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Os carros mais icônicos produzidos sob regimes comunistas, camaradas! – parte 1


Há tempos não se falava tanto em comunismo quanto agora. Não queremos engrossar ainda mais o caldo mas, com tanta gente falando no regime político da antiga União Soviética e de seus países vizinhos, acabamos lembrando de diversos carros curiosos que nasceram durante aquele período.

Alguns se tornaram ícones por sua simplicidade tão descarada que acabava se tornando charmosa. Outros, por serem incrivelmente robustos e confiáveis, apesar de não aparentarem. E ainda existiram aqueles que, dadas as circunstâncias, só poderiam virar clássicos. E alguns ainda são produzidos até hoje, ou deixaram de sê-lo recentemente. E, acredite, alguns até viraram bons carros de competição!

De qualquer forma, os carros da União Soviética são, cada um a seu modo, memoráveis. E a gente decidiu selecionar alguns dos mais icônicos a partir de… agora!

 

Lada Niva

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Simplesmente não havia como começar esta lista com outro carro que não fosse o Lada Niva. O jipe soviético nasceu há 39 anos, em 1977 e, desde então, é praticamente o mesmo. Sem exagero: o carro da foto acima é do primeiro ano de fabricação, enquanto o da foto abaixo foi feito depois da última reestilização, em 2014.

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O motor sempre foi (e, pelo jeito, sempre será) um quatro-cilindros a gasolina — antigamente, com carburador e deslocamento de 1,6 litro. Em 1990, passou a deslocar 1,7 litro e ganhou injeção eletrônica monoponto e, em 2004, o sistema passou a ser multiponto. Houve algumas alterações estéticas, como para-choques envolventes e novas lanternas, mas a carroceria e o estilo continuam exatamente os mesmos.

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Além de ter sido vendido (e conquistado fãs) em diversos países do mundo, incluindo o Brasil, o Lada Niva carrega consigo o marco de ter sido o primeiro utilitário do planeta com construção monobloco em vez de carroceria sobre chassi — a base para virtualmente todo SUV moderno.

 

Tatra 603

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É difícil até mesmo começar a falar do Tatra 603. Produzido na antiga Tchecoslováquia entre 1956 e 1975, ele foi um dos carros de luxo mais curiosos já feitos em todos os tempos, e só podia ser adquirido (quer dizer, se “adquirido” for a palavra certa em pleno regime comunista por oficiais de alta patente do governo.

O projeto começou a ser desenvolvido em 1952 e a produção começou quatro anos depois. A carroceria aerodinâmica lembrava uma bolha e tinha uma dianteira curiosa, com os faróis posicionados bem no centro, sob uma cobertura de vidro.

Não havia grade dianteira, pois a traseira abrigava um motor V8 de 2,5 refrigerado a ar com comando no bloco. Não era exatamente potente, com cerca de 100 cv, mas era extremamente confiável. Tanto que, na década de 1960, a Tatra colocou o 603 para competir em diversos ralis na Europa — incluindo uma tentativa de participar do Rali Monte Carlo de 1960, ainda que o governo da Tchecoslováquia tenha proibido a companhia de participar de uma competição criada por capitalistas.

 

Trabant

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Surgido em 1957, o Trabant (ou Trabi, para os íntimos e admiradores) foi a solução da Alemanha Oriental para motorizar o novo país. A Alemanha foi dividida em 1949, quando foi estabelecida a República Democrática Alemã (DDR na sigla em alemão, RDA na sigla em português) que, depois do fim da Segunda Guerra, ficou com a União Soviética. A outra metade, controlada pelos EUA, Reino Unido e França, tornou-se a República Federal da Alemanha (RFA), ou Alemanha Ocidental.

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Eram lados bem diferentes, com uma clara divisão socioeconômica — o lado ocidental, próspero e economicamente livre, fez como que logo se tornasse comum que famílias inteiras mudassem de lado em busca de melhores condições de vida no período da Guerra Fria. Em agosto de 1961, o Muro de Berlim foi erguido para colocar um fim nas migrações — e, além de dividir a cidade de Berlim em duas, simbolizava a divisão do mundo todo pela chamada Cortina de Ferro. Colocando a situação em termos automotivos, a divisão era entre quem andava de Fusca e quem andava de Trabant.

