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Os carros britânicos mais icônicos da história – parte 2

Os britânicos se orgulham de sua paixão pelo ato de dirigir, e isto se reflete em seus carros: por mais que alguns deles quebrem muito, não sejam muito bem construídos ou tenham problemas elétricos crônicos, dá para ver que todo bom carro inglês é feito para quem gosta mesmo de carros.

Perguntamos aos leitores quais eram os carros britânicos mais icônicos de todos os tempos, e demos o Mini original como sugestão. Você pode conferir a primeira parte da lista com as respostas aqui. Agora, vamos à segunda!

 

TVR Sagaris

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Sugerido por: LEANDRO SOARES

A TVR sintetiza muito bem o espírito de garagem das fabricantes britânicas de esportivos: refinamento e tecnologia ficam em segundo plano, enquanto a experiência ao volante é a prioridade máxima. Tudo com construção artesanal, materiais tradicionais e desenho nada menos que único.

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Foto: Alexandre Besancon

Isto foi especialmente verdade a partir de meados da década de 1990, quando os controles eletrônicos começaram a chegar aos carros esporte: enquanto transmissões sequenciais e assistentes de estabilidade e tração eram adotados em massa, a pequena companhia de Surrey continuava insistindo em automóveis de alto desempenho com design clássico, motor naturalmente aspirado, tração traseira e câmbio manual. E foi assim até o último modelo da fabricante, o Sagaris.

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Com capô longo, traseira curta, aerodinâmica exagerada e um todo um jeitão de kit car, o Sagaris foi um herói da resistência: em 2006 já estava claro que o futuro tinha tração integral e borboletas atrás do volante, mas ele tinha um seis-em-linha atmosférico de quatro litros e 385 cv a 7.000 rpm na dianteira, câmbio manual de cinco marchas e tração traseira.

E a companhia era categórica: nada de babás eletrônicas para corrigir as c*agadas dos donos. Quem acelerava um Sagaris deveria saber o que estava fazendo. Típico.

 

Jaguar XJ220

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Sugerido por: jose_sherman

Você pode argumentar que o McLaren F1 é o supercarro britânico mais emblemático de todos os tempos por seu desempenho e sua excelência técnica mas, bem… o motor era alemão! Agora, falando sério: você provavelmente tem razão, mas vamos combinar que há um superesportivo inglês tão fodástico quanto: o Jaguar XJ220. E, se pararmos para pensar, ele era ainda mais… inglês.

O XJ220 foi projetado para utilizar um motor V12 naturalmente aspirado derivado daquele usado nos protótipos Le Mans da Jaguar, acoplado a um sistema de tração integral. E foi por isto que 1.500 pessoas pagaram em 1988, quando o primeiro protótipo foi apresentado ao público do Salão do Automóvel britânico – um pagamento de £50 mil por carro.

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Em 1992, foram entregues apenas 275 unidades, pois a maioria dos interessados decidiu pegar o dinheiro de volta. Por quê? Porque o produto final tinha metade dos cilindros. Durante o desenvolvimento, a Jaguar viu que o motor V12 era beberrão demais, e que não havia dinheiro para projetar um novo sistema de tração integral. Então, veio uma solução mais barata: colocar o motor V6 do Austin Metro 6R4, hatchback que havia competido no Grupo B de rali, no lugar do V12, e deixar a tração nas rodas de trás, mesmo.

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O motor deslocava 3,5 litros e, com a ajuda de dois turbos, desenvolvia saudáveis 550 cv – suficiente para levar o XJ220 até os 100 km/h em 3,6 segundos, com máxima de 342 km/h. Com tais números, o superesportivo britânico até foi o carro mais veloz do mundo por alguns meses. No entanto, naquele mesmo 1992, seria apresentado o McLaren F1. E o resto, como dizem, é história.

Mas tem mais uma coisa: meio que sem querer, o XJ220 acabou prevendo o futuro. Ou você acha que é por acaso que, hoje em dia, estamos começando a ver cada vez mais supercarros e esportivos de alto desempenho recorrendo aos motores V6 sobrealimentados?

 

Land Rover Defender

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Sugerido por: Tairusiano

Mais que um utilitário, o Land Rover Defender é uma instituição britânica. Primeiro: permaneceu praticamente igual por quase 70 anos – com mudanças no visual e atualizações mecânicas, claro, mas a essência é a mesma. Segundo: praticamente nada é capaz de parar um Defender (a não ser uma pane elétrica surpresa). O veículo surgido nas fazendas é robusto ao extremo, confiável (novamente, para um carro britânico) e, vamos combinar, estiloso.

