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Os últimos detalhes do Datsun 240Z de Sung Kang, o Han Lue de “Velozes e Furiosos”

Você deve lembrar que, recentemente, contamos aqui no FlatOut que Sung Kang, o Han Lue de “Velozes e Furiosos”, é um baita entusiasta e está preparando um Datsun 240Z para o SEMA Show, maior encontro de carros modificados do planeta. E nós ficamos bem empolgados com o modo como as coisas pareciam caminhar — Kang decidiu seguir um estilo clássico e instalar debaixo do capô um seis-em-linha RB26 de Skyline. Sweet!

Não se trata de um RB26DETT, versão com dois turbos e mais de 300 cv usada no Skyline GT-R, mas sim de um RB26DE, naturalmente aspirado, capaz de produzir originalmente 217 cv e 25 mkgf de torque. Se a potência original não empolga, saiba que a preparação planejada por Kang é das boas — ainda não se fala em números de potência e torque, mas espera-se um limite de giro perto das 12.000 rpm. Que tal lhe parece?

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O fato é que Kang decidiu compartilhar seu projeto com o mundo. Além de postar regularmente as atualizações do carro no Facebook e no Instagram, ele também está mostrando o projeto na minissérie Z-Dream, exibida no Speed Channel e disponível no YouTube. Dividido em cinco episódios, o mini-documentário já está no terceiro, faltando seis dias para que o carro seja revelado no SEMA.

Naturalmente, os vídeos começaram a ser gravados há alguns meses — na verdade, desde abril, quando Kang anunciou a compra de um Datsun 240Z 1973 marrom em sua conta no Facebook. E é exatamente disto que trata o primeiro episódio, Origin.

É neste episódio que conhecemos dois amigos de Kang, Greg Hwang e Michael Jen. Os três se conhecem há algum tempo, e Kang conta que a ideia de embarcar em um project car juntos surgiu quase como uma desculpa para que os três pudessem dar um tempo da rotina e curtir os finais de semana juntos. “A gente não joga golfe ou nada disso, então por que não construir um carro juntos?”

A ideia inicial era montar um Porsche 911 S da antigas, mas logo eles perceberam que os bons exemplares eram muito caros. E o trio também se deu conta de que nenhum dos três seria capaz de explorar como se deve o potencial de uma máquina arisca, com motor e tração traseiros, como é o 911.

Na busca por alternativas que tivessem o mesmo status de clássico, levou ao 240Z, que fez muito sucesso nos EUA em seus primeiros anos — seu visual, seu desempenho e seu preço eram para lá de convidativos, Kang conta que, como muitos entusiastas de sua geração, sempre foi um admirador do esportivo da Nissan, que fez muito sucesso nos EUA em seu tempo.

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Isto sem falar que, com o 240Z existe em abundância por lá, não foi difícil encontrar um bom exemplar: logo nas primeiras buscas pela Internet, Kang e os amigos encontraram um 240Z 1973 à venda a poucos quilômetros dali. Inteiramente original, bem conservado e rodando, o carro passou 15 anos guardado em uma garagem. Kang e os amigos compraram o carro sem pensar duas vezes, e o dinheiro pago por ele ajudou o jovem casal que o vendeu a reformar sua casa.

Uma vez com o carro na garagem, Kang começou a buscar influências para o visual do 240Z. Ele encontrou os kits da Rocket Bunny, com para-lamas alargados e rebites à mostra, e decidiu que era aquilo que queria. Ao postar uma foto no Instagram, perguntando onde poderia conseguir um daqueles kits, Kang chamou a atenção dos caras da GReddy Racing, que logo entraram em contato com ele para uma parceria. Detalhe: a GReddy foi responsável pelo Mazda RX- 7 que Han Lue, personagem de Kang, pilotava em “Velozes e Furiosos 3: Desafio em Tóquio”.

Por sorte, a ideia de Kang e da GReddy para o carro não tem nada a ver com o RX-7 tunado (ainda que ele fosse um dos carros mais legais da franquia). Influenciado pelo visual dos carros modificados dos anos 1970 e pelo Devil Z de Wangan Midnight, o carro recebeu um body kit com alargadores de para-lama e para-choques feitos sob medida, que o deixaram com um visual bastante agressivo, porém sem perder a veia old school. Dito isto, chegamos ao segundo episódio, que trata da transformação do 240Z de um carro antigo bem conservado a uma tela em branco, literalmente.

 

O trabalho de desmanche e preparação da carroceria ficou a cargo da californiana a cargo da californiana Signature Autobody, especializada em restauração e modificação de carros japoneses nos EUA — os famosos imports. Eles desmontaram o carro inteiro, removeram a pintura e trataram de corrigir quaisquer imperfeições na lata. Por sorte, não foi preciso fazer muito para tornar o carro apto a receber a nova pintura e as modificações.

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Apesar de curtir bastante o azul do Devil Z, Kang e os amigos decidiram que o carro seria branco. Não qualquer branco, porém, mas o tom de branco usado pelo Nissan 240Z em 1973. Também foi instalada uma gaiola de proteção integral, e o assoalho foi todo refeito para garantir uma base mais sólida para o novo motor.

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A esta altura, Kang já havia até escolhido o nome do projeto: FuguZ. “Z” por se tratar de um Z-car, claro. Já fugu é o nome que os japoneses dão ao baiacu — aquele peixe que, quando se sente ameaçado, engole muita água para aumentar de tamanho e afugentar possíveis predadores. Também é o nome do prato preparado com ele. O fugu possui um veneno muito poderoso em seu corpo, e apenas chefs altamente treinados podem prepará-lo e servi-lo em restaurantes autorizados pelo governo.

Parece um nome estranho para um carro, mas Kang explica. “Se não for preparado corretamente, o fugu pode matá-lo. Um carro de corrida também é assim: se não for preparado da forma correta, uma vez na pista, ele vai te dar problemas”. Faz sentido.

O terceiro e último episódio (até agora) mostra o início da montagem do carro depois de voltar da funilaria. Novamente, os detalhes da preparação não são mencionados, mas podemos ver o coletor de escape feito sob medida — componente importantíssimo para que o carro tenha um belo ronco.

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Também são mostrados outros componentes do carro — as rodas Rays Volk TE37 SL, que são 400 gramas mais leves que as TE37 normais; os amortecedores do tipo coilover feitos sob medida para o projeto; os pneus Nitto e o body kit da Rocket Bunny.

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O vídeo foi gravado há algumas semanas, mas só foi ao ar há alguns dias. Desde então, o projeto já avançou bastante — o body kit já está sendo instalado e o interior começou a tomar forma. E dá gosto de ver como o visual ficou mesmo fiel à velha escola: o painel foi forrado com camurça, o volante é de madeira e os bancos são do tipo concha com estilo clássico. O toque moderno fica pelo console central de fibra de carbono e, claro pela gaiola de proteção.

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O SEMA Show começa daqui a três dias, na próxima terça-feira (3). Até lá o próximo episódio deverá ir ao ar, e imaginamos que a quinta parte será filmada durante o evento. Estamos ansiosos para saber todos os detalhes técnicos e para ver o carro pronto. Você não?

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