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Por que os semáforos são como são?


Uma das minhas obras literárias favoritas não está em um livro, mas em um site de ficção colaborativa. Um conto curtinho, de 30 e poucas linhas, que fala sobre como um motociclista acidentado que, para pagar a dívida com o hospital, aceita doar seu corpo inteiro ao filho de um político. Seu cérebro – e sua consciência – vão parar dentro de um “semáforo inteligente”. É ele quem decide o momento em que cada luz acende ou apaga. Um conceito macabro e meio perturbador, sim. Perfeito para quem curte sci-fi com pinceladas de horror.

Topei com o conto novamente dia desses e, depois de relê-lo, me peguei pensando nos semáforos e em seu esquema de luzes. Vermelho, amarelo e verde, quase sempre. E as três cores sempre significam a mesma coisa: pare no vermelho, preste atenção no amarelo e prossiga no verde. Por quê? E, afinal, de onde vem o nome “semáforo”? É incrível como um conto de ficção-científica-futurista-de-terror pode de inspirar das mais variadas formas…

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Mas vamos lá. O semáforo existe desde muito antes dos carros – já no fim do século 19 foram instalados sinais de trânsito luminosos em volta do Palácio de Westminster, em Londres, para organizar o tráfego de pessoas e carruagens pelo local. A ideia veio do engenheiro ferroviário John Peake Knight, que adaptou os sinais luminosos usados nas ferrovias para as ruas da capital britânica. O sistema consistia em postes de 6,7 metros de altura com braços articulados e lâmpadas a gás para serem vistos à noite.

Inaugurado em dezembro de 1868, o sistema era acionado manualmente por um guarda de trânsito. Primeiro o braço era estendido horizontalmente, como sinal de “pare”. Depois, era abaixado a um ângulo de 45° para dizer “prossiga com cuidado”. As lâmpadas só eram usadas à noite: vermelha para “pare” e verde para “cuidado”.

Este método visual de transmitir mensagens curtas é chamado, em inglês, de semaphore – é a origem do termo “semáforo” em português. Tecnicamente, qualquer tipo de comunicação visual que utilize algum código para transmitir diferentes mensagens pode ser considerada um semáforo. Um farol em uma pequena ilha com uma luz indicando o caminho? Um semáforo. As bandeirinhas usadas nos aeroportos ou nos autódromos? Semáforo. O heliógrafo, um dispositivo que consiste em um tripé com um espelho, usado para refletir a luz do sol em código morse, também é um tipo de semáforo.

Mas o semáforo de trânsito – que também é conhecido como “sinaleira”, “sinal” ou mesmo “farol”, em inglês é chamado traffic light. E, nos anos seguintes a sua estreia em Londres, espalhou-se rapidamente pela Europa. No começo do século 20, já com alguns carros nas ruas, os semáforos foram parar nos Estados Unidos. De lá, para o resto do mundo.

A princípio, a maior parte dos semáforos usava o mesmo esquema de luzes a querosene que os originais do Reino Unido – uma luz vermelha e outra verde, dizendo “pare” e “siga com cuidado”. E foi nos Estados Unidos que Lester Wire, um policial de Salt Lake City, Utah, desenvolveu o primeiro semáforo elétrico de que se tem notícia: uma caixa de madeira (mais tarde, trocada por metal) com luzes vermelhas e verdes nos quatro lados, montada em um poste de 10 metros de altura.

O primeiro semáforo elétrico e seu inventor

Wire, que era chefe do departamento de trânsito da cidade, mergulhou as lâmpadas na tinta para dar cor, projetou todo o esquema elétrico e fez sozinho o primeiro protótipo. Instalado em um cruzamento movimentado de Salt Lake City, logo o semáforo foi apelidado “gaiola do Wire” – parecia mesmo uma gaiola. Não demorou para que uma versão mais resistente, feita de metal, fosse construída reaproveitando o cano de escape de uma locomotiva velha.

