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Os carros mais icônicos produzidos sob regimes comunistas, camaradas! – parte 2

Na União Soviética, os carros dirigem VOCÊ! OK, esta piada já é bem velha, mas tudo bem — o que importa é que, na semana passada, fizemos uma pequena lista com alguns dos carros mais bacanas produzidos sob regimes comunistas, em especial, aqueles que vieram da União Soviética e adjacências. Agora, chegou a hora de conhecer mais alguns deles. Vamos lá, camaradas!

GAZ-M72 Pobeda

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Na parte anterior desta lista, dissemos que o Lada Niva, produzido pela primeira vez em 1977, foi o primeiro utilitário moderno do mundo — ele tinha motor dianteiro, tração 4×4 com reduzida, suspensão independente e construção monobloco em vez de carroceria sob chassi. A receita deu tão certo que segue praticamente sem alterações até hoje.

No entanto, durante as décadas de 1940 e 1950, a União Soviética produziu aquele que pode ter sido, de fato, o primeiro SUV de todos. O GAZ-M72 Pobeda foi uma versão construída em série limitada do GAZ-M20 Pobeda, que foi fabricado na União Soviética entre 1946 e 1958. O nome Pobeda (em cirílico, Победа), que significa “vitória” em russo, foi escolhido por Josef Stalin.

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O M20 tinha um motor quatro-cilindros de 2,1 litros e 55 cv. Não era exatamente veloz mas, apesar das condições precárias de desenvolvimento e fabricação, era um carro espaçoso, confortável e, querendo ou não, foi um dos pioneiros da indústria automotiva soviética, pois exigia um modelo de produção eficiente que ainda não existia — teve que ser inventado. E, três anos antes de sair de linha, o M20 acabou dando origem ao primeiro utilitário esportivo moderno.

Não se sabe exatamente como aconteceu — alguém deve ter achado que era uma boa ideia colocar o eixo dianteiro, a suspensão com feixes de molas semielípticas e a caixa de transferência de um jipe militar, o GAZ-M69, sob o carro de passeio. O eixo traseiro era totalmente novo, enquanto o motor e a transmissão permaneciam intocados. O ganhava uma dose extra de agressividade graças às caixas de roda cortadas, e o interior continuava como o de um carro de família, com bancos confortáveis, espaço interno generoso e itens de conforto como aquecedor e limpadores de para-brisa. Aliás, o GAZ-M20 foi o primeiro carro russo a contar com limpadores elétricos.

 

Lada Laika

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Para muitos entusiastas, este aqui é o sinônimo de carro soviético. E há um bom motivo: ele foi um dos primeiros a desembarcar no Brasil na época da abertura das importações, em 1990. Com o Laika, a Lada esperava explorar o nicho dos carros populares ao oferecer um dos carros mais baratos do mercado. Deu certo — o sedã (ou perua!) foi bastante popular no início daquela década e, além do preço, conquistou pela robustez mecânica.

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Quando chegou aqui, o Laika já era um projeto ultrapassado — o que ajuda a explicar o preço baixo. Ele foi lançado na Rússia em 1970 como VAZ-2101 (a Lada é uma divisão da VAZ), uma versão produzida sob licença do Fiat 124, que havia sido lançado na Europa em 1966 e rapidamente tornou-se um dos carros mais vendidos do Velho Mundo. Depois de vinte anos e duas ou três reestilizações, o Laika ganhou uma cara própria, mas continuava usando motores de quatro-cilindros projetados pela Fiat, além de diversos itens mecânicos e de acabamento comuns aos modelos da marca italiana. No Brasil, ele tinha motores quatro-cilindros de 1,5 litro e 75 cv, ou 1,6 litro e 78 cv.

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Sim, era um carro fraco para a época, a qualidade de construção e acabamento não era das melhores, mas a suspensão era resistente o bastante para suportar nossas estradas e dificilmente os motores davam problemas. Além disso, ele tem tração traseira e câmbio manual — características que podem fazer do Laika um bichinho bem divertido se você souber o que fazer com ele.

 

ZIL-112 Sports

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A ZIL pode ter ficado famosa fabricando limusines para os chefes de estado soviéticos, mas você sabia que foram eles quem criaram um dos carros de corrida mais incríveis já feitos na Rússia? O ZIL-112 Sports nasceu em 1961 e competiu até 1969. Esta estranha mistura de Shelby Cobra e Ferrari 250 Testa Rossa tinha um V8 de sete litros na dianteira, capaz de entregar 270 cv e levá-lo até os 100 km/h em nove segundos, com velocidade máxima de 270 km/h.

A suspensão dianteira, bem como o sistema de direção, vinham do GAZ Volga, enquanto a suspensão traseira usava um eixo DeDion com braços triangulares sobrepostos. Apenas dois exemplares foram feito — um deles está exposto em um museu na Letônia, enquanto outro pertence a um colecionador sueco.

 

Stratopolonez

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Este daqui é um dos carros mais insanos a saírem de uma fábrica instalada em um país afetado pelo regime comunista soviético. Em 1977, algum polonêz maluco pegou um FSO Polonez — hatchback vendido entre 1976 e 2002 na Polônia, feito com base no sedã Fiat 125 —, colocou nele o motor V6 de um Lancia Stratos e foi disputar ralis. Isto aconteceu em 1977 e, para muitos entusiastas poloneses, o Stratopolonez é o carro de rali mais fodástico de seu país.

O maluco em questão era o filho do então primeiro ministo da Polônia, que competia em ralis. Ele tinha um Lancia Stratos (algo que, bem, só seria possível mesmo para o filho do primeiro ministro) e estava doido para correr com ele. Tanto que, em seu primeiro rali, acabou destruindo completamente o Lancia.

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Por sorte, ele conseguiu salvar o conjunto mecânico do carro — um V6 de 2,4 litros preparado para entregar 260 cv. E a FSO, fabricante do Polonez, decidiu aproveitar para transformar um exemplar em carro de rali. Eles conseguiram não apenas colocar o motor do Stratos na porção central-traseira do carro, mas também todo seu sistema de suspensão. Para ajudar a resfriar as coisas, foi providenciado um radiador de caminhão na dianteira, e os para-lamas alargados dão ao carro um quê de Grupo B. Considerando a origem italiana do projeto do Polonez e o parentesco da Fiat com a Lancia, dá para dizer que o Stratopolonez é o mais perto que o mundo chegou de um Lancia Delta russo.

O detalhe é que, antes de sua estreia em um rali, que aconteceu em 1978, o Stratopolonez jamais havia sido testado em um estágio. Relatos da época contam que o carro rodou incontrolavelmente por três vezes durante a prova, mas era tão rápido que venceu mesmo assim. E continuou competindo até 1985, quando os pilotos poloneses devem ter cansado de desafiar a morte e o aposentaram. Incrivelmente, o Stratopolonez continua inteiro, e atualmente repousa no Museu de Tecnologia de Varsóvia.

 

Skoda Rapid

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A gente já falou aqui do Skoda 130LR, compacto tcheco de motor traseiro que competiu em ralis e é chamado de “o Porsche 911 dos pobres” por causa disso. O que a gente não mencionou é que ele acabou dando origem a um carro verdadeiramente esportivo — para os padrões da antiga União Soviética, claro.

O Skoda Rapid utilizava a mesma base do 130LR, porém tinha uma carroceria muito mais atraente e arrojada, com dianteira que lembrava os Volkswagen da época e uma elegante traseira fastback. Com motor de até 1,3 litro e 62 cv, não era exatamente potente — e nem rápido, sendo capaz de chegar aos 100 km/h em em 15 segundos, com máxima de 153 km/h. Mas o Rapid era tão bom de curva que a revista britânica Autocar o chamou de “treino para o Porsche 911”, o que certamente quer dizer alguma coisa. O Rapid foi vendido de 1984 a 1990.

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Ele também é um dos poucos carros da União Soviética a sobreviver até hoje e, mais do que isto, tornar-se um sucesso no Ocidente. Claro, o atual Rapid é um sedã baseado no Volkswagen Jetta, mas ainda é um destinho melhor que cair no esquecimento.

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