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A fabricante, chamada VEB Sachsenring, foi aberta especialmente para produzir o Trabi. A ideia era produzir um triciclo, mas um carro de verdade, com quatro rodas e um teto, pareceu mais sensata. De qualquer forma, o plano original era produzir o veículo por apenas dez anos, oferecendo à população um meio de transporte barato, econômico e prático enquanto a a economia se reestabelecia. No fim das contas, foram 34 anos produzindo o “carro de papelão”, como costumam dizer seus detratores.

O Trabant não era de papelão, mas usava materiais alternativos e componentes de baixo custo, pois seu desenvolvimento tinha sérias restrições orçamentárias. A estrutura monobloco — uma das poucas características inovadoras do carrinho — era de aço, com teto, portas, para-lamas, capô e portas em Duroplast, material composto de resina reforçada com materiais reciclados, como algodão e lã.

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Era o suficiente para ter um meio de transporte diário do lado comunista da Alemanha, mas havia um detalhe: você teria que se filiar ao partido e entrar em uma fila de espera que podia levar até dois anos. Ao menos, quando fosse vender o carro, poderia cobrar até mais do que a fabricante pedia por um exemplar novo.

 

Skoda 130LR

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Que tal um carro comunista conhecido como “o Porsche 911 dos pobres”? É o Skoda 130, que foi lançado em 1984 e tinha um quatro-cilindros de 1,3 litro e 58 cv na traseira. E ele trazia alguns recursos bem interessantes, considerando a época e o lugar onde era produzido, como suspensão traseira independente por braços semi-arrastados e freios a disco na dianteira.

Como carro de rua, o Skoda 130LR acabou sendo só mais um dos vários populares disponíveis no regime comunista. No entanto, a divisão de competição da Skoda enxergou nele potencial para vencer ralis. E deu certo: com preparação para render até 130 cv, o 130LR venceu nada menos que 17 edições consecutivas em sua categoria no RAC Rally do Reino Unido durante as décadas de 1970 e 1980. Para nós, sim, ele merece seu lugar nesta lista só por causa disto.

 

GAZ Volga

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O GAZ Volga é foi dos carros mais populares de todos os tempos na União Soviética, e continua sendo um dos automóveis mais presentes nas ruas da Rússia, representando boa parte da frota de táxis do gigantesco país gelado. Além disso, ele foi produzido entre 1955 e 2010 e só teve duas gerações, sendo que a segunda foi lançada em 1967 — longevidade é uma característica comum a muitos carros comunistas, já repararam?

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A primeira geração do GAZ Volga foi lançada em 1955 e trouxe diversas inovações técnicas às ruas soviéticas — câmbio automático opcional; estilo moderno, inspirado na escola de design americana; para-brisa inteiriço, e não dividido em dois (sim, isto era novidade na União Soviética), além de um aproveitamento de espaço que era referência no “mercado”. O motor, um quatro-cilindros de 2,4 litros e 96 cv, permaneceu o mesmo pelo resto da vida do GAZ Volga. Isto é que é constância.

 

No entanto, o maior barato do GAZ Volga é sua vocação para correr, acredite. A Dzintara Volga é uma categoria para táxis aposentados, com motores preparados para render algo entre 130 e 140 cv (o motor precisa ser original). Muitas vezes, partes de vários exemplares do GAZ Volga são usadas para montar um único carro de corrida. “Uni-vos!”, não é o que eles dizem?

 

Melkus RS1000

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Talvez a única razão para lembrarmos do Wartburg 353, compacto produzido na Alemanha Oriental nos anos 1950, seja o fato de ele ter emprestado seu motor para um “supercarro” soviético entre fabricado entre 1969 e 1979 — o Melkus RS 1000, que teve 101 unidades produzidas.

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As aspas estão ali porque o motor em questão era um três-cilindros de 992 cm³ e apenas 90 cv. Porém, com carroceria de fibra de vidro, chassi do tipo escada e uma carroceria que até era bonita e aerodinâmica, era capaz de chegar aos 210 km/h. Sua versão de competição tinha um carburador maior e, com isto, conseguia entregar cerca de 120 cv. E ele tinha portas asa-de-gaivota!

 

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