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Project Cars Project Cars #313

Project Cars #313: começa a restauração do meu Gol GTi 1991

Voltei, pessoal! Primeiramente quero agradecer muito a quantidade de comentários no meu primeiro post, conheci muita gente legal e a troca de informações foi muito enriquecedora, obrigado a todos!

Na primeira parte da saga com o tripa seca, comentei que após ter passado os primeiros dias após a compra comecei a ter uma série de problemas, foi algo muito louco pra mim, pois afinal, no meu antigo carro o Ford ka, eu só fazia a manutenção básica, gasolina, e andava  por ai sem precaução nenhuma,  não tinha experiência nenhuma com um carro mais antigo, más prometi pra min mesmo que acontecesse o que acontecer, eu devolveria os dias de glória para o meu humilde GTi

O primeiro passo após a compra foi levar o tripa seca para fazer uma pequena manutenção básica, onde fiz uma limpeza no sistema de arrefecimento, substituindo o fluido, também  troquei o óleo, filtro de combustível, filtro de ar e óleo, mesmo com o GTi naquela altura falhando muito e as vezes morrendo, julguei necessário essa pequena revisão antes de correr atrás do que seria necessário.

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Um mês após esse serviço, não sabia em qual mecânica levar, então levei o quadrado no mecânico de confiança do meu pai, mesmo sendo um excelente profissional, ele não conseguiu identificar os defeitos mais “cabeludos” do tripa seca foi ai meu primeiro erro, deveria ter conversado mais com proprietários de  GTi e procurado uma oficina que entendesse mais sobre as peculiaridades do meu carro, nesse serviço foi feito uma revisão nas mangueiras, onde foi verificado uma fuga de ar, também foi substituído rotor, tampa do distribuidor e também verificado o estado do cabeçote, que aparentemente estava em boas condições.

Após três dias com o carro na mecânica, senti uma sensível melhora no desempenho, mas pouco tempo depois o carro voltou a morrer e em determinadas rotações perdia muito torque, o que me deixou com a pulga atrás da orelha, tentando entender o que estava acontecendo com o meu carro.

 

Mesmo com o GTi falhando bastante, ainda utilizei dentro da cidade em pequenos percursos pois era meu único carro, foi então que em março de 2015 estava voltando pra casa quando ao sair de um farol pisei no acelerador e o carro perdeu totalmente a força, consegui encostar em uma rua paralela e o carro apagou, abri o capô e tentei verificar se havia alguma coisa de errado, não constatei nada fora do normal, então tentei dar a partida de novo e o  carro lutava para não morrer, então desliguei o carro e chamei meu irmão para me ajudar, foi a primeira vez que fiquei parado na rua com o tripa seca, a primeira de muitas.

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Por sorte fiquei parado a 500 metros de uma mecânica, então contamos com a ajuda da gravidade e pegamos embalo em uma descida para chegar até a mecânica para avaliar o que havia acontecido, chegando lá fui recepcionado pelo dono da oficina, o senhor foi simpático e se dispôs a verificar o que estava acontecendo com o meu carro, então combinei com o senhor que assim que descobrisse o que teria ocorrido, iria me avisar pelo celular, então peguei um ônibus e fomos pra casa, no caminho só pensava que o meu motor teria ido para o saco.

Então lá pelas 16h o telefone tocou, eu já atendi com medo, foi quando o mecânico me deu o diagnóstico de que foi necessário uma pequena retífica no meu cabeçote pois não estava completamente plano, o que ocasionou a entrada de água na câmara de combustão, trabalho que foi mal feito na retifica de motor que aconteceu a um ano antes de eu comprar o tripa seca quando ainda estava com o antigo dono, junto com essa retifica foi trocado a junta de cabeçote,  óleo e filtros, as velas que estavam encharcadas, também trocamos o fluido de arrefecimento, para o meu alivio não gastei metade do que achava que iria gastar.

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No dia seguinte, o carro ficou pronto, então peguei um ônibus e fui até a mecânica, conversei muito com o senhor simpático e que conhecia muito de mecânica, fez questão de concertar meu carro, após esclarecer várias dúvidas minhas, ele  deu uma luz sobre o problema de perda de potência em determinadas rotações, ele me disse que o meu fluxo de ar da minha injeção provavelmente estava com defeito.