A motivação de Lester Wire era criar uma forma de fiscalizar o tráfego na cidade sem exigir que seus homens ficassem em pé, no tempo, por longos períodos. Cinco anos depois, toda Salt Lake City tinha semáforos elétricos interconectados – foi a primeira cidade a fazê-lo.

Embora Lester Wire tenha sido o inventor do semáforo elétrico, ele nunca patenteou sua criação. Pensava em fazê-lo, mas pouco depois foi convocado para servir na Primeira Guerra Mundial – e, ao retornar, já não havia mais tempo: os semáforos já haviam chegado a outras cidades. Em 1914 já havia semáforos elétricos em Cleveland, Ohio. Do outro lado do país.

A primeira patente relacionada a um semáforo elétrico foi registrada por Garrett Morgan, que coincidentemente morava em Cleveland. Ele viu um acidente grave em um cruzamento e imaginou que uma terceira luz, servindo de alerta, poderia tê-lo evitado. A patente foi encaminhada em 1922 e concedida no ano seguinte.

Nos primeiros anos do semáforo ainda não havia um padrão para as cores. Ainda assim, a adoção vermelho como “pare” era praticamente universal – a cor sempre foi associada ao perigo e ao risco, mesmo na natureza, pelos animais. Nos sinais ferroviários o vermelho já era utilizado havia tempos, então foi natural que também tenha sido usado para os carros.

A luz verde foi utilizada para o sinal de “prossiga com cuidado” por seu contraste com o vermelho, e também porque era uma cor mais fácil de se obter na indústria que o azul, por exemplo. Além disso, os seres humanos associam a cor verde com situações positivas, de tranquilidade e paz – como um caminho livre à frente. Quase poético, não?

Curiosamente, porém, em alguns locais havia semáforos com a luz de “pare” amarela – uma cor mais fácil de ser vista à noite que o vermelho. Foi só com a evolução a tecnologia para fabricar materiais refletores mais eficientes que o vermelho tornou-se, de fato, padrão para a luz de “pare”. O verde continuou como “siga”, e a luz amarela – mais visível que o verde – assumiu o papel de “cuidado”. Esta questão já estava resolvida quando os anos 1930 chegaram, e não mudou muito até hoje.

Existem, porém, variações regionais. No Brasil, como nos EUA, a maioria dos semáforos tradicionais é vertical, vermelho-amarelo-verde de cima para baixo. No Canadá, porém, os semáforos geralmente são horizontais, com o vermelho à esquerda, e as luzes têm diferentes formatos para facilitar a vida dos daltônicos (que podem confundir verde e vermelho em uma das variantes da síndrome).

 

Blue means go

Uma exceção interessante ao padrão são os semáforos japoneses: muitos deles são azuis. Tudo por uma questão de idioma: no Japão, há séculos, usava-se a mesma palavra – ao – para as cores verde e azul. Isto nunca tinha sido um problema até por volta do ano 1000 d.C., quando outra palavra – midori – começou a ser usada para descrever a cor verde. Que, na época, ainda era considerada apenas uma variante do azul.

Até hoje os japoneses usam ao para muitas coisas que nós chamaríamos de midori – como ao-ringo, que significa “maçã-verde” e não “maçã-azul”. E isto foi um problema quando começaram a vigorar padrões internacionais para as cores dos sinais de trânsito.

No começo do século 20, os sinais de trânsito japoneses tinham luzes verdes, como no resto do mundo – e elas eram chamadas de ao. E foi assim por um bom tempo. Porém, na década de 1970, teve início a padronização internacional, mas muitos japoneses recusavam-se a chamar de midori aquilo que, há muito tempo, era considerado ao.

A solução encontrada foi simples: mudar a cor das luzes para um tom de verde o mais próximo do azul quanto fosse possível, satisfazendo os padrões internacionais sem que a população precisasse mudar seus costumes. Algo tipicamente japonês, se me permitem.

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