Ferrari 250 GT SWB 1960 – US$ 9.066.000

E aqui está a terceira Ferrari da lista — que não estaria completa sem uma Ferrari 250 dos anos 1960, afinal. Esta não é das mais raras, mas é uma 250 GT e isso é suficiente para fazê-la valer quase US$ 10.000.000.

O carro correu em Le Mans, Goodwood e Monthléry quando novo e, mais recentemente, participou dos eventos de clássicos em Le Mans, Goodwood e do Tour Auto em Cannes. Todo o histórico do carro foi documentado pelo arquivista da Ferrari, Marcel Massini, e ele passou por uma restauração feita pela Lanzante em parceria com a Ferrari Classiche.


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