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Polo GTI testado lá fora: novo hot hatch da Volkswagen é divertido, porém recatado

Faz pouquíssimo tempo que o Brasil recebeu, finalmente, uma nova geração do VW Polo. O hatch posicionado abaixo o Golf cresceu e ficou mais refinado – em parte, justamente por adotar a plataforma do irmão maior. Nós já andamos nele, em sua versão 200 TSI, na Estrada do Romeiros, e podemos dizer que é um carro extremamente correto em dinâmica, conforto ao rodar e desempenho… para uso diário. Comparado ao Golf não-GTI, ele tem bem menos pegada esportiva, mas porque sua proposta é diferente.

Só que a gente não andou no Polo GTI, e por uma razão simples – ele não é, e provavelmente não será, oferecido no Brasil. Na Europa, porém, o hot hatch já marca presença e até já andaram rolando algumas avaliações. Só por curiosidade, demos uma olhada e podemos ter noção: como ficou o Polo que a gente não vai ter?

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A tendência natural é imaginar que ele é um mini-Golf GTI, pois a plataforma MQB é a mesma (com sete centímetros a menos de entre-eixos), e o motor 2.0 TSI é uma versão um pouco menos potente do que a utilizada pelo Golf. São 200 cv entre 4.400 e 6.000 rpm, e 32,6 kgfm de torque entre 1.500 e 4.000 rpm. O câmbio é um DSG de seis marchas, obviamente com aletas para trocas de marcha atrás do volante, e o carro pesa 1.355 kg – 40 kg a menos que o Golf GTI, que pesa 1.395 kg.

Se você leu nossa avaliação do novo Polo, vai lembrar que o Juliano disse claramente: “seria o Novo Polo um mini-Golf na tocada? Não. E isso é bom.”

Uma coisa ficou bem clara nos reviews que lemos: da mesma forma, o Polo GTI não é um mini-Golf GTI. Só que talvez isto não seja tão bom assim.

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Além do motor 2.0 turbo de 200 cv e do câmbio DSG de seis marchas (uma caixa manual de seis marchas será disponibilizada no fim de 2018), o novo Polo GTI traz outras diferenças em relação aos modelos não-esportivos: a suspensão, que usa barras estabilizadoras pelo menos 1mm mais grossas, um eixo de torção traseiro 60% mais rígido, rodas de 17 polegadas exclusivas (com rodas de 18 polegadas opcionais, modelo Brescia, iguais em desenho às rodas de 19 polegadas usadas pelo Golf GTI Clubsport) e, claro, um pacote aerodinâmico que é até discreto visualmente mas, de acordo com a VW, é vital para aumentar o downforce e reduzir o subesterço nas curvas. Ainda segundo a Volks, o novo Polo GTI tem 40% mais rigidez à torção do que o antigo Polo GTI.

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É tudo muito animador em tese, mas na prática a sensação é de que a plataforma tem potencial para entregar uma experiência mais empolgante e envolvente. A começar pelo desempenho do motor. De acordo com o pessoal da Evo, por exemplo:

A VW diz que o Polo GTI com câmbio DSG é capaz de ir de zero a 100 km/h em apenas 6,7 segundos. Mas por mais que ele pareça tão veloz quanto os números sugerem quando se pisa fundo, a impressão é que ele nunca é tão rápido quanto seu torque e seu peso relativamente baixo de 1.355 kg em ordem de rodagem sugerem. Ele tem bastante pegada em baixa velocidade, mas a curva de potência fica meio plana em médias rotações – é como se o potencial do carro fosse deliberadamente podado para não roubar clientes do Golf, embora esta relutância também possa ser explicada pelas marchas intermediárias mais longas.

Não nos surpreende – na verdade, lembramos da situação do Porsche 911 em relação ao Cayman, embora no caso dos hatches da VW esta intenção não fique tão clara. Afinal, são carros de personalidades naturalmente diferentes, como dissemos em nossa avaliação.

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Na Europa, o grande rival do Polo GTI é um carro que sequer alimentamos a esperança de ver no Brasil um dia – o Ford Fiesta ST, que em sua geração anterior era equipado com um motor 1.6 de quatro cilindros e 200 cv, e tinha um acerto bastante agressivo. Comparado a ele, o Polo GTI deixa claro que os alemães gostam de fazer as coisas de um modo diferente, como comenta a revista Car.

