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Os carros americanos mais icônicos de todos os tempos

Ontem (3) começamos uma série nova aqui no FlatOut. O objetivo é descobrir os carros mais emblemáticos de cada país, e a gente começou grande: perguntamos aos leitores quais são os carros americanos mais emblemáticos de todos os tempos.

Como de costume, foram dezenas de sugestões bacanas, mas nosso espaço é limitado — sendo assim, não foi fácil escolher apenas um punhado de representantes. Mas ícones, por definição, são poucos, e uma lista com quinze ou vinte nomes, acabaria desvirtuando o nosso propósito. E, como é difícil não se estender ao explicar por que um carro é um ícone de toda uma nação, vamos colocar apenas dez nomes, cinco em cada parte da lista.

 

Ford Modelo T

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Nós mencionamos de leve que o Ford Modelo T é um dos carros mais importantes do planeta, então nada mais justo que vê-lo na lista dos carros americanos mais icônicos, não é? Com o Modelo T, Henry Ford revolucionou o modelo de produção de automóveis.

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Em vez de montar um carro de cada vez, com todos os componentes ao mesmo tempo, ele notou que a maneira mais rápida e eficiente de se fabricar automóveis era manter os funcionários estáticos, enquanto uma esteira levava os carros até eles. Cada funcionário era especializado em uma etapa e a realizava em sequência, acelerando a produção e simplificando a mão de obra.

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Desde então, carros só são produzidos em etapas e por alguns artesãos por opção — esportivos e exclusivos, séries especiais ou réplicas à moda antiga, como o Pagani Huayra, o BMW M5 E34 e o Caterham Seven, por exemplo. No mais, é bem provável que o automóvel jamais tivesse se popularizado sem a invenção da linha de montagem.

 

Chevrolet Corvette

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O Chevrolet Corvette foi o primeiro carro desenvolvido e fabricado nos EUA apenas com componentes americanos — ou seja, ele está junto com a águia-careca, o Super Bowl e os ovos com bacon no café da manhã: ele é um símbolo dos EUA. E isto falando de forma geral, pois do ponto de vista entusiastas as coisas ficam ainda mais interessantes. Como já dissemos, esportivos com motor V8 representam muito bem o American way of life — conforto, tecnologia e poder.

No caso do Chevrolet Corvette, isto é ainda mais válido. Mesmo a primeira geração, um roadster bonito, porém lento (ele tinha um seis-em-linha de 3,9 litros e apenas 150 cv e câmbio automático de duas marchas), já tinha carroceria de fibra de vidro para aliviar peso e baratear a produção sem prejudicar as formas.

 

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No entanto, foi em 1963, a partir da segunda geração, que o Corvette deslanchou de verdade. Agora, ele era um cupê extremamente atraente dotado de um motor V8 small block 5.4 de 250 cv brutos e, de 1965 em diante, um big block de 425 cv, também brutos.

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Foi C2, ou Stingray, que definiu a filosofia que o Corvette seguiria desde então, sempre melhorando a fórmula. A sexta e atual geração, que trouxe de volta o sobrenome, é considerada a mais avançada até hoje — especialmente considerando a insana versão Z06, com um V8 supercharged de 6,2 litros e 658 cv.

 

Ford Mustang

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A verdade é que esta lista não segue uma ordem específica de importância ou nada do tipo — talvez, bem de leve, uma ordem cronológica. Talvez só assim para explicar por que o Corvette ficou na frente do Mustang, pois a verdade é que a importância de ambos se equivale. Enquanto o Corvette definiu o esportivo americano em 1963, o Mustang pegou este conceito, o tornou mais barato e prático e criou o pony car, um esportivo descolado, barato e potente. Ou seja, perfeito para popularizar os muscle cars entre os jovens.

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Como contamos detalhadamente neste post, o Ford Mustang viveu seu auge até o início da década de 1970, quando a crise do petróleo de 1973 e a disparada nos preços das apólices de seguro meio que “matou” o esportivo com motor V8.

Depois de enfrentar esta crise quase sem dignidade, quando tornou-se um compacto sem sal e sem pimenta, o Mustang começou a recuperar sua reputação de esportivo na década de 1980, apelando até mesmo para os turbos.

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A década de 1990 viu o Mustang renascer das cinzas com o espetacular SVT Cobra e seu V8 supercharged de 4,6 litros e 390 cv acoplado à obrigatória caixa manual de seis marchas Tremec T-56. Depois, em 2005, o ‘Stang assumiu uma roupagem retrô e fez com que as rivais se mexessem para acompanhar a onda, lembrando ao mundo como é essência de um muscle car americano.