Saindo da mecânica com o GTi, percebi o motor trabalhando muito mais suave e muito mais arisco ao pisar no acelerador, fiquei surpreso com a aceleração do APzão, agora na sua melhor forma, então fui pra casa, guardei o tripa seca na garagem e fui pesquisar tudo  sobre a minha injeção..

Caí de cara nos fóruns e nos vídeos do YouTube para aprender tudo que eu ainda não sabia sobre a famosa injeção analógica LE-Jetronic, nas andanças pelos fóruns, e depois de muito pesquisar, entrei no fórum do Kadett GSI, que compartilha a mesma injeção, e vi em um tópico de um membro dizendo que existia um profissional especialista que havia trabalhado como engenheiro supervisor na fabricação dos módulos da injeção, e que entendia muito sobre as características e os problemas da Lejetronic, não pensei duas vezes, em março de 2015 fui fazer uma visita a Ativa Injeção na Zona Sul de São Paulo.

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O senhor Vanderlei me deu uma aula do sistema LE-Jetronic, me contou várias curiosidades como no inicio das vendas do GTi em 1989, ao passar por áreas com muita interferência como a Avenida Paulista, em São Paulo, onde havia muitas antenas de TV, o carro sofria uma interferência muito forte e que ocasionava apagão no carro, pois a blindagem do módulo de injeção era ineficiente, algum tempo depois o defeito foi solucionado.

Logo de cara ao analisar o fluxo de ar foi verificado um risco na trilha do medidor de fluxo, isso ocasionava uma leitura incorreta pela central da LE por isso mandava mais ou menos combustível por isso meu carro estava perdendo potencia em algumas rotações, bingo! Defeito solucionado!

Efetuamos a substituição do fluxo por um novinho em folha, depois desse dia o carro mudou da água para o vinho, a perda de potência parou, e de quebra ficou muito mais econômico, o alivio por ter solucionado esse defeito que se arrastava foi muito grande!

Um mês depois já estávamos em abril de 2015, depois de tirar o GTi da garagem, estava a caminho novamente do centro da cidade para verificar a parte elétrica do carro que estava cheio de remendos em alguns fios, na estrada o carro começou a engasgar muito, já fiquei louco da vida de novo, então a três quilômetros da minha casa o Tripa Seca resolveu parar pra descansar no acostamento, tentei dar a partida novamente e nada, o tanque estava na metade, abri a capô e estava tudo dentro do normal, após meia hora tentando entender o que estaria acontecendo com o tripa seca, pedi ajuda dos universitários, então sai de lá rebocado e guardei o GTi na garagem. Mil coisas passaram pela minha cabeça tentando entender o que estaria acontecendo.

Então tomei uma decisão de deixar o Tripa Seca adormecido na garagem pois precisava de um carro confiável, que pudesse pegar estrada sem risco de uma pane, que pudesse fazer viagens, que fosse um pouco mais econômico, um pouco mais confortável e barulhento, então outro Gol surgiu na minha vida, a pouco tempo a atrás eu nem gostava muito de Volkswagen e hoje tenho dois. Pois é, caros gearheads… o mundo dá voltas.

Então em junho de 2015 um outro Volks estava entrando na minha vida, trata-se de um Gol da segunda reestilização da geração 2, mais conhecido como G3, versão Plus, ano 2001, com o tão controverso motor 1.0 16v com 64.000 km originais..

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Eu de cara adorei o G2. O espaço interno é ótimo, o acabamento interno é claro e sóbrio, a suspensão original não é nem muito mole nem muito dura, mas pra min o ponto forte é o motor, o 1.0 16v AT produzido até junho de 2001 se não estou errado, é um motor que não deixa de ser 1.0, porém é um motor que além de andar bem dentro da cidade, é um carro que sofre muito menos na estrada, além de ser ecônomico, muitas pessoas criticam os motores 16v da Volks, eu não acho justo, principalmente aos donos que fazem manutenção incorreta como adicionar óleo com a outra especificação da recomendada no manual, ou simplesmente não fazem manutenção, e depois criticam que o carro não presta.

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Seis meses depois já era dezembro de 2015, e a fera despertou para a vida novamente, mas tudo que irá acontecer nos próximos quatro meses eu vou contar no terceiro capítulo da saga.

Por Renato Oliveira, Project Cars #313

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