O novo Polo GTI é um carro divertido de dirigir? Bastante. Mas de um jeito particularmente alemão, bem Volkswagen de ser, o que significa que se você espera pelo tipo de máquina que te pega pelo pescoço como o antigo Fiesta ST, talvez você acabe se decepcionando. A ênfase aqui é a precisão (…) e o resultado é um GTI que mantém a maturidade e o nível de conforto do novo Polo, mas que é bem mais esperto.

Não dá para descrever a direção como ganhando vida nas suas mãos, mas as respostas são imediatas, sem qualquer tipo de zona morta como se costuma ver em carros com assistência elétrica, o que ajuda a tornar as mudanças de direção precisas e cheias de energia. Isto se traduz em uma montanha de aderência em curvas rápidas, embora você acabe mantendo o sistema XDS (nota: um sistema da VW que tenta imitar a ação de um diferencial dianteiro de deslizamento limitado ao aplicar os freios de forma alternada) bastante pocupado se tiver o pé muito pesado. Há uma impressão bastante clara de que o carro trabalho como um conjunto, e não como uma dianteira e uma traseira separadas, forçadas a cooperar a contragosto.

Ou seja: é um carro coeso, que brilha no acerto de suspensão mais do que em outros aspectos. Que o digam os caras do Car Throttle, que não ficaram tão entusiasmados assim com a direção, mas curtiram outros aspectos do carro. Detalhe: eles também falaram em desapontamento.

Você também pode ficar decepcionado com a direção. Ela traz a mistura de agilidade e leveza comum dos sistemas de assistência elétrica, mas mesmo para um sistema elétrico o feedback é fraco. Inexistente, na verdade.

Mas se a direção não inspira muita confiança, a suspensão o faz. O novo GTI é um hot hatch absurdamente bem acertado e adulto, do tipo que surpreende pelo que consegue fazer. Ele deu um salto considerável em relação a seu antecessor. Mas talvez seja um pouco amarrado demais: sua potência é muito inferior aos limites do carro, a traseira só se solta sob circunstâncias extremas de frenagem quando se tem um circuito de corridas para explorar, e ele simplesmente não parece um carro que te empolga.

Em certo momento do teste, lembro de ficar preso atrás de uma longa fila de carros em uma belíssima estrada cheia de curvas, o que normalmente me deixaria furioso. Mas no Polo eu fiquei bem feliz em relaxar e curtir a cabine que também é muito adulta, com seu genuinamente incrível painel digital Active Info Display II, sua qualidade de construção sólida, seu painel bacanudo da cor da carroceria e, claro, seus bancos com tecido xadrez.

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“Adulto” parece ser a palavra-chave aqui, porque o pessoal do Top Gear também disse algo nestas linhas. Na verdade, eles resumiram muito bem a impressão geral.

Hot hatches pequenos são, tradicionalmente, carro de gente jovem – mas o Polo GTI é particularmente adulto. O que, claro, pode ser seu grande trunfo ou sua maior falha, dependendo da forma como você encara. Uma pessoa de 50 anos se sentiria em casa em um desses, o que provavelmente não aconteceria em um Fiesta ST ou 208 GTI. (…) No mais, eis um carro (não-tão) pequeno assim que é razoavelmente divertido. E ganhou nosso respeito, pois tecnicamente ele é muito capaz.

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A máxima “nem melhor, nem pior, apenas diferente” parece se aplicar bem ao novo Polo GTI. Para nós, é quase certo que ele não vem, mas a versão GTS, que traz de volta a clássica sigla que fez sucesso no Gol, está a caminho. Considerando que, aqui no Brasil, os carros precisam ser ainda mais versáteis e manter os custos viáveis, é provável que ele seja uma variação enfeitada equipada com o motor 1.0 TSI 200, mais ou menos como era o Speed Up! em relação aos demais Up! TSI. Agora… se dependesse de nós, ele usaria o 1.4 TSI com 150 cv e visual inspirado no GTI. Dessa forma, ele assumiria ainda mais sua personalidade civil (algo que o Polo comum já faz muito bem) sem deixar de lado a aura mais descolada.