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Com isto feito, chegou a hora de evoluir e, em dez anos depois, em 2015, o Mustang deixou de ser retrô e ganhou suspensão traseira independente, abandonando o eixo rígido pela primeira vez desde 1964. Se ele vai conseguir lançar mais uma tendência, ainda é cedo para determinar.

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No entanto, uma coisa é certa: a história do Mustang tem muito a ver com a própria história dos EUA e, por isso, nada mais justo que colocá-lo alto nesta lista.

 

Pontiac GTO

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Seria injusto falar do Mustang e não incluir nesta história toda o Pontiac GTO, que também foi lançado em 1964 e, para muita gente, é o verdadeiro dono do título de primeiro muscle car da história. O GTO nasceu quando John DeLorean convenceu os executivos da General Motors a colocar um dos maiores e mais potentes motores, que equipavam seus modelos full-size em seu modelo médio (para os padrões americanos, que chamam o Dodge Dart de “carro compacto”) que estava prestes a ser lançado: o Tempest.

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Por sorte, os motores da Pontiac na época eram todos idênticos nas dimensões, independentemente do deslocamento. Sendo assim, o V8 389 (6,4) do Pontiac Grand Prix coube no cofre do Tempest, no lugar do V8 326 (5,3) usado originalmente.

Ficou sensacional, mas a Pontiac preferiu que o Tempest anabolizado fosse lançado como um pacote opcional, e não uma versão por si só — tudo para que as outras divisões da GM, como a Chevrolet e a Buick, fossem pegas de surpresa. Pois é: em Detroit, a rivalidade era feroz até mesmo dentro da família.

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Mesmo sem fazer muito barulho no lançamento, o pacote GTO não demorou a se popularizar entre o público jovem — esgotando as 5.000 unidades enviadas para as concessionárias de todo o país. Parte disso se deve à atenção que, mesmo com a discrição da Pontiac, a mídia deu ao carro. Testes da época indicavam belos números: 0 a 100 km/h em 6,6 segundos e quarto-de-milha (um dado importante, visto que as arrancadas ainda eram importantes para a imagem destes carros) em 14,8 segundos. O ponto alto foi o comparativo que a revista Car and Driver fez na época, colocando o Pontiac GTO lado a lado com a Ferrari que lhe emprestou o nome.

Foi por causa de toda esta recepção positiva que ainda naquele ano as outras divisões da GM começaram a trabalhar em projetos semelhantes, bem como as companhias rivais de Detroit. Nomes como Chevrolet Chevelle e Dodge Dart começaram a aparecer. Nascia ali o muscle car. Ao mesmo tempo, talvez por isso o nome do GTO seja ofuscado pelo do Mustang…

 

 

Dodge Viper

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Não dá para encerrar esta parte da lista com pouco. Assim, temos não seis, não oito, mas dez cilindros. E, se você não tivesse lido ali em cima, agora adivinharia que estamos falando do Dodge Viper. Os fãs da víbora gostam de pensar nele como a verdadeira representação dos EUA em forma de esportivo. Talvez até um hillbilly do Texas, típico dos estereótipos do cinema, fortão e ignorante, porém extremamente divertido. Só não queira provocá-lo.

Porque, desde o início, lá em 1989, a essência do Dodge Viper era colocar o maior motor possível em um carro que só tivesse o necessário para andar rápido. Não no mesmo sentido que o utilizado pela Ferrari na F40, que era totalmente depenada e só tinha ar-condicionado. Não, senhor: uma vez dentro dele, o Viper era até confortável e dotado de alguns itens de conforto.

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Seu apelo era outro: os 405 cv do V10 de oito litros iam para as rodas de trás e eram moderados por uma caixa manual Tremec de seis marchas, sem qualquer interferência eletrônica. Ou seja: controlá-lo era só para os fortes.

Foi assim ao longo de boa parte de sua vida — o motor V10 crescia e ficava mais potente, a dinâmica era aperfeiçoada e o visual ficava cada vez mais agressivo. O último Viper “old school”, por assim dizer, tinha um V10 de 8,4 litros e 612 cv e deixou de ser fabricado em 2010.

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Dois anos depois, o Viper estava de volta (desta vez, batizado como SRT Viper, nomenclatura que não durou muito). Ele estava ainda mais agressivo, e seu motor agora entregava 649 cv (sem compressor, ouviu, Corvette?). A legislação agora exigia que o carro tivesse sistemas eletrônicos de estabilidade e tração mas, bem, eles podem ser desligados…

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