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Terceiro? A aparentemente imortal e invulnerável Rainha Elizabeth II, soberana do Reino Unido, adora um bom Defender, e já foi vista ao volante de vários deles até pouco tempo atrás.

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Na verdade, o culto ao Defender é tanto que, depois de anunciar o fim de sua produção com todo o respeito que o modelo merece, a Land Rover dá sinais de que planeja lançar, afinal de contas, um novo Defender nos próximos anos. Ainda não ficou bem claro se ele terá o mesmo approach rústico que lhe rendeu tanto sucesso, mas torcemos para que sim.

 

Bristol Blenheim

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Sugerido por: nós mesmos

A Bristol é uma tradicional fabricante britânica cuja peculiaridade é, ao mesmo tempo, a essência clássica da indústria automotiva do Reino Unido: fundada em 1945, a companhia tem apenas um showroom, que fica no centro de Londres, e seu primeiro modelo permaneceu praticamente o mesmo até 1976, quando foi lançado o Bristol Blenheim. Este permaneceu praticamente igual até 2011, quando foi descontinuado. E há uma dedicada base de admiradores que não trocaria um Blenheim por nenhum Rolls-Royce ou Jaguar.

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Do início ao fim de sua produção, o Blenheim foi um grand tourer com duas portas, quatro lugares e um V8 Chrysler de 5,9 litros na dianteira. A produção era artesanal e, por isto, nenhum exemplar era totalmente igual ao outro. E, apesar do visual datado, que sofreu apenas uma atualização mais perceptível na década de 1990, com a adoção dos para-choques envolventes, o carro tinha construção caprichada, materiais nobres no interior e um charme tipicamente britânico que jamais foi reproduzido.

 

Lotus Elise

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Sugerido por: Pimp

Poderíamos colocar qualquer Lotus aqui, mas decidimos que o Elise merece este espaço. Isto porque ele pegou os princípios básicos perpetuados por outros modelos da fabricante fundada por Colin Chapman, como o simpático Elan e o Esprit em seus primeiros anos (leveza e prazer ao volante), e adicionou mecânica confiável, visual atraente, preço baixo e voilà: a empresa, que vinha cambaleando financeiramente desde a década de 1980, estava salva.

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Isto aconteceu em 1995 e, desde então, o Elise firmou seu nome entre os carros que são sinônimo de diversão sem uma carta do Super Trunfo no lugar da ficha técnica: a primeira geração usava, no início, um quatro-cilindros em linha de 1,8 litro e apenas 120 cv, fornecido pela Rover.

Ao longo dos anos, o Elise mudou pouco: cresceu alguns centímetros, ganhou novos motores — atualmente, os quatro-cilindros são fornecidos pela Toyota e vão de um 1.6 aspirado de 136 cv a um 1.8 supercharged de 217 cv. Ele também ganhou peso para atender às cada vez mais rígidas normas de segurança — mas ainda é muito leve, com o Elise básico levando o ponteiro da balança aos 876 kg e o Elise CR, versão aliviada, chegando aos 848 kg.

 

MG MGB

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Sugerido por: nós mesmos

O Mini pode ser o carro símbolo do Reino Unido, mas há outro tipo de automóvel que também é a cara do entusiasmo automotivo britânico: os roadsters esportivos compactos. E o maior de todos (em importância, não em tamanho) é provavelmente o MG MGB.

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Ignore o fato de ele ter sido fabricado, por boa parte de sua vida (que durou 18 anos, de 1962 a 1980, aliás), pelo desastre que foi a British Leyland, e concentre-se no que o MGB tinha de bom: construção monocoque pioneira na década de 1960, um esperto motor 1.8 de 95 cv que o levava até os 100 km/h em pouco mais de 11 segundos, tração traseira, suspensão bem acertada e uma carinha muito simpática. Claro, havia também uma versão com motor V8 Rover de 135 cv, incluindo até mesmo carroceria cupê!

Não por acaso, a receita foi aproveitada pelo Mazda MX-5 Miata, que desde o início foi imaginado como uma versão moderna, de olhos puxados, dos roadsters britânicos.